segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Equidade é uma questão de respeito.


 

Luide estava com um nó na garganta por um comentário da sua mãe sobre a Eli. Durante a festa da noite anterior, na casa dos pais do Luide, uma roda de mulheres discutia a questão da liberdade sexual, dissecando os limites dessa liberdade em relação à promiscuidade.

Na roda, a diversidade de opiniões reinava. De um lado, as senhoras mais conservadoras defendendo a pureza do pensamento das ditas “mulheres virtuosas”, do outro, as feministas exacerbadas que queriam a todo custo a condição igualdade entre os gêneros.

No meio da história, a Eli tomou a palavra e se posicionou diante do grupo. Ela falou que o fato de ter conhecimento a respeito do assunto, o que fugia do conceito de virtuosidade que fora pregado, lhe ofereceu a oportunidade de tratar o sexo em igualdade de condições com o Luide.

A moça foi se empoderando na medida em que percebeu a atenção das senhoras.  Mais uma vez, a Eli se posicionou como uma pessoa que sabia se reconhecer como mulher, e que sabia valorizar a sexualidade feminina. Ela explanava sobre o assunto com muita clareza, dando uma beleza incomum ao prazer de saber usar o corpo da forma correta.

A maneira desprendida com a qual Eli se pronunciou, chamou muito a atenção da mãe do Luide. Ela, a mãe do garoto, vinha de uma criação patriarcalista, com uma formação religiosa das mais opressoras. Isso induz a um raciocínio social que classifica a mulher, quase que diretamente, como objeto de uso e sem desejos próprios. Queira ou não essa concepção permanece nas entranhas do pensamento, e romper com ela não é assim tão fácil.

Não foi por maldade, mas a mãe do Luide acabou soltando um desses comentários que ferem, dizendo que aquele tipo de pensamento não cabia a uma mulher séria. Um comentário que mexeu com o Luide, mas que ele achou melhor não retrucar naquele momento. Aquela seria uma conversa para ele ter com a mãe em outro momento. 

Na manhã do dia seguinte, na mesa do café, sabendo que não seria uma conversa que ficaria somente entre os dois, o rapaz puxou o assunto. Ele propositalmente jogou na mesa o comentário da mãe, ciente de que o pai e a irmã participariam do assunto. Ele queria que fosse assim.

O pai, apesar de ser mais aberto que a mãe para essas coisas, também estava sempre mostrando o raciocínio machista. Já a irmã, mais velha que o rapaz, já independente, era uma dessas feministas exacerbadas. Ela era dessas que defendem a igualdade de gêneros a todo custo e o Luide não tinha dúvida que isso fosse o contraponto ideal, em relação aos pais.

Quando o Luide questionou a mãe e expôs o comentário que ela fez, os outros dois, o pai e a irmã, arregalaram os olhos. A mãe sentiu de pronto que tinha falado demais, que tinha expressado uma opinião que não deveria. Ela realmente não imaginou o peso que seu comentário teve na cabeça do filho, e buscou se desculpar.

O pai, como todo bom patriarca, fez um comentário cheio de autoridade, dizendo ”eu acho que os pais dela são muito liberais, eles têm uma forma de educar muito solta, mas ele é quem tem que ver onde está se metendo. O menino tem que aprender a tomar as decisões dele”. O comentário do pai, no fundo, ratificou toda a questão.

Mesmo antes do Luide se posicionar, a irmã deu o veredito: “vocês dois são muito quadrados. Não sei em que mundo vocês estão vivendo. A mamãe presa a esse mundinho das amigas, um bando de carochinhas amarradas aos ensinamentos da igreja. Ensinamentos que pregam que mulher sentir prazer é pecado”.

E continuou dizendo, “e o senhor, meu pai, vive imerso às concepções de vida da era medieval. Homem pode tudo e mulher não podem nada. Está na hora dos dois acordarem. Não existe mais essa história de que isso é coisa de homem, ou que isso é coisa de mulher. Hoje essa ideia não vinga mais, esse tipo de pensamento não tem mais cabimento”.

