quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Enterramos o Fusquinha!!


 

O ano era 1988. Nessa época a cidade de Aracati era um dos melhores destinos no carnaval, uma referência do carnaval no Ceará. A praia de Canoa Quebrada, uma das praias de Aracati, era um destino dos mais cobiçados.

Estamos falando de um tempo em que o celular ainda não fazia parte do cotidiano das nossas vidas. A praia de Canoa Quebrada também não era o que se vê hoje. Ainda era uma praia de aventureiros, sem muita estrutura. 

Na época, a prefeitura de Aracati já tinha aberto uma via de acesso que permitia a chegada dos carros próximos ao paredão das falésias. Até então, só se chegava próximo a praia caminhando ou em carros apropriados. Esse aceso permitia que o trio elétrico chegasse até lá e o carnaval tomasse conta. 

E nós estávamos lá. Mais de trinta pessoas socadas em uma casa, num esquema que só funcionava bem, eu acredito, por conta da amizade. A casa era de uma tia de uma das meninas da turma. Ela morava na casa com a mãe, mas, nesse período, ela despachava a mãe para casa de outra filha e tirava o proveito dessa renda extra de carnaval.

A casa ficava colada na praça central do Aracati, a praça do carnaval. Isso tornava a casa estratégica. Ela servia de base e nos permitia aproveitar, de uma forma ímpar, toda a folia de carnaval. Nós ficamos literalmente no meio da fofoca, com o carnaval na nossa porta.

Diariamente, logo depois do café, comprávamos duas caixas de cerveja, cerveja em garrafa de 600ml, para sair mais barato, e alguns refrigerantes de dois litros. Púnhamos tudo em dois recipientes de isopor. Cobríamos a cerveja com gelo e seguíamos para a praia.

Aquele aparato era para o consumo da noite. Quando o carnaval estava rolando na nossa porta, e nós podíamos usufruir do nosso camarote particular. Tudo muito apropriado para um carnaval majestoso.

A praia de canoa quebrada era bem turística. Isso deixava os preços, principalmente no período de carnaval, onerados, o que tornava impeditivo os exageros de consumo. Esse era o motivo mais determinante para que nós retornássemos da praia relativamente cedo.

No último dia de carnaval, nós nos preparamos para uma farra um pouco maior.  Descobrimos que tinha verba para uma caixa a mais de cerveja. O que fez a felicidade de uma boa parte do grupo.

Já na praia, nesse último dia, os bons cervejeiros queriam retornar mais cedo ainda da praia. Já as meninas, em sua maioria, queria aproveitar o último dia de praia. Foi ai que nasceu o dilema do quem vai e do quem fica.

Dividimos os carros, e as dez mulheres, as que estavam fazendo questão do sol, ficariam para esse bronze a mais. Ficaram dois carros para o transporte delas, dois fusquinhas. O resto da turma tomou rumo e subiu o morro para ir embora.

Quando nós chegamos no alto do morro, apareceu a ideia maluca: vamos enterrar os carros das meninas?! A ideia fluiu de um jeito tão rápido, que em questão de minutos, já se tinha nas mãos duas pás, escoras de madeira e outros aparatos. São as loucuras da adolescência!

Foi um trabalho danado. Usamos os macacos dos outros carros para levantar, as escoras de madeira para sustentar e retirar a areia debaixo deles. Cavamos os buracos, tudo em um processo muito corrido e mais ainda desorganizado. .

Só como referência do custo desse processo, isso tudo estava acontecendo debaixo do sol de meio dia. Deu um trabalho gigante, uma suadeira que nem dá para descrever. Nós levamos quase uma hora para fazer essa arrumação toda.

Fomos embora deixando para trás, de uma forma meio irresponsável, o abacaxi dos carros enterrados. Não sabíamos como as meninas iam se virar para tirar os carros dos buracos que nós metemos.

Chegamos em casa, fomos tomar banho, almoçar e nos preparar para dar inicio aos trabalhos, com o compromisso de dar conta de uma caixa de cerveja a mais até o final do dia. Tudo isso misturado com a curiosidade de saber como as meninas iam se sair. 

