sábado, 29 de outubro de 2022

Uma vida sobre rodas!





Se você anda de moto, se faz isso por prazer,

Vai entender meu escrito, vai sentir o que vou dizer:

Que falta que faz o vento,  a jaqueta e o equipamento

E um caminho a percorrer!

 

Ao se tomar uma estrada, o vento nos remete à vida,

A paisagem insufla a alma, o ronco do motor, a batida. 

Isso induz o sujeito a viver mais satisfeito

Por cada aventura vivida.

 

Viver a vida sobre rodas tem um "quê" de liberdade;

Quem faz isso por prazer e reconhece essa verdade

Recarrega as energias, enche a vida de alegrias

Distribui felicidade!

 

É uma vida que transborda, que se deixa fluir livremente

De bons sentimentos recheada, põe gosto na boca da gente

É como vestir a emoção, saber abrir o coração

Faz a alma mais contente.

 

Ser motociclista é muito mais do que uma máquina pilotar

São prazeres bem pessoais, é como ganhar asas e voar

A gente se sente mais vivo, ficando bem mais ativo

Dá para viver e se jogar!

 

Que o universo nos brinda e vento nas roupas injeta

Uma vida que nunca finda e que o sentimento decreta

O que vai além da razão, o que se vive por paixão 

Desse amor pela motocicleta!

 

 



 Aélio Jalles (Lelo) 

 

 

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Tem um Nú, na sala!



Aquilo era quase um prémio!

Nós tínhamos na mão uma casa perfeita para passar o Carnaval. A casa ficava dentro do quarteirão da praça central do Aracati, a Praça do Carnaval. Nós estamos falando da década de 80. Esses foram os anos que o Aracati veio a se transformar na referência do carnaval do Ceara.

Era uma casa que cabia a turma toda, e a tia, a dona da casa, ficava para tomar conta da casa e da gente. Ela tomava conta da casa, fazia comida e, de certa forma, controlava a bagunça. Pelo menos não permitia que as coisas saíssem do controle. Tarefa árdua diante de uma turma de adolescentes.

Nos dias de carnaval, nós cumpríamos uma programação, um padrão. Acordávamos já com o café prontinho e, de bucho cheio, todo mundo dava uma colaborada para arrumar a bagunça feita no dia anterior. Fazíamos as compras necessárias para o almoço e a estruturação da farra posterior, cervejas, refrigerantes e coisas do gênero. Tudo para deixar garantida a farra que tinha início logo depois da alimentação de mais “sustança”. 

Nós tínhamos aquele camarote extremamente privilegiado. Da casa, acompanhávamos toda bagunça do mela-mela, que tinha início no final da tarde. Convivíamos, acho que esse é o melhor termo, com o carnaval que acontecia durante a noite toda, na praça. Por isso mesmo, deixávamos tudo muito bem arrumado antes de ir para a praia.

E assim se guiam todos os dias. De volta da praia, banho e almoço. Daí para frente era carnaval. Dá para entender que essa mistura que se faz, entre a folia de carnaval, o ímpeto da juventude e uma turma de amigos, tem que resultar em algumas situações que fogem o padrão normal de comportamento. 

A casa comportava bem o grupo, mas, se levando em conta que eram mais de 30 pessoas, dava para prever que tinha gente em todos os cantos da casa. Na sala da frente, então, ficaram os rapazes mais soltos, os que tinham a probabilidade de serem os últimos a retornar para casa. Assim, na sala, acabou se formando um enfileirado de colchonetes.

Na madrugada daquela segunda feira, ainda no período de carnaval, uma das meninas, acordou e foi procurar alguma coisa na sala. Melhor não entrar nesse detalhe. Tudo muito escuro, ela resolveu acender a luz. O interruptor ficava bem no portal, na entrada da sala.   

