Na nossa turma de amigos, as coisas
aconteciam do nada mesmo. Aparecia sempre uma ideia maluca, que nem sempre
conseguíamos identificar de onde veio. Ela ia tomando corpo, sendo formatada
nas cabeças de um e de outro e nós acabávamos envolvidos em belas loucuras.
Cada uma dessas loucuras realizadas acabava
se transformando em uma passagem icônica que ia ficando gravada para o resto da
vida na memória. Recortes de vida emocionantes, que vêm à tona sempre que
precisamos relembrar o que é felicidade.
Foi assim em uma comemoração do dia das mães.
A ideia brotou na mesa do restaurante Caravele, o nosso ponto de encontro de
sempre. No final de semana anterior ao dia das mães (eu realmente não sei de
onde ou de quem) apareceu a ideia de fazer uma homenagem diferente para as
nossas mães. Algo que ficasse na memória delas.
Nós já éramos adultos, pelo menos pensávamos
assim. Já estávamos na casa dos mais de 20 anos, já tínhamos nossas
responsabilidades, praticamente todos trabalhavam e, em geral, tínhamos a
liberdade de ter na mão a chave da casa. Isso era o máximo na época!
A ideia parecia simples demais. Cada um de
nós compraria uma rosa para presentear a mãe, além de algumas cervejas para pôr
na geladeira. Encontrar-nos-íamos, como era de praxe, no sábado à noite, de véspera
do dia das mães, no Caravele.
Do Caravele faríamos um roteiro para visitar
todas as casas, de uma por uma. Sairíamos à meia noite. Em cada casa, o script
deveria ser o mesmo. Entraríamos de mansinho, pouco mais de trinta pessoas,
montávamos o coro, começaríamos a cantar e os pais acordariam surpresos com
todo aquele mundo de gente dentro de casa.
Nós éramos conhecidos pelos pais dos nossos
amigos. Todos os amigos tinham transito livre dentro das nossas casas e nós
acreditávamos que essa seria, de certa forma, uma invasão pacifica. Não tinha
como ser diferente.
Fora a surpresa da invasão, tinha a música: começávamos a cantar ainda no escuro, sem acender as luzes, para dar o impacto necessário. O coro, mais que ensaiado, começava a cantar:
“nem o sol; nem o mar; nem o
brilho das estrelas; tudo isso não tem valor, sem ter você; sem você; nem o som
da mais linda melodia; nem os versos dessa canção, irão valer; nem o perfume;
de todas as rosas, é igual a doce presença do seu... amor”
(Musica: Quando te vi – Beto Guedes)
A primeira questão que fugiu do script foi a
forma com a qual os pais encararam essa surpresa. Os pais, ou somente a mãe, em alguns casos,
acordava meio no susto. As reações nem sempre estavam tão previstas assim.
Tivemos uns contrapontos serios para reequilibrar as emoções. No entanto, tão logo que
se tomava a devida compreensão da situação, a homenagem tomava seu rumo.
Retomávamos a música, agora com a atenção
voltada à homenagem.
Logo depois da música, o filho da casa tomava
a palavra. Ele - ou eles, no caso dos irmãos - proferia a homenagem a sua mãe e
entregava a rosa. Vinha a seção de abraços, beijos, muitos beijos e muito mais
abraços. Lógico que isso tudo vinha acompanhado de muita emoção. .
Eu adoraria conseguir registrar aqui e em palavras a
grandeza da emoção de cada um daqueles momentos. Em cada casa que íamos
passando, íamos deixando uma energia esplendorosa, forte, única, indescritível!
Estou nesse momento respirando fundo para controlar a emoção e reorganizar a linha de raciocínio. (Só uma pequena pausa)
No final de cada
homenagem, nós tomávamos as cervejas que faziam parte do acordo, juntávamos o
grupo e partíamos para a residência seguinte, normalmente deixando para trás uma
mãe em prantos.
Lembro-me que outra falha do script foi o
tempo previsto para o cumprimento de todo esse roteiro em cada casa e toda essa rota que teríamos
que cumprir. Tínhamos na mão um contexto de aproximadamente trinta casas e mãe
nenhuma poderia ficar de fora.
Por último, já quase com o raiar do dia, faltava
ainda uma mãe para ser homenageada. Ela não estava em casa, tinha saído com o
esposo para a noite, para comemorar e ninguém conseguia localiza-la. Não
existia telefone celular nessa época e ela não tinha voltado para casa.
Nas ultimas, um dos filhos localizou a mãe na
casa de uns amigos. Fomos todos terminar a noite na casa desses amigos deles.
Fizemos a homenagem como o combinado e como eram três filhos, uma das rosas
acabou na mão da dona da casa.
Ela acabou emocionada com a homenagem e entre
soluços e lágrimas, fez um desses agradecimentos extremamente tocantes. As reações,
os beijos, os abraços, as lágrimas e o mundo de emoções que foram vivenciadas naquela
noite, foram marcantes. Muito além do esperado!
O registro daquela noite, daquela
cumplicidade, daquele coro, nem tão afinado, mas cheio de amor, ficou
definitivamente gravada na memoria de cada um que viu e presenciou aquela passagem
de vida.
Uma noite dedicada às mães e recheada pela
emoção de um grupo que conseguiu traduzir a amizade em grandes feitos.
Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde eu
conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!
Aélio Jalles (Lelo)
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Imagino a emoção num momento tão sublime. Com certeza essa lembrança ficará para sempre tatuada no coração de cada mãe.
ResponderExcluirExcelente!!!!🌤⚖️🌈👏👏👏👏🙌🙌🙌
ResponderExcluirAdorei!! Muito linda a ideia e a homenagem!
ResponderExcluirMaravilhosa recordação!
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