quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Uma vidinha em minhas mãos!


Na manhã dessa terça feira, dia 11 de outubro, data que eu acho que vai ficar registrada na minha cabeça. Sem querer levar em conta o meu inferno Astral, passei por aquele momento que se vai do céu ao inferno em um instante, um momento muito delicado e inexplicavelmente doloroso.

 

Meu cachorrinho, meu companheirinho das caminhadas diárias na praça, foi atropelado. E é assim, em um instante o mundo foge das tuas mãos, o chão foge dos teus pés e parece que a vida se esvai, mesmo que você também tenha que fazer força para o seu coração não fugir pela boca. 

 

Eu até já tinha pensado sobre esse risco, mas achava tão interessante ele solto, brincando e correndo pela praça, que fui me adequando ao medo e, aos poucos, considerando o risco cada vez menor. Era como se eu conseguisse controlar as fugidas que ele, aqui e acolá, dava da calçada da praça.

 

De acordo com a orientação de um adestrador, toda vez que ele desobedecesse, ou que fugisse do que era para fazer, eu deveria prendê-lo, dar mais umas voltas com ele preso na coleira, bem ao meu lado e poderia solta-lo novamente. Essa orientação vinha dando certo e eu, como já tinha dito, ia me sentindo cada vez mais seguro.

Na prática, estava dando tudo certo, até que ele deu uma fugida maior. Sempre que ele sumia da minha vista, bastava eu assoviar que ele vinha correndo. Dessa vez, ele tinha atravessado a avenida 13 de maio. Nunca tinha feito nada disso. Aqui e ali, ele descia da calçada, eu brigava e prendia novamente. Tudo dentro do resultado do que me foi orientado.

Eu achava que estava tudo sob controle, de uma forma tal que, por vezes, ficava só observando ele na beira da calçada, me mantinha calado e via o impasse dele, como que pensando se descia ou não. Ele parava na beira calçada, me procurava e dali não passava. E assim, cada vez que eu o via hesitando, minha confiança aumentava.

Tudo dentro do que deveria, até o dia que ele resolveu quebrar o esquema. Ele fugiu da praça e atravessou a avenida 13 de maio. Eu penso que ele foi em busca da Jade, uma cadelinha com quem ele sempre brincava. Ela aparecia na praça nos finais de semana. Sábados e Domingos, a Jade vinha passear na praça e os dois brincavam muito.

Quando eu senti a falta dele, como de outras vezes, eu assoviei e, da mesma forma, ele me atendeu. As pessoas que estavam na praça, gritaram, avisando que ele estava do outro lado da avenida. Quando ele escutou o assovio, correu. Uma moto vinha passando na hora e atropelou ele. A agonia tomou conta, e eu só queria chegar onde ele estava.

É uma loucura! Eu vi meu cachorrinho do outro lado da avenida, estribuchando no chão. A primeira impressão era que ele tinha morrido. Eu peguei ele em meus braços e sai em busca de ajuda. Não, ele não morreu! Quando eu ouvi o gemido dele, as lágrimas escorreram, mas a esperança tomou conta de mim.

Logo percebi o rabo balançando, mas ele ainda sem uma reação mais forte. Corri em busca da ajuda, da ajuda de um alguém que pudesse me oferecer qualquer amparo, ou que me dissesse que ele não tinha morrido. Eu não sei como traduzir esse espaço de tempo com mais precisão, mas posso dizer que o raciocínio se parte em mil pedaços.

A cada passo que eu dava, as lagrimas cobriam o rosto e o sentimento de culpa ganhava um peso sem dimensões. A sensação de incapacidade se misturava a uma ideia de irresponsabilidade. O peso disso tudo nos ombros ia ficando cada vez mais insuportável.

Ele sobreviveu e está até bem para quem foi atropelado. Passou o dia todo muito acabrunhado, deitado pelos cantos, deixando claro que ele estava vivo, mas que não estava bem, que ia precisar de atenção e cuidados.

Da mesma forma eu! Eu também passei o dia todo com o sentimento à flor da pele, carregando um emboloado de emoções, com um nível de adrenalina que nem me lembro de já ter experimentado.

O nível de adrenalina está tão alto no meu corpo que eu não consegui dormir e, já na virada da noite, resolvi escrever essa história, como forma de conter o choro e aliviar a tensão. A tensão que eu vivi hoje com aquela vidinha nos meus braços!

 

  

Aélio Jalles (Lelo)





 

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4 comentários:

  1. Já estou chorando!!! Mas que bom que ele está bem .

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  2. A dor da perda é muito dolorosa sei por experiência própria ,nos faz perder o chão e o sentido da vida. Fico feliz em saber que foi apenas um susto, e que seu cachorrinho está bem assim como você. Daqui para a frente atenção redobrada. Fica a lição aprendida.

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