Ela acendeu a luz, deu um gritinho (sabe aquele “ai” de um susto que você põe a mão na boca para não chamar atenção?) e, logo depois, apagou a luz. Tinha um homem nú esparramado na sala. Logo, ela foi chamar outra das meninas da casa e foi mostrar a cena. Ai imagine: as duas no portal da sala; ela acende a luz novamente; as duas repetem o grito, da mesma forma; tapando a boca; e vão chamar mais uma, a terceira.

Nessa brincadeira veio a quarta, a quinta, a sexta, tudo seguindo o mesmo ritual. Elas se postavam no portal da sala, acendiam a luz, davam juntas o mesmo grito, davam risadas que já tomavam conta da casa e iam em busca de mais uma. Mais uma outra para ver o tamanho da cena, se é que você me entende. 

Nessa, as 12 ou 13 mulheres que estavam na casa, todas passaram pelo portal da sala, vislumbraram a cena, deram o mesmo grito tapando a boca e rindo. Lógico que os comentários eram hilários, todas comentando sobre os detalhes da cena. Todas, ou quase todas, foram conferir uma, duas ou mais vezes as questões do rapaz nú, esparramado em um colchonete na sala da casa. 

O rapaz estava largado no colchonete, na sala da casa, totalmente sem roupa, de papo para cima e com o seu companheiro de batalha adormecido sobre a perna. Um detalhe que chamou muito a atenção das meninas, e que gerou os comentários dos quais eu me referi. Melhor não relatar os comentários aqui, o texto pode ser lido por menores. 

O mais engraçado foi que a primeira a ver a cena voltou todas as vezes, acompanhando cada uma das outras mulheres, assim como a segunda e por ai vai. Todas davam o mesmo grito, independentemente da quantidade de vezes que já tinham ido conferir a cena. A questão é: ninguém fez nada para acabar com a nudez do sujeito.

A brincadeira durou até que um outro rapaz foi chamado para resolver o problema. Ele acordou o moço, que estava encantando as meninas da casa, trazendo-o de volta a vida, ajudando para que ele pudesse se recompor e acabar com aquela situação. 

O caso entrou em investigação. Estávamos todos, inclusive o rapaz que protagonizou a nudez, querendo entender o que teria acontecido. Como que ele, apesar de saber que tinha abusado da bebida, teria chegado em casa e se prestado ao show.

Foram muitas teorias e muitas histórias. Já teve até quem tentasse assumir a culpa do caso, mas, na verdade, virou um enigma e vai continuar em aberto. Todas as deduções propostas foram derrubadas.    

 

Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde 

eu conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

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sábado, 22 de outubro de 2022

A Festa do Contrário!



Foi assim que nós batizamos aquela festa épica!

Estamos falando do ano de 1987. Nossa turma era ainda toda formada de adolescentes. Nós já éramos amigos de longas datas, e já tínhamos realizado muitas outras aventuras. De qualquer forma, aquele tipo de festa era um desafio, levando em conta as concepções sociais da época. 

A data comemorativa mais marcante da turma era o dia dos namorados, sendo óbvio até. Assim nasceu a ideia de uma comemoração diferente, algo que marcasse, que ficasse registrado na nossa história. Foi para isso que nos desafiamos a fazer a Festa do Contrario! 

A festa começou a ser idealizada nos nossos encontros, como sempre, tendo o Caravele como pano de fundo. Em cada reunião que fazíamos apareciam novas sugestões e lógico, as negativas, as dificuldades que teríamos que enfrentar.

Uma festa onde os homens se vestiriam como mulheres e as mulheres se vestiriam como homens, era de se imaginar que nem todo mundo iria topar. Essa era só uma das questões levantadas. Tinha a questão do onde, de como nossos pais iriam encerrar essa brincadeira e coisas do gênero.

O primeiro desafio era garantir que todos estivessem vestidos a caráter. Nós teríamos que fechar a questão de que só entraria na festa quem estivesse devidamente trajado. Não se poderia permitir ninguém quebrar a regra. Nem mesmo se um dos pais, por exemplo, quisesse ir à festa, teria que se vestir a caráter. Ninguém era ninguém!

