quarta-feira, 26 de julho de 2023

O Abraço da Confiança!




 

Eli tinha uma grande admiração pela relação de amor que os pais dela viviam. O convívio com eles permitia que ela percebesse o amor que era traduzido em cada gesto e o tamanho da cumplicidade, do respeito e todo um conjunto de valores que envolvia a vida deles.

Eles demonstravam a toda hora o tamanho da importância que um tinha para o outro. Aquela era uma referência muito positiva, e Eli queria muito poder construir a sua relação com o Luide sob as mesmas bases. Ela queria, para a sua vida, a mesma estabilidade conjugal, a mesma segurança e a mesma confiança.

Eli apontava as atitudes do pai para o Luide, e deixava clara a admiração que ela sentia sobre o comportamento dele em relação à mãe. Então, nada mais justo que ela estivesse sempre buscando interagir com ele e fazer com que o Luide também percebesse o valor que isso poderia ter.

O jeito tranquilo, do pai da Eli, deixava a conversa muito leve. O detalhe é que o pai utilizava a vivência pessoal, muitas vezes sem filtro, deixando transparecer a realidade nua e crua.  Ele ia relatando os casos vivenciados por ele, para ilustrar a conversa, e a falta de filtro muitas vezes deixava a filha sem graça.

Não existia, da parte do pai, que fique bem claro, uma exaltação pessoal. Ele não se fazia de herói. A fala dele sempre era bem transparente. Ele falava dos erros e acertos que ele cometia com muita tranquilidade, sem medo e deixando bem à mostra toda sua fragilidade.

Ele apresentava todas as suas incertezas, todas as suas inseguranças e fazia questão de mostrar o processo de aprendizado que a vida foi ofertando. Esse, baseado nas lições que podem ser retiradas dos erros, e do valor que têm os acertos. O processo mais tradicional que existe.

O pai de Eli não era o homem mais correto do mundo. Ele mesmo deixava isso claro. Mas ele tinha uma virtude ímpar, ele era muito honesto, muito transparente, do tipo que procurava não cometer erros, porque jamais os esconderia atrás de qualquer mentira que fosse. Ele assumia os erros de pronto, sempre!

E era com essa mesma franqueza que ele conduzia as conversas com o casal de adolescentes. Ele explicitava situações. Ele dizia não ter como falar de amor sem falar da intimidade, da forma que ele olhava para o corpo da sua mulher e de toda a troca de prazer que essa intimidade gerava.

Colocar a mulher como um par, como parte integral da relação sexual, onde nenhum dos dois pode mais ou menos. Transmitir os valores mais adequados para que essa relação seja entendida como uma relação natural, onde a energia do amor seja capaz de circular pelos corpos com a mesma intensidade, exigia essa transparência.

Isso fazia com que ele citasse, em um ou outro momento, os detalhes dessa intimidade. Isso vai de encontro aos conceitos sociais de pudor, provocando a alcunha de “imoralidade”, à forma com a qual ele descrevia um fato. E ele puxava isso, meio que de propósito, como uma maneira de romper essa barreira.

Ainda somos seres entranhados de uma cultura machista, derivados de uma sociedade patriarcalista, que tem dificuldade de olhar para a mulher com paridade. Ainda não conseguimos compreender com clareza a equidade que deve ser dada ao “par” de pessoas, sem a necessidade de impor um dominante. 

Essa sociedade caricatura as necessidades sexuais dos homens e das mulheres, de forma pejorativa. O contexto social está o tempo todo procurando deturpar os valores, vulgarizando os princípios básicos da sexualidade. Por isso, aquela conversa era tão importante para o casalzinho. 

Era muito importante desmistificar a cultura do sexo como se fosse somente o uso do corpo da mulher, pelo homem.  Um contexto entranhado na cabeça dos homens e das mulheres, diga-se de passagem, que faz com que o sexo tenha um peso e ganhe esse tom de imoralidade já mencionado. 