“A Eli falou foi com muita propriedade”, disse a irmã do Luide. “sexo foi feito para os dois, tanto para o homem, quanto a mulher, os dois têm que sentir prazer. Se vocês dois nunca me ouviram falar sobre isso, é porque vocês nunca me deram nem chance de falar. Os dois sempre foram covardes, nunca tiveram coragem de ter uma conversa franca com a filha. E quer saber?! Meus parabéns aos pais da Eli”. 

Nesse momento, o Luide interveio. Ele tentou abrandar a fala da irmã, mas ressaltou a razão de todo o rancor que ela estava exprimindo. Ele disse, “não tem mais como, no mundo de hoje, pensar que santidade é se abster da sexualidade. Existem escândalos para todos os lados. Um monte de gente que se dizia pura cometendo os maiores abusos, usando crianças”, por exemplo.

O rapaz então completou, “meu pai e minha mãe, eu agora estou pedindo para que vocês pensem sobre o assunto. Olhem para a minha irmã. Hoje ela é maior de idade, mas dá para imaginar o que ela sofreu no seu desenvolvimento sexual por falta de apoio? Hoje ela pode gritar, mas e quando ela tinha que se esconder? Inclusive de vocês dois! Tudo porque não podia se expor, dá para imaginar?”

Acrescentou ainda, “fomos feitos diferentes, e isso tem seu propósito. A questão é que essas diferenças devem ser vistas com respeito, buscando entender que fomos feitos para viver em comunidade e que precisamos uns dos outros. Em seu tempo cada virtude vai se fazer necessária e, por isso mesmo, todas merecem apreciação”.

Disse ainda, “Essas pregações da minha irmã, bem características de um feminismo mais radical, constroem mais barreiras que pontes no diálogo necessário para compreender pelo que elas vêm lutando há tantas décadas”.

“Na minha visão”, continuou o Luide, “existem sim coisas de mulher, características que são mais acentuadas e adequadas ao sexo feminino, assim como existem coisas que são mais acentuadas e adequadas ao sexo masculino. São características e não necessariamente significa que tem que ser bom ou ruim”.  

“Na verdade, eu queria muito é que vocês fossem capazes de olhar um para outro com equidade. Não é com igualdade como prega minha irmã. A equidade visa o ajuste de condições, é a forma de oferecer o que cada um precisa, para que os dois possam se satisfazer. Para que os dois possam ter a mesma realização e prazer”.

E finalizou, “essa equidade tem início quando se tem na cabeça o princípio da consideração e do respeito mútuo. E é aqui, minha mãe, que eu quero rebater a sua fala de ontem. A seriedade da Eli, de fato, está na consideração e no respeito que ela distribui. O respeito que ela tem por mim, pelos pais, por vocês, meus pais, e pelas pessoas no geral”.

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/e-ai-k-de-meu-ovo.html

 

Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

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Capitulo 03: A primeira vez

Link https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/a-primeira-vez.html

 

Capitulo 04: Sexo a Conexão das Almas

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/sexo-conexao-das-almas.html

 

Capitulo 05: O Abraço da Confiança

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Capitulo 06: As novas cores do Arco-Íris

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Capitulo 07:  A Liberdade da Libido 

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quinta-feira, 17 de agosto de 2023

A Liberdade da Libido


 

Eli conversava com as suas amigas sobre a descoberta da sua sexualidade e tudo o que vinha acontecendo na relação que ela estava vivendo com o Luide. Ela falava dos medos que enfrentou, das suas incertezas e das dúvidas que ela pessoalmente tinha. Tudo estava dentro do processo natural das descobertas que acontecem na adolescência.

Entender seu corpo, ter a coragem para se tocar, se olhar sem se deixar constranger pela censura “moral”, já era uma grande vitória. A cultura que oprime a sexualidade da mulher é muito arraigada em todos os processos da vida, e ultrapassar essa barreira é uma conquista pessoal muito significativa.

