terça-feira, 25 de abril de 2023

O Vazio do SEXO Vazio!


Romanticamente, nos é dito que em cada encontro, em cada uma das nossas relações pessoais, nós deixamos alguma coisa e levamos alguma coisa do outro, como uma herança para a vida. Uma troca do aprender e ensinar, do doar e receber, que é promovido pelo convívio.  

Existe uma troca, uma experiência nova de vida em cada relação vivenciada. Quanto mais profunda a relação se torna, maior se torna essa troca. Positiva ou negativamente, você recebe mais, e doa mais, com o tempo, com a proximidade e com a intimidade.

Uma das definições que eu escutei sobre as relações afetivas, dizia que “a relação entre os seres humanos provoca uma troca de energia”. É uma energia que reverbera durante dias, nos pondo para cima ou para baixo, dependendo da pessoa com a qual nos relacionamos.

É, sem duvidas, uma visão voltada para o lado mais exotérico da vida, mas não deixa de ser uma forma muito interessante de olhar para essa realidade. Segundo essa mesma teoria, a energia que cada um de nós reverbera, traduz muito do sentimento que é alimentado, em função do momento e da representatividade de cada uma dessas relações.

Quanto mais próximas duas pessoas se posicionam, mais profunda é a troca. A intimidade condiciona a um contato maior, e a pele desnuda quase não oferece resistência, por isso essa energia flui com muito mais facilidade. E essa é uma troca que provoca tanto satisfações como danos.

Nos casos em que a relação não tem interação nenhuma, logo depois do prazer se segue um abismo existencial, o vazio da falta de laços. Um tempo interpretado, quase em sua totalidade por um incomodo, por um vácuo de sentimentos. Naquele momento o melhor que poderia acontecer é a pessoa que está ao lado sumir.

Mais essa sensação de querer que outra pessoa desapareça, me foi dito, é uma sensação muito mais masculina. Para as mulheres, esse vazio tem outra vertente.  Para as mulheres, também vou usar o que me foi dito, esse vazio provoca uma sensação de fragilidade.

A sensação de distanciamento e de indiferença da outra pessoa, causada por esse prazer torpe, acaba causando um destroço na autoestima, e em boa parte esse descaso provoca também um asco. 

De uma forma geral, fica claro que essa é uma situação, o vazio do sexo vazio, que não é confortável para ninguém. As relações deveriam ganhar intimidade partindo de uma dose qualquer de sentimento. Que seja uma boa dose de amizade, por exemplo.

Nós temos um monte de gente que se sente solitária e que, ao invés de se abrir, de buscar relações honestas, sinceras, mesmo que somente de boas amizades, se deixam levar pela solidão. Essas pessoas acabam tão carentes, que, de uma forma qualquer, se sujeitam a essas trocas, digamos assim, a baixo preço.

O fato é que, por egoísmo, ou podemos chamar de excesso de acomodação, nós estamos construindo uma sociedade de relacionamentos “superficializados”. Relacionamentos com um mínimo de compromissos, onde o foco básico é suprir as carências de sexo e solidão, e, nesse último caso, somente até que a presença do outro incomode.

É certo que, na medida que convivemos com outra pessoa, vamos unindo nossos pedaços de vida. Vamos cedendo partes da vida, como em pedaços de corda em que vamos dando laços. Cada um cede o pedaço que dispõe, e recebe do outro da mesma forma.

Em cada nó, o pedaço doado por um não é exatamente igual ao que foi doado pelo outro, e por isso esses laços não vão ficando uniformes. Quem tem mais, quem pode mais, acaba oferecendo mais de si à relação.

Isso não representa nada de ruim, é uma história que vai sendo construída. Em cada etapa é possível avaliar os acordos e, quem sabe, ajustar melhor os laços, desfazer o que não for tido como necessário, e atar outros que possam ser vistos como interessantes.

Talvez por conta do meu momento de vida, eu vejo hoje que uma boa relação tem a necessidade de uma extrema transparência. A franqueza, o fato de poder ser honesto comigo mesmo e com a pessoa que está ao meu lado, é o que pode fazer toda a diferença.

Se esse não é o caminho que leva a uma relação sólida, pelo menos esse é o caminho que evita as frustrações. Eu penso que todo mundo merece uma troca de energia positiva, aquela troca que no final do ato, ao invés do vazio, fica na verdade um gostinho de quero mais.

