O carnaval de rua tem seu valor. Não é a ideia questionar essa verdade.
Mas neste instante, eu queria rememorar o carnaval dos clubes, o carnaval que
se fazia ao redor da pista de dança, onde a cada volta se avizinhava mais uma
troca de olhares. Sabe, a brincadeira ganhava empolgação.
O carnaval de clubes era bem menos irreverente do que o carnaval de rua,
por conta das regras impostas pelo clube, bem menos inclusivo. Isto é fato. Os
ambientes acabavam selecionados pelo preço. Também era um espaço bem menos
permissivo, o que é fácil de entender. O ambiente era bem controlado, por assim
dizer, mesmo assim era um lugar sugestivo e apropriado à brincadeira.
O fato de estar em um espaço fechado, na contrapartida das exigências,
proporcionava uma sensação de segurança. Essa sensação de segurança
proporcionava a condição de deixar o contexto mais leve, as pessoas ficavam
mais desarmadas, mais soltas, mais acessíveis.
Quer queira ou não, isso propiciava bons encontros. Essa condição abria
o espaço para as possibilidades das relações, para que uma aproximação fosse
capaz de ser feita sem tanto receio. Um alguém que se aproximava de um outro
alguém, não se fazia anônimo jamais.
Os amigos, as companhias, as brincadeiras, o comportamento, o ambiente
ajudava muito para que uma pessoa fosse referenciada. Digamos que o mau
comportamento, nesse caso, era identificado rapidamente e punido. Se não fosse
a identificação da própria pessoa, os amigos se posicionavam rapidamente para
tirar a pessoa de uma eventual fogueira.
Essa condição também nos deixava mais a vontade quando a companhia já
estava estabelecida. Os casais se faziam mais soltos na sua própria relação. As
demonstrações de amor, de afeto, que surgiam dentro da festa, em boa parte eram
embaladas pelo cantarolar das letras. Estas davam o ar de romantismo necessário
e deixava tudo muito mais gostoso.
Eu pude reviver um pouco de tudo isso, com o carnaval da saudade do
Clube do Náutico. Não posso negar que fiquei impressionado com a idade das
pessoas presentes. Pelos comentários das festas anteriores, eu já estava
esperando encontrar um público de mais idade, mas mesmo assim me surpreendi.
O que eu vi, não foram só pessoas mais velhas brincando carnaval, o que
eu vi foi a alegria de muita gente por poder estar brincando o carnaval.
Pessoas que com certeza não iriam para as ruas. Essas pessoas, que devem ter
aos montes por ai ainda, que não se sentem à vontade para brincar o carnaval de
rua.
Eu vi, na expressão de muitos, o valor de se fazer presente ao baile.
Não cabe aqui nenhum questionamento da condição financeira, mesmo ciente de que
aquela festa, por ser uma festa tradicional e de uma referência social, tem um
custo relativo. Aqui, o que chamo a atenção, é o fator condicionante da idade,
onde a possibilidade de um ambiente favorável pode permitir a participação de
uma grande parcela dessas pessoas.
Muito além do Carnaval da Saudade, eu percebi a saudade do carnaval na
alma de muita gente e tudo o que um ambiente agregador, mais seguro, pode
proporcionar. .
Aélio Jalles (Lelo)
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