Na verdade, nós demoramos tanto tempo para enterrar os carros que pouco tempo depois de nós chegarmos, questão de alguns minutos, elas chegaram também. O que fez aumentar a curiosidade do que tinha acontecido. Elas  chegaram rindo, fazendo hora com a cara dos idiotas que tentaram pregar uma peça com elas.

Quando elas saíram da praia e subiram o morro para ir embora, elas encontraram junto dos carros enterrados, uma ruma de gente. Pessoas que tinham visto a arrumação, e outros mais que ficaram curiosos, imaginando como e porque tinham sido feito aquela presepada.

Imaginem; 10 mulheres, bonitas, risonhas e nessa situação. Não demorou um instante e uma verdadeira força tarefa de homens se ofereceu para retirar os carros. Rodearam um dos carros, suspenderam e retiraram o carro do buraco no braço. Repetiram a mesma coisa com o segundo carro e pronto. Parecia brincadeira.

É fato que elas nunca deram os detalhes exatos de como foi esse processo, e de como elas agradeceram esses cavalheiros tão disponíveis e dispostos. Melhor mesmo não saber. Já basta a cara de abestado que todos ficamos por conta disso tudo.



Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde eu conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!

 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

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quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Uma Loira Arretada!


                               Tem uma loira lá no espaço,
                            Bem simpática e sorridente;
                            Mexe com todo mundo,
                            Abre os braços, mostra os dentes;
                            Traz na boca um agrado,
                            Que de um jeito engraçado,
                            Mexe com o ego da gente.  

                            Ela agrada a todo mundo,
                            De um por um vai cutucar;
                            Se tu tá de cara feia,
                            Ela vai te alfinetar;
                            Quebra qualquer baixo astral
                            E de um jeito natural,
                            Faz o sorriso brotar.   

                            Vendedora de primeira,
                            Ainda usa caderneta;
                            Tem perfume, espumante,
                            Gerimboca e tarraqueta;
                            Você pode imaginar,
                            Eu num quero nem pensar,
                            Ela vende até marreta. 

                            Pega tudim na palavra,
                            Ela e uma sensação;
                            Ela dá um jeito em tudo,
                            Você cai na tentação;
                            Você nem vê como foi,
                            Basta que diga um oi,
                            Já entrou na arrumação.

                            É bom todo mundo saber,
                            Da caderneta ninguém sai;
                            Se pagou compra de novo,
                            Num tem quem diga um ai;
                            Num pode quebrar a regra,
                            Tá escrito ela prega,
                            Que sair ninguém vai.

                            Pense numa loira arretada,
                            Ela é muito inteligente;
                            Num deixa cair a peteca,
                            Tá sempre animando a gente;
                            Com o astral sempre pra cima,
                            Ela sempre tudo ilumina,
                            Com um sorriso reluzente.

                            Essa loira é gente boa,
                            Ela tem pinta de bacana;
                            Estar com ela no espaço,
                            Paga o preço da semana.
                            Pra você que não conhece,
                            Tome tento apetece,
                            O nome dela é Fabiana!
 
 
Aélio Jalles (Lelo)  

 

 

 

 

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segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Escravo da Paixão!


 

“Dá-me o homem que não é escravo da paixão que eu o tratarei.”

 De Hamlet a seu amigo Horatio

Willian Shakespeare

 

 

Ser escravo de um amor

Que jamais te enaltece,

Provoca no coração um ardor

Que maltrata e entorpece.

Deixa frágil a emoção

E por pura aflição

É a alma quem padece.

 

Pondo sempre tudo à prova,

Não importa a situação;

Tem sempre uma condição nova,

Vem de pronto a imposição...

Já não existe um ato,

Que na verdade e de fato,

Possa dar satisfação.

 

Sempre tem algo a impor,

Não te oferece um carinho,

Não tem tempo ao teu dispor,

Tu vai ficando assim sozinho.

Não existe um só momento

Onde pese o sentimento,

Que basta se estar juntinho.