 

 

Aélio Jalles (Lelo) 


 

terça-feira, 18 de abril de 2023

A Vaidade que Mutila!


Eu parto do princípio de que a beleza tem sua graça. Não tem como deixar de entender a importância da vaidade. É bonito de se ver uma pessoa bem-vestida, melhor dizendo, vestida de forma bem adequada, uma roupa bem trabalhada para o corpo da pessoa e para a ocasião e o que se segue a esse raciocínio. Nada é mais bonito que uma boa apresentação.

No entanto nada disso pode ultrapassar a barreira do que é lógico e saudável. No meu modo de ver, a vaidade tem que sempre estar no limite do conforto, da comodidade, do que realmente deve e pode lhe proporcionar prazer e felicidade. Sempre que isso estiver em jogo, é melhor repensar. A exigência da vaidade pode ter passado do ponto e tudo aquilo que se torna excesso, que passa do limite, acaba por fazer mal.

Nem todas as pessoas entendem esse limite. Mesmo a vaidade tendo uma grande ascensão entre os homens, ela ainda é bem mais acentuada nas mulheres. Ter tudo certo, do jeito certo, começa a parecer uma necessidade tão desmedida que, até os diferenciais, aqueles diferenciais que nos tornam seres únicos, deixam de ser respeitados. 

E é essa vaidade que escraviza que acaba mutilando. A poucos dias saiu, em mais um noticiário, o caso de uma modelo que faleceu em uma dessas cirurgias absurdas. Uma lipoaspiração de uma barriga que, digamos, era o ideal de beleza para muitas outras mulheres. Literalmente esse é o excesso ao qual fiz a referência.   

Outro dia, em um grupo de amigos, as amigas, mulheres bonitas, estavam falando do uso do Botox como se isso fosse uma coisa simples, natural. Elas tratavam isso de forma tão simplória que mais pareciam estar falando do uso de uma maquiagem. Aí me veio à cabeça: quantas pessoas eu conheço que hoje tem o rosto desfigurado pelo uso exagerado do Botox.

Não sou especialista em estética, não conheço os limites do uso deste ou daquele produto, mas sou capaz de reconhecer as pessoas que vão ficando sem expressão facial. O rosto acaba ficando de uma forma tal, como se fosse plastificado, que tanto faz se ela está rindo ou chorando, não faz diferença à expressão é a mesma.

Peço desculpas pela forma de tratar a coisa. Aqui nada mais estou que chamando a atenção para um fato. A beleza física, a estética pode até atrair olhares, mas não é ela que vai encantar ninguém, principalmente se for de plástico. 

Não estou fazendo nenhuma crítica ao trabalho dos cirurgiões plásticos, apesar dos que colocam o dinheiro em primeiro plano, muito menos das cirurgias, que em muitos casos reparam danos que fazem a diferença na vida das pessoas. Cirurgias que resgatam a autoestima e que devolvem a condição, mesmo que parcial, de normalidade de vida para muita gente.

O meu chamado de atenção cabe exclusivamente às pessoas que se deixam levar pela cobrança exagerada da perfeição. Pessoas que se deixam levar pela imagem que elas apresentam nas redes sociais. Uma imagem retocada, uma beleza que não existe.

Ficou tão fácil mexer com as imagens, deixar tudo do jeito que o padrão da beleza cobra, que a realidade apresentada pela imagem diante do espelho, se torna angustiante. De uma forma mais grosseira, isso tem provocado uma negação do que é a realidade, a realidade que as pessoas enxergam diante do espelho.

Essas pessoas vão aos poucos se angustiando, se deprimindo com a verdade da vida. A vida boa está logo ali, na postagem, na ficção, na falsa sensação de felicidade que ela apresenta aos amigos. Elas começam a querer que a imagem das redes sociais seja a que vale, como se essa fosse a imagem real.

Eu acho que o maior e melhor exemplo disso tudo é o Michael Jackson. Não sei os motivos, mas em nível do senso comum, ele foi um cara que modificou tanto a imagem do rosto, que acabou se mutilando. Mais uma vez, não estou fazendo um julgamento. Isso é só uma constatação.

