sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Meu Acordo com Baco!


 

Os excessos de tudo que representa o Carnaval batem à porta logo depois da festa, como cobrança por tudo aquilo que se fez. Nem é difícil entender isso! Acaba aparecendo um registro aqui, outro ali, dos pequenos deslizes que foram cometidos no decorrer desse período momesco.

Afinal, essa é festa da carne, da alegria, dos deslumbres, dos excessos! A bem da verdade, só quem não se permite contagiar pelo carnaval, é que fica isento desses registros. Bem ou mal, isso é vida. Faz parte! Isso é o que nós deixamos para a nossa história pessoal.   

Eu mesmo nem me considero um folião dos mais aguerridos, muito menos um bebedor inveterado. Nesses dois pontos, bem especificamente, eu me considero um cara extremamente comedido. Gosto da festa, da brincadeira, gosto da bebida, das rodas de amigos, mas de fato, tudo dentro dos limites, sem passar do ponto.

Meu acordo com o Baco, já de muito tempo, foi de que a bebida não poderia passar do ponto, e que eu jamais deveria passar da linha em que se perde o controle. De uma forma qualquer, por esse acordo, eu percebo o momento de parar. Não me permitindo passar daquele ponto em que o álcool assumiria o controle.

E assim eu tenho feito. Nem sei quando foi à última vez que eu passei desse ponto. Sempre venho tendo o cuidado de não me deixar levar pela empolgação e, no momento certo, paro, sem perder a condição da alegria e do bem estar. Eu me vanglorio por conseguir reconhecer o momento certo em que não posso mais ceder aos encantos de continuar na brincadeira. 

Eu reconheço que tem ocasiões em que eu chego a pisar na linha. É que tem situações em que a vontade vai um pouco mais longe. São situações empolgantes, que deixam o sangue mais quente. Mas, o desejo que eu tenho de manter o controle é muito determinado.

Essa determinação vem de muitas histórias de família, das mais diversas situações com os amigos e muitas outras situações vivenciadas pelo descontrole do consumo de álcool. Por isso, mesmo quando pontualmente acontece comigo, eu grito e recorro à água. Tomo muita água. Tanto que acabo, naturalmente, saindo das minhas festas e confraternizações totalmente lúcido. 

Até aqui, eu pensava ter encontrado o acordo perfeito. Só que tem uma pessoa que tem me feito questionar esse acordo tão bem elaborado. Segundo ela, eu deveria parar sempre alguns copos antes. Nessa linha de pensamento, eu tenho que dar uma afinada maior no meu controle, de uma forma que eu não me permita chegar tão perto do limite.

Mas, ainda que essa pessoa me faça pensar sobre os meus motivos, buscando uma reflexão, algo como se beber, para mim, fosse uma obrigação, não me vejo assim dependente. Ela questiona que a bebida não pode funcionar como o gatilho da minha felicidade. Como se eu só pudesse ser feliz assim, de copo na mão.

Lógico que isso abre uma reflexão. Existe uma razão na questão do controle sobre o ato de beber. Mais ainda na questão da necessidade da bebida. Isso torna a situação difícil de explicar. Ora, nem mesmo um alcoólatra inveterado consegue reconhecer seu vício.

Meu dilema é conseguir mostrar que o peso que está sendo colocado é maior do que merece. A bebida é atrativa sim, ela ajuda a liberar as tensões, alivia o peso das obrigações, desafoga os problemas e faz a vida fluir, digamos assim, mais facilmente. Ela dá uma pitada a mais, põe um tempero, oferece um colorido para a vida.

Mesmo sendo Baco o Deus protetor das condutas desviadas, meu acordo com ele não prevê excessos. De uma forma bem clara, eu penso que todo excesso, seja ele na bebida ou na vaidade, tomando somente como um exemplo paralelo, carrega uma dose de compensação, como se isso fosse capaz de suprir alguma falta.  

Eu sei que existem os que não conseguem esse acordo tão preciso com ele. Tem muitos que não podem beber pela falta de controle, por não conseguir identificar um limite seja lá onde for. Tem outros que simplesmente saem do ar com a bebida, desligam o “modo” bom senso e entram em um outro “modo” meio questionável.  

Assim, mesmo respeitando os que podem ter os problemas com a bebida, quero reiterar meu acordo com Baco. Brindar a alegria não pode ser considerado um pecado, e fazê-lo por opção, sem excessos e quando coerentemente pode ser feito, faz parte do lado bom da vida.

Essa é uma questão que faz bem, integra aquilo que é pleno e merecedor da luz divina!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 


3 comentários:

  1. Ainda bem que não bebo e não gosto de Carnaval, respeito quem gosta. Mas essa conta não recebo.

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  2. Os vícios sempre são pontos delicados a serem abordados. Principalmente para quem não os possuem. Quem fica de fora e não participa das “viradas de copo”ou apenas só faz “provar” (como é o meu caso), tem uma visão mais ampla e até mesmo crítica sobre os que apreciam em demasia. Traumas adquirimos no decorrer da vida, também faz encarar a bebida como algo negativo e depreciativo. É como se o “fantasma” ficasse pairando no ar esperando o momento oportuno para entrar em cena. Tudo que é demasiadamente exagerado eu vejo como anormal e doentio, pois vícios não trazem benefícios, portanto não deve ser ovacionados. Mas aos que sabem usufruir sem se deixar sucumbir pelo baco e o restante do grupo (pois a bebida cria uma roda de amigos), utilizam em momentos de diversão e laser (mas sabem também curtir esses momentos sem a necessidade de utilizá-la), tem de certa forma minha admiração.

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  3. Meu irmão, a sua escrita e o seu pensamento são exemplos e ao mesmo tempo um aprendizado, tenho uma memória de 2 bits e não me lembro qd foi a última vez que eu vi essa palavra " baco ". Parabéns e um abraço.

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