No nosso grupo de amigos, praticamente todos
tinham o aceso livre, praticamente todos transitavam nas casas uns dos outros.
Éramos de casa, e os pais dos nossos amigos nos acolhiam, nos abraçavam, nos reconheciam.
Eles gostavam da convivência e da segurança que o fato de andar juntos
provocava.
Já não éramos tão adolescentes. O grupo
girava nessa época, na casa dos 20 anos. Praticamente todos faziam parte do
mercado de trabalho formal. E, pelo fato de já ter renda própria, tínhamos certa
independência.
Por conta de uma situação vivida, percebemos
que, apesar de toda intimidade que tínhamos com os pais dos nossos amigos,
nossos pais não se conheciam. Eles não tinham proximidade uns com os outros,
apesar de, aqui e ali, ter a possibilidade de algum contato. Só que, fora
algumas exceções, as relações não passavam de encontros fortuitos.
Percebemos, então, que poderíamos agir sobre essa
questão. Nesse caso, invertendo a ordem normal das coisas, nós iríamos
influenciar a amizade dos nossos pais. Estava na hora de apresenta-los de forma
mais enfática e, quem sabe, provocar essa convivência entre eles.
Montamos, então, uma confraternização de
natal. Nós iríamos fazer uma festa de final de ano, uma confraternização do
grupo de amigos, carregando os nossos pais a tira colo. Essa era a oportunidade
de provocar uma convivência, sem forçar demais a barra.
Nós acreditávamos que seria uma forma de,
quem sabe, gerar uma referência a mais das pessoas do grupo, e isso poderia deixa-los
ainda mais seguros sobre as companhias que os seguros tinham na vida.
Não existe como falar do nosso grupo de
amigos e não falar do restaurante Caravele. Esse era o nosso ponto de encontro,
fazia parte da turma. O Caravele era praticamente uma extensão das nossas
casas. Era o nosso espaço, o nosso recanto. Então, não tinha o que pensar, esse
evento seria lá.
Em um trabalho de grupo, fomos especificando
como distribuir as mesas, quem ficaria mais confortável na companhia de quem, e
como nós poderíamos promover as interações. Tínhamos uma oportunidade única de
fazer esse negócio acontecer, e queríamos que acontecesse da melhor maneira
possível.
No dia do evento, estávamos todos muito
ansiosos, dava para prever. Estávamos quebrando uma barreira e levando os
nossos pais para o nosso convívio, para conhecer mais intimamente as famílias
dos nossos amigos. Sempre fica no ar uma certa insegurança. Não tínhamos como
prever com exatidão onde isso iria gerar.
Logo no inicio do evento, fizemos uma
dinâmica entre nós, onde cada um apresentaria os seus pais ao grupo, falando
sobre algumas características, dando uma pitadinha de graça, procurando quebrar
o gelo. .
Na segunda parte, fizemos um amigo secreto baseado
nos filhos. Um dos filhos era chamado e ele sortearia um dos pais. Ele deveria
descrever o sorteado, com dicas e características, da mesma forma de um amigo
secreto normal, para que o grupo reconhecesse. A única diferença de um amigo
secreto usual era o fato que somente os pais estavam recebendo os
presentes.
A interação foi fantástica. Todo mundo se
soltou, nós apresentamos mais diretamente os pais, levando a presença direta do
outro. Os papos fluíram e todos acabaram se comunicando muito bem. Criou-se
literalmente um clima de muita cordialidade entre eles.
Já no final, como último ato, provocamos os
pais a falar do grupo, a dar opiniões sobre as pessoas e cutucar quem eles
quisessem, abrindo até a possibilidade de levar os devidos puxões de orelha.
Isso foi realmente o ponto alto da festa. Acabou que nós ouvimos alguns
depoimentos emocionantes e que, de coração, não poderíamos esperar.
Ouvimos muito mais que puxões de orelha.
Ouvimos declarações de amor, de admiração e respeito dos nossos pais pelos
nossos amigos. Ouvimos depoimentos que nos mostrou o quanto aquela amizade
tinha valor. Declarações de confiança, do fato de que o que aquelas companhias geravam
era tranquilidade para eles.
Chegamos a nos perguntar se eles realmente
sabiam do que estavam falando. Embora com a certeza de que eles não tinham o
conhecimento pleno de tudo o que nós fazíamos, das loucuras que a adolescência
era capaz, dos desatinos cometidos, eles conviviam de perto e tinham sim uma
noção muito grande de quem nós éramos.
A noite foi coroada com o depoimento de um
desses pais. Ele fez questão de ressaltar que a qualidade mais bonita que o
grupo todo tinha era a disponibilidade. Existia uma vontade de estar junto, de
respirar junto, uns cotavam com os outros.
Ele deixou claro que via isso com bons olhos,
que entendia que isso não nos tornava dependentes uns dos outros. Que esse era
um efeito que só a energia das boas amizades pode gerar. Estar ali, à
disposição, de braços abertos era uma medida que poucos grupos de amigos
poderiam dispor.
Éramos anjos da vida uns dos outros!
Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde eu
conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!
Aélio Jalles (Lelo)
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😍😍
ResponderExcluirMuito legal! parabéns 👍👍
ResponderExcluirCada dia superando mais as nossas expectativas, muito bom Sr Aelio.
ResponderExcluirVirgínia lima
Muito Boa esse Comentário Lello, Parabéns do amigo Tecão
ResponderExcluirLindo, Lelo! Que lembrança maravilhosa!
ResponderExcluirUau!!! Que incrível esse momento. 👏🏼👏🏼👏🏼 Que essa amizade perdure por muito tempo!
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