quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

O valor da gentileza


 


Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam,

de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram.

 

Machado de Assis.

 

As maiores lições da vida são as que nos fortalecem e não as que nos ferem. Na verdade, quando somos feridos, magoados, independente de qualquer ensinamento que a situação possa nos oferecer, nós buscamos como necessidade automática revidar, reagir.

É como se fechássemos o raciocínio e usássemos toda a nossa energia exclusivamente para reverter à situação e devolver a agressão. Por não conseguir pensar, essas situações acabam sendo rechaçadas pelo escudo do rancor. Mesmo com o passar do tempo, elas continuam, sempre que vêm à memória, lembradas com a dor da mágoa.

Nessas situações o instinto de vingança toma conta da razão e nós nem pensamos se a lição que nos foi oferecida teve alguma valia ou não. Aprendemos com a dor, isso é fato, mas nessa hora, antes de absorver qualquer ensinamento, o coração se fecha de tal forma que nós nem analisamos se os motivos que levaram a outra pessoa a agir, ou até a reagir, tiveram valor ou alguma licitude. 

A questão é que, sob o domínio da força, me parece que toda lição gera uma reação adversa. Ela dispara o gatilho da raiva e provoca um redemoinho de sentimentos, que naturalmente são sempre muito negativos. São sentimentos ruins e tão fortes que o efeito da lição, mesmo que seja capturada, acaba ficando em segundo plano. 

Ao contrário, a gentileza costuma abrir as portas. Uma lição, por mais dura que ela se configure, se for oferecida com gentileza, traz à tona um redemoinho de sentimentos positivos. Sentimentos positivos desarmam as nossas defesas e abrem o coração. Eles nos fazem, naturalmente, muito mais suscetíveis.

Com o coração e a mente abertos, uma pessoa se torna muito mais disposta para a absorção de qualquer tipo de informação. Não só isso, na memória afetiva, sempre que uma informação que nos foi oferecida com gentileza, cordialidade e coisas do tipo é resgatada, ela é resgatada com boas energias. 

A gentileza sempre gera o processo da mais-valia. No meu modo de ver, a gentileza é uma das mais valiosas ferramentas das relações humanas.

 

Aélio Jalles (Lelo)

 


quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Eu acredito no Natal


Como é que eu devo falar, se eu, no auge dos meus 59 anos, acredito na mágica de tudo que o natal é capaz de proporcionar. Acredito, com a minha plena convicção, que existe um algo diferente nessa pequena passagem de tempo, nesse momento do ano e que esse algo deixa cada um de nós com o desejo mais latente de ser melhor.  

Quero deixar bem claro que não estou aqui me referindo na questão do presente físico. O ato de dar um presente físico é simbólico, e que na falta da nossa compreensão, permitiu que esse simbolismo fosse transformado em um ato meio comercial somente.

Dai podemos até criar o questionamento de dizer que o natal é frustrante e que Papai Noel é injusto. Ora veja; ele dá o melhor presente para quem pode, as lembrancinhas para que não tem tão boas condições e nada para quem não tem nada. Essa é a verdade de um Natal relativamente vazio!

Não, o Natal é muito mais que isso. Quer queira ou não, o natal carrega a simbologia do renascimento, da confraternização e do compartilhamento. É uma tríade de sentimentos.   

O renascimento como símbolo da esperança, é o que nos permiti ter a ideia de mais uma chance. Mais uma chance para fazer acontecer, mais uma chance de fazer o que certo, mais uma chance de fazer o que deve ser feito. É um momento de introspecção, de avaliação de vida onde cada um de nós faz, efetivamente, planos para ser melhor.

O espirito do natal também traz consigo a confraternização. É um momento de muita troca, de reencontros e de muita alegria. É um momento de deixar fluir os bons sentimentos, passar por cima das diferenças e comemorar a vida.

E o compartilhamento. O ato de dividir irmãmente. O ato de fazer com todos e por todos. A atitude que une a família, que abraça aos amigos, os parentes e os aderentes. É o momento onde todos se juntam para dividir o bolo da festa, para comer a mesma comida.

Tudo isso revigora em nós a sinceridade dos sorrisos, a confiança dos abraços, a pureza da alma e a gratidão por tudo o que recebemos da vida. Eu acho que é ao deixar fluir essa gratidão, o reconhecer o quanto o outro nos faz bem, que nós reascendemos o amor.  

Por isso mesmo eu acredito no natal. Eu acredito que o espirito que envolve a humanidade nessa época é realmente capaz de transformar o ser humano para melhor. . 

 

Aélio Jalles (Lelo) 


 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Anjos da minha vida




Fui instigado por uma amiga a escrever algo sobre esse momento de confraternização, de companheirismo e das boas energias que a proximidade do natal carrega. Algo que fosse capaz de retratar o valor do que é vivenciar o fato de estar rodeados de amigos, a essa altura das nossas vidas.

Posso dizer que sempre gostei de gente, do convívio e do abraço dos amigos. Eu gosto de me sentir parte, gosto dos sorrisos que esses encontros provocam e da cumplicidade que só uma boa amizade é capaz de proporcionar.

A vida nos ofereceu a condição de ter amigos, de fazer parte dos mais variados grupos de amigos e amigos do bem. É indescritível a magia da amizade. Em cada encontro, em cada momento de confraternização desses grupos, a vida nos brinda com momentos que retratam toda essa magia. 