Quando Eli comentava com as amigas os passos que ela conseguia dar, as meninas se surpreendiam. É que o processo de descobrimento do corpo não acontece assim, em um estalo. O corpo não funciona com interruptores que ligam e desligam simplesmente. Ele precisa ser estimulado para conseguir oferecer as reações adequadas.

Aprender a se olhar, a se tocar, a se apreciar devidamente é o início de tudo. Descobrir de onde brota o prazer, entender onde estão os gatilhos que podem potencializar os desejos e estimular o corpo a viver essas sensações, é libertador. Mais ainda, entender as ações que se pode, e se deve, tomar para provocar as reações corretas do corpo, são detalhes que cobram tempo e paciência. 

O pai da Eli pregava que era exatamente por isso que as mulheres precisavam ser instigadas a esse tipo de descoberta. Isso acontece com os meninos. Todos os meninos são instigados a desenvolver a sexualidade. De uma forma bastante grosseira, a sociedade cobra dos homens que eles sejam os escrotões. 

A sociedade pressiona o homem, desde muito novo, a se afirmar como “machão”. O homem é culturalmente educado para se isentar dos sentimentos e se tornar capaz de pegar todas as mulheres que aparecem na sua frente. Isso vulgariza o ato sexual e faz com que a mulher seja vista somente como objeto.

Do outro lado, a opressão sobre a mulher, maculando quem se deixa levar pelos sentimentos, pelas vontades, pelos instintos sexuais. A sociedade, por toda a sua concepção machista, patriarcalista, força a mulher a se isentar dos seus próprios desejos, para se deixar abusar pelo desejo do macho.

A questão é que esse mesmo macho vem aos poucos entendendo a beleza de uma relação de mão dupla. Embora com toda uma concepção arraigada, ele vem se perguntando: E onde fica a beleza de toda essa sexualidade contida no corpo da mulher? Como entender essa energia que passa pelo corpo e faz vibrar os “sinos” do mundo?     

A mãe da Eli, por exemplo, dizia que foi descobrindo a sua sexualidade que ela entendeu como se prevenir dos abusos. Segundo ela, a mulher enfrenta obstáculos muito pesados para se descobrir, mas quando ela começa a vencer as barreiras, a  entender o seu corpo, ela sai da fase do medo e se torna mais altiva. Ela passa a fazer parte da relação em pé de igualdade, e evita a possibilidade de se tornar um objeto nas mãos dos homens.   

Eli era uma prova viva dessa orientação inclusiva. Ela era capaz de encarnar, com muita propriedade, a pessoa que descobriu a beleza da sua sexualidade e, exatamente por isso, podia fazer uso do seu corpo com muita confiança. Tanto que nem mesmo a primeira relação foi um problema.

 

Ela era capaz de exprimir com muita facilidade os detalhes do que aconteceu na sua primeira vez. Ela exprimia os sentimentos que brotaram e detalhava cada sensação, mostrando às suas amigas que, tendo o conhecimento, não existe por que continuar tendo medo. Desde que você saiba o que está fazendo, a iniciação sexual se torna uma coisa muito simples.

 

Eli sabia do peso que esse assunto tinha para a maioria das amigas. Mas, quando ela usava os depoimentos e as falas dos seus pais, sempre que ela citava a facilidade que tinha para conversar com o pai, por exemplo, as amigas literalmente babavam.

A maioria das meninas acabava recebendo uma orientação sexual ainda muito opressora. Muitas meninas nem conseguiam conversar sobre o assunto com os pais. Sexo era um assunto proibido dentro das rodas familiares. Para a maioria dos pais, mesmo em uma época dessas, esse assunto ainda é um tabu.

As amigas se espantavam com os depoimentos da Eli. Elas não acreditavam que ela tivesse tanta facilidade de conversar sobre isso. É que Eli tratava o assunto com leveza e propriedade, como uma pessoa que foi capaz de se entender como mulher. Não só se entender como dar valor a toda a beleza que existia na aura da sexualidade feminina.