Conceito que reverbera mesmo na cabeça dos jovens. É um conceito que vem sendo imposto por anos e que é reforçado pelos dogmas das religiões. Isso faz com que seja um assunto proibido e que todos os estragos psicológicos que ele causa sejam, como forma de amenizar a situação, colocados para baixo do tapete. 

Daí toda a importância de tratar esse assunto, com o casal, por novos ângulos. Daí a possibilidade de abrir para eles uma visão de seres humanos complementares. Seres que se atraem, que se conectam, que se elevam e que se saciam. Seres que são muito mais do que carne e osso.

O fato da confiança gerada pelo pai da Eli, nesse caso, fazia a diferença. Era isso que permitia que ele chegasse tão perto e abraçasse a relação da filha. Era isso que oferecia a condição dele se transformar nesse guia, assumindo a responsabilidade pela condução daquela relação.

Ele sabia que, de uma forma bem direta, aquele ensinamento seria seguido. Ele estava repassando a percepção da sexualidade sob uma nova ótica. Aquilo era como pintar o arco-íris com novas cores. Era a ruptura de padrões que ele mesmo vivenciava e que, por conhecer essa beleza, queria que outras pessoas também fossem capazes de experimentar. Mais ainda a sua filha!

 

Aélio Jalles (Lelo) 



Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/e-ai-k-de-meu-ovo.html

 

Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/o-desabrochar-da-sexualidade.html

 

Capitulo 03: A primeira vez

Link https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/a-primeira-vez.html


Capitulo 04: Sexo a Conexão das Almas

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/sexo-conexao-das-almas.html



 


quinta-feira, 20 de julho de 2023

Pela Paixão, Pelo Encanto, ou pela Emoção............



Pode até ser pela paixão, pelo encanto, ou pela emoção.

Eu me vejo apaixonado e como todo enamorado,

Eu entreguei meu coração.........

 

Eu não tenho como explicar, traduzir nem detalhar,

Um amor que apareceu, que simplesmente aconteceu,

E que foi capaz de me encantar.....

 

Tomou conta da minha vida, pois de uma forma atrevida,

Se instalou dentro do peito, e assim, sem o menor respeito,

Não me deixou mais saída...........

 

O amor não é banal, não é uma coisa casual,

Não se expressa assim do nada, como passe de uma fada,

Nem vem com manual. ............

 

Um sentimento sem tamanho, mas que condiz com o meu sonho,

Parece até demais da conta, se não é a vida que apronta,

Vou seguir com ela meu caminho..........

 

Com ela a vida é mais bonita, ela é minha pessoa favorita,

Eu só quero seguir seus passos, viver dentro dos seus abraços,

Pois é ali que a felicidade habita.........

 

Quando estou ao lado dela, a felicidade se atrela,

O mundo vira cenário, o sorriso se faz diário,

Não sei mais viver sem ela.........

 

Só espero reciprocidade, pois que nessa nossa idade,

Não aguento mais recomeçar, não dá mais nem para pensar,

Tenha dó e piedade............

 

Até aqui, eu era só um amigo, do namoro faltou até o pedido,  

Então me dê sua atenção, escute meu coração.

Você quer casar comigo?

 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

 

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quinta-feira, 13 de julho de 2023

Saber Sentir o Amor



Seria muita insensibilidade conviver com criaturinhas tão amorosas e não desenvolver um sentimento capaz de recompensá-los. Eu falo da convivência com os nossos bichinhos de estimação.

Esses dias eu acompanhei o sofrimento de uma pessoa próxima. Ela estava sentindo a perda de uma dessas criaturinhas. O amiguinho, alguém a quem ela dedicou carinho e afeto durante uns bons anos de vida. Alguém com quem ela construiu esse sentimento. Um sentimento que ultrapassa o entendimento.