 

O amor não é assim,

Com a entrega só de um lado,

Entre pessoas tem que haver troca,

Não pode ser tão pesado.

Reveja com atenção,

Nessa dura relação

Deve ter um algo errado.

 

Entenda de pronto uma regra:

Ninguém manda no amor,

Jamais se pode esperar a entrega

De um sentimento usurpador.

Como podes tu querer,

Em teus braços a arder,

Alguém que te causa dor?

 

Revigora a tua alma,

Olhar para frente novamente,

Sem muita espera e sem trauma,

Rompa o elo da corrente.

Se jogue de peito aberto,

Pois sempre o caminho certo

É mais leve e coerente.

 

Reposiciona as tuas velas,

Não tarde para acordar;

Refaça com tudo as tuas malas

Que a vida vem te buscar.

Tem sempre ali do lado

Um amor novo guardado,

Em um canto a te esperar.

 

Aos amigos vai de encontro,

Reabre a tua emoção,

                     O remédio é tempo e pranto

Para as feridas dessa paixão.

Retira a viola do saco,

Refaz as pazes com o Baco,

Liberta teu coração.

 


Aélio Jalles (Lelo)

 

 

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quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Uma amiga fascinante!


De um jeito sempre simpático, ela atrai a atenção;

Ela pinta, faz maquiagem, trabalha sua apresentação;

Ela quer que todo mundo, cause uma boa impressão.

 

Se os poros estão dilatados, ela diz: use hidratante!

Para a maquiagem do dia a dia, pare e pense um instante;

Não “pese” muito na mão, ser discreta é elegante.

 

A maquiagem é como mágica, a beleza enaltece;

Basta você entender, que todo mundo merece;

Se você deixar com ela, o milagre acontece.

 

A maquiagem ela diz, levanta sua autoestima;

Se você tem um paquera, ela ajuda a dar um clima;

Cuide da sua beleza, faça disso uma rotina.    

 

Também trabalha com moda, ela é uma sensação;

Moderninha ou acanhada, preste muita atenção;

Ela sabe o que combina, mexe com a sua emoção.   

 

Para quem é falso ela avisa: detesto virtude barata!

Não deixa de ser sincera, bate forte, faz bravata;

Ela é sempre ela mesma, forte, marcante, gaiata.

 

Cleide Make é uma amiga, que trabalha a nossa estima;

Pelo carinho e elegância, facilmente ela fascina;

Ela é uma joia rara, esmeralda ou turmalina!

 

Aélio Jalles (Lelo)




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segunda-feira, 12 de setembro de 2022

A Noite das Mães!


Na nossa turma de amigos, as coisas aconteciam do nada mesmo. Aparecia sempre uma ideia maluca, que nem sempre conseguíamos identificar de onde veio. Ela ia tomando corpo, sendo formatada nas cabeças de um e de outro e nós acabávamos envolvidos em belas loucuras.

Cada uma dessas loucuras realizadas acabava se transformando em uma passagem icônica que ia ficando gravada para o resto da vida na memória. Recortes de vida emocionantes, que vêm à tona sempre que precisamos relembrar o que é felicidade.

Foi assim em uma comemoração do dia das mães. A ideia brotou na mesa do restaurante Caravele, o nosso ponto de encontro de sempre. No final de semana anterior ao dia das mães (eu realmente não sei de onde ou de quem) apareceu a ideia de fazer uma homenagem diferente para as nossas mães. Algo que ficasse na memória delas.

Nós já éramos adultos, pelo menos pensávamos assim. Já estávamos na casa dos mais de 20 anos, já tínhamos nossas responsabilidades, praticamente todos trabalhavam e, em geral, tínhamos a liberdade de ter na mão a chave da casa. Isso era o máximo na época!

A ideia parecia simples demais. Cada um de nós compraria uma rosa para presentear a mãe, além de algumas cervejas para pôr na geladeira. Encontrar-nos-íamos, como era de praxe, no sábado à noite, de véspera do dia das mães, no Caravele.