E assim como ele, muitas outras pessoas vêm se mutilando. Cada um tem seus motivos, seus desejos, suas vaidades e cada um tem, da mesma forma, suas responsabilidades. Somos responsáveis pelas nossas atitudes, e pagamos, indubitavelmente, o preço cobrado por elas.

Embora eu seja uma dessas pessoas que prega o respeito pela forma de pensar de cada um, me senti incomodado com a conversa das minhas amigas e a forma de utilização desse tratamento estético de forma bem específica. E foi por isso que eu resolvi abrir um raciocínio sobre o tema.

Somos um conjunto de valores e, mesmo sem querer tirar a importância da beleza, eu queria chamar a atenção de que tem coisa mais importante nesse conjunto. Existem outros valores dentro de cada um de nós que se somam e que nos fazem muito mais que um rosto bonito.

Eu queria, de uma forma qualquer, gritar que olhar só para a beleza física está errado, que, nesse conjunto de valores, tem muito mais o que ser visto. Minha eloquência com as palavras e o meu conhecimento não me permitem uma maior profundidade sobre o assunto, tenho medo de expor alguma informação indevida.

Gostaria, então, de fechar com um texto muito bonito que encontrei, e que faz referência sobre o assunto, um texto da Mônica Denise Viana de Barrios. Ela disse: “Temos a tendência de nos atrair pela beleza, mas logo em um segundo instante, já nos sentimos ligados à essência das pessoas, pois é a alma que nos encanta”.

 

Aélio Jalles (Lelo) 


 

terça-feira, 11 de abril de 2023

O desabrochar da sexualidade!

Eli passou pela centésima vez diante do espelho. Ela conferiu mais uma vez a barra da calça, o formato que a blusa estava dando aos seus seios, a maquiagem, se os cachos do cabelo estavam do jeito que ela queria. Era tudo mera formalidade, mas mesmo assim ela não conseguia se convencer. Tinha sempre uma sensação de que ainda faltava alguma coisa no ar.

Aquilo não era insegurança. Não mesmo. Eli sempre reclamava de alguma coisa, mas eu acho que era só para que alguém lhe reafirmasse o tamanho da beleza que ela esbanjava. Ela gostava da imagem que o espelho lhe apresentava, embora sempre tivesse um detalhezinho que ela quisesse corrigir. Mas isso é coisa de mulher mesmo, né?

Quando o Luide chegou, ela deu aquela respirada, se concentrou e correu para a porta, foi recebê-lo. Eles se entreolharam, sorriram um para o outro, como se não acreditassem que aquele sentimento tinha tomado conta deles, e deram aquele selinho bem básico.

A área lateral da casa de Eli era o espaço de junção das casas da família. A casa dos avós que os filhos vão ocupando. Eles constroem as casas e o que fica no meio delas acaba se tornando o espaço comum para toda a família. Eli morava no que se pode chamar de condomínio familiar. O que sobrou do terreno entre as casa acabou se tornando ideal para os festejos e, porque não, para namorar também.

O casalzinho estava bem empolgado com o andar do relacionamento. Eles conversavam, conseguiam se entender e vinham até então tendo boas negociações com as divergências de pensamento. Eles conversavam sobre uma diversidade de coisas, e sexo já não era um tabu entre eles.

Embora as situações ainda fossem muito novas, o volume que se formava nas calças do Luide, digamos que, a cada beijo mais chegado, já não era nenhuma supressa para a moça. Ela também sentia os efeitos dos hormônios borbulhando no seu corpo e, para não deixar o rapaz embaraçado demais, fazia questão de corresponder ao desejo dele.

Lógico que, com o passar do tempo, a intimidade vai crescendo e a confiança mútua no relacionamento também. Isso, da forma mais natural possível, faz com que eles se sintam à vontade, e comecem a vencer as barreiras naturais que a sociedade impõe para a sexualidade das pessoas, muitas vezes sem muita explicação.

Eli era uma menina de boa formação. Seus pais eram muito ligados a sua educação e eles entendiam cada passo do desenvolvimento da sexualidade da filha. Eles estavam sempre buscando orientá-la da maneira mais transparente possível. Os pais de Eli ainda se consideravam apaixonados, e, por isso mesmo, conseguiam passar para ela essas questões de uma forma muito bonita.

