Eu parto do princípio de que a beleza tem sua
graça. Não tem como deixar de entender a importância da vaidade. É bonito de se
ver uma pessoa bem-vestida, melhor dizendo, vestida de forma bem adequada, uma
roupa bem trabalhada para o corpo da pessoa e para a ocasião e o que se segue a
esse raciocínio. Nada é mais bonito que uma boa apresentação.
No entanto nada disso pode ultrapassar a
barreira do que é lógico e saudável. No meu modo de ver, a vaidade tem que
sempre estar no limite do conforto, da comodidade, do que realmente deve e pode
lhe proporcionar prazer e felicidade. Sempre que isso estiver em jogo, é melhor
repensar. A exigência da vaidade pode ter passado do ponto e tudo aquilo que se
torna excesso, que passa do limite, acaba por fazer mal.
Nem todas as pessoas entendem esse limite.
Mesmo a vaidade tendo uma grande ascensão entre os homens, ela ainda é bem mais
acentuada nas mulheres. Ter tudo certo, do jeito certo, começa a parecer uma
necessidade tão desmedida que, até os diferenciais, aqueles diferenciais que
nos tornam seres únicos, deixam de ser respeitados.
E é essa vaidade que escraviza que acaba
mutilando. A poucos dias saiu, em mais um noticiário, o caso de uma modelo que
faleceu em uma dessas cirurgias absurdas. Uma lipoaspiração de uma barriga que,
digamos, era o ideal de beleza para muitas outras mulheres. Literalmente esse é
o excesso ao qual fiz a referência.
Outro dia, em um grupo de amigos, as amigas,
mulheres bonitas, estavam falando do uso do Botox como se isso fosse uma coisa
simples, natural. Elas tratavam isso de forma tão simplória que mais pareciam
estar falando do uso de uma maquiagem. Aí me veio à cabeça: quantas pessoas eu
conheço que hoje tem o rosto desfigurado pelo uso exagerado do Botox.
Não sou especialista em estética, não conheço
os limites do uso deste ou daquele produto, mas sou capaz de reconhecer as
pessoas que vão ficando sem expressão facial. O rosto acaba ficando de uma
forma tal, como se fosse plastificado, que tanto faz se ela está rindo ou
chorando, não faz diferença à expressão é a mesma.
Peço desculpas pela forma de tratar a coisa.
Aqui nada mais estou que chamando a atenção para um fato. A beleza física, a
estética pode até atrair olhares, mas não é ela que vai encantar ninguém,
principalmente se for de plástico.
Não estou fazendo nenhuma crítica ao trabalho
dos cirurgiões plásticos, apesar dos que colocam o dinheiro em primeiro plano,
muito menos das cirurgias, que em muitos casos reparam danos que fazem a
diferença na vida das pessoas. Cirurgias que resgatam a autoestima e que
devolvem a condição, mesmo que parcial, de normalidade de vida para muita
gente.
O meu chamado de atenção cabe exclusivamente
às pessoas que se deixam levar pela cobrança exagerada da perfeição. Pessoas
que se deixam levar pela imagem que elas apresentam nas redes sociais. Uma
imagem retocada, uma beleza que não existe.
Ficou tão fácil mexer com as imagens, deixar
tudo do jeito que o padrão da beleza cobra, que a realidade apresentada pela
imagem diante do espelho, se torna angustiante. De uma forma mais grosseira,
isso tem provocado uma negação do que é a realidade, a realidade que as pessoas
enxergam diante do espelho.
Essas pessoas vão aos poucos se angustiando,
se deprimindo com a verdade da vida. A vida boa está logo ali, na postagem, na
ficção, na falsa sensação de felicidade que ela apresenta aos amigos. Elas
começam a querer que a imagem das redes sociais seja a que vale, como se essa
fosse a imagem real.
Eu acho que o maior e melhor exemplo disso
tudo é o Michael Jackson. Não sei os motivos, mas em nível do senso comum, ele
foi um cara que modificou tanto a imagem do rosto, que acabou se mutilando.
Mais uma vez, não estou fazendo um julgamento. Isso é só uma constatação.
E assim como ele, muitas outras pessoas vêm
se mutilando. Cada um tem seus motivos, seus desejos, suas vaidades e cada um
tem, da mesma forma, suas responsabilidades. Somos responsáveis pelas nossas
atitudes, e pagamos, indubitavelmente, o preço cobrado por elas.
Embora eu seja uma dessas pessoas que prega o
respeito pela forma de pensar de cada um, me senti incomodado com a conversa
das minhas amigas e a forma de utilização desse tratamento estético de forma
bem específica. E foi por isso que eu resolvi abrir um raciocínio sobre o tema.
Somos um conjunto de valores e, mesmo sem
querer tirar a importância da beleza, eu queria chamar a atenção de que tem
coisa mais importante nesse conjunto. Existem outros valores dentro de cada um
de nós que se somam e que nos fazem muito mais que um rosto bonito.
Eu queria, de uma forma qualquer, gritar que
olhar só para a beleza física está errado, que, nesse conjunto de valores, tem
muito mais o que ser visto. Minha eloquência com as palavras e o meu
conhecimento não me permitem uma maior profundidade sobre o assunto, tenho medo
de expor alguma informação indevida.
Gostaria, então, de fechar com um texto muito
bonito que encontrei, e que faz referência sobre o assunto, um texto da Mônica
Denise Viana de Barrios. Ela disse: “Temos a tendência de nos atrair pela
beleza, mas logo em um segundo instante, já nos sentimos ligados à essência das
pessoas, pois é a alma que nos encanta”.
Aélio Jalles (Lelo)

Acredito que a vaidade desmedida é sim prejudicial, faz com que a pessoa viva atormentada em busca do corpo perfeito, obcecada pela sua imagem no mundo. A vaidade é vazia quando o indivíduo só se preocupa com ela, só se enxerga através dela e se compara aos outros através do seu conceito de vaidade. Já a vaidade dita normal é aquela em que a pessoa sente-se bem em ter uma “bela estampa”. Sente-se mais segura, mas não se sente superior a ninguém. Ser vaidoso sem extremos é muito bom, é ter carinho e respeito por si, é cuidar-se e amar-se. É saber que uma boa aparência não é só beleza, mas higiene e cuidado. Afinal quem realmente somos vai muito além da nossa aparência.
ResponderExcluirParabéns. Texto muito realista. A verdadeira essência deve ser encontrada por cada um de nós.
ResponderExcluirCom bom senso e responsabilidade, sou a favor da tecnologia e dos procedimentos que elevam a autoestima. É certo que tem faltado bom senso em muita gente e o que se vê são resultados bem esquisitos e um padrão destorcido de beleza (nesse aspecto, concordo com você). Mas há muitas alternativas seguras e modernas no campo da estética que deixam as pessoas mais jovens e mais bonitas, de uma forma natural. Se faz bem e a pessoa pode, por que não? Cuidar da aparência é autoamor. Triste é ser desleixado! 😉 😄
ResponderExcluirEu pensei que era só eu que pensasse assim, realmente as pessoas num modo geral estão passando do normal em relação a vaidade. Estão fazendo uma demonização facial, e não estão enxergando como estão ficando sem expreções, retirando partes no rosto e no corpo, tudo muito exagerado. E nesse exagero as vezes paga com a saúde e a vida. Parabéns pela escrita. Um abraço.
ResponderExcluirAdorei tua visão do tema, e penso muito parecido! Os limites sociais parecem se estender cada vez mais e as alterações estéticas nunca vão substituir uma alma bonita e uma cabeça inteligente.
ResponderExcluir