Do Caravele faríamos um roteiro para visitar todas as casas, de uma por uma. Sairíamos à meia noite. Em cada casa, o script deveria ser o mesmo. Entraríamos de mansinho, pouco mais de trinta pessoas, montávamos o coro, começaríamos a cantar e os pais acordariam surpresos com todo aquele mundo de gente dentro de casa.

Nós éramos conhecidos pelos pais dos nossos amigos. Todos os amigos tinham transito livre dentro das nossas casas e nós acreditávamos que essa seria, de certa forma, uma invasão pacifica. Não tinha como ser diferente.

Fora a surpresa da invasão, tinha a música: começávamos a cantar ainda no escuro, sem acender as luzes, para dar o impacto necessário. O coro, mais que ensaiado, começava a cantar:  

                        “nem o sol; nem o mar; nem o brilho das estrelas; tudo isso não tem valor, sem                         ter você; sem você; nem o som da mais linda melodia; nem os versos dessa                            canção, irão valer; nem o perfume; de todas as rosas, é igual a doce presença                         do seu... amor” 

(Musica: Quando te vi – Beto Guedes)

A primeira questão que fugiu do script foi a forma com a qual os pais encararam essa surpresa. Os pais, ou somente a mãe, em alguns casos, acordava meio no susto. As reações nem sempre estavam tão previstas assim. Tivemos uns contrapontos serios para reequilibrar as emoções. No entanto, tão logo que se tomava a devida compreensão da situação, a homenagem tomava seu rumo. 

Retomávamos a música, agora com a atenção voltada à homenagem.

Logo depois da música, o filho da casa tomava a palavra. Ele - ou eles, no caso dos irmãos - proferia a homenagem a sua mãe e entregava a rosa. Vinha a seção de abraços, beijos, muitos beijos e muito mais abraços. Lógico que isso tudo vinha acompanhado de muita emoção. .

Eu adoraria conseguir registrar aqui e em palavras a grandeza da emoção de cada um daqueles momentos. Em cada casa que íamos passando, íamos deixando uma energia esplendorosa, forte, única, indescritível!

Estou nesse momento respirando fundo para controlar a emoção e reorganizar a linha de raciocínio. (Só uma pequena pausa)

No final de cada homenagem, nós tomávamos as cervejas que faziam parte do acordo, juntávamos o grupo e partíamos para a residência seguinte, normalmente deixando para trás uma mãe em prantos.

Lembro-me que outra falha do script foi o tempo previsto para o cumprimento de todo esse roteiro em cada casa e toda essa rota que teríamos que cumprir. Tínhamos na mão um contexto de aproximadamente trinta casas e mãe nenhuma poderia ficar de fora.  

Por último, já quase com o raiar do dia, faltava ainda uma mãe para ser homenageada. Ela não estava em casa, tinha saído com o esposo para a noite, para comemorar e ninguém conseguia localiza-la. Não existia telefone celular nessa época e ela não tinha voltado para casa.

Nas ultimas, um dos filhos localizou a mãe na casa de uns amigos. Fomos todos terminar a noite na casa desses amigos deles. Fizemos a homenagem como o combinado e como eram três filhos, uma das rosas acabou na mão da dona da casa.

Ela acabou emocionada com a homenagem e entre soluços e lágrimas, fez um desses agradecimentos extremamente tocantes. As reações, os beijos, os abraços, as lágrimas e o mundo de emoções que foram vivenciadas naquela noite, foram marcantes. Muito além do esperado!

O registro daquela noite, daquela cumplicidade, daquele coro, nem tão afinado, mas cheio de amor, ficou definitivamente gravada na memoria de cada um que viu e presenciou aquela passagem de vida.   

Uma noite dedicada às mães e recheada pela emoção de um grupo que conseguiu traduzir a amizade em grandes feitos.

 

 

Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde eu conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!

 

 Aélio Jalles (Lelo)

 

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quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Na condição de amigo!

 



A amizade é um sentimento solto, onde não cabem muitas cobranças, onde não existe, ou pelo menos não deveria existir, a sensação de posse, de controle, de domínio.