Isso não é só uma referência pelo tempo e dedicação ofertada. A construção desse amor é muito mais que a mera convivência. Ela tem a ver com troca de energia, uma energia mágica que promove uma ligação existencial, e isso é algo que só sente quem sabe sentir com o coração. 

Para esses bichinhos, pouco importa as roupas que nós vestimos, o carro que nós os levamos para passear, o luxo que podemos oferecer, ou até mesmo o tamanho da casa. Para eles, o que importa, na verdade, é a qualidade da atenção que somos capazes de oferecer.

De um lado, eles, em sua maioria, indefesos diante da força que temos e da condição de domínio que somos capazes de exercer. Bem ou mal tem quem faça uso dessa força indevidamente. Sempre se escuta falar dos maus-tratos.

Tem quem desconte neles as mágoas da vida, assim como também tem quem os tenha em uma conta valiosa. Tem quem os trate devidamente e saiba oferecer a atenção e o carinho devido. Tem muita gente com o coração sensível e capaz de oferecer esse amor.  

Ouvi uma frase que diz: “Se você nunca se deixou levar pelo carinho de um animal, você ainda não conhece o que é o amor de verdade”. Não tenho o nome do autor, mas lembro que o texto se referia a capacidade de dar amor de forma limpa.

Ao ver o sofrimento dessa pessoa, um sofrimento derivado da relação, do apego e de todo o sentimento construído, não posso deixar de acreditar que ela seja uma dessas pessoas que sabe oferecer esse amor de forma limpa.  

Fica claro que aquele animalzinho foi capaz de plantar a semente do melhor e maior sentimento do mundo no coração dela. Mas esse é um amor que só floresce no peito de quem é sensível ao ponto de saber sentir!

 

Aélio Jalles (Lelo)


 

quinta-feira, 6 de julho de 2023

"Fratura Exposta da Alma!"




Há poucos dias eu ouvi o depoimento emocionado do Jornalista Milton Neves, falando da saudade da sua esposa, falecida. Ele deixou claro o sentido, a força da relação que existia entre eles e toda a dor dessa separação.

Segundo ele mesmo, ela tinha sido a primeira namorada, noiva e esposa. A primeira e única mulher da vida dele. E em uma relação como essa, a separação é como uma “fratura exposta da alma”.

Uma ilustração irretocável. Eu achei uma expressão tão forte e tão bem colocada que, para mim, deu uma nova dimensão ao amor. 

Por conta dessa descrição eu resgatei na memória a história de dois irmãos. Eles eram gêmeos. Os dois viviam uma situação de muito companheirismo e de muita amizade, como eles fizeram questão de afirmar. Fora uma vida toda vivida em dose dupla.

Na época, eles já com seus 72 anos, falavam da beleza dessa condição. Ressaltaram que foram sempre grandes amigos, os maiores confidentes e tudo mais. Para completar, eles se tornaram sócios de um restaurante. Dito por um deles: “nós fizemos da vida um caminhar juntos e permanecemos de mãos dadas até aqui”.   

Aí veio a questão retratada por um deles: “O maior problema que temos hoje é o medo da morte. É que nós temos a possibilidade de morrer duas vezes. Apesar das mulheres, dos filhos e de tudo o que a vida nos ofereceu de bom, nós não temos como seguir um sem o outro. Será que dá para entender isso?”

“Não teria como ser diferente, a vida me presenteou com alguém que esteve do meu lado desde que eu nasci. Eu tenho alguém a quem posso chamar de irmão, de amigo, alguém que sempre foi meu confidente e meu apoio incondicional”.

Eles reafirmaram toda a importância dessa relação com uma frase: “nós nascemos juntos, mas a vida nos tornou siameses”. Foi por isso que eles traduziram a separação, essa dor final prevista, como se eles fossem ser rasgados ao meio e que essa seria uma dor insuportável.