O Local escolhido foi um sítio nas imediações de Messejana. Um local tranquilo, onde nós poderíamos fazer a bagunça do mundo todo, sem incomodar ninguém. O sitio era dos pais de um dos nossos amigos, um dos membros da turma. A Turma dos Anjinhos!

Teria que ser uma festa com todos os aparatos. A decoração feita com muito capricho, um buffet que pudesse dar conta do número de pessoas que imaginamos que poderiam estar lá, a seleção musical, que deveria ser escolhida e preparada a tempo. Nós estávamos no tempo da fita K7. Não dava para preparar uma trilha musical assim da noite para o dia não.

Só que a festa rendeu muito mais do que poderíamos imaginar. Nos dias que se seguiram a preparação dessa festa, teve um dia em que 14 homens se prontificaram a ir ao centro da cidade, comprar sapatos de mulher. O detalhe: sapatos que coubessem naqueles “pesinhosdelicados”. Sapatos de mulher com tamanhos do 40 ao 46. A loja escolhida foi a Arca da Aliança!

Da para imaginar? Um monte de homens na secção de sapatos femininos enchendo o saco dos vendedores. Deu para chamar a atenção de todo mundo que estava na loja, rendeu muitas risadas e, diga-se de passagem, demorou para que a nossa história fosse absorvida.

Lá estávamos nós, tentando encontrar um sapato que se adaptasse ao pé. Cada pé que vou te contar. De repente começou os aplausos. Cada um que conseguia um par adequado ao pé, desfilava na passarela da loja e arrancava os aplausos, vindo dos amigos e dos outros clientes da loja. Virou bagunça, a gente desfilava, dançava, fazia todo tipo de graça.

Um dos amigos, no entanto, ainda saiu da loja sem o seu par de sapatos. O pé dele tinha a tala mais larga do que os demais. Segundo as piadas, não era um pé era um casco. Ele só foi encontrar uma sandália, sem lateral e com umas tiras de amarrar, o que facilitou a adaptação do pé dele, em um dos Camelôs, no calçadão, nas bancas de vendas do centro de Fortaleza.

Tivemos também muitos outros, como por assim dizer, incidentes engraçados, no transcorrer de toda a preparação, e em todo o processo para se chagar à festa. Foi todo mundo muito bem arrumado. O traslado, entre as casas e o sítio onde a festa seria realizada, era longo.

Um dos amigos, devidamente trajado, quase uma moça, ficou esperando um bom momento para pegar o elevador do prédio. Quando ele tomou coragem e decidiu ir não deu outra, no andar debaixo entrou um bocado de gente. Lógico que ficou todo mundo olhando para ele, sem conseguir entender.

O outro com o vestido de 15 anos da irmã, deu o prego de pneu na moto. Assim mesmo! Um cara até meio parrudo, de bigode, com as feições bem características de homem, em um vestido branco, esvoaçante, com o zíper nas costas abertos (não dava para fechar) e “puto” de raiva. O borracheiro deve ter dado gargalhadas o resto da noite!

O fato é que a festa rendeu tudo o que a gente poderia imaginar. Muitos outros amigos, amigos que não eram da turma, mas que foram convidados, tomaram coragem e apareceram. Devidamente vestidos, é claro. Todo mundo fez piada com todo mundo! Todo mundo, de alguma forma, ou por alguma coisa mais especifica, foi “gozado”!

Tivemos de um tudo. Desde a “macheza” daquelas moças que, travestidas, demonstraram quão grotesca é a cultura machista da nossa sociedade. Da mesma forma, aqueles rapazes que se libertavam de uma espécie de armadura e deixavam fluir o seu lado mais doce.  

Deixando a filosofia de lado, tivemos muita dança, um desfile para a realização geral, para mexer com o ego daquelas moças e rapazes, muito mais dos rapazes, pode se afirmar. A verdade é que, todo mundo se soltou. Devagarinho foram aparecendo às performances, algumas que ficaram na história.

