Ser mãe, em meio a uma devastação social de humanidade,
tem ficado cada vez mais difícil. E de uma forma qualquer, a existência dos seres
humanos, a nossa existência, está associado à capacidade de uma mulher em ser
mãe.
As novas
gerações, de uma forma muito latente, têm repensado muito essa condição, a
decisão de gerar filhos. Isso tem sido tratado, na cabeça desses novos seres
humanos, como uma decisão que divide a vida, que cria uma lacuna entre as
liberdades e as responsabilidades.
Na verdade, a
maternidade tem trilhado caminhos muito menos evidentes que antes, diante
dessas novas condições do que é a vida. É como se não existisse mais a
necessidade de procriação, ou pelo menos, não como um compromisso, mas como uma
opção e uma opção cada vez mais pessoal.
Estamos
vivenciando uma sociedade cada vez mais individualizada, onde os laços,
principalmente dos casais, estão fáceis de desatar. A ideia é que; ninguém se
prende mais a ninguém, ama-se a quem estiver mais disponível, e somente
enquanto for viável.
E nessas
relações sem laços fortes, mais determinados, é difícil assumir
responsabilidades, como a de um filho, que deve ser para a vida toda. É quando
a gente começa a repensar que a ideia do “até que morte os separe”, tem um
certo sentido.
É que essa
ideia do: cada um tome conta do que é seu, torna difícil formar laços de amor e
afeto, laços que não se desatam por qualquer coisa. Só que; a ausência desses
cordões, os que nos ligam uns aos outros, que a princípio podem parecer
amarras, também são cordões que norteiam a vida e nos oferecem segurança.
São ligações
que nos levam a relações nem sempre muito sensatas, de um dar e receber nem
sempre muito justo ou obvio, mas que no fundo são extremamente compensadoras. Essas
são ligações que estendem os braços, que nos tornam parte de alguma coisa
grande, como no caso da maternidade.
Penso eu que: o
maior valor de tudo o que fazemos, o que nos faz maior do que um ser,
individualmente, está ligado a esse veio de sentimentos e valores intangíveis. São
esses valores, os que vem do coração, que podem ajudar na decisão de ser mãe.
Tornando claro
o obvio, são esses os sentimentos que dão sentido à vida!
Aélio Jalles (Lelo)
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