Em toda a fala deles, só faltou uma expressão rica como a do Milton Neves: Fratura Exposta da Alma, para ilustrar o tamanho de uma dor tão intensa e tão extensa. Essa expressão dá ainda mais beleza ao recado que esses dois irmãos deixaram:

 “Essa dor prevista para o final das nossas vidas, só é grande porque nós tivemos a condição de viver essa cumplicidade, essa amizade, esse amor, como poucos. Nós fomos privilegiados!”.  

 

Aélio Jalles (Lelo)



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quinta-feira, 29 de junho de 2023

Imagine o Amor!



Durante esses últimos meses, eu tenho experimentado uma sensação que até então eu não conhecia. Ontem, mais uma vez, essa energia mágica ascendeu, "deu um pico", no momento em que ela me deu um beijo.

Ela só chegou por trás de mim, tomou um gole da cerveja e me beijou. Foi tão simples, mas se fez um momento tão grandioso, e tão forte, que eu queria que ele se eternizasse. Queria me permitir levitar naquela energia.

Se for isso que chamam de felicidade, é exatamente isso que eu estou vivenciando. Isso foi tudo o que eu pedi a Deus (ao Universo se assim soa melhor), nas minhas mais sinceras orações. Desde então, eu tenho me sentido cada vez maior, cada vez melhor, cada vez mais capaz de enxergar a plenitude do mundo.

Sinto-me envolto em um sentimento mais maduro do que até então eu tinha vivido. Mesmo cheio dessa alquimia mágica que oferece um colorido todo especial ao caminho da vida, sinto que é um sentimento que caminha sobre os trilhos da sensatez.

É como se a vida tivesse nos preparado um para o outro. A vida nos ofereceu agruras, feriu nossos sentimentos, machucou nossos corações, para que, assim, fôssemos capazes de entender e dar valor a esse novo momento.

É claro que ainda remoemos antigas dores e é claro que ainda precisamos de tempo para entender e nos acostumar a essa nova realidade que se apresenta. Infelizmente, as mágoas deixam suas cicatrizes, seus rastros.

Nós precisamos deixar fluir esse passado e aos poucos nos livrar dos fantasmas que assolam todo o processo de solidificação desse nosso novo relacionamento. Nós precisamos eliminar o peso dessas mágoas e oferecer um ao outro a leveza da certeza, da segurança que um pode aferir no outro. 

Será como um ápice dessa história. Fazer do relacionamento uma coisa tão gostosa, tão forte, tão marcante, que essa referência se sobreponha a todas as dores anteriores, transformando-as em lembranças de um passado já sem expressão.  

Por isso que se diz que uma relação madura passa pela ideia de uma construção inteligente, onde diariamente as pessoas se encontram e se escolhem. É dessa escolha que elas dão as mãos para continuar caminhando juntas.

Pode até parecer um paradoxo, mas é a declaração formal dessa escolha que faz a relação leve e confiável. É a partir dessa escolha que nós nos tornamos cúmplices, amantes, parceiros. É a partir da reafirmação que nós caminhamos no sentido de nos tornar verdadeiras Almas Gêmeas.



Aélio Jalles (Lelo)






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quinta-feira, 22 de junho de 2023

O Combo do Amor!


Não quero aqui dar uma de especialista e dizer que sei tudo sobre o amor. Não, não acredito que ninguém saiba exatamente o que isso significa. Acho que até os que conseguiram vivenciar a plenitude desse sentimento não são capazes de descrevê-lo.

Eu penso que nós simplesmente vamos vivendo a vida. Da prática adquirida nessa estrada, nós vamos percebendo o que não é, ou o que não se deve fazer ou entender como amor.

Mesmo as pessoas mais amadurecidas continuam sofrendo os dissabores da solidão. Tem um mundo de pessoas que ainda não conseguiu encontrar, podemos dizer assim, o par perfeito, ou pelo menos uma companhia saudável que possa compartilhar a vida.

