sexta-feira, 7 de outubro de 2022

O Boteco e a Cachaça!



Existe uma sintonia fina entre o boteco e a cachaça;

Um ficando sem o outro, deixa tudo assim, sem graça;

Parece um cigarro aceso que não solta nem fumaça;

É como querer brindar, qualquer coisa pra saudar,

Sem se bater uma taça!

 

Pois é juntando os amigos, que a gente brinda e abraça,

Com bom papo em um boteco, desce a dose que a gente traça, 

Assim como um bom torresmo, que com a mordida espedaça,

Nós aqui vamos brincando, tomando uma e bradando,

Que a vida é muito massa!  

 

 

Já existe essa dinâmica, desde os primórdios da raça;

Que a gente promove a vida levantando junto a taça;

Com gostosas gargalhadas, o problema a gente afasta.

Pois um brinde pra valer, eu só sei como fazer,

No boteco com cachaça!

 

 Aélio Jalles (Lelo) 

 

 

 

 

 

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terça-feira, 4 de outubro de 2022

Dos Filhos para os pais. Um natal diferente!


 

No nosso grupo de amigos, praticamente todos tinham o aceso livre, praticamente todos transitavam nas casas uns dos outros. Éramos de casa, e os pais dos nossos amigos nos acolhiam, nos abraçavam, nos reconheciam. Eles gostavam da convivência e da segurança que o fato de andar juntos provocava.

Já não éramos tão adolescentes. O grupo girava nessa época, na casa dos 20 anos. Praticamente todos faziam parte do mercado de trabalho formal. E, pelo fato de já ter renda própria, tínhamos certa independência.  

Por conta de uma situação vivida, percebemos que, apesar de toda intimidade que tínhamos com os pais dos nossos amigos, nossos pais não se conheciam. Eles não tinham proximidade uns com os outros, apesar de, aqui e ali, ter a possibilidade de algum contato. Só que, fora algumas exceções, as relações não passavam de encontros fortuitos.

Percebemos, então, que poderíamos agir sobre essa questão. Nesse caso, invertendo a ordem normal das coisas, nós iríamos influenciar a amizade dos nossos pais. Estava na hora de apresenta-los de forma mais enfática e, quem sabe, provocar essa convivência entre eles.

Montamos, então, uma confraternização de natal. Nós iríamos fazer uma festa de final de ano, uma confraternização do grupo de amigos, carregando os nossos pais a tira colo. Essa era a oportunidade de provocar uma convivência, sem forçar demais a barra.

Nós acreditávamos que seria uma forma de, quem sabe, gerar uma referência a mais das pessoas do grupo, e isso poderia deixa-los ainda mais seguros sobre as companhias que os seguros tinham na vida.   

Não existe como falar do nosso grupo de amigos e não falar do restaurante Caravele. Esse era o nosso ponto de encontro, fazia parte da turma. O Caravele era praticamente uma extensão das nossas casas. Era o nosso espaço, o nosso recanto. Então, não tinha o que pensar, esse evento seria lá.

Em um trabalho de grupo, fomos especificando como distribuir as mesas, quem ficaria mais confortável na companhia de quem, e como nós poderíamos promover as interações. Tínhamos uma oportunidade única de fazer esse negócio acontecer, e queríamos que acontecesse da melhor maneira possível.

No dia do evento, estávamos todos muito ansiosos, dava para prever. Estávamos quebrando uma barreira e levando os nossos pais para o nosso convívio, para conhecer mais intimamente as famílias dos nossos amigos. Sempre fica no ar uma certa insegurança. Não tínhamos como prever com exatidão onde isso iria gerar.

Logo no inicio do evento, fizemos uma dinâmica entre nós, onde cada um apresentaria os seus pais ao grupo, falando sobre algumas características, dando uma pitadinha de graça, procurando quebrar o gelo.    .

Na segunda parte, fizemos um amigo secreto baseado nos filhos. Um dos filhos era chamado e ele sortearia um dos pais. Ele deveria descrever o sorteado, com dicas e características, da mesma forma de um amigo secreto normal, para que o grupo reconhecesse. A única diferença de um amigo secreto usual era o fato que somente os pais estavam recebendo os presentes. 

A interação foi fantástica. Todo mundo se soltou, nós apresentamos mais diretamente os pais, levando a presença direta do outro. Os papos fluíram e todos acabaram se comunicando muito bem. Criou-se literalmente um clima de muita cordialidade entre eles. 