 

Então, quando a Eli se fazia valer dos ensinamentos do pai, e apresentava os exemplos e as indicações dele, o espanto era geral. O pai dela virava pelo avesso os conceitos deturpados que vulgarizavam a libido da mulher, e se posicionava como um admirador de todas as mulheres que conseguiam vencer tal barreira.

Segundo ele, essas são as mulheres que vão participar de uma relação de forma integral, sabendo o que querem e como querem. Esse equilíbrio é o que vai permitir que o fluido de energia circule livremente pelos corpos e possa proporcionar a mesma sensação de prazer para os dois.

O pai da Eli pregava que, por ter a sexualidade aflorada, até o processo de escolha de um bom parceiro seria facilitado. Quem sabe o que esperar de uma relação sexual, jamais vai se contentar com qualquer coisa. O conhecimento naturalmente oferece parâmetros mais elevados, e isso aumenta a exigência. 

 

Ele, o pai da Eli, defendia abertamente que só se pode alcançar esse patamar de equilíbrio de forças em uma relação, principalmente na relação física, quando os dois conhecem os caminhos que levam ao destino almejado. Só assim eles serão capazes de conduzir, um ao outro, pelos caminhos que levam ao ápice do prazer.

Talvez, e até por isso mesmo, Eli tinha nas mãos um parceiro tão adequado. O Luide fazia o tipo compreensivo, atencioso e muito confiante. Um homem com as características de força e atitude que seduzem uma mulher, sem deixar de lado a sensibilidade. Tudo o que uma mulher precisa para deixar a coisa acontecer com segurança.

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

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Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

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Capitulo 03: A primeira vez

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Capitulo 04: Sexo a Conexão das Almas

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Capitulo 05: O Abraço da Confiança

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Capitulo 06: As novas cores do Arco-Íris

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sábado, 12 de agosto de 2023

E o que é ser pai?


 

E como definir um sentimento tão exuberante?  Eu diria que esse é o sentimento que representa a maior sensação de grandeza de um homem. É um sentimento forte, mas que nos leva do poderosamente responsável à inquietante sensação de impotência. E tudo assim, quase em um mesmo instante.

Um filho nos faz ansiar pela vida, nos remete aos planos de tudo o que nós gostaríamos de viver com aquela criança. Da mesma forma, nos provoca uma análise dos erros que supostamente nós não gostaríamos de cometer com eles. Um parâmetro que, no meu caso, se apresentou naturalmente.  

Sobre o filho, queremos que seja grande e que tenha sucesso. Queremos que seja uma pessoa boa, de boa índole, que conquiste o mundo, se possível, e, muitas vezes, desejamos até que ele realize muito daquilo que nós não conseguimos realizar.  

Quem sabe possa se lembrar de algumas boas lições, dos conselhos que oferecemos. Quem sabe ele utilize as referências que fomos capazes de apresentar, e que isso possa fazer a diferença no seu processo de vida.    

No fundo, guardamos é o desejo de que ele não nos esqueça. Todo pai deseja que o filho busque o apoio, o consolo, quem sabe um conselho, pelo menos de vez em quando. É que é gostosa a sensação de fazer parte da vida dele, de poder apoiar os momentos mais críticos, assim como de curtir cada uma das suas vitórias.

Ninguém é perfeito, e ele um dia vai ter que admitir isso também. Ele também vai acabar entendendo que no filme da vida não existe ensaio, é tudo feito de pronto, nem mesmo dá para repassar uma cena. As decisões que tomamos fazem parte de um script que não vem pronto.   

Eu sei que vou ser reconhecido, assim como vou ser cobrado da mesma forma, pelas marcas que eu fui espalhando pela vida. Só espero que as coisas boas superem os meus “desfeitos”. Quem sabe eu possa me sair bem nessa avalição, ser tido como pai.

 

Aélio Jalles (Lelo)

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

As novas cores do Arco-Íris



Eli e Luíde estavam vivendo um lindo momento das suas vidas. Eles estavam vivenciando uma relação equilibrada e cheia de tudo o que é bom. Uma relação, por assim dizer, do bem e isso faz bem ao corpo e à alma. Uma energia que irradia até mesmo na forma de falar.