E o que seria necessário para uma pessoa, já com uma idade amadurecida, viver uma boa relação de amor? Qual seria a chave para o coração? Quais seriam os predicados necessários para essa convivência saudável? Qual seria o combo do amor?

Amizade, intimidade, responsabilidade afetiva, como fazer aflorar, dentro de nós, a capacidade de lidar com as frustrações, a capacidade de oferecer “o amor que eu nunca soube dar, o amor que tive e vi sem me deixar sentir”, como dizia o poeta.

Na verdade, com o amadurecimento, cada vez mais acredito que o amor é uma decisão diária. Tal visão vem sendo construída pela convivência com outros casais. Casais esses que ganharam a minha admiração exatamente por saberem levar em frente as relações, e mais ainda, desenvolvendo a capacidade de vencer os obstáculos e as diferenças.

A paixão é curta. Ela não segue a vida do casal, e se mantêm em alta assim de forma constante. Ela até reaparece, de vez em quando, dando molho e fazendo com que possamos viver os arroubos dos momentos de amor físico e das trocas de energias mais fortes e mais intensas.

Na minha visão, o amor, enquanto sentimento, vive dentro de cada um de nós, e é só permitir que ele aflora. Só que, de certa forma, ele vive no outro. É por isso que se faz necessário enxergá-lo na outra pessoa, no gesto, no silêncio do olhar, ou no que o coração é capaz de sentir.  

Então, o que chamamos de amor, ou que seja de uma relação mais sólida, vejo eu, tomando a palavra de tantos outros pregadores do coração, como uma construção, ou como o que diariamente somos capazes de escolher. É preciso decidir querer estar ao lado e tomar a decisão de continuar juntos, dia após dia.

Então, penso que o combo do amor seria: reduzir as diferenças, aproximar, e como diz Nando Reis; achar em você, sem explicação, o motivo para fazer o meu coração bater mais forte, arder e queimar no fogo da paixão. E mais, oferecer isso de forma livre e feliz.   




   Aélio Jalles (Lelo)

 


 

terça-feira, 13 de junho de 2023

"A" Filha



Para um sujeito que nem se enxergava como pai, que achava que não tinha a menor vocação para isso, beirar os 60 anos comemorando os 15 anos da filha caçula, e junto aos outros quatro filhos, me parece ser um feito fantástico.

Na minha adolescência, eu nem me via como pai. Eu acreditava que seria pai exclusivamente como uma forma de cumprir as determinações da sociedade. Uma cobrança muito forte na época. Então, no meu planejamento de vida eu acabei adotando a ideia de ser pai de uma menina.

Por volta dos meus 14 anos de vida, e por conta da gravidez da filha de uma amiga da minha mãe, essa possível filha minha, ganhou um nome. Minha mãe recitava, de um livro, todos os significados dos nomes para essa amiga.

Quando ouvi o nome e o significado: Verdadeira Rainha. Achei que isso era tudo o que uma mulher gostaria de ser, e adotei para a minha pretensa filha. Era um significado muito forte. 

O lado lúdico da história é que, durante a minha vida, em dois casamentos, eu tive cinco filhos. Sim, são 05 filhos, e sim, são meus filhos! Antes que qualquer amigo possa dizer uma brincadeira indelicada, eu me adianto e digo: pai é quem cria!

E nesse caso eu vou me dar ao direito de falar de cadeira. Eu vivi intensamente a paternidade. Vivi da forma que eu pude, e que consegui, é claro. Eu Troquei fraldas, acordei muitas vezes durante a noite, e até carrego no corpo algumas boas marcas dessa trajetória.

Eu reconheço que, como pai, existe uma distância entre o que a gente gostaria de ter sido e a realidade de tudo o que eu consegui ser efetivamente. Graças a Deus, toda criação tem a sua dose de aleatoriedade. Também, e por sorte, nessa história tem a mãe.