Já no final, como último ato, provocamos os pais a falar do grupo, a dar opiniões sobre as pessoas e cutucar quem eles quisessem, abrindo até a possibilidade de levar os devidos puxões de orelha. Isso foi realmente o ponto alto da festa. Acabou que nós ouvimos alguns depoimentos emocionantes e que, de coração, não poderíamos esperar.

Ouvimos muito mais que puxões de orelha. Ouvimos declarações de amor, de admiração e respeito dos nossos pais pelos nossos amigos. Ouvimos depoimentos que nos mostrou o quanto aquela amizade tinha valor. Declarações de confiança, do fato de que o que aquelas companhias geravam era tranquilidade para eles.

Chegamos a nos perguntar se eles realmente sabiam do que estavam falando. Embora com a certeza de que eles não tinham o conhecimento pleno de tudo o que nós fazíamos, das loucuras que a adolescência era capaz, dos desatinos cometidos, eles conviviam de perto e tinham sim uma noção muito grande de quem nós éramos. 

A noite foi coroada com o depoimento de um desses pais. Ele fez questão de ressaltar que a qualidade mais bonita que o grupo todo tinha era a disponibilidade. Existia uma vontade de estar junto, de respirar junto, uns cotavam com os outros.

Ele deixou claro que via isso com bons olhos, que entendia que isso não nos tornava dependentes uns dos outros. Que esse era um efeito que só a energia das boas amizades pode gerar. Estar ali, à disposição, de braços abertos era uma medida que poucos grupos de amigos poderiam dispor.

Éramos anjos da vida uns dos outros!

 


Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde eu conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

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quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Enterramos o Fusquinha!!


 

O ano era 1988. Nessa época a cidade de Aracati era um dos melhores destinos no carnaval, uma referência do carnaval no Ceará. A praia de Canoa Quebrada, uma das praias de Aracati, era um destino dos mais cobiçados.

Estamos falando de um tempo em que o celular ainda não fazia parte do cotidiano das nossas vidas. A praia de Canoa Quebrada também não era o que se vê hoje. Ainda era uma praia de aventureiros, sem muita estrutura. 

Na época, a prefeitura de Aracati já tinha aberto uma via de acesso que permitia a chegada dos carros próximos ao paredão das falésias. Até então, só se chegava próximo a praia caminhando ou em carros apropriados. Esse aceso permitia que o trio elétrico chegasse até lá e o carnaval tomasse conta. 

E nós estávamos lá. Mais de trinta pessoas socadas em uma casa, num esquema que só funcionava bem, eu acredito, por conta da amizade. A casa era de uma tia de uma das meninas da turma. Ela morava na casa com a mãe, mas, nesse período, ela despachava a mãe para casa de outra filha e tirava o proveito dessa renda extra de carnaval.

A casa ficava colada na praça central do Aracati, a praça do carnaval. Isso tornava a casa estratégica. Ela servia de base e nos permitia aproveitar, de uma forma ímpar, toda a folia de carnaval. Nós ficamos literalmente no meio da fofoca, com o carnaval na nossa porta.

Diariamente, logo depois do café, comprávamos duas caixas de cerveja, cerveja em garrafa de 600ml, para sair mais barato, e alguns refrigerantes de dois litros. Púnhamos tudo em dois recipientes de isopor. Cobríamos a cerveja com gelo e seguíamos para a praia.

Aquele aparato era para o consumo da noite. Quando o carnaval estava rolando na nossa porta, e nós podíamos usufruir do nosso camarote particular. Tudo muito apropriado para um carnaval majestoso.

A praia de canoa quebrada era bem turística. Isso deixava os preços, principalmente no período de carnaval, onerados, o que tornava impeditivo os exageros de consumo. Esse era o motivo mais determinante para que nós retornássemos da praia relativamente cedo.

No último dia de carnaval, nós nos preparamos para uma farra um pouco maior.  Descobrimos que tinha verba para uma caixa a mais de cerveja. O que fez a felicidade de uma boa parte do grupo.

Já na praia, nesse último dia, os bons cervejeiros queriam retornar mais cedo ainda da praia. Já as meninas, em sua maioria, queria aproveitar o último dia de praia. Foi ai que nasceu o dilema do quem vai e do quem fica.

Dividimos os carros, e as dez mulheres, as que estavam fazendo questão do sol, ficariam para esse bronze a mais. Ficaram dois carros para o transporte delas, dois fusquinhas. O resto da turma tomou rumo e subiu o morro para ir embora.

Quando nós chegamos no alto do morro, apareceu a ideia maluca: vamos enterrar os carros das meninas?! A ideia fluiu de um jeito tão rápido, que em questão de minutos, já se tinha nas mãos duas pás, escoras de madeira e outros aparatos. São as loucuras da adolescência!