A Eli se deixava levar pelos ensinamentos do pai e buscava trazer, para a relação deles, aquelas verdades. Ela partia da experiência de vida dos pais, mas, por ter uma personalidade bem formada, ela era capaz de recriar e adequar a realidade desses ensinamentos para ela. Para que fique ainda mais claro, a Eli buscava sempre uma coerência no que ela assumia como sendo o melhor para a condução da vida deles. 

Eles tinham a vantagem de saber conversar, de trocar ideias sem que nenhum dos dois fosse obrigado a engolir a vontade do outro. Essa paridade do casal foi se tornando uma das vigas-mestras do relacionamento. Os dois trocavam ideias e encontravam as medidas adequadas para que fosse possível desenhar um caminho a ser seguido, criando uma consciência para  o casal.

O tempo que eles tinham, ao lado um do outro, era sempre muito proveitoso. Isso ficava latente pela cumplicidade das atitudes, na forma que um tratava o outro, na atenção e na reverberação das falas. Eles caminhavam de mãos dadas, mesmo quando existia entre eles uma distância física. A separação dos corpos não era um problema, a afinidade do casal ultrapassava essa barreira.

Sabe aquela situação em que, em uma festa, no meio de um mar de gente, os olhares se buscam? Não, isso não é como quem tem a necessidade de controlar o outro, isso é só a necessidade de se ver e de dizer um ao outro: “olha eu estou aqui bem ao seu lado, fica tranquilo”. Isso é quando um simples olhar se traduz em um eu amo você.

A energia que envolvia a relação deles dois era mesmo mágica. A gente pode perceber quando um casal vive feliz só pela atração que eles provocam. De uma forma bem simples, um casal feliz ilumina a vida dos amigos e se torna naturalmente a referência do grupo. Isso atrai vida, atrai gente. Isso se torna uma árvore frondosa, da qual todo mundo quer aproveitar a sombra.

As novas cores do arco-íris fazem referência exatamente a essa energia que envolvia a relação, uma alusão ao tratamento de paridade e pertencimento que existia entre eles. Onde até o sexo deixava de ser um ato, como uma peça em que o desempenho poderia se destacar, para virar uma conexão, onde simplesmente a união dos corpos se transforma no ponto máximo.

Quando você se conecta a alguém, a performance deixa de ser uma prerrogativa. Em uma troca de energia, as coisas simplesmente vão acontecendo, e a sucessão de sons, de gritos, de gemidos, passa a se enquadrar em uma sinfonia, orquestrada pelo delírio que esse prazer provoca.

Na verdade, uma sintonia que se origina no compasso da batida dos corações e que é regido pelo prazer de se estar junto e intermitentemente ligados. Esse é o momento em que a pessoa se encontra no melhor lugar do mundo, no melhor momento do mundo e a vida não precisaria ser mais do que o aqui e o agora. 

Nesse momento não existe dominado nem dominante. A imensidão do desejo se funde e se confunde, ultrapassando as raias do que é lógico, e se fazendo somente um “ardente delírio”. Aqui não se precisa pensar em paridade, pois nesse momento os dois seres se findam na “infinitude” da paz do prazer. Aqui eles são “UNO”! 

A descoberta da sexualidade feminina deu às pessoas a oportunidade dessa nova versão. Quando a mulher é capaz de se reconhecer, de se permitir, de romper com os conceitos deturpados da sociedade, conceitos que vulgarizam a sexualidade, ela se eleva e traz consigo a possibilidade de vivenciar isso como uma conexão.

Temos que entender que somos seres complementares, onde muito além de qualquer necessidade, temos a possibilidade de ser muito mais juntos. Que basta ser capaz de oferecer o que você tem de melhor e receber, simplesmente receber, o que o outro pode lhe oferecer “de mão beijada”, para ser feliz.

