“E logo eu, esse incorrigível romântico, abrir mão do amor eterno
e ter que viver dos amores práticos”.
Ouvi essa frase da boca de um amigo e, por não conseguir ver essa
citação em nenhuma literatura que tive acesso, tenho até a ideia de que a frase
é dele. Penso nas conjecturas de vida
que ele costumava fazer, e nas citações que ele escrevia. De qualquer forma,
neste caso, vou me desculpar pela incerteza e vou omitir o autor.
A temática, no entanto, é muito coincidente com a situação de vida de muitos casais. Relações que realçam a comodidade desses amores práticos, amores convencionais aos quais as pessoas vão se habituando a viver. Isso, tanto por um cotidiano aceitável, assim como pela consequência de tantos desencontros amorosos que a vida proporcionou.
Nos amores práticos, a estabilidade é mais facilmente adquirida pela própria falta de sentimento. Basta que os dois envolvidos consigam se tolerar, se suportar, basta manter uma convivência amigável, que a coisa já funciona. Fica fácil quando as pessoas se enquadram no quesito: “gente boa”.
Se ambas são pessoas fáceis de conviver, se mantiverem o respeito e forem capazes de fechar os olhos para um detalhe aqui ou ali, detalhes que escapam da lógica do amor, a relação pode ser suportável, ou até mesmo se tornar uma relação agradável.
Mesmo sem o tempero devido, existe a compensação do risco que não se corre e, por isso, para muita gente, vale a pena pagar o preço dessa acomodação. É porque o preço dos encontros indevidos, normalmente, é alto. Se paga muito caro quando se bate à porta da pessoa errada. Isso até faz parecer que essa é uma busca ingrata.
Quantas vezes nos engraçamos por uma pessoa, apostamos alto e nos decepcionamos. É que, com a convivência, as máscaras vão caindo. Aqueles detalhes sórdidos, que as pessoas fazem questão de não apresentar de início, começam a dar as caras.
Os temperamentos mais controladores, mais opressores, mais radicais, mesmo visto como parte da personalidade de cada um, são amenizados no início das relações. Mas, lógico, esses temperamentos tendem a se apresentar mais fortemente na medida em que as coisas tomam rumo e as relações vão se estabilizando.
A gente leva cada pancada nessa busca! Às vezes nós perdemos as forças, a esperança, para levantar a cabeça e continuar tentando. Mas lembre-se, a vida nos cobra o preço de tudo aquilo que fazemos, e até do que não fazemos. Não interessa, tudo tem um custo estabelecido e ninguém escapa dessa cobrança.
Aí eu, olhando para algumas relações ao meu redor, percebo, em uma ou em outra, a leveza, a troca de energia, o magnetismo natural do companheirismo e, com um ar de admiração, vou apreciando e querendo buscar essa fórmula. Vou percebendo que essa relação, mesmo não sendo perfeita, mesmo não sendo um caminho só de flores, essa relação existe!
Parece que, quando a gente sintoniza com aquilo, começa a ver, a perceber que ao seu redor tem mais de um exemplo. Eu vejo um, onde a relação se moldou ao bom senso, mas que nunca perdeu o carinho. Não deixo de olhar para essas pessoas e ver nelas a ternura, a atenção de um com o outro, as atitudes tomadas pelo sentimento de amor e carinho.
Não, não é uma relação acomodada. Nessa relação tem sal, tem vida, tem tempero. Eles são muito mais eles. Eles se representam, eles se bastam, e talvez por isso mesmo eles atraiam os amigos para perto deles. Uma relação que funciona como imã de vida e, por isso mesmo, merece a admiração de todos.
Sei que não se chega a isso do nada. Para se trabalhar uma relação como essa, existe a necessidade de um comportamento lícito, claro, honesto, transparente e com muitos predicados. Mas que, de certa forma, esse é um preço bom demais para ser pago por relação com essas medidas. A medida do bem querer!
Ai eu, nessa mesma referência do incorrigível romântico, mesmo consciente de todas os desvios que cometi pelo caminho, quero ter a chance de construir uma relação assim para mim. Sem peso, mas com uma grande cumplicidade de vida e muita reciprocidade afetiva.
É gostoso ter alguém ao lado. É gostoso olhar para ela e ter a sensação de ter encontrado a mulher para a minha vida. Eu quero ter a chance de ver, em uma troca de olhar, a certeza do: Eu vejo você!
Eu vejo você! Expressão da reciprocidade afetiva dos protagonistas do filme Avatar. Uma alusão à relação perfeita, uma expressão que, entre outras coisas, diz: eu enxergo a sua alma, eu confio em você.
Aélio
Jalles (Lelo)

Relações baseadas na conveniência e na praticidade, sempre existiram na sociedade e funcionam muito bem, quando são seguidas por um “manual de regras”.
ResponderExcluirMas as excessões que fogem dessas regras, seres buscadores…(e eu faço parte desse grupo.rsrsrs), anseia por algo mais verdadeiro e sólido com os mais variados sentimentos: de amor, cumplicidade, entrega, sexualidade, parceria, confiança, transparência, afetividade, liberdade e amizade.
E “eu vejo você/Lelo” com os fragmentos desses sentimentos, e desejo que possamos trabalhar juntos, para uma relação de sintonia e harmonia, regado à esses sentimentos.
Como diz a frase: “Lutar pelo que se quer, cuidar do que se tem: é bom que caminhem juntos…”
“Quando estamos em boa companhia sentimos a alma leve.”
E quem sabe, meu bem em um futuro próximo eu possa lhe “representar.”rsrsrs
Te Adoro!💙
Sigo em busca também.🙏🏽
ResponderExcluirSabemos que essa busca não é fácil, nem todo mundo tem a sorte de encontrar alguém que seja sua "alma gêmea" como as pessoas dizem. Porém nem sempre oq é bom vem rápido. Espero encontrar também esse amor!
ResponderExcluirO amor sempre muda as regras para a gente nunca aprender a jogar. O dia que você quiser que o outro seja perfeito, você já esqueceu todas as regras do jogo! Esse é o segredo diário .. belas palavras , Lúcio
ResponderExcluirExcelente texto querido amigo , entendo que, a busca do " eu vejo você " percorre um caminho do " eu me vejo " , quando sabemos exatamente o que queremos e precisamos , não falo em idealizar nossos desejos em alguém , pois precisamos aceitar que o outro não é o paraíso , e muito do que se encontra no outro tem a ver com o que você consegue entregar , temos muito guardado , mas não é qualquer chave que abre essa portinha ...rsrsrsrs . o não desistir já é muito importante , o não se acomodar em sentimentos rasos por medo de ficar sozinho, mas isso so vem com o desejo sadio e amadurecido de entregar-se sem medo de outra desilusão , e só os românticos conhecem esse gosto raro , por isso meu caro e querido amigo que me pego a pensar .... romântico é uma espécie em extinção ?! Grande Abraço.
ResponderExcluir