Eli tinha uma grande admiração pela relação
de amor que os pais dela viviam. O convívio com eles permitia que ela
percebesse o amor que era traduzido em cada gesto e o tamanho da cumplicidade,
do respeito e todo um conjunto de valores que envolvia a vida deles.
Eles demonstravam a toda hora o tamanho da
importância que um tinha para o outro. Aquela era uma referência muito
positiva, e Eli queria muito poder construir a sua relação com o Luide sob as
mesmas bases. Ela queria, para a sua vida, a mesma estabilidade conjugal, a
mesma segurança e a mesma confiança.
Eli apontava as atitudes do pai para o Luide,
e deixava clara a admiração que ela sentia sobre o comportamento dele em
relação à mãe. Então, nada mais justo que ela estivesse sempre buscando
interagir com ele e fazer com que o Luide também percebesse o valor que isso
poderia ter.
O jeito tranquilo, do pai da Eli, deixava a
conversa muito leve. O detalhe é que o pai utilizava a vivência pessoal, muitas
vezes sem filtro, deixando transparecer a realidade nua e crua. Ele ia relatando os casos vivenciados por
ele, para ilustrar a conversa, e a falta de filtro muitas vezes deixava a filha
sem graça.
Não existia, da parte do pai, que fique bem
claro, uma exaltação pessoal. Ele não se fazia de herói. A fala dele sempre era
bem transparente. Ele falava dos erros e acertos que ele cometia com muita
tranquilidade, sem medo e deixando bem à mostra toda sua fragilidade.
Ele apresentava todas as suas incertezas,
todas as suas inseguranças e fazia questão de mostrar o processo de aprendizado
que a vida foi ofertando. Esse, baseado nas lições que podem ser retiradas dos
erros, e do valor que têm os acertos. O processo mais tradicional que existe.
O pai de Eli não era o homem mais correto do
mundo. Ele mesmo deixava isso claro. Mas ele tinha uma virtude ímpar, ele era
muito honesto, muito transparente, do tipo que procurava não cometer erros,
porque jamais os esconderia atrás de qualquer mentira que fosse. Ele assumia os
erros de pronto, sempre!
E era com essa mesma franqueza que ele
conduzia as conversas com o casal de adolescentes. Ele explicitava situações.
Ele dizia não ter como falar de amor sem falar da intimidade, da forma que ele
olhava para o corpo da sua mulher e de toda a troca de prazer que essa intimidade
gerava.
Colocar a mulher como um par, como parte
integral da relação sexual, onde nenhum dos dois pode mais ou menos. Transmitir
os valores mais adequados para que essa relação seja entendida como uma relação
natural, onde a energia do amor seja capaz de circular pelos corpos com a mesma
intensidade, exigia essa transparência.
Isso fazia com que ele citasse, em um ou
outro momento, os detalhes dessa intimidade. Isso vai de encontro aos conceitos
sociais de pudor, provocando a alcunha de “imoralidade”, à forma com a qual ele
descrevia um fato. E ele puxava isso, meio que de propósito, como uma maneira
de romper essa barreira.
Ainda somos seres entranhados de uma cultura
machista, derivados de uma sociedade patriarcalista, que tem dificuldade de
olhar para a mulher com paridade. Ainda não conseguimos compreender com clareza
a equidade que deve ser dada ao “par” de pessoas, sem a necessidade de impor um
dominante.
Essa sociedade caricatura as necessidades
sexuais dos homens e das mulheres, de forma pejorativa. O contexto social está
o tempo todo procurando deturpar os valores, vulgarizando os princípios básicos
da sexualidade. Por isso, aquela conversa era tão importante para o
casalzinho.
Era muito importante desmistificar a cultura
do sexo como se fosse somente o uso do corpo da mulher, pelo homem. Um contexto entranhado na cabeça dos homens e
das mulheres, diga-se de passagem, que faz com que o sexo tenha um peso e ganhe
esse tom de imoralidade já mencionado.
Conceito que reverbera mesmo na cabeça dos
jovens. É um conceito que vem sendo imposto por anos e que é reforçado pelos
dogmas das religiões. Isso faz com que seja um assunto proibido e que todos os
estragos psicológicos que ele causa sejam, como forma de amenizar a situação,
colocados para baixo do tapete.
Daí toda a importância de tratar esse
assunto, com o casal, por novos ângulos. Daí a possibilidade de abrir para eles
uma visão de seres humanos complementares. Seres que se atraem, que se
conectam, que se elevam e que se saciam. Seres que são muito mais do que carne
e osso.
O fato da confiança gerada pelo pai da Eli,
nesse caso, fazia a diferença. Era isso que permitia que ele chegasse tão perto
e abraçasse a relação da filha. Era isso que oferecia a condição dele se
transformar nesse guia, assumindo a responsabilidade pela condução daquela
relação.
Ele sabia que, de uma forma bem direta,
aquele ensinamento seria seguido. Ele estava repassando a percepção da
sexualidade sob uma nova ótica. Aquilo era como pintar o arco-íris com novas
cores. Era a ruptura de padrões que ele mesmo vivenciava e que, por conhecer
essa beleza, queria que outras pessoas também fossem capazes de experimentar.
Mais ainda a sua filha!
Aélio Jalles (Lelo)
Livro:
Era Uma Vez Meu Coração
Capitulo
01: E Ai K dê meu ovo?
Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/e-ai-k-de-meu-ovo.html
Capitulo
02: O Desabrochar da Sexualidade
Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/o-desabrochar-da-sexualidade.html
Capitulo 03: A
primeira vez
Link https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/a-primeira-vez.html
Capitulo
04: Sexo a Conexão das Almas
Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/sexo-conexao-das-almas.html