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

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Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

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Capitulo 03: A primeira vez

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Capitulo 05: O Abraço da Confiança

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Capitulo 06: As novas cores do Arco-Íris

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Capitulo 07:  A Liberdade da Libido 

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quarta-feira, 26 de julho de 2023

O Abraço da Confiança!




 

Eli tinha uma grande admiração pela relação de amor que os pais dela viviam. O convívio com eles permitia que ela percebesse o amor que era traduzido em cada gesto e o tamanho da cumplicidade, do respeito e todo um conjunto de valores que envolvia a vida deles.

Eles demonstravam a toda hora o tamanho da importância que um tinha para o outro. Aquela era uma referência muito positiva, e Eli queria muito poder construir a sua relação com o Luide sob as mesmas bases. Ela queria, para a sua vida, a mesma estabilidade conjugal, a mesma segurança e a mesma confiança.

Eli apontava as atitudes do pai para o Luide, e deixava clara a admiração que ela sentia sobre o comportamento dele em relação à mãe. Então, nada mais justo que ela estivesse sempre buscando interagir com ele e fazer com que o Luide também percebesse o valor que isso poderia ter.

O jeito tranquilo, do pai da Eli, deixava a conversa muito leve. O detalhe é que o pai utilizava a vivência pessoal, muitas vezes sem filtro, deixando transparecer a realidade nua e crua.  Ele ia relatando os casos vivenciados por ele, para ilustrar a conversa, e a falta de filtro muitas vezes deixava a filha sem graça.

Não existia, da parte do pai, que fique bem claro, uma exaltação pessoal. Ele não se fazia de herói. A fala dele sempre era bem transparente. Ele falava dos erros e acertos que ele cometia com muita tranquilidade, sem medo e deixando bem à mostra toda sua fragilidade.

Ele apresentava todas as suas incertezas, todas as suas inseguranças e fazia questão de mostrar o processo de aprendizado que a vida foi ofertando. Esse, baseado nas lições que podem ser retiradas dos erros, e do valor que têm os acertos. O processo mais tradicional que existe.

O pai de Eli não era o homem mais correto do mundo. Ele mesmo deixava isso claro. Mas ele tinha uma virtude ímpar, ele era muito honesto, muito transparente, do tipo que procurava não cometer erros, porque jamais os esconderia atrás de qualquer mentira que fosse. Ele assumia os erros de pronto, sempre!

E era com essa mesma franqueza que ele conduzia as conversas com o casal de adolescentes. Ele explicitava situações. Ele dizia não ter como falar de amor sem falar da intimidade, da forma que ele olhava para o corpo da sua mulher e de toda a troca de prazer que essa intimidade gerava.

Colocar a mulher como um par, como parte integral da relação sexual, onde nenhum dos dois pode mais ou menos. Transmitir os valores mais adequados para que essa relação seja entendida como uma relação natural, onde a energia do amor seja capaz de circular pelos corpos com a mesma intensidade, exigia essa transparência.

Isso fazia com que ele citasse, em um ou outro momento, os detalhes dessa intimidade. Isso vai de encontro aos conceitos sociais de pudor, provocando a alcunha de “imoralidade”, à forma com a qual ele descrevia um fato. E ele puxava isso, meio que de propósito, como uma maneira de romper essa barreira.

Ainda somos seres entranhados de uma cultura machista, derivados de uma sociedade patriarcalista, que tem dificuldade de olhar para a mulher com paridade. Ainda não conseguimos compreender com clareza a equidade que deve ser dada ao “par” de pessoas, sem a necessidade de impor um dominante. 

Essa sociedade caricatura as necessidades sexuais dos homens e das mulheres, de forma pejorativa. O contexto social está o tempo todo procurando deturpar os valores, vulgarizando os princípios básicos da sexualidade. Por isso, aquela conversa era tão importante para o casalzinho. 

Era muito importante desmistificar a cultura do sexo como se fosse somente o uso do corpo da mulher, pelo homem.  Um contexto entranhado na cabeça dos homens e das mulheres, diga-se de passagem, que faz com que o sexo tenha um peso e ganhe esse tom de imoralidade já mencionado. 