As imitações e as caracterizações, como a da nossa Cover da Elba Ramalho, uma briga entre as mais puritanas e as mais prostituídas da festa, que não se deixaram em paz durante toda a noite. E, para fechar a festa, um show de strip-tease.

Um dos caras embarcou na brincadeira, e fez um show mesmo. Ele levou todo mundo junto na viagem dele. Incorporou a meretriz no palco, envolveu todo mundo no clima de sedução e só parou por conta de uma chuva de sapatos.

A festa foi fotografada e filmada, uma novidade para a época. Uma câmera que gravava em fita VHS! Lógico que todos esses registros foram usados para as alfinetadas que se sucederam pelo tempo. Hoje, ainda quando se tem algum contato com uma dessas fotografias, como no meu caso de hoje, vem à mente todas essas histórias.

A fita VHS sumiu. Uma pena! Era um registro de muito valor sentimental, mas nessa de bolar de uma casa para a outra, sumiu!


Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde eu conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!

 

Aélio Jalles (Lelo)






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quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Uma vidinha em minhas mãos!


Na manhã dessa terça feira, dia 11 de outubro, data que eu acho que vai ficar registrada na minha cabeça. Sem querer levar em conta o meu inferno Astral, passei por aquele momento que se vai do céu ao inferno em um instante, um momento muito delicado e inexplicavelmente doloroso.

 

Meu cachorrinho, meu companheirinho das caminhadas diárias na praça, foi atropelado. E é assim, em um instante o mundo foge das tuas mãos, o chão foge dos teus pés e parece que a vida se esvai, mesmo que você também tenha que fazer força para o seu coração não fugir pela boca. 

 

Eu até já tinha pensado sobre esse risco, mas achava tão interessante ele solto, brincando e correndo pela praça, que fui me adequando ao medo e, aos poucos, considerando o risco cada vez menor. Era como se eu conseguisse controlar as fugidas que ele, aqui e acolá, dava da calçada da praça.

 

De acordo com a orientação de um adestrador, toda vez que ele desobedecesse, ou que fugisse do que era para fazer, eu deveria prendê-lo, dar mais umas voltas com ele preso na coleira, bem ao meu lado e poderia solta-lo novamente. Essa orientação vinha dando certo e eu, como já tinha dito, ia me sentindo cada vez mais seguro.

Na prática, estava dando tudo certo, até que ele deu uma fugida maior. Sempre que ele sumia da minha vista, bastava eu assoviar que ele vinha correndo. Dessa vez, ele tinha atravessado a avenida 13 de maio. Nunca tinha feito nada disso. Aqui e ali, ele descia da calçada, eu brigava e prendia novamente. Tudo dentro do resultado do que me foi orientado.

Eu achava que estava tudo sob controle, de uma forma tal que, por vezes, ficava só observando ele na beira da calçada, me mantinha calado e via o impasse dele, como que pensando se descia ou não. Ele parava na beira calçada, me procurava e dali não passava. E assim, cada vez que eu o via hesitando, minha confiança aumentava.

Tudo dentro do que deveria, até o dia que ele resolveu quebrar o esquema. Ele fugiu da praça e atravessou a avenida 13 de maio. Eu penso que ele foi em busca da Jade, uma cadelinha com quem ele sempre brincava. Ela aparecia na praça nos finais de semana. Sábados e Domingos, a Jade vinha passear na praça e os dois brincavam muito.

Quando eu senti a falta dele, como de outras vezes, eu assoviei e, da mesma forma, ele me atendeu. As pessoas que estavam na praça, gritaram, avisando que ele estava do outro lado da avenida. Quando ele escutou o assovio, correu. Uma moto vinha passando na hora e atropelou ele. A agonia tomou conta, e eu só queria chegar onde ele estava.

