Aquilo era quase um prémio!
Nós tínhamos na mão
uma casa perfeita para passar o Carnaval. A casa ficava dentro do quarteirão da
praça central do Aracati, a Praça do Carnaval. Nós estamos falando da década de
80. Esses foram os anos que o Aracati veio a se transformar na referência do
carnaval do Ceara.
Era uma casa que
cabia a turma toda, e a tia, a dona da casa, ficava para tomar conta da casa e
da gente. Ela tomava conta da casa, fazia comida e, de certa forma, controlava
a bagunça. Pelo menos não permitia que as coisas saíssem do controle. Tarefa
árdua diante de uma turma de adolescentes.
Nos dias de
carnaval, nós cumpríamos uma programação, um padrão. Acordávamos já com o café
prontinho e, de bucho cheio, todo mundo dava uma colaborada para arrumar a
bagunça feita no dia anterior. Fazíamos as compras necessárias para o almoço e
a estruturação da farra posterior, cervejas, refrigerantes e coisas do gênero.
Tudo para deixar garantida a farra que tinha início logo depois da alimentação
de mais “sustança”.
Nós tínhamos aquele
camarote extremamente privilegiado. Da casa, acompanhávamos toda bagunça do
mela-mela, que tinha início no final da tarde. Convivíamos, acho que esse é o
melhor termo, com o carnaval que acontecia durante a noite toda, na praça. Por
isso mesmo, deixávamos tudo muito bem arrumado antes de ir para a praia.
E assim se guiam
todos os dias. De volta da praia, banho e almoço. Daí para frente era carnaval.
Dá para entender que essa mistura que se faz, entre a folia de carnaval, o
ímpeto da juventude e uma turma de amigos, tem que resultar em algumas
situações que fogem o padrão normal de comportamento.
A casa comportava
bem o grupo, mas, se levando em conta que eram mais de 30 pessoas, dava para
prever que tinha gente em todos os cantos da casa. Na sala da frente, então,
ficaram os rapazes mais soltos, os que tinham a probabilidade de serem os
últimos a retornar para casa. Assim, na sala, acabou se formando um enfileirado
de colchonetes.
Na madrugada
daquela segunda feira, ainda no período de carnaval, uma das meninas,
acordou e foi procurar alguma coisa na sala. Melhor não entrar nesse detalhe. Tudo
muito escuro, ela resolveu acender a luz. O interruptor ficava bem no portal,
na entrada da sala.
Ela acendeu a luz,
deu um gritinho (sabe aquele “ai” de um susto que você põe a mão na boca para
não chamar atenção?) e, logo depois, apagou a luz. Tinha um homem nú
esparramado na sala. Logo, ela foi chamar outra das meninas da casa e foi
mostrar a cena. Ai imagine: as duas no portal da sala; ela acende a luz
novamente; as duas repetem o grito, da mesma forma; tapando a boca; e vão
chamar mais uma, a terceira.
Nessa brincadeira
veio a quarta, a quinta, a sexta, tudo seguindo o mesmo ritual. Elas se
postavam no portal da sala, acendiam a luz, davam juntas o mesmo grito, davam
risadas que já tomavam conta da casa e iam em busca de mais uma. Mais uma outra
para ver o tamanho da cena, se é que você me entende.
Nessa, as 12 ou 13
mulheres que estavam na casa, todas passaram pelo portal da sala, vislumbraram
a cena, deram o mesmo grito tapando a boca e rindo. Lógico que os comentários
eram hilários, todas comentando sobre os detalhes da cena. Todas, ou quase
todas, foram conferir uma, duas ou mais vezes as questões do rapaz nú,
esparramado em um colchonete na sala da casa.
O rapaz estava
largado no colchonete, na sala da casa, totalmente sem roupa, de papo para cima
e com o seu companheiro de batalha adormecido sobre a perna. Um detalhe que
chamou muito a atenção das meninas, e que gerou os comentários dos quais eu me
referi. Melhor não relatar os comentários aqui, o texto pode ser lido por
menores.
O mais engraçado
foi que a primeira a ver a cena voltou todas as vezes, acompanhando cada uma
das outras mulheres, assim como a segunda e por ai vai. Todas davam o mesmo
grito, independentemente da quantidade de vezes que já tinham ido conferir a
cena. A questão é: ninguém fez nada para acabar com a nudez do sujeito.
A brincadeira durou
até que um outro rapaz foi chamado para resolver o problema. Ele acordou o
moço, que estava encantando as meninas da casa, trazendo-o de volta a vida,
ajudando para que ele pudesse se recompor e acabar com aquela situação.
O caso entrou em investigação.
Estávamos todos, inclusive o rapaz que protagonizou a nudez, querendo entender
o que teria acontecido. Como que ele, apesar de saber que tinha abusado da
bebida, teria chegado em casa e se prestado ao show.
Foram muitas
teorias e muitas histórias. Já teve até quem tentasse assumir a culpa do caso,
mas, na verdade, virou um enigma e vai continuar em aberto. Todas as deduções
propostas foram derrubadas.
Obs: Esse é um
texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde
eu conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!
Aélio Jalles (Lelo)
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