São momentos que inundam a nossa alma de alegria, uma alegria que transborda pelos poros e rega o mundo. Nós na verdade, sempre que saímos desses encontros, reabastecemos o coração com as boas sementes e saímos por aí despejando essas sementes pelo caminho.

Com o passar dos anos, com a transformação que a vida exige, esses amigos passam a ter ainda mais importância. É que com a idade, com os filhos ganhando asas, vivendo as rotinas de vida deles, os amigos se tornam a nossa melhor companhia.

Nossos assuntos se batem, nossas brincadeiras são condizentes e as conversas, por mais variadas que possam parecer, fazem sentido. Falamos de nós mesmos, temos o direito de transformar contextos antigos a nosso favor. Floreamos a vida e mangamos uns dos outros.

Por tudo isso, dá para dizer que é ao lado dos amigos que nós revivemos os nossos melhores momentos. É com eles que rememoramos o que a vida nos ofereceu de melhor e recriamos as lembranças que nos interessam e da forma que nos é conveniente.

Usufruir da companhia e do carinho dos amigos é, sem dúvida, a melhor receita de felicidade. Dá para dizer que cada um desses momentos produz sementes de um amor que nós vamos semear por toda uma eternidade.

É que amigos são anjos que o universo nos oferece com o intuito de dar um colorido especial à vida da gente.

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 




 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Infelizes para Sempre


 

“Na sua maior parte, a miséria humana é causada pela estupidez e ignorância, especialmente a ignorância a respeito de nós mesmos”.

 Carl Sagan

 


Dá para imaginar duas pessoas que, propositadamente, tomem a atitude de  tornar-se infelizes para sempre? Dá para imaginar duas pessoas cegas, seja por ciúmes, seja por egoísmo, seja pela incapacidade de enxergar o outro, incapazes de ver que o mesmo amor que lateja no coração de um lateja no coração do outro? 

Para mim, o Dudê e a Laura conseguiram esse feito!

A bem da verdade, de forma muito clara, o Dudê sempre diz que: sem ela a vida não tem cor, não tem graça. Ele faz muito bem o tipo do “Eterno Romântico” e que não mede esforços para manifestar esse amor. Não tem como deixar de perceber o sentimento que ele exala.

Ele sempre foi um cara romântico. Um sujeito que diz sonhar com uma vidinha sem pompas, que está constantemente verbalizando aquela história de que tudo poderia ser resumido a um amor e uma cabana. Isso, lógico, se o amor em questão, se a pessoa dentro da cabana fosse a Laura.

Um sentimento que a Laura exala da mesma forma e com a mesma intensidade.  Embora na relação ela seja mais fria do que ele, se posicione sempre como mais independente, “a escrotona”, basta observar que ela nunca deixava a distância ficar maior do que o braço dela era capaz de alcançar. Ou pelo menos até então, essa era a medida dela.  

É que em algum momento, ela mensurou errado essa distância. Em um dado momento ela permitiu que ficasse maior que o alcance do braço dela. Por um acaso qualquer ela perdeu a mão e a noção do espaço que os separava. Na verdade, ela perdeu o chão quando viu que não tinha mais como puxar ele de volta.

Sente-se com ela em uma mesa. Dê a ela a chance de falar. Em um minuto o assunto se transforma em Dudê. Nos quatro cantos do universo da vida dela existe o Dudê, o que deixa claro que sem ele a vida dela também não tem graça.

Mesmo com todo esse amor, mesmo os dois tendo a consciência do sentimento que carregam e da força que esse sentimento tem, eles não conseguiram vencer as diferenças. Eles não conseguiram se desarmar para enxergar a reciprocidade desse sentimento.

As características pessoais impediram a continuidade do relacionamento. Essas características, os detalhes da personalidade que regem, até de forma involuntária, o comportamento de cada um deles, é o que deixa claro que, apesar do amor, eles não foram feitos um para o outro.

Não dá. A fortaleza de cada uma das personalidades fez com que eles fechassem a tampinha da caixa e deixassem o mundo de amor fora dela. Para complicar, as atitudes impensadas, inconsequentes, foram erguendo um muro, uma barreira que foi capaz de afastar a possibilidade de qualquer reconciliação.

Acho que eles nunca deixaram o amor tomar conta da relação. Eles são a prova viva de que amor sozinho não é suficiente, tem que existir uma construção minimamente inteligente por trás de tudo, para que o sentimento possa funcionar.

O Gonzaguinha citou em uma música algo bem próximo a isso. Embora a música fale de uma decisão de amar, da decisão de nunca deixar de se olhar, no caso deles, eles, propositadamente, tomaram a decisão de fugir desse amor. 

A música fala em estrelas que seguem em trajetórias opostas, sem nunca deixar de se olhar. Aqui eu cito que eles tomam trajetórias opostas, como fugir um do outro, mas que nunca vão deixar de se amar.

Lições Do livro: Sem jamais deixar de se amar

 

Aélio Jalles ( Lelo)

 


 

A mentira de mil vezes

O efeito da chamada “Mentira Ilusória” já é de senso comum e os efeitos dela sobre a ação cognitiva do ser humano, também. Não, eu não sou p...