Eu achei emocionante, pela maneira com a qual ela se expressou, quando
li o comentário da mãe de uma amiga, sobre o relato do sonho de vida da filha.
A mãe ressaltou a beleza desse sonho, com o pedido de licença para se incluir.
Era como se existisse a necessidade de pedir licença para poder fazer parte da
vida da filha.
Aquela declaração destacou a beleza da projeção de felicidade que a
filha tinha descrito. O sonho de uma vidinha simples, em um local aconchegante,
sem pompas, com o abastecimento das necessidades materiais mais básicas e um
mínimo de conforto necessário.
Só que, no texto, a felicidade vai sendo descrita em uma conjuntura de
fatores, que enfatiza o espaço físico como símbolo dessa felicidade. O local
acolhedor invoca o romantismo do que é “um amor e uma cabana”, e esse é o ponto
do questionamento que acabei fazendo.
No meu modo de interpretar as palavras da filha, nas entrelinhas, ela ressaltou
a ternura do convívio familiar. E o que é mais forte, um convívio que a própria
mãe proporcionara durante a vida toda, mesmo sem todo o aparato e as condições
necessárias.
A filha descreveu uma cena em que o café quentinho envolve a casa com o
seu cheiro, dizendo que esse odor, por si, era acolhedor. Na minha visão, ela
estava simplesmente resgatando uma memória afetiva. O cheiro podia até remeter
a uma sensação gostosa, mas acolhedora, na verdade, são as mãos que sempre
serviram o café.
Nunca uma tapioca com manteiga vai ter o gosto descrito pela minha amiga,
por mais eloquente que sejam as suas palavras, se a mesa não estiver rodeada de
gente, de conversas soltas e muito carinho. Isso sim, na verdade, se traduz em um
sentimento de plenitude de vida e de felicidade.
Não quero aqui questionar os sentimentos da minha amiga. Eu sei o quanto
ela é emotiva. De coração, eu quero somente chamar a sua atenção para o foco. Esse
sonho nunca vai ser encontrado assim, por conta de um cenário, por mais que ele
pareça apropriado.
Esse sonho, e eu já tive a oportunidade de dizer a ela, nasce de uma
ação acolhedora, da atitude das pessoas que sabem abraçar, muito mais do que um
espaço físico possa apresentar.
Enumerando todos os casos em que eu vi pessoas com essa relação de
pertencimento, é perceptível que o espaço físico nunca fez diferença. Esse é um
ambiente que somente vai se moldando e se caracterizando pela ação de
acolhimento.
Ele vai sendo criado pela disponibilidade, pela boa vontade e por um
conjunto de fatores que nem sempre dá para explicar. Esse espaço vai se
transformando e, de acordo com as necessidades, vai se adequando para que
possam caber nele um conjunto de vidas.
Esse é o espaço em que a sensação de aconchego tem um valor imensamente
maior que o conforto físico. Nele o vão mais importante é o do abraço. Tal
lugar só existe no coração, e é ali que todos querem estar.
Todos nós, eu acredito que sem muitas exceções, gostaríamos de terminar
a existência terrena dentro de um desses círculos de amor. Terminar a vida entre
as pessoas que se importam e com a segurança do convívio familiar.
Por isso, sem querer ser grosseiro com a minha amiga, eu digo que o
pedido de inclusão, feito pela mãe, nada mais era que um chamado de atenção. Ela
estava somente mostrando para a filha que tudo aquilo que estava descrito, ela
já tinha nas mãos.
É que o melhor lugar do mundo tem uma ligação direta com o amor, com o calor
humano e com a troca de energia das pessoas que se gostam.
Aélio Jalles (Lelo)

Muito lindo! 🙏🏻❤️
ResponderExcluir❤️
ResponderExcluirMuito me emociona ler um texto seu desenvolvido a partir de um comentário de minha mãe. Obrigada por descrever tão bem de forma simples, amorosa e cativante a pessoa que ela era e é (pois pra mim continua viva em mim). Uma mulher extraordinária por saber agregar sentimentos de puro amor, acolhimento, amizade, bondade e ternura para todos que fizeram parte de sua egrégora familiar e de amigos. Muito emocionada e feliz por seu lindo texto, meu amor!
ResponderExcluirLindo texto parabéns
ResponderExcluirQue possamos tirar de aprendizado para nossa vidas
Tudo que a nossa amiga plantou
So o amor supera
Assim Djania Borges
ResponderExcluirEmocionada com tudo que li. Não há dor que persista diante de um abraço cheio de amor, isso Ledinha sabia dar a todos. Parabéns! Lindo texto. (Sil)
ResponderExcluirFico sempre emocionada, quando se trata! de algo referente a pessoa amiga... e inesquecível Ledinha. Muitas saudades que chega a doer, quanta falta você faz!
ResponderExcluirPassou um filme na minha cabeça durante a leitura e tudo que eu mais queria nesse momento era apenas estar tomando aquele cafezinho com bolo no quintal da mamãe num sábado a tarde como de costume. Como ela faz falta! Só me resta agradecer a Deus por ter vindo a esse mundo como uma das filhas da famosa Ledinha! A melhor mãe do mundo!!!! (Ana Paula Grangeiro)
ResponderExcluirTemos esse grande privilégio de sermos uma parte dela❤️
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