Há
poucos dias eu ouvi o depoimento emocionado do Jornalista Milton Neves, falando
da saudade da sua esposa, falecida. Ele deixou claro o sentido, a força da
relação que existia entre eles e toda a dor dessa separação.
Segundo
ele mesmo, ela tinha sido a primeira namorada, noiva e esposa. A primeira e
única mulher da vida dele. E em uma relação como essa, a separação é como uma
“fratura exposta da alma”.
Uma
ilustração irretocável. Eu achei uma expressão tão forte e tão bem colocada
que, para mim, deu uma nova dimensão ao amor.
Por
conta dessa descrição eu resgatei na memória a história de dois irmãos. Eles
eram gêmeos. Os dois viviam uma situação de muito companheirismo e de muita
amizade, como eles fizeram questão de afirmar. Fora uma vida toda vivida em
dose dupla.
Na
época, eles já com seus 72 anos, falavam da beleza dessa condição. Ressaltaram
que foram sempre grandes amigos, os maiores confidentes e tudo mais. Para
completar, eles se tornaram sócios de um restaurante. Dito por um deles: “nós fizemos
da vida um caminhar juntos e permanecemos de mãos dadas até aqui”.
Aí
veio a questão retratada por um deles: “O maior problema que temos hoje é o
medo da morte. É que nós temos a possibilidade de morrer duas vezes. Apesar das
mulheres, dos filhos e de tudo o que a vida nos ofereceu de bom, nós não temos
como seguir um sem o outro. Será que dá para entender isso?”
“Não
teria como ser diferente, a vida me presenteou com alguém que esteve do meu
lado desde que eu nasci. Eu tenho alguém a quem posso chamar de irmão, de
amigo, alguém que sempre foi meu confidente e meu apoio incondicional”.
Eles
reafirmaram toda a importância dessa relação com uma frase: “nós nascemos juntos,
mas a vida nos tornou siameses”. Foi por isso que eles traduziram a separação,
essa dor final prevista, como se eles fossem ser rasgados ao meio e que essa
seria uma dor insuportável.
Em
toda a fala deles, só faltou uma expressão rica como a do Milton Neves: Fratura
Exposta da Alma, para ilustrar o tamanho de uma dor tão intensa e tão extensa.
Essa expressão dá ainda mais beleza ao recado que esses dois irmãos deixaram:
“Essa dor prevista para o final das nossas
vidas, só é grande porque nós tivemos a condição de viver essa cumplicidade,
essa amizade, esse amor, como poucos. Nós fomos privilegiados!”.
Aélio Jalles (Lelo)
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Hoje são poucos os que sentem fortemente a dor da separação. Muito embora seja eminente nunca estamos preparados para esse momento. Muito boa reflexão.
ResponderExcluirLindo e profundo Aelio, como com palavras que tocam a nossa alma.
ResponderExcluirEm qualquer relação afetiva em que exista o amor verdadeiro e esse laço é interrompido com a morte, causa um processo psicológico de perda, vazio, saudade intensa, desespero, impotência e solidão inconsoláveis, realmente caracterizado como uma "fratura na alma" e é preciso um período de recolhimento e introspecção, para assimilar o sentimento e aceitar a nova realidade. Quem já passou por esse momento inevitável, sabe como é difícil. Parabéns!! Texto lindo e emocionante, que nos faz refletir sobre as relações e os laços afetivos. Amei!! Sempre nos surpreendo com sua sensibilidade e delicadeza. 💙
ResponderExcluirNão importa a forma da relação, sempre que tiver essa pureza de sentimento. Imagino o tamanho da dor numa situação assim. Parabéns!
ResponderExcluirIsso foi muito profundo. Parabéns.
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