quarta-feira, 26 de julho de 2023

O Abraço da Confiança!




 

Eli tinha uma grande admiração pela relação de amor que os pais dela viviam. O convívio com eles permitia que ela percebesse o amor que era traduzido em cada gesto e o tamanho da cumplicidade, do respeito e todo um conjunto de valores que envolvia a vida deles.

Eles demonstravam a toda hora o tamanho da importância que um tinha para o outro. Aquela era uma referência muito positiva, e Eli queria muito poder construir a sua relação com o Luide sob as mesmas bases. Ela queria, para a sua vida, a mesma estabilidade conjugal, a mesma segurança e a mesma confiança.

Eli apontava as atitudes do pai para o Luide, e deixava clara a admiração que ela sentia sobre o comportamento dele em relação à mãe. Então, nada mais justo que ela estivesse sempre buscando interagir com ele e fazer com que o Luide também percebesse o valor que isso poderia ter.

O jeito tranquilo, do pai da Eli, deixava a conversa muito leve. O detalhe é que o pai utilizava a vivência pessoal, muitas vezes sem filtro, deixando transparecer a realidade nua e crua.  Ele ia relatando os casos vivenciados por ele, para ilustrar a conversa, e a falta de filtro muitas vezes deixava a filha sem graça.

Não existia, da parte do pai, que fique bem claro, uma exaltação pessoal. Ele não se fazia de herói. A fala dele sempre era bem transparente. Ele falava dos erros e acertos que ele cometia com muita tranquilidade, sem medo e deixando bem à mostra toda sua fragilidade.

Ele apresentava todas as suas incertezas, todas as suas inseguranças e fazia questão de mostrar o processo de aprendizado que a vida foi ofertando. Esse, baseado nas lições que podem ser retiradas dos erros, e do valor que têm os acertos. O processo mais tradicional que existe.

O pai de Eli não era o homem mais correto do mundo. Ele mesmo deixava isso claro. Mas ele tinha uma virtude ímpar, ele era muito honesto, muito transparente, do tipo que procurava não cometer erros, porque jamais os esconderia atrás de qualquer mentira que fosse. Ele assumia os erros de pronto, sempre!

E era com essa mesma franqueza que ele conduzia as conversas com o casal de adolescentes. Ele explicitava situações. Ele dizia não ter como falar de amor sem falar da intimidade, da forma que ele olhava para o corpo da sua mulher e de toda a troca de prazer que essa intimidade gerava.

Colocar a mulher como um par, como parte integral da relação sexual, onde nenhum dos dois pode mais ou menos. Transmitir os valores mais adequados para que essa relação seja entendida como uma relação natural, onde a energia do amor seja capaz de circular pelos corpos com a mesma intensidade, exigia essa transparência.

Isso fazia com que ele citasse, em um ou outro momento, os detalhes dessa intimidade. Isso vai de encontro aos conceitos sociais de pudor, provocando a alcunha de “imoralidade”, à forma com a qual ele descrevia um fato. E ele puxava isso, meio que de propósito, como uma maneira de romper essa barreira.

Ainda somos seres entranhados de uma cultura machista, derivados de uma sociedade patriarcalista, que tem dificuldade de olhar para a mulher com paridade. Ainda não conseguimos compreender com clareza a equidade que deve ser dada ao “par” de pessoas, sem a necessidade de impor um dominante. 

Essa sociedade caricatura as necessidades sexuais dos homens e das mulheres, de forma pejorativa. O contexto social está o tempo todo procurando deturpar os valores, vulgarizando os princípios básicos da sexualidade. Por isso, aquela conversa era tão importante para o casalzinho. 

Era muito importante desmistificar a cultura do sexo como se fosse somente o uso do corpo da mulher, pelo homem.  Um contexto entranhado na cabeça dos homens e das mulheres, diga-se de passagem, que faz com que o sexo tenha um peso e ganhe esse tom de imoralidade já mencionado. 

Conceito que reverbera mesmo na cabeça dos jovens. É um conceito que vem sendo imposto por anos e que é reforçado pelos dogmas das religiões. Isso faz com que seja um assunto proibido e que todos os estragos psicológicos que ele causa sejam, como forma de amenizar a situação, colocados para baixo do tapete. 