Mas será que você pode me dizer tudo o que cabe em uma relação embolada pela ambiguidade dos sentimentos de amor e amizade? Até onde nos é permitido viver uma relação e continuar sendo só amigo?

A gente brinca, sai junto, se diverte, e isso tudo acaba gerando certa intimidade. De fato, na condição de amigos, chegamos a participar da vida uns dos outros. Nós vamos conversando, trocando confidências, dando e recebendo conselhos. A convivência provoca essa intimidade.

Essa relação faz um bem danado, deixa a vida mais colorida, mais alegre. Os amigos naturalmente causam esse efeito!

Você vai vivenciando os círculos de amizade que a vida lhe oferece, e vai, meio sem querer, buscando as possibilidades de uma relação mais próxima. Você vai abrindo, aqui e acolá, a possibilidade de uma ligação mais afetiva, rompendo a barreira da condição de amizade.

Situações podem propiciar um apego maior. Tais circunstâncias são gostosas de viver, bem interessantes. Elas mexem um pouco mais com o coração. Na verdade, essas situações dão brilho à amizade. Não é difícil acontecer!

A questão é que, nesses casos, as paixões tornam a relação extremamente instável. Quando o coração começa a falar mais alto, o apego acaba comprometendo a condição anterior. Isso sendo bem definido entre os dois, uma coisa bem acordada, não chega a ser um problema.

Uma boa e bela amizade, um caso de amor, uma relação utilizada para colorir a vida, na verdade, faz um bem gigantesco. Não estou aqui querendo fazer apologia ao amor livre, sem compromisso. Não acho que a ausência de responsabilidade na relação seja muito diferente de um encontro fortuito, onde um não se incomoda com o outro.

Penso eu que, uma relação, que parte de uma boa amizade, já não entra nessa premissa. Os amigos se importam, se preocupam uns com os outros. Amigos de verdade promovem o bem estar, ajudam quando necessário, empurram a gente para frente. A amizade naturalmente já nos impõe alguma responsabilidade!

Em uma relação na condição de amigo, os cotidianos devem ter suas afinidades, as conversas devem ter uma boa relação, e as dinâmicas de vidas, obrigatoriamente, devem se perceber harmônicas. Portanto, a “amizade colorida” se trata de uma relação extremamente delicada, e é muito importante que exista uma clareza acerca dos sentimentos dos dois.

Não se pode pensar que uma relação como essa venha a ferir ninguém. Não se pode permitir brincar com os sentimentos alheios, como se não existisse uma consequência.

 

De qualquer forma, todo mundo busca uma relação que seja mais que amizade, uma relação mais chegada e que possa proporcionar mais estabilidade sentimental. Uma relação onde a troca de sentimentos seja mais direta e onde ambos assumam o compromisso de parceria.

Só que, temos de reconhecer, não é tão fácil conseguir encaixar outra pessoa no nosso cotidiano. Embora estejamos cada dia mais carentes de companhia, a realidade prática nos obriga a relativizar tal necessidade.

Por isso, eu acho que todas as relações deveriam ter início através da condição de amigos. Só depois de medir as afinidades, de apreciar as virtudes, de reconhecer os defeitos e aprender a respeitar os limites é que se deveria tentar algo a mais.

E é por isso que eu digo as minhas amigas: Tudo deve começar na condição de amigo!

 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

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sábado, 3 de setembro de 2022

Depois do susto, dá até para rir

 



Eu morava em Quixeramobim, uma cidade do interior do Ceará. Como toda cidade do interior, a calma, a tranquilidade e a segurança faziam parte do cotidiano. Era possível se viver em paz, respirando os ares da noite, sem que tivéssemos a necessidade de qualquer preocupação.

O interior do Ceará, aquela região central do estado, para quem não conhece, é quente! Um calor capaz de tirar o juízo de qualquer pessoa. Esse calor dura o dia todo, um clima quente e seco que entra pelo início da noite. Essa sensação de abafado só é aliviada com a chegada do Aracati, o vento que sopra do litoral e chega, para nós lá do Quixeramobim, por volta das 20 horas, trazendo a brisa que alivia a cidade toda. 