 

Mesmo assim, e como um casal responsável, os pais de Eli tinham toda a atenção e preocupação com a filha. Eles não queriam que ela passasse da conta, ou que ela avançasse nenhuma das etapas da vida de uma forma indevida.

Luide também não era um menino à toa. Mesmo assim, ele sofria as questões da sexualidade que são impostas aos homens pela sociedade, pelos amigos, pela família e por que não dizer, pelos próprios pais. Os homens acabam tendo a sexualidade tratada na base da porrada mesmo. É como se, por ser homem, você já nascesse sabendo o que fazer e como fazer.

De uma forma qualquer, o Luide, fugindo de todo esse prognóstico, tinha uma visão romantizada da sexualidade. Ele tinha um respeito muito grande pela Eli. Ele desejava, curtia os momentos ao lado dela, deixava fluir a energia natural da idade. Só que ele se preocupava com a situação. Ele mesmo não se permitia qualquer conduta indevida.

Sexo, entre eles dois, mesmo sendo um casal ainda muito jovem, era um assunto já facilmente debatido, e tudo o que vinha acontecendo, apesar das empolgações, passava pelo acordo do que deveria ou não acontecer entre eles. Não acontecia nada sem uma espécie de consciência prévia que eles dois iam formando. 

Naquele dia, a empolgação do casal deu um pouco mais de “pilha” ao desejo. Eles já tinham conversado bastante, inclusive sobre uma situação indelicada que aconteceu com outro casal, um casal de amigos. Como entre eles o respeito era um sentimento muito latente, eles se permitiram mais. Acho que isso faz parte, e que é o andamento natural de todo relacionamento.

Atentos a tudo, os pais de Eli se apresentaram. De uma forma muito descente, eles se fizeram notar com antecedência, na tentativa de evitar o constrangimento do casalzinho.  Era difícil, o constrangimento deles foi muito direto e, embora não tenham sido pegos, por assim dizer, com as calças na mão, a simples presença dos pais já era demais para a situação.

Os pais de Eli foram contornando a situação. Eles falaram de muitas coisas antes de chagar ao assunto devido, e trataram a coisa da forma mais natural que se pode imaginar. Como um casal adulto, eles deram um depoimento de todo o processo de construção da vida a dois. O processo que eles mesmos tinham vivenciado.

É difícil você se colocar como exemplo. É difícil você, com a honestidade devida, e sem querer só as glórias por tudo o que fez ou conquistou, ser capaz de assumir os erros que cometeu. Eu penso que mostrar o peso dos erros cometidos, e tudo o que se teve a necessidade de fazer para contornar, é mostrar muito equilíbrio.

Pois esse foi o grande feito dos pais de Eli. O equilíbrio mostrado por eles fez a diferença. Eli e Luide se olharam no espelho no dia seguinte sem culpa. Eles não passaram do ponto naquela noite por pouco, mas no fundo eles sabiam que aquele momento ofereceu para eles muito mais.

Eli e Luide tiveram nas mãos o apoio, o carinho, gente que ofereceu a ajuda mais do que necessária para uma boa formação da história da vida deles. Foi por conta daquela intervenção que eles se sentiram prontos para ir mais longe.

  

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

*Do livro: Era uma vez meu coração..........

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/e-ai-k-de-meu-ovo.html



 

terça-feira, 4 de abril de 2023

E ai, K dê Meu Ovo?




Bem cedinho da manhã, Eli ainda lutava contra a preguiça. Transitava entre a lucidez da beleza do dia de sol e o abraço dos lençóis e travesseiros, que insistiam em mante-la na cama. Ela ansiava por aquele dia, mas a preguiça agia com a força natural que era capaz de exercer sobre todo adolescente.

Eli era uma adolescente bem apresentada. Tinha uma beleza capaz de atrair os olhares dos meninos, muito simpática e comunicativa. Ela era aquela pessoa muito bem aceita em todos os círculos dos quais fazia parte. Digamos que uma menina de uma vida bem razoável.

Mas aquela manhã era especial. É que Eli tinha recém começado um namoro. O “carinha” já a vinha cercando há algum tempo, e ela, por pura precaução, demorou a ceder aos encantos do rapaz. O sujeitinho era aquele tipo cobiçado, o gostosão que pairava pelo desejo de quase todas as suas amigas.

