quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

A renovação da esperança!


Falta pouco para que os fogos de artifício anunciem um novo ano. De uma forma bem fria, esse é um momento fugaz, nada mais que a virada de um minuto para o outro. Uma comemoração realizada por pura convenção.

A virada do ano, assim como a passagem das estações, para a maioria das pessoas, não passa de um momento bucólico. Poucos realmente sabem o que significa, nem o que isso influencia na vida. É tudo uma mera contagem de tempo, e as diferenças de temperatura, da quantidade de chuva, de velocidade dos ventos, de mais ou menos calor, se passam por meros detalhes. 

A passagem do ano é realmente simbólica, mas internalizada pela maioria da população como a renovação da esperança. É como se nesse momento renascêssemos para a vida. É um momento onde nós revigoramos as expectativas, abrimos mais uma oportunidade de ser feliz e conquistar os nossos objetivos.

Simbolicamente funciona como uma motivação para que possamos ser melhores, em aspectos que cada um entende, naquele momento, como essenciais. Em geral, pegamos de pronto os conselhos daqueles discursos geniais que nos mandam observar a vida de ângulos diferentes, e viver sem a ligação tão fria com o dinheiro.

Fala-se do aproveitar melhor o tempo que se passa por aqui, um tempo que a bem da verdade representa uma vida. E esse é o único fato que, sem questionar as concepções mais exotéricas e espiritualizadas, temos em mãos. A vida que temos a oportunidade de viver aqui e agora.

Também como de praxe, a virada do ano é o momento de questionar os nossos erros e o que podemos fazer para minimizá-los, já que não temos como voltar atrás. O que foi feito não se retira. Não temos como retirar a dor que um dia causamos, não temos como justificar as faltas, as ausências, as dores que provocamos. Quando muito, temos como reconhecer tais equívocos, e tentar tomar uma atitude que possa aliviar o que deixamos de rastro.  

Pedir desculpas já é uma boa atitude. Todos nós deveríamos fazer esse exercício. Em uma opinião bem pessoal, isso nos faz mais humanos. De qualquer forma, lembre-se: nada apaga o que foi feito! Um pedido de desculpas mostra que você reconheceu que errou, mas não obriga a outra pessoa a passar uma borracha e simplesmente fazer de conta que nunca foi ferida.

É por isso que, todo final de ano, repassam-se todos os bons conselhos, cito: melhore a sua tolerância; aprenda a ouvir primeiro; pare para pensar e só depois questione; não tome atitudes por impulso, no calor da emoção, sempre faça uma pausa para respirar antes; olhe para o lado, se ponha no lugar do outro.

Eu pessoalmente gosto muito de três dos Princípios da Harmonia:

- Você é o responsável pelas suas ações, por isso tome decisões de como você deve ser e de como você deve agir. Essa é a sua estrada, a sua vida e ninguém por percorrê-la por você.

- Seja sincero e verdadeiro com você mesmo e com os outros. Seja verdadeiro em todas as situações. A honestidade é um exercício e deve ser praticada em todos os momentos da nossa vida.

- Não interessa a sua religião, ou se você tem ou não, ore! A oração é uma forma de meditação e essa introspecção promove o encontro entre o corpo, o espirito e a energia universal da vida.

Quando eu faço a tentativa de analisar a minha estrada, eu penso que gostaria de ter conhecido esses princípios antes. A caminhada para a aquisição da experiência nos cobra o preço das nossas atitudes anteriores, e nos obriga a carregar nas costas cada uma das pedras que, de gosto, resolvemos pôr na mochila.

Tomamos muitas atitudes por acreditar que a vida era assim mesmo. Quantas vezes eu me pego pensando sobre as atitudes que eu tomei, imaginando que seria capaz de consertar depois?! Quantas atitudes, mesmo entendendo que não deveria, que não era o caminho certo, eu tomei porque era o que tinha para o momento e que seria assim mesmo?!

Também me vejo pensando em quantas vezes eu me escondi atrás das pequenas mentiras, como forma de acreditar que assim seria mais fácil, mais barato, que assim caberia uma menor quantidade de explicações. Tudo uma sucessão de desvios que nunca me levaram a canto nenhum.