Foi um trabalho danado. Usamos os macacos dos outros carros para levantar, as escoras de madeira para sustentar e retirar a areia debaixo deles. Cavamos os buracos, tudo em um processo muito corrido e mais ainda desorganizado. .

Só como referência do custo desse processo, isso tudo estava acontecendo debaixo do sol de meio dia. Deu um trabalho gigante, uma suadeira que nem dá para descrever. Nós levamos quase uma hora para fazer essa arrumação toda.

Fomos embora deixando para trás, de uma forma meio irresponsável, o abacaxi dos carros enterrados. Não sabíamos como as meninas iam se virar para tirar os carros dos buracos que nós metemos.

Chegamos em casa, fomos tomar banho, almoçar e nos preparar para dar inicio aos trabalhos, com o compromisso de dar conta de uma caixa de cerveja a mais até o final do dia. Tudo isso misturado com a curiosidade de saber como as meninas iam se sair. 

Na verdade, nós demoramos tanto tempo para enterrar os carros que pouco tempo depois de nós chegarmos, questão de alguns minutos, elas chegaram também. O que fez aumentar a curiosidade do que tinha acontecido. Elas  chegaram rindo, fazendo hora com a cara dos idiotas que tentaram pregar uma peça com elas.

Quando elas saíram da praia e subiram o morro para ir embora, elas encontraram junto dos carros enterrados, uma ruma de gente. Pessoas que tinham visto a arrumação, e outros mais que ficaram curiosos, imaginando como e porque tinham sido feito aquela presepada.

Imaginem; 10 mulheres, bonitas, risonhas e nessa situação. Não demorou um instante e uma verdadeira força tarefa de homens se ofereceu para retirar os carros. Rodearam um dos carros, suspenderam e retiraram o carro do buraco no braço. Repetiram a mesma coisa com o segundo carro e pronto. Parecia brincadeira.

É fato que elas nunca deram os detalhes exatos de como foi esse processo, e de como elas agradeceram esses cavalheiros tão disponíveis e dispostos. Melhor mesmo não saber. Já basta a cara de abestado que todos ficamos por conta disso tudo.



Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde eu conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!

 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

#Escritosdocoracao - #coracaodeescritor - #publicacoesemocionantes - #coracaoemevidencia - #amorperfeito - #simplesassim - #amodemais - #declaracoes - #escrevendoavida - #jallesecia - #bastanteamor - #anjosdaminhavida 

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Uma Loira Arretada!


                               Tem uma loira lá no espaço,
                            Bem simpática e sorridente;
                            Mexe com todo mundo,
                            Abre os braços, mostra os dentes;
                            Traz na boca um agrado,
                            Que de um jeito engraçado,
                            Mexe com o ego da gente.  

                            Ela agrada a todo mundo,
                            De um por um vai cutucar;
                            Se tu tá de cara feia,
                            Ela vai te alfinetar;
                            Quebra qualquer baixo astral
                            E de um jeito natural,
                            Faz o sorriso brotar.   

                            Vendedora de primeira,
                            Ainda usa caderneta;
                            Tem perfume, espumante,
                            Gerimboca e tarraqueta;
                            Você pode imaginar,
                            Eu num quero nem pensar,
                            Ela vende até marreta. 

                            Pega tudim na palavra,
                            Ela e uma sensação;
                            Ela dá um jeito em tudo,
                            Você cai na tentação;
                            Você nem vê como foi,
                            Basta que diga um oi,
                            Já entrou na arrumação.

                            É bom todo mundo saber,
                            Da caderneta ninguém sai;
                            Se pagou compra de novo,
                            Num tem quem diga um ai;
                            Num pode quebrar a regra,
                            Tá escrito ela prega,
                            Que sair ninguém vai.

                            Pense numa loira arretada,
                            Ela é muito inteligente;
                            Num deixa cair a peteca,
                            Tá sempre animando a gente;
                            Com o astral sempre pra cima,
                            Ela sempre tudo ilumina,
                            Com um sorriso reluzente.

                            Essa loira é gente boa,
                            Ela tem pinta de bacana;
                            Estar com ela no espaço,
                            Paga o preço da semana.
                            Pra você que não conhece,
                            Tome tento apetece,
                            O nome dela é Fabiana!
 
 
Aélio Jalles (Lelo)  

 

 

 

 

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segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Escravo da Paixão!


 

“Dá-me o homem que não é escravo da paixão que eu o tratarei.”