Mas eu me vi como pai! Eu gostei de ser pai! Eu acabei tomando gosto em acompanhar a trajetória dos meus filhos, e viver com eles o meu mundo de fantasias. De um lado, a importância que isso me dava, do outro, a oportunidade das criancices. Um sentimento meio “duo” que mistura responsabilidade com irreverência.

Acabou que a filha só veio como “fim de rama”, a caçulinha. Confesso que, já depois dos 04 filhos, e o final do primeiro casamento, eu não queria mais pensar em ser pai novamente. Eu não posso negar que acabei relutando muito para assumir o compromisso de mais uma vida sob a minha responsabilidade.

Uma vida envolve muito mais do a questão financeira. Uma vida envolve o tempo que se pode doar, envolve atenção. Relacionamento é sempre a maior questão, e eu tinha muito medo de como seria a relação dessa criança com os outros irmãos.

Digamos que por sorte, veio uma menina. Nem sei precisar até onde isso influiu realmente, ou que peso isso teve. Mas o fato é que veio uma menina de sorriso fácil, extremamente comunicativa e que exalava carinho. 

Meus filhos abraçaram a irmã de uma forma que eu nem poderia imaginar. Eu amo ver como cada um deles trata a irmã e se doa a essa relação. De uma forma qualquer, eu acabo me sentindo abençoado por isso.

Eu, às vezes, chego a pensar que meus filhos se sentem responsáveis por ela. Eu sei que isso é só uma forma de me compensar, de acreditar que dentro de todas as circunstâncias da minha vida, ou mesmo por conta das minhas carências, meus filhos absolveram parte dessa minha responsabilidade.  

Essa é uma idealização de cumplicidade, mas que gera um sentimento de grandeza no meu coração. Acho que essa grandeza nada mais é do que o orgulho que um pai sente pela atitude dos filhos.

 

Aélio Jalles (Lelo) 



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quinta-feira, 8 de junho de 2023

Enamorados!


Eu me considero um sujeito romântico!

Talvez um pouco sonhador demais, até, mas um entusiasta da vida, que gosta da boa convivência e de um bom relacionamento. O tipo de gente que gosta do contato físico, que sente o sabor da relação na divisão do espaço, no ato de fazer as coisas a quatro mãos.

Sabe a relação de entrega, participativa e cheia de gosto? Sabe aquela relação que nos faz “perder a noção das horas” e que “na luta de corpos suados” faz de uma noite eterna? Isso vem de uma relação de amor tão divina que, poeticamente, ganha o crivo da descrição de Chico e de Gonzaguinhal. 

Pois essa é a descrição do amor que eu sempre sonhei. Eu sempre quis o amor que fosse capaz de me “REPRESENTAR”. Ponho aqui entre aspas e em destaque pelo significado figurativo e inusitado, porque aqui “representar” significa não só o ato de estar, mas o prazer de se fazer presente.

Como um bom romântico, eu sonhei com o amor que ressalta os detalhes da vida. Aquele que faz com que os olhares se busquem, no tempo e no espaço de uma festa, só para lembrar o que realmente importa. Um olhar sem peso, que pode ser traduzido na expressão pura do: Eu vejo você!

Eu vejo você! A expressão usada pelos protagonistas do filme Avatar. A expressão que retratava o reconhecimento da consideração que um tinha pelo outro, e ressaltava toda a confiança contida na relação.  

Eu sei que quando a relação está nesse estágio, o mundo vira cenário. É quando o local e a situação de muito pouco importa. Do nada, um par de bancos juntos da carrocinha do coco, ali, na areia da praia, se transforma no melhor lugar do mundo.

O lugar que pode ser qualquer lugar. Independe do cenário, da beleza ou de qualquer outra coisa. Na verdade, o que te faz estampar no rosto a felicidade, e te faz exalar toda a energia mágica da vida, é a companhia.