Conceito que reverbera mesmo na cabeça dos jovens. É um conceito que vem sendo imposto por anos e que é reforçado pelos dogmas das religiões. Isso faz com que seja um assunto proibido e que todos os estragos psicológicos que ele causa sejam, como forma de amenizar a situação, colocados para baixo do tapete. 

Daí toda a importância de tratar esse assunto, com o casal, por novos ângulos. Daí a possibilidade de abrir para eles uma visão de seres humanos complementares. Seres que se atraem, que se conectam, que se elevam e que se saciam. Seres que são muito mais do que carne e osso.

O fato da confiança gerada pelo pai da Eli, nesse caso, fazia a diferença. Era isso que permitia que ele chegasse tão perto e abraçasse a relação da filha. Era isso que oferecia a condição dele se transformar nesse guia, assumindo a responsabilidade pela condução daquela relação.

Ele sabia que, de uma forma bem direta, aquele ensinamento seria seguido. Ele estava repassando a percepção da sexualidade sob uma nova ótica. Aquilo era como pintar o arco-íris com novas cores. Era a ruptura de padrões que ele mesmo vivenciava e que, por conhecer essa beleza, queria que outras pessoas também fossem capazes de experimentar. Mais ainda a sua filha!

 

Aélio Jalles (Lelo) 



Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

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Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

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Capitulo 03: A primeira vez

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quinta-feira, 20 de julho de 2023

Pela Paixão, Pelo Encanto, ou pela Emoção............



Pode até ser pela paixão, pelo encanto, ou pela emoção.

Eu me vejo apaixonado e como todo enamorado,

Eu entreguei meu coração.........

 

Eu não tenho como explicar, traduzir nem detalhar,

Um amor que apareceu, que simplesmente aconteceu,

E que foi capaz de me encantar.....

 

Tomou conta da minha vida, pois de uma forma atrevida,

Se instalou dentro do peito, e assim, sem o menor respeito,

Não me deixou mais saída...........

 

O amor não é banal, não é uma coisa casual,

Não se expressa assim do nada, como passe de uma fada,

Nem vem com manual. ............

 

Um sentimento sem tamanho, mas que condiz com o meu sonho,

Parece até demais da conta, se não é a vida que apronta,

Vou seguir com ela meu caminho..........

 

Com ela a vida é mais bonita, ela é minha pessoa favorita,

Eu só quero seguir seus passos, viver dentro dos seus abraços,

Pois é ali que a felicidade habita.........

 

Quando estou ao lado dela, a felicidade se atrela,

O mundo vira cenário, o sorriso se faz diário,

Não sei mais viver sem ela.........

 

Só espero reciprocidade, pois que nessa nossa idade,

Não aguento mais recomeçar, não dá mais nem para pensar,

Tenha dó e piedade............

 

Até aqui, eu era só um amigo, do namoro faltou até o pedido,  

Então me dê sua atenção, escute meu coração.

Você quer casar comigo?

 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

 

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quinta-feira, 13 de julho de 2023

Saber Sentir o Amor



Seria muita insensibilidade conviver com criaturinhas tão amorosas e não desenvolver um sentimento capaz de recompensá-los. Eu falo da convivência com os nossos bichinhos de estimação.

Esses dias eu acompanhei o sofrimento de uma pessoa próxima. Ela estava sentindo a perda de uma dessas criaturinhas. O amiguinho, alguém a quem ela dedicou carinho e afeto durante uns bons anos de vida. Alguém com quem ela construiu esse sentimento. Um sentimento que ultrapassa o entendimento.

Isso não é só uma referência pelo tempo e dedicação ofertada. A construção desse amor é muito mais que a mera convivência. Ela tem a ver com troca de energia, uma energia mágica que promove uma ligação existencial, e isso é algo que só sente quem sabe sentir com o coração. 

