sábado, 6 de agosto de 2022

A regra do jogo!

 


Não acredito na possibilidade de ser feliz sozinho, acho que essa história de “estou bem comigo mesmo” pode até proporcionar certo conforto à condição de solidão, mas eu vejo tão-somente como um ato de acomodação. Não consigo ver nessa atitude mais do que isso.

Na minha ilustração, a felicidade leva o nome de “verbo ativo”, porque para ser feliz nós precisamos estar em movimento, em ação. Também leva o nome de “verbo simples”, porque não requer luxo, nem pompa, é algo que se encontra ali, em um detalhe. E o mais significativo: é um verbo que só se conjuga no plural!

Eu acho que o colorido da vida está no encontro, na divisão de espaço, do pacote de bolacha, está no brilho dos olhares que se cruzam, nos brindes, na paixão, na amizade, no turbilhão de sentimentos que faz qualquer relação ganhar cor e brilho.

Claro que tudo isso é só uma teoria, é minha idealização literária, uma opinião bem pessoal do que eu enxergo como fonte da felicidade. Também acredito que tudo isso acontece em meio ao acaso. Acontece pelas coincidências da vida, e que cabe a cada um identificar e abraçar o seu destino.

Um dia, em relação ao amor, um amigo – em uma conversa cheia de cerveja e bem temperada pelo sentimento, exatamente por uma situação de desalento exposta, um desses desencontros onde o coração bate em uma porta fechada – vem apontar que eu não estou levando em conta as regras que fazem parte desse jogo.

Entre um gole e outro e entre tantas outras palavras, me chamou a atenção quando ele disse: “não se manda no amor”. Essa era uma regra simples demais, uma daquelas regras pátrias de qualquer relação e tinha que ser assimilada porque ela faz parte do jogo. Eu bem sei isso, só que até então minha cognição inebriada não tinha juntado as pontas desse quebra-cabeça.

A questão é que essa busca passa sempre pelos desencontros. É muito difícil acertar de primeira e as desilusões são inevitáveis. Sempre vão aparecer portas pelas quais você não quer entrar por mais convidativas que sejam, assim como, em outros casos, você até vai tentar uma entrada forçada. Foi exatamente sobre uma dessas tentativas forçadas a que ele se referiu.

Sim, meu amigo, ninguém manda no coração, você tem razão, mas nem sempre se pode identificar o que tem no coração da outra pessoa assim de pronto. As frestas de luz que passam, por vezes, podem dar a impressão de uma porta entreaberta, com perspectivas, assim como podem deixar oculto o fator impeditivo.

O fato é que essas tentativas geram situações inusitadas. Tentar forçar a entrada é um primeiro passo e, como os avisos são sutis, não dá para imaginar o que está por trás, segurando a porta. Mesmo sem querer, por não mandar no amor, quem entra no jogo sem ficha se machuca.

No mistério dessas paixões você vai vivendo os dissabores, vivendo e aprendendo a aplicação dessas regras, muitas nem tão claras assim. As portas que se fecham, sejam para você ou de você para outros, sempre parecem ser pesadas demais e essas tentativas frustradas vão deixando suas marcas.

É, meu amigo, só me resta encher-lhe de razão: “não se manda no amor”!

 

Aélio Jalles (Lelo) 



6 comentários:

  1. Excelente, ainda bem que como seres humanos não nascemos para vivermos só. Cada um de nós tem um par em algum lugar no mundo.

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  2. E bem assim que funciona.

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  3. Eu já acho a "solidão " um luxo...rsrs

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  4. 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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  5. Não é a questão de "ser feliz sozinho", mas aproveitar os momentos sozinhos para se autoanalisar, se compreender, se gostar, se amar. Ficar sozinho é estar em paz consigo mesmo, é encontrar a felicidade dentro de si, e assim compreender que quando esse vazio for preenchido com a companhia de outra pessoa, seremos capazes de entender que essa pessoa veio pra somar, pra agregar e não pra se responsabilizar por nossa felicidade. Nem sempre ação, movimento e pessoas é sinônimo de felicidade, afinal quem já não esteve em movimento e cercado de pessoas (amigos, familiares) e mesmo assim estava se sentindo sozinho e vazio?! Tudo é uma questão de perspectiva. E o que seriamos de nos sem portas para abrir e fechar? Ciclos para se iniciar e encerrar? As vezes ser feliz é muito fácil nos é que complicamos tudo isso. O mundo está cheio de encontros, reencontros e desencontros...saber aproveitar cada uma dessas situações, aprender, crescer e compreender que nada é por caso e que cada situação ou pessoa colocada em nosso caminho, tem um objetivo e um sentido em nossas vidas.

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