É uma loucura! Eu vi meu cachorrinho do outro lado da avenida, estribuchando no chão. A primeira impressão era que ele tinha morrido. Eu peguei ele em meus braços e sai em busca de ajuda. Não, ele não morreu! Quando eu ouvi o gemido dele, as lágrimas escorreram, mas a esperança tomou conta de mim.

Logo percebi o rabo balançando, mas ele ainda sem uma reação mais forte. Corri em busca da ajuda, da ajuda de um alguém que pudesse me oferecer qualquer amparo, ou que me dissesse que ele não tinha morrido. Eu não sei como traduzir esse espaço de tempo com mais precisão, mas posso dizer que o raciocínio se parte em mil pedaços.

A cada passo que eu dava, as lagrimas cobriam o rosto e o sentimento de culpa ganhava um peso sem dimensões. A sensação de incapacidade se misturava a uma ideia de irresponsabilidade. O peso disso tudo nos ombros ia ficando cada vez mais insuportável.

Ele sobreviveu e está até bem para quem foi atropelado. Passou o dia todo muito acabrunhado, deitado pelos cantos, deixando claro que ele estava vivo, mas que não estava bem, que ia precisar de atenção e cuidados.

Da mesma forma eu! Eu também passei o dia todo com o sentimento à flor da pele, carregando um emboloado de emoções, com um nível de adrenalina que nem me lembro de já ter experimentado.

O nível de adrenalina está tão alto no meu corpo que eu não consegui dormir e, já na virada da noite, resolvi escrever essa história, como forma de conter o choro e aliviar a tensão. A tensão que eu vivi hoje com aquela vidinha nos meus braços!

 

  

Aélio Jalles (Lelo)





 

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sexta-feira, 7 de outubro de 2022

O Boteco e a Cachaça!



Existe uma sintonia fina entre o boteco e a cachaça;

Um ficando sem o outro, deixa tudo assim, sem graça;

Parece um cigarro aceso que não solta nem fumaça;

É como querer brindar, qualquer coisa pra saudar,

Sem se bater uma taça!

 

Pois é juntando os amigos, que a gente brinda e abraça,

Com bom papo em um boteco, desce a dose que a gente traça, 

Assim como um bom torresmo, que com a mordida espedaça,

Nós aqui vamos brincando, tomando uma e bradando,

Que a vida é muito massa!  

 

 

Já existe essa dinâmica, desde os primórdios da raça;

Que a gente promove a vida levantando junto a taça;

Com gostosas gargalhadas, o problema a gente afasta.

Pois um brinde pra valer, eu só sei como fazer,

No boteco com cachaça!

 

 Aélio Jalles (Lelo) 

 

 

 

 

 

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terça-feira, 4 de outubro de 2022

Dos Filhos para os pais. Um natal diferente!


 

No nosso grupo de amigos, praticamente todos tinham o aceso livre, praticamente todos transitavam nas casas uns dos outros. Éramos de casa, e os pais dos nossos amigos nos acolhiam, nos abraçavam, nos reconheciam. Eles gostavam da convivência e da segurança que o fato de andar juntos provocava.

Já não éramos tão adolescentes. O grupo girava nessa época, na casa dos 20 anos. Praticamente todos faziam parte do mercado de trabalho formal. E, pelo fato de já ter renda própria, tínhamos certa independência.  

Por conta de uma situação vivida, percebemos que, apesar de toda intimidade que tínhamos com os pais dos nossos amigos, nossos pais não se conheciam. Eles não tinham proximidade uns com os outros, apesar de, aqui e ali, ter a possibilidade de algum contato. Só que, fora algumas exceções, as relações não passavam de encontros fortuitos.

Percebemos, então, que poderíamos agir sobre essa questão. Nesse caso, invertendo a ordem normal das coisas, nós iríamos influenciar a amizade dos nossos pais. Estava na hora de apresenta-los de forma mais enfática e, quem sabe, provocar essa convivência entre eles.

Montamos, então, uma confraternização de natal. Nós iríamos fazer uma festa de final de ano, uma confraternização do grupo de amigos, carregando os nossos pais a tira colo. Essa era a oportunidade de provocar uma convivência, sem forçar demais a barra.