E é esse amor, descrito tão preciosamente pelos poetas, que eu gostaria de dividir com o mundo. O amor de quem se sente “de volta para o aconchego”, de quem vive as “aventuras das noites eternas”, e que na “bagunça do coração” se vê relembrando “o cenário de amor”. 

Sei que tudo isso pode até ser o efeito da paixão. Uma paixão improvável e inesperada, mas que, de alguma forma é capaz de reascender a essência do amor. Um amor cauteloso, mas capaz de embargar dois corações já bem calejados, por sinal.

De mim, desejo tão somente que ele saiba seguir em frente, e que siga pelo resto dos meus dias. Isso, por si, já me faria grato e feliz da vida!



Aélio Jalles (Lelo) 


 

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Efeito Borboleta!



Cada um de nós carrega as cicatrizes da vida. Essas são marcas do que cada um já teve oportunidade de viver, o registro das decisões e das atitudes que tomou. São essas cicatrizes que contam a nossa história de vida.

A experiência, essas marcas que registram no corpo e na mente o percurso da vida, nos serve de métrica para o julgamento das novas atitudes e de tudo o que ainda vamos enfrentar. Diz-se que nós trocamos os nossos anos de vida pela a experiência.

Segundo a Rita Lee, as cicatrizes são as tatuagens da vida, elas servem para nos lembrar que nós fomos mais fortes do que aquilo que nos feriu. Por isso mesmo, eu digo que elas nos valem de lições, e são lições caras demais para não serem bem aproveitadas.

Neste momento em que nós estamos vivendo o efeito pós-pandemia, uma dessas lições pesadas, caras, muita gente ainda não conseguiu se encontrar. Muita gente ainda está tentando absolver o conteúdo e definir o uso desse ensinamento.

Muita gente ainda continua a travessia do seu deserto pessoal, na busca do que podemos chamar de nova dimensão de vida. É como se ainda estivesse preso ao casulo. Como se, embora já tenha a visão do novo mundo, não conseguiu romper com a casca que lhe serviu de proteção.

O “Efeito Borboleta” é um termo que nasceu da teoria do caos. Ele foi usado como forma de explicar a impossibilidade de previsão. Ele prega que uma atitude, mesmo que de pequenas dimensões imediatas, pode desencadear um processo e provocar grandes consequências. Consequências que podem ser positivas e/ou negativas.  

Já é hora de nos tornarmos maiores e melhores. Quem sobreviveu a esse turbilhão deve encontrar os novos horizontes, deve encontrar a motivação para passar pelo desafio que esse casulo impõe e ser capaz de abrir as suas asas.

Faz-se necessário rever os conceitos e pôr, na cara, as lentes que possam clarificar objetivos de vida mais concretos e virtuosos. É preciso voar por esse novo mundo de oportunidade que a vida voltou a oferecer.

 

Aélio Jalles (Lelo) 

 

 

 


 

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Sexo a conexão das almas!


Na noite daquele domingo o Luide ficou no quarto da Eli até tarde. Nos dias seguintes a inquietude da Eli, seu nervosismo fora do normal, deixava perceptível que tinha acontecido um algo a mais, e que a moça estava precisando conversar sobre o assunto com alguém.

Lógico que é necessário sensibilidade para perceber e entender os motivos daquela alteração de humor. Mais ainda, somente pais participativos, atentos, pais que estão ligados aos momentos de vida dos filhos, têm na mão as condições necessárias para que eles possam contribuir da forma correta.

O momento era muito delicado para os dois adolescentes. Eles deram um passo e além de não saber mensurar efetivamente as consequências, eles não sabiam exatamente como seria a reação dos pais, principalmente os pais da Eli. Falo os pais da Eli, por serem eles os mais próximos da relação.

Os pais da Eli sempre chegaram junto do casal e acompanharam de perto esse processo. Eles ofereceram as informações que consideravam adequadas, mas nunca se posicionaram a favor da iniciação sexual da filha. Como todos os pais, eles sempre mostravam que ainda não estava em tempo.