Esse é o vento que sopra as muriçocas, que leva o calor e refresca a casa. Não tem remédio melhor. Quando o Aracati chega, ele leva o mormaço que se instala nas casas durante o dia.  Até esse momento, se você pegar no lençol da cama, você vai sentir o reflexo desse mormaço. Dentro de casa, tudo é quente como se tivesse sido engomado naquele instante. É o reflexo do forno em que a temperatura normal do dia transforma as casas.

Quando o Aracati chega, para estabilizar o clima e deixar as casas habitáveis, todo mundo abre as portas e janelas, deixando tudo escancarado. Esse vento fresco derruba a temperatura e provoca um conforto térmico fantástico, às vezes chegando ao ponto de uma boa friagem. Normalmente, ele chega deixando o rastro de um friozinho gostoso para embalar o sono.

Em uma noite dessas, eu estava em casa, com as portas abertas, as janelas literalmente arreganhadas, aproveitando o frescor do vento, que, nessa noite, estava especialmente frio. Eu estava jogado no sofá da sala, assistindo televisão e, como morava em uma cidade tranquila, eu estava sem nenhuma preocupação com a vida lá fora.

Eu morava em uma dessas casas antigas, bem características do interior, uma casa que não tem varanda, onde a porta da sala já fica, como se diz comumente, na porta da rua. Aquele tipo de casa que a gente pode se debruçar na janela para dar conta da vida que se passa do lado de fora.

O fato é que a porta e as janelas, da parede da frente da casa, ficam literalmente ligadas à calçada. Para receber o vento, como todo mundo, eu deixava tudo aberto. Isso era comum, não tinha motivo algum para não fazer isso. 

Eu estava lá, sozinho, “deitadão” no sofá da sala, assistindo meu filme. O detalhe é que o filme era aquele de medo. Sabe aqueles filmes que dão susto na gente, que deixam os nervos à flor da pele? Esses filmes que ganham a classificação de filmes de terror. Eu acho que a gente assiste esse tipo de filme para testar o coração. 

Bem na hora da cena mais cavernosa, aquela cena que você está esmagando o braço da cadeira, comendo as unhas, arrancando os cabelos, totalmente ligado ao filme, eu só escutei um berro no meu pé do ouvido: him-hãmmmm, him-hommmmm - (isso é para ser o relinchado de um jumento), nas alturas, dentro da sala, bem pertinho de mim, nas costas do sofá que eu estava sentado.  

Naquele momento, o sangue desapareceu do corpo. Meu cabelo, que já estava arrepiado por conta do filme, virou espeto e eu não sei precisar exatamente quanto tempo eu levei para juntas novamente novamente meu espirito com meu corpo. Eu sei que a cena durou somente alguns segundos, mas eu levei mais tempo para sentir os pés no chão, e fazer com que os pensamentos se encontrassem com a realidade: tinha um jumento na minha sala!

Do pulo da cadeira até ao meu encontro com o vigia da rua, bolando de rir, teve uma correria ao redor dos móveis e uma fuga pela janela. Não sei se vocês conseguiram entender, ou pelo menos chegar perto, de imaginar o tamanho do medo.

Levei uns minutos respirando para o coração voltar ao normal, os olhos voltarem para caixa e os pensamentos se desembaralharem. Foi o tempo que levei para eu conseguir entender a diferença do que era o medo do filme e o que era o susto da marmota que estava acontecendo.  

O jumento se aproveitou da porta aberta e, segundo o vigia da rua, passou uns minutinhos assistido o filme. Ele viu a marmota e já estava quase chegando na porta para retirar o jumento, quando o bicho resolveu dar o show e me matar do coração, ou pelo menos testar, para ver se meu coração resistia a tanto.

O vigia só faltou morrer de rir da minha cara. Não posso negar que conto isso hoje com essa graça, mas na hora não foi assim. É que depois do susto, dá até para rir!       

 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

 

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A mentira de mil vezes

O efeito da chamada “Mentira Ilusória” já é de senso comum e os efeitos dela sobre a ação cognitiva do ser humano, também. Não, eu não sou p...