Daí toda a importância de tratar esse assunto, com o casal, por novos ângulos. Daí a possibilidade de abrir para eles uma visão de seres humanos complementares. Seres que se atraem, que se conectam, que se elevam e que se saciam. Seres que são muito mais do que carne e osso.

O fato da confiança gerada pelo pai da Eli, nesse caso, fazia a diferença. Era isso que permitia que ele chegasse tão perto e abraçasse a relação da filha. Era isso que oferecia a condição dele se transformar nesse guia, assumindo a responsabilidade pela condução daquela relação.

Ele sabia que, de uma forma bem direta, aquele ensinamento seria seguido. Ele estava repassando a percepção da sexualidade sob uma nova ótica. Aquilo era como pintar o arco-íris com novas cores. Era a ruptura de padrões que ele mesmo vivenciava e que, por conhecer essa beleza, queria que outras pessoas também fossem capazes de experimentar. Mais ainda a sua filha!

 

Aélio Jalles (Lelo) 



Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/e-ai-k-de-meu-ovo.html

 

Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/o-desabrochar-da-sexualidade.html

 

Capitulo 03: A primeira vez

Link https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/a-primeira-vez.html


Capitulo 04: Sexo a Conexão das Almas

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/sexo-conexao-das-almas.html



 


quinta-feira, 20 de julho de 2023

Pela Paixão, Pelo Encanto, ou pela Emoção............



Pode até ser pela paixão, pelo encanto, ou pela emoção.

Eu me vejo apaixonado e como todo enamorado,

Eu entreguei meu coração.........

 

Eu não tenho como explicar, traduzir nem detalhar,

Um amor que apareceu, que simplesmente aconteceu,

E que foi capaz de me encantar.....

 

Tomou conta da minha vida, pois de uma forma atrevida,

Se instalou dentro do peito, e assim, sem o menor respeito,

Não me deixou mais saída...........

 

O amor não é banal, não é uma coisa casual,

Não se expressa assim do nada, como passe de uma fada,

Nem vem com manual. ............

 

Um sentimento sem tamanho, mas que condiz com o meu sonho,

Parece até demais da conta, se não é a vida que apronta,

Vou seguir com ela meu caminho..........

 

Com ela a vida é mais bonita, ela é minha pessoa favorita,

Eu só quero seguir seus passos, viver dentro dos seus abraços,

Pois é ali que a felicidade habita.........

 

Quando estou ao lado dela, a felicidade se atrela,

O mundo vira cenário, o sorriso se faz diário,

Não sei mais viver sem ela.........

 

Só espero reciprocidade, pois que nessa nossa idade,

Não aguento mais recomeçar, não dá mais nem para pensar,

Tenha dó e piedade............

 

Até aqui, eu era só um amigo, do namoro faltou até o pedido,  

Então me dê sua atenção, escute meu coração.

Você quer casar comigo?

 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

 

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quinta-feira, 13 de julho de 2023

Saber Sentir o Amor



Seria muita insensibilidade conviver com criaturinhas tão amorosas e não desenvolver um sentimento capaz de recompensá-los. Eu falo da convivência com os nossos bichinhos de estimação.

Esses dias eu acompanhei o sofrimento de uma pessoa próxima. Ela estava sentindo a perda de uma dessas criaturinhas. O amiguinho, alguém a quem ela dedicou carinho e afeto durante uns bons anos de vida. Alguém com quem ela construiu esse sentimento. Um sentimento que ultrapassa o entendimento.

Isso não é só uma referência pelo tempo e dedicação ofertada. A construção desse amor é muito mais que a mera convivência. Ela tem a ver com troca de energia, uma energia mágica que promove uma ligação existencial, e isso é algo que só sente quem sabe sentir com o coração. 

Para esses bichinhos, pouco importa as roupas que nós vestimos, o carro que nós os levamos para passear, o luxo que podemos oferecer, ou até mesmo o tamanho da casa. Para eles, o que importa, na verdade, é a qualidade da atenção que somos capazes de oferecer.