Para esses bichinhos, pouco importa as roupas que nós vestimos, o carro que nós os levamos para passear, o luxo que podemos oferecer, ou até mesmo o tamanho da casa. Para eles, o que importa, na verdade, é a qualidade da atenção que somos capazes de oferecer.

De um lado, eles, em sua maioria, indefesos diante da força que temos e da condição de domínio que somos capazes de exercer. Bem ou mal tem quem faça uso dessa força indevidamente. Sempre se escuta falar dos maus-tratos.

Tem quem desconte neles as mágoas da vida, assim como também tem quem os tenha em uma conta valiosa. Tem quem os trate devidamente e saiba oferecer a atenção e o carinho devido. Tem muita gente com o coração sensível e capaz de oferecer esse amor.  

Ouvi uma frase que diz: “Se você nunca se deixou levar pelo carinho de um animal, você ainda não conhece o que é o amor de verdade”. Não tenho o nome do autor, mas lembro que o texto se referia a capacidade de dar amor de forma limpa.

Ao ver o sofrimento dessa pessoa, um sofrimento derivado da relação, do apego e de todo o sentimento construído, não posso deixar de acreditar que ela seja uma dessas pessoas que sabe oferecer esse amor de forma limpa.  

Fica claro que aquele animalzinho foi capaz de plantar a semente do melhor e maior sentimento do mundo no coração dela. Mas esse é um amor que só floresce no peito de quem é sensível ao ponto de saber sentir!

 

Aélio Jalles (Lelo)


 

quinta-feira, 6 de julho de 2023

"Fratura Exposta da Alma!"




Há poucos dias eu ouvi o depoimento emocionado do Jornalista Milton Neves, falando da saudade da sua esposa, falecida. Ele deixou claro o sentido, a força da relação que existia entre eles e toda a dor dessa separação.

Segundo ele mesmo, ela tinha sido a primeira namorada, noiva e esposa. A primeira e única mulher da vida dele. E em uma relação como essa, a separação é como uma “fratura exposta da alma”.

Uma ilustração irretocável. Eu achei uma expressão tão forte e tão bem colocada que, para mim, deu uma nova dimensão ao amor. 

Por conta dessa descrição eu resgatei na memória a história de dois irmãos. Eles eram gêmeos. Os dois viviam uma situação de muito companheirismo e de muita amizade, como eles fizeram questão de afirmar. Fora uma vida toda vivida em dose dupla.

Na época, eles já com seus 72 anos, falavam da beleza dessa condição. Ressaltaram que foram sempre grandes amigos, os maiores confidentes e tudo mais. Para completar, eles se tornaram sócios de um restaurante. Dito por um deles: “nós fizemos da vida um caminhar juntos e permanecemos de mãos dadas até aqui”.   

Aí veio a questão retratada por um deles: “O maior problema que temos hoje é o medo da morte. É que nós temos a possibilidade de morrer duas vezes. Apesar das mulheres, dos filhos e de tudo o que a vida nos ofereceu de bom, nós não temos como seguir um sem o outro. Será que dá para entender isso?”

“Não teria como ser diferente, a vida me presenteou com alguém que esteve do meu lado desde que eu nasci. Eu tenho alguém a quem posso chamar de irmão, de amigo, alguém que sempre foi meu confidente e meu apoio incondicional”.

Eles reafirmaram toda a importância dessa relação com uma frase: “nós nascemos juntos, mas a vida nos tornou siameses”. Foi por isso que eles traduziram a separação, essa dor final prevista, como se eles fossem ser rasgados ao meio e que essa seria uma dor insuportável.

Em toda a fala deles, só faltou uma expressão rica como a do Milton Neves: Fratura Exposta da Alma, para ilustrar o tamanho de uma dor tão intensa e tão extensa. Essa expressão dá ainda mais beleza ao recado que esses dois irmãos deixaram:

 “Essa dor prevista para o final das nossas vidas, só é grande porque nós tivemos a condição de viver essa cumplicidade, essa amizade, esse amor, como poucos. Nós fomos privilegiados!”.  

 

Aélio Jalles (Lelo)



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