Esses anos de pandemia, de reclusão, de perdas, de tragédias pessoais, como todas as grandes dores, também trazem junto muitos ensinamentos. São lições de vida que são oferecidas, independente da sua capacidade de absorção. Sem aqui querer menosprezar a dor de ninguém, eu recebi as minhas duras lições. .

Eu penso que cada um de nós atravessou o seu deserto. Não foi fácil para ninguém, embora para algumas pessoas, por conta de uma adaptação mais ágil, pareceu mais fácil. Eu atravessei o meu deserto, o animal ferido, como diz na música do Roberto Calos, por instinto decidido, tentando apagar os rastros como forma de fugir de mim mesmo.

Mas aqui estamos nós, vivenciando a possibilidade de encarar novos tempos, abrindo a cabeça para caminhos novos e deixando o ano de 2022 para trás, acreditando que as coisas ruins também ficaram para trás com ele.  

Que esse marco convencionado de virada, seja assim para todos aqueles que precisam de uma vida nova. Que os fogos de artificio anunciem um presente mais cheio de humanidade, que as esperanças realmente renasçam e nós possamos brindar em um desejo uno de paz e amor!

 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)



 

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

As faces do Natal!


 

O natal é, por essência, uma época de bons presságios. O espirito do natal reina e, pode-se dizer, ele contagia as pessoas, fazendo com que cada um libere o que há de melhor no seu coração. O natal traz à luz esse lado emocional, mais positivo das pessoas, o lado humano, caridoso, deixando florescer amor e paz na humanidade.

Mesmo assim é bom lembrar que, como o natal é uma data comercial, ele também traz a reboque as frustrações de quem não tem as condições financeiras adequadas. Nem todo mundo tem a condição de fazer parte dessas confraternizações sem fim, de participar de tantos amigos secretos, de tantas cotas, além de tudo a mais que sobrecarregam os gastos extras. Gastos que não cabem no orçamento de todo mundo.

Não é tão incomum ver pessoas que não se tocam dessa realidade. Não é que sejam pessoas insensíveis, é que são pessoas que não conseguem enxergar a realidade que está ali ao seu lado. Elas falam de valores que podem até não fazer falta no bolso delas, mas que, diante da realidade de vida de tantas outras pessoas, tem um peso e faz falta.

Partindo dessa visão, eu fico imaginando, o tamanho da frustração de um pai que não consegue atender ao pedido de um filho, quando esse mesmo filho vê o Papai Noel,  atender ao desejo do garotinho rico.  O rico aqui só conotando a condição financeira de atender ao desejo do presente.

É injusto ver que o Papai Noel, esse bom velhinho, que no imaginário das crianças representa o espirito da esperança, só dá presente a quem “pode”, a quem tem as condições financeiras adequadas a essa realidade. Uma ilusão que nós, os adultos, seguimos dando vazão, insensíveis, esquecendo-nos de olhar para o lado.

Trato como insensibilidade, pois não é uma doação de presente que resolve o problema ou as frustrações. Pense: por mais que nós nos ofereçamos para algum trabalho voluntário, por mais que possamos fazer algumas doações, e até nos lembrarmos de uma ou outra criança a quem possamos realizar o desejo, isso não resolve. E o resto?

Eu não estou querendo aqui macular a magia do natal, muito pelo contrário. Essa magia é o que faz brotar a generosidade, como eu citei no início. É essa mágica quem faz surgir o que existe de melhor na humanidade. Eu estou querendo aqui é que nós possamos humanizar ainda mais esse espirito.

O lado comercial, não vai deixar de existir. O dinheiro vai sempre financiar a manutenção da data e ressaltar os valores do “dar e receber” presentes. No entanto, nós, como seres humanos precisamos ampliar o valor dos abraços, dos sorrisos, das boas atitudes.

Nós, como seres humanos, temos que instigar nas pessoas à nossa volta o valor desse espirito que espalha bons presságios mundo a fora. É o espirito do natal que contagia as pessoas a fazer o bem. E é o bem que se faz, independentemente de como se faz, que precisa ter mais valor que o presente físico.

 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)


A mentira de mil vezes

O efeito da chamada “Mentira Ilusória” já é de senso comum e os efeitos dela sobre a ação cognitiva do ser humano, também. Não, eu não sou p...