De um lado, eles, em sua maioria, indefesos diante da força que temos e da condição de domínio que somos capazes de exercer. Bem ou mal tem quem faça uso dessa força indevidamente. Sempre se escuta falar dos maus-tratos.

Tem quem desconte neles as mágoas da vida, assim como também tem quem os tenha em uma conta valiosa. Tem quem os trate devidamente e saiba oferecer a atenção e o carinho devido. Tem muita gente com o coração sensível e capaz de oferecer esse amor.  

Ouvi uma frase que diz: “Se você nunca se deixou levar pelo carinho de um animal, você ainda não conhece o que é o amor de verdade”. Não tenho o nome do autor, mas lembro que o texto se referia a capacidade de dar amor de forma limpa.

Ao ver o sofrimento dessa pessoa, um sofrimento derivado da relação, do apego e de todo o sentimento construído, não posso deixar de acreditar que ela seja uma dessas pessoas que sabe oferecer esse amor de forma limpa.  

Fica claro que aquele animalzinho foi capaz de plantar a semente do melhor e maior sentimento do mundo no coração dela. Mas esse é um amor que só floresce no peito de quem é sensível ao ponto de saber sentir!

 

Aélio Jalles (Lelo)


 

quinta-feira, 6 de julho de 2023

"Fratura Exposta da Alma!"




Há poucos dias eu ouvi o depoimento emocionado do Jornalista Milton Neves, falando da saudade da sua esposa, falecida. Ele deixou claro o sentido, a força da relação que existia entre eles e toda a dor dessa separação.

Segundo ele mesmo, ela tinha sido a primeira namorada, noiva e esposa. A primeira e única mulher da vida dele. E em uma relação como essa, a separação é como uma “fratura exposta da alma”.

Uma ilustração irretocável. Eu achei uma expressão tão forte e tão bem colocada que, para mim, deu uma nova dimensão ao amor. 

Por conta dessa descrição eu resgatei na memória a história de dois irmãos. Eles eram gêmeos. Os dois viviam uma situação de muito companheirismo e de muita amizade, como eles fizeram questão de afirmar. Fora uma vida toda vivida em dose dupla.

Na época, eles já com seus 72 anos, falavam da beleza dessa condição. Ressaltaram que foram sempre grandes amigos, os maiores confidentes e tudo mais. Para completar, eles se tornaram sócios de um restaurante. Dito por um deles: “nós fizemos da vida um caminhar juntos e permanecemos de mãos dadas até aqui”.   

Aí veio a questão retratada por um deles: “O maior problema que temos hoje é o medo da morte. É que nós temos a possibilidade de morrer duas vezes. Apesar das mulheres, dos filhos e de tudo o que a vida nos ofereceu de bom, nós não temos como seguir um sem o outro. Será que dá para entender isso?”

“Não teria como ser diferente, a vida me presenteou com alguém que esteve do meu lado desde que eu nasci. Eu tenho alguém a quem posso chamar de irmão, de amigo, alguém que sempre foi meu confidente e meu apoio incondicional”.

Eles reafirmaram toda a importância dessa relação com uma frase: “nós nascemos juntos, mas a vida nos tornou siameses”. Foi por isso que eles traduziram a separação, essa dor final prevista, como se eles fossem ser rasgados ao meio e que essa seria uma dor insuportável.

Em toda a fala deles, só faltou uma expressão rica como a do Milton Neves: Fratura Exposta da Alma, para ilustrar o tamanho de uma dor tão intensa e tão extensa. Essa expressão dá ainda mais beleza ao recado que esses dois irmãos deixaram:

 “Essa dor prevista para o final das nossas vidas, só é grande porque nós tivemos a condição de viver essa cumplicidade, essa amizade, esse amor, como poucos. Nós fomos privilegiados!”.  

 

Aélio Jalles (Lelo)



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A mentira de mil vezes

O efeito da chamada “Mentira Ilusória” já é de senso comum e os efeitos dela sobre a ação cognitiva do ser humano, também. Não, eu não sou p...