 De Hamlet a seu amigo Horatio

Willian Shakespeare

 

 

Ser escravo de um amor

Que jamais te enaltece,

Provoca no coração um ardor

Que maltrata e entorpece.

Deixa frágil a emoção

E por pura aflição

É a alma quem padece.

 

Pondo sempre tudo à prova,

Não importa a situação;

Tem sempre uma condição nova,

Vem de pronto a imposição...

Já não existe um ato,

Que na verdade e de fato,

Possa dar satisfação.

 

Sempre tem algo a impor,

Não te oferece um carinho,

Não tem tempo ao teu dispor,

Tu vai ficando assim sozinho.

Não existe um só momento

Onde pese o sentimento,

Que basta se estar juntinho.

 

O amor não é assim,

Com a entrega só de um lado,

Entre pessoas tem que haver troca,

Não pode ser tão pesado.

Reveja com atenção,

Nessa dura relação

Deve ter um algo errado.

 

Entenda de pronto uma regra:

Ninguém manda no amor,

Jamais se pode esperar a entrega

De um sentimento usurpador.

Como podes tu querer,

Em teus braços a arder,

Alguém que te causa dor?

 

Revigora a tua alma,

Olhar para frente novamente,

Sem muita espera e sem trauma,

Rompa o elo da corrente.

Se jogue de peito aberto,

Pois sempre o caminho certo

É mais leve e coerente.

 

Reposiciona as tuas velas,

Não tarde para acordar;

Refaça com tudo as tuas malas

Que a vida vem te buscar.

Tem sempre ali do lado

Um amor novo guardado,

Em um canto a te esperar.

 

Aos amigos vai de encontro,

Reabre a tua emoção,

                     O remédio é tempo e pranto

Para as feridas dessa paixão.

Retira a viola do saco,

Refaz as pazes com o Baco,

Liberta teu coração.

 


Aélio Jalles (Lelo)

 

 

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quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Uma amiga fascinante!


De um jeito sempre simpático, ela atrai a atenção;

Ela pinta, faz maquiagem, trabalha sua apresentação;

Ela quer que todo mundo, cause uma boa impressão.

 

Se os poros estão dilatados, ela diz: use hidratante!

Para a maquiagem do dia a dia, pare e pense um instante;

Não “pese” muito na mão, ser discreta é elegante.

 

A maquiagem é como mágica, a beleza enaltece;

Basta você entender, que todo mundo merece;

Se você deixar com ela, o milagre acontece.

 

A maquiagem ela diz, levanta sua autoestima;

Se você tem um paquera, ela ajuda a dar um clima;

Cuide da sua beleza, faça disso uma rotina.    

 

Também trabalha com moda, ela é uma sensação;

Moderninha ou acanhada, preste muita atenção;

Ela sabe o que combina, mexe com a sua emoção.   

 

Para quem é falso ela avisa: detesto virtude barata!

Não deixa de ser sincera, bate forte, faz bravata;

Ela é sempre ela mesma, forte, marcante, gaiata.

 

Cleide Make é uma amiga, que trabalha a nossa estima;

Pelo carinho e elegância, facilmente ela fascina;

Ela é uma joia rara, esmeralda ou turmalina!

 

Aélio Jalles (Lelo)




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segunda-feira, 12 de setembro de 2022

A Noite das Mães!


Na nossa turma de amigos, as coisas aconteciam do nada mesmo. Aparecia sempre uma ideia maluca, que nem sempre conseguíamos identificar de onde veio. Ela ia tomando corpo, sendo formatada nas cabeças de um e de outro e nós acabávamos envolvidos em belas loucuras.

Cada uma dessas loucuras realizadas acabava se transformando em uma passagem icônica que ia ficando gravada para o resto da vida na memória. Recortes de vida emocionantes, que vêm à tona sempre que precisamos relembrar o que é felicidade.

Foi assim em uma comemoração do dia das mães. A ideia brotou na mesa do restaurante Caravele, o nosso ponto de encontro de sempre. No final de semana anterior ao dia das mães (eu realmente não sei de onde ou de quem) apareceu a ideia de fazer uma homenagem diferente para as nossas mães. Algo que ficasse na memória delas.

Nós já éramos adultos, pelo menos pensávamos assim. Já estávamos na casa dos mais de 20 anos, já tínhamos nossas responsabilidades, praticamente todos trabalhavam e, em geral, tínhamos a liberdade de ter na mão a chave da casa. Isso era o máximo na época!