Tanto a Eli quanto o Luide estavam doidos para dividir o peso do acontecido. Eles precisavam de orientação e sabiam que os pais da Eli seriam os mais adequados, mas não sabiam como fazer, como chegar a eles. Eles tinham o receio natural de qualquer adolescente.   

Os pais dela estavam conscientes do que tinha acontecido, e eles estavam prontos para dar o apoio necessário. Foi a mãe da Eli quem deu o passo, quem tomou a iniciativa. Esperou o momento que ela mesma achou mais conveniente e se chegou à filha.

A mãe da Eli se posicionava sempre muito calma e muito firme, o que fazia a diferença na cabeça da moça. Ela começou com um sorriso, como quem oferece as boas-vindas para essa virada de chave da filha, fazendo referência à beleza dessa nova etapa de vida.

Ela mostrou que estaria ao lado da filha sempre, e que, para todas as questões, a mãe deveria ser a primeira pessoa para quem Eli teria que recorrer. Eli foi se deixando levar pela conversa da mãe.

Aos poucos, ela foi relaxando e procurando pensar sobre tudo o que a mãe estava dizendo. O alívio de poder dividir o peso do que tinha acontecido vinha se misturando com as novas informações, além da dimensão que o fato em si teria para a sua vida, de agora em diante.

A conversa ganhou os ares de leveza devidos e elas passaram a trocar confidências. Diante dos olhos da mãe da Eli, aquele era o momento mais adequado do mundo para que ela oferecesse à filha o conceito de sexo que ela tinha. O sexo como uma coisa boa, bonita, como sendo uma forma de conectar as almas.

Por toda a experiência que a mãe tinha, e por ela conhecer de perto a beleza da relação que os pais dela viviam, Eli foi se envolvendo pela conversa. Sim, ela queria aquela mesma conexão com o Luide. Ela queria, para a vida sentimental dela, aquela mesma energia mágica que envolvia a relação dos pais.

Eli se encantava com a descrição que a mãe era capaz de fazer da sua relação com o marido. Mesmo sem entrar nos detalhes, digamos assim, mais íntimos da relação, a mãe conseguia explicitar a troca de energia, o carinho e principalmente o pé de igualdade que aquele ato tinha entre eles.

Poder receber e oferecer carinho, com a isenção de qualquer receio, era o ponto. Aquele era para ser sempre um momento de esplendor, e ela, não só por ser mulher, mas como pessoa, não deveria nunca aceitar um ato sexual que fosse menos que isso. 

A confiança, como pregava a experiência daquela mulher, é o pré-requisito para que se possa permitir a imersão total do corpo na relação. É necessária uma relação plena de atenção e respeito para que você possa se deixar levar por toda a sorte de bons sentimentos, e para fazer do sexo essa conexão mágica.  

Eli foi traduzindo, em reposta à conversa da mãe, todas as possibilidades que o prazer do contato físico poderia oferecer. A confiança que ela tinha na figura materna era determinante. Aquilo tudo era forte demais e, sem dúvida, se transformaria em um parâmetro que Eli levaria para o seu contexto de vida.

Sem mudar o tom, como se fosse para fechar a conversa, a mãe da Eli também fez um comentário bem firme sobre o tamanho da responsabilidade daquele passo. Nada demais, tendo como referência o processo de educação que os pais dela sempre pregaram.

A mãe fez questão de fechar a conversa repetindo um ensinamento já muito usual entre eles. Ela disse: quanto mais independente você for, mais liberdade tem nas mãos, e mais responsabilidade também. Nunca esqueça isso!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

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Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

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Capitulo 03: A primeira vez

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A mentira de mil vezes

O efeito da chamada “Mentira Ilusória” já é de senso comum e os efeitos dela sobre a ação cognitiva do ser humano, também. Não, eu não sou p...