Nós acreditávamos que seria uma forma de, quem sabe, gerar uma referência a mais das pessoas do grupo, e isso poderia deixa-los ainda mais seguros sobre as companhias que os seguros tinham na vida.   

Não existe como falar do nosso grupo de amigos e não falar do restaurante Caravele. Esse era o nosso ponto de encontro, fazia parte da turma. O Caravele era praticamente uma extensão das nossas casas. Era o nosso espaço, o nosso recanto. Então, não tinha o que pensar, esse evento seria lá.

Em um trabalho de grupo, fomos especificando como distribuir as mesas, quem ficaria mais confortável na companhia de quem, e como nós poderíamos promover as interações. Tínhamos uma oportunidade única de fazer esse negócio acontecer, e queríamos que acontecesse da melhor maneira possível.

No dia do evento, estávamos todos muito ansiosos, dava para prever. Estávamos quebrando uma barreira e levando os nossos pais para o nosso convívio, para conhecer mais intimamente as famílias dos nossos amigos. Sempre fica no ar uma certa insegurança. Não tínhamos como prever com exatidão onde isso iria gerar.

Logo no inicio do evento, fizemos uma dinâmica entre nós, onde cada um apresentaria os seus pais ao grupo, falando sobre algumas características, dando uma pitadinha de graça, procurando quebrar o gelo.    .

Na segunda parte, fizemos um amigo secreto baseado nos filhos. Um dos filhos era chamado e ele sortearia um dos pais. Ele deveria descrever o sorteado, com dicas e características, da mesma forma de um amigo secreto normal, para que o grupo reconhecesse. A única diferença de um amigo secreto usual era o fato que somente os pais estavam recebendo os presentes. 

A interação foi fantástica. Todo mundo se soltou, nós apresentamos mais diretamente os pais, levando a presença direta do outro. Os papos fluíram e todos acabaram se comunicando muito bem. Criou-se literalmente um clima de muita cordialidade entre eles. 

Já no final, como último ato, provocamos os pais a falar do grupo, a dar opiniões sobre as pessoas e cutucar quem eles quisessem, abrindo até a possibilidade de levar os devidos puxões de orelha. Isso foi realmente o ponto alto da festa. Acabou que nós ouvimos alguns depoimentos emocionantes e que, de coração, não poderíamos esperar.

Ouvimos muito mais que puxões de orelha. Ouvimos declarações de amor, de admiração e respeito dos nossos pais pelos nossos amigos. Ouvimos depoimentos que nos mostrou o quanto aquela amizade tinha valor. Declarações de confiança, do fato de que o que aquelas companhias geravam era tranquilidade para eles.

Chegamos a nos perguntar se eles realmente sabiam do que estavam falando. Embora com a certeza de que eles não tinham o conhecimento pleno de tudo o que nós fazíamos, das loucuras que a adolescência era capaz, dos desatinos cometidos, eles conviviam de perto e tinham sim uma noção muito grande de quem nós éramos. 

A noite foi coroada com o depoimento de um desses pais. Ele fez questão de ressaltar que a qualidade mais bonita que o grupo todo tinha era a disponibilidade. Existia uma vontade de estar junto, de respirar junto, uns cotavam com os outros.

Ele deixou claro que via isso com bons olhos, que entendia que isso não nos tornava dependentes uns dos outros. Que esse era um efeito que só a energia das boas amizades pode gerar. Estar ali, à disposição, de braços abertos era uma medida que poucos grupos de amigos poderiam dispor.

Éramos anjos da vida uns dos outros!

 


Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde eu conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

#Escritosdocoracao - #coracaodeescritor - #publicacoesemocionantes - #coracaoemevidencia - #amorperfeito - #simplesassim - #amodemais - #declaracoes - #escrevendoavida - #jallesecia - #bastanteamor - #anjosdaminhavida 

 

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