De certo que mexia com o desejo da menina também, e ela, entre a vontade de ficar com ele e todos os comentários negativos sobre o que seria namorar com aquela figura, sofria a angústia de ter que tomar uma decisão e assumir, diante das amigas, as consequências. 

Pois aquele era o dia. Aquele era o domingo de Páscoa, o dia do encontro da família, e o dia em que o tal garoto ia se apresentar, ou seria apresentado. A bagunça na cabeça da menina já não deixava o pensamento fluir normalmente, e a ansiedade tomava conta até da sua respiração.

Ela não sabia se sorria ou se chorava quando Luide se aproximou do portão. Ele chegou todo bonitinho, vestido de forma simples, como era conveniente para a ocasião, em um estilo bem casual, mas muito apresentado. A sua simpatia não conseguia esconder o nervosismo natural da situação a ser enfrentada.

Não tinha como ser diferente. Ele ainda era um menino se jogando em uma situação delicada, enfrentando com a cara e a coragem os desafios que a família da moça certamente o iria impor. Claro que não poderia faltar, para agravar a situação, um sujeito mais sarcástico que vem fazer piadas e perguntas indelicadas, para pôr a pessoa em uma saia justa.

Eles até tinham se preparado para isso. Eli tinha repassado as possibilidades desses acontecimentos, e prevenido o Luide de quem seriam as pessoas brincalhonas. Ela preveniu sobre os tios que instigariam os pais dela, os primos e primas mais gaiatos e as pessoas mais suscetíveis às brincadeiras provocadoras.

Mas, o Luide chegou. A mãe de Eli foi recebê-lo, e fez questão de conduzi-lo sob seus cuidados. Ele trazia, na mão, flores. Uma cortesia que ele pensava em destinar a Eli, e, à mãe dela, um ovo de chocolate. O ovo era para homenagear a namorada recém-conquistada.

Só que quando a situação foge de todo e qualquer script razoavelmente possível, o nervosismo toma conta da situação, e o raciocínio não consegue se fazer ouvir. Sabe quando simplesmente não tem como fazer tudo o que você tinha pensado, pelo menos não exatamente como você tinha pensado?

Fugiu do controle. Antes mesmo de ele chegar junto de Eli, o grupo dos primos e primas tomou conta da situação. Eles tinham preparado uma verdadeira loucura de amor para anunciar o namoro da priminha querida. Uma brincadeira que deveria quebrar, de uma vez por todas, o gelo do rapaz para com a família da moça.

Tomaram as flores e o ovo de chocolate das mãos do Luide, e carregaram o rapaz para o palco da festa. Seguraram Eli até posicionar o rapaz no palco, e depois levaram ela para o meio do salão. Forçaram a barra para que o rapaz fizesse o pedido de namoro ali, na frente de todo mundo.

Só não foi pior porque o pai da moça, percebendo o sufoco em que tinham metido o rapaz, subiu no palco. Ele chegou junto, acalmou o Luide e deu a ele o apoio necessário para encarar a brincadeira. A mãe também chegou junto da filha, apoiando, mas sem fugir da situação. Eles fizeram com que a coisa acontecesse bem.

No final das contas, ao invés do Luide, quem fez a declaração de amor foi o pai da Eli. O casal falou de todo o início do namoro, contou a sua história e refez os seus votos, inspirados no início da relação de namoro da filha. Eles abraçaram os dois meninos, e depositaram as melhores energias possíveis naquele início de relação.

Foi aí que o pai da Eli desfez a bagunça do início da festa. Ele trouxe de volta as flores, que o Luide gentilmente distribuiu entre a mãe e a filha, assim como também o ovo de Páscoa. Nesse momento, o rapaz, já sem mais nenhuma cerimônia, fez o pedido de namoro e entregou o bendito ovo de Páscoa a Eli.

Só que um grito de ”PERA AÍ”, interrompeu tudo. Era a mãe da Eli. Foi ela quem olhou para o marido e perguntou: E aí, cadê meu ovo?!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

*Do livro Era uma vez meu coração



 

A mentira de mil vezes

O efeito da chamada “Mentira Ilusória” já é de senso comum e os efeitos dela sobre a ação cognitiva do ser humano, também. Não, eu não sou p...