Eu reconheço o amor, mas não da simples forma
que muitos procuram.
Reconheço o amor que sobrevive nos traços do
raciocínio, nos detalhes de uma relação nem sempre tão convincente. O amor de
poder perceber o quanto eu me importo contigo, de eu não saber explicar porque
exatamente o teu sorriso, ou mesmo que qualquer expressão de alegria vinda do
teu rosto, me faz aflorar no coração o maior dos contentamentos.
Reconheço o amor quando tua presença, no mesmo
ambiente que eu, deixa tudo diferente, mais bonito, mais leve, mesmo sem eu ter
de ti a atenção que gostaria. Reconheço que tua vida faz parte da minha, que
tua chegada me fez maior, mais responsável e infinitamente mais feliz, como se
tu fosses um complemento indispensável ao sentido de eu ter vivido.
Reconheço
o amor quando, hoje, mesmo sem obrigação, sem cobrança, mas como parte de tudo
que sou, ou de tudo o que eu faço, me sinto responsável por ti. Me sinto
incapaz de te negar um pedido, mesmo que por vezes acho meio absurdo, parecendo
que são pedidos nascidos dos teus próprios desleixos. Fazer por ti até chega a
ser inadequado, parecem ser simples caprichos que me impõe para testar a minha
completa inaptidão em te negar algo.
Reconheço o amor quando, mesmo que por acaso,
tuas mãos me fazem um carinho qualquer. Quando teus dedos roçam na minha cabeça
ou descem pelas minhas costas, deixando um caminho ralo, que nem chegam a limar
minha pele, mas que eriçam meus pelos pelo deleite do toque. Tu nem sabes o
quanto isso me faz ascender, me aquece, enche de esperança minha vida.
Sei que não me compreendes, pois tuas posições,
teus arroubos, tuas grosserias não fariam sentido se tivesses o conhecimento do
tamanho desse sentimento. Sou consciente que cometi erros, que, longe da
perfeição, falhei contigo em momentos delicados. Sei de situações que me
equivoquei nas atitudes e que nem desculpas a elas cabem, pois sei que erros
como esses não tem reparo. Não sou perfeito, mas sou teu pai! Nesse quesito sou
único!
Não dependes mais de mim. Tua vida, hoje,
ganhou tuas cores. Pintas o teu caminho da forma que te é conveniente, podendo
me dispensar ou deliberadamente não ter de mim a menor participação. Mas, era
muito importante que entendesse que essa é só uma opção, que da nossa relação
ainda podes tirar muitos e bons frutos, pois mesmo não tendo como te compensar
dos erros que já cometi, ou mesmo não tendo a certeza de que outros erros ainda
serei eu capaz de cometer, eu ainda tenho para te oferecer um coração de pai.
Aélio Jalles (Lelo)
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Um filho é uma parte de nós que vai crescendo ao ritmo do amor que sentimos por ele. Um amor assim não tem descrição, explicação ou razão.
ResponderExcluirUm homem apaixonado pela vida!!!
ResponderExcluirMaravilhoso!
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