A ideia parecia simples demais. Cada um de nós compraria uma rosa para presentear a mãe, além de algumas cervejas para pôr na geladeira. Encontrar-nos-íamos, como era de praxe, no sábado à noite, de véspera do dia das mães, no Caravele.

Do Caravele faríamos um roteiro para visitar todas as casas, de uma por uma. Sairíamos à meia noite. Em cada casa, o script deveria ser o mesmo. Entraríamos de mansinho, pouco mais de trinta pessoas, montávamos o coro, começaríamos a cantar e os pais acordariam surpresos com todo aquele mundo de gente dentro de casa.

Nós éramos conhecidos pelos pais dos nossos amigos. Todos os amigos tinham transito livre dentro das nossas casas e nós acreditávamos que essa seria, de certa forma, uma invasão pacifica. Não tinha como ser diferente.

Fora a surpresa da invasão, tinha a música: começávamos a cantar ainda no escuro, sem acender as luzes, para dar o impacto necessário. O coro, mais que ensaiado, começava a cantar:  

                        “nem o sol; nem o mar; nem o brilho das estrelas; tudo isso não tem valor, sem                         ter você; sem você; nem o som da mais linda melodia; nem os versos dessa                            canção, irão valer; nem o perfume; de todas as rosas, é igual a doce presença                         do seu... amor” 

(Musica: Quando te vi – Beto Guedes)

A primeira questão que fugiu do script foi a forma com a qual os pais encararam essa surpresa. Os pais, ou somente a mãe, em alguns casos, acordava meio no susto. As reações nem sempre estavam tão previstas assim. Tivemos uns contrapontos serios para reequilibrar as emoções. No entanto, tão logo que se tomava a devida compreensão da situação, a homenagem tomava seu rumo. 

Retomávamos a música, agora com a atenção voltada à homenagem.

Logo depois da música, o filho da casa tomava a palavra. Ele - ou eles, no caso dos irmãos - proferia a homenagem a sua mãe e entregava a rosa. Vinha a seção de abraços, beijos, muitos beijos e muito mais abraços. Lógico que isso tudo vinha acompanhado de muita emoção. .

Eu adoraria conseguir registrar aqui e em palavras a grandeza da emoção de cada um daqueles momentos. Em cada casa que íamos passando, íamos deixando uma energia esplendorosa, forte, única, indescritível!

Estou nesse momento respirando fundo para controlar a emoção e reorganizar a linha de raciocínio. (Só uma pequena pausa)

No final de cada homenagem, nós tomávamos as cervejas que faziam parte do acordo, juntávamos o grupo e partíamos para a residência seguinte, normalmente deixando para trás uma mãe em prantos.

Lembro-me que outra falha do script foi o tempo previsto para o cumprimento de todo esse roteiro em cada casa e toda essa rota que teríamos que cumprir. Tínhamos na mão um contexto de aproximadamente trinta casas e mãe nenhuma poderia ficar de fora.  

Por último, já quase com o raiar do dia, faltava ainda uma mãe para ser homenageada. Ela não estava em casa, tinha saído com o esposo para a noite, para comemorar e ninguém conseguia localiza-la. Não existia telefone celular nessa época e ela não tinha voltado para casa.

Nas ultimas, um dos filhos localizou a mãe na casa de uns amigos. Fomos todos terminar a noite na casa desses amigos deles. Fizemos a homenagem como o combinado e como eram três filhos, uma das rosas acabou na mão da dona da casa.

Ela acabou emocionada com a homenagem e entre soluços e lágrimas, fez um desses agradecimentos extremamente tocantes. As reações, os beijos, os abraços, as lágrimas e o mundo de emoções que foram vivenciadas naquela noite, foram marcantes. Muito além do esperado!

O registro daquela noite, daquela cumplicidade, daquele coro, nem tão afinado, mas cheio de amor, ficou definitivamente gravada na memoria de cada um que viu e presenciou aquela passagem de vida.   

Uma noite dedicada às mães e recheada pela emoção de um grupo que conseguiu traduzir a amizade em grandes feitos.

 

 

Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde eu conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!

 

 Aélio Jalles (Lelo)

 

#Escritosdocoracao - #coracaodeescritor - #publicacoesemocionantes - #coracaoemevidencia - #amorperfeito - #simplesassim - #amodemais - #declaracoes - #escrevendoavida - #jallesecia - #bastanteamor - #anjosdaminhavida 

 


 

Um jeito meio brega

Me disseram que a paixão, tem um jeito meio brega...... É que um sentimento desse jeito, quando bate aqui no peito, desatina, não sosseg...