quinta-feira, 17 de agosto de 2023

A Liberdade da Libido


 

Eli conversava com as suas amigas sobre a descoberta da sua sexualidade e tudo o que vinha acontecendo na relação que ela estava vivendo com o Luide. Ela falava dos medos que enfrentou, das suas incertezas e das dúvidas que ela pessoalmente tinha. Tudo estava dentro do processo natural das descobertas que acontecem na adolescência.

Entender seu corpo, ter a coragem para se tocar, se olhar sem se deixar constranger pela censura “moral”, já era uma grande vitória. A cultura que oprime a sexualidade da mulher é muito arraigada em todos os processos da vida, e ultrapassar essa barreira é uma conquista pessoal muito significativa.

Quando Eli comentava com as amigas os passos que ela conseguia dar, as meninas se surpreendiam. É que o processo de descobrimento do corpo não acontece assim, em um estalo. O corpo não funciona com interruptores que ligam e desligam simplesmente. Ele precisa ser estimulado para conseguir oferecer as reações adequadas.

Aprender a se olhar, a se tocar, a se apreciar devidamente é o início de tudo. Descobrir de onde brota o prazer, entender onde estão os gatilhos que podem potencializar os desejos e estimular o corpo a viver essas sensações, é libertador. Mais ainda, entender as ações que se pode, e se deve, tomar para provocar as reações corretas do corpo, são detalhes que cobram tempo e paciência. 

O pai da Eli pregava que era exatamente por isso que as mulheres precisavam ser instigadas a esse tipo de descoberta. Isso acontece com os meninos. Todos os meninos são instigados a desenvolver a sexualidade. De uma forma bastante grosseira, a sociedade cobra dos homens que eles sejam os escrotões. 

A sociedade pressiona o homem, desde muito novo, a se afirmar como “machão”. O homem é culturalmente educado para se isentar dos sentimentos e se tornar capaz de pegar todas as mulheres que aparecem na sua frente. Isso vulgariza o ato sexual e faz com que a mulher seja vista somente como objeto.

Do outro lado, a opressão sobre a mulher, maculando quem se deixa levar pelos sentimentos, pelas vontades, pelos instintos sexuais. A sociedade, por toda a sua concepção machista, patriarcalista, força a mulher a se isentar dos seus próprios desejos, para se deixar abusar pelo desejo do macho.

A questão é que esse mesmo macho vem aos poucos entendendo a beleza de uma relação de mão dupla. Embora com toda uma concepção arraigada, ele vem se perguntando: E onde fica a beleza de toda essa sexualidade contida no corpo da mulher? Como entender essa energia que passa pelo corpo e faz vibrar os “sinos” do mundo?     

A mãe da Eli, por exemplo, dizia que foi descobrindo a sua sexualidade que ela entendeu como se prevenir dos abusos. Segundo ela, a mulher enfrenta obstáculos muito pesados para se descobrir, mas quando ela começa a vencer as barreiras, a  entender o seu corpo, ela sai da fase do medo e se torna mais altiva. Ela passa a fazer parte da relação em pé de igualdade, e evita a possibilidade de se tornar um objeto nas mãos dos homens.   

Eli era uma prova viva dessa orientação inclusiva. Ela era capaz de encarnar, com muita propriedade, a pessoa que descobriu a beleza da sua sexualidade e, exatamente por isso, podia fazer uso do seu corpo com muita confiança. Tanto que nem mesmo a primeira relação foi um problema.

 

Ela era capaz de exprimir com muita facilidade os detalhes do que aconteceu na sua primeira vez. Ela exprimia os sentimentos que brotaram e detalhava cada sensação, mostrando às suas amigas que, tendo o conhecimento, não existe por que continuar tendo medo. Desde que você saiba o que está fazendo, a iniciação sexual se torna uma coisa muito simples.

 

Eli sabia do peso que esse assunto tinha para a maioria das amigas. Mas, quando ela usava os depoimentos e as falas dos seus pais, sempre que ela citava a facilidade que tinha para conversar com o pai, por exemplo, as amigas literalmente babavam.

A maioria das meninas acabava recebendo uma orientação sexual ainda muito opressora. Muitas meninas nem conseguiam conversar sobre o assunto com os pais. Sexo era um assunto proibido dentro das rodas familiares. Para a maioria dos pais, mesmo em uma época dessas, esse assunto ainda é um tabu.

As amigas se espantavam com os depoimentos da Eli. Elas não acreditavam que ela tivesse tanta facilidade de conversar sobre isso. É que Eli tratava o assunto com leveza e propriedade, como uma pessoa que foi capaz de se entender como mulher. Não só se entender como dar valor a toda a beleza que existia na aura da sexualidade feminina.

 

Então, quando a Eli se fazia valer dos ensinamentos do pai, e apresentava os exemplos e as indicações dele, o espanto era geral. O pai dela virava pelo avesso os conceitos deturpados que vulgarizavam a libido da mulher, e se posicionava como um admirador de todas as mulheres que conseguiam vencer tal barreira.

Segundo ele, essas são as mulheres que vão participar de uma relação de forma integral, sabendo o que querem e como querem. Esse equilíbrio é o que vai permitir que o fluido de energia circule livremente pelos corpos e possa proporcionar a mesma sensação de prazer para os dois.

O pai da Eli pregava que, por ter a sexualidade aflorada, até o processo de escolha de um bom parceiro seria facilitado. Quem sabe o que esperar de uma relação sexual, jamais vai se contentar com qualquer coisa. O conhecimento naturalmente oferece parâmetros mais elevados, e isso aumenta a exigência. 

 

Ele, o pai da Eli, defendia abertamente que só se pode alcançar esse patamar de equilíbrio de forças em uma relação, principalmente na relação física, quando os dois conhecem os caminhos que levam ao destino almejado. Só assim eles serão capazes de conduzir, um ao outro, pelos caminhos que levam ao ápice do prazer.

Talvez, e até por isso mesmo, Eli tinha nas mãos um parceiro tão adequado. O Luide fazia o tipo compreensivo, atencioso e muito confiante. Um homem com as características de força e atitude que seduzem uma mulher, sem deixar de lado a sensibilidade. Tudo o que uma mulher precisa para deixar a coisa acontecer com segurança.

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/e-ai-k-de-meu-ovo.html

 

Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/o-desabrochar-da-sexualidade.html

 

Capitulo 03: A primeira vez

Link https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/a-primeira-vez.html

 

Capitulo 04: Sexo a Conexão das Almas

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/sexo-conexao-das-almas.html

 

Capitulo 05: O Abraço da Confiança

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/07/o-abraco-da-confinca.html

 

Capitulo 06: As novas cores do Arco-Íris

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/08/as-novas-cores-do-arco-iris.html

 

 

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3 comentários:

  1. As mulheres atualmente estão resgatando a sua essência, se empoderando, despertando e experimentando, cada vez mais, uma sexualidade mais plena.
    E olha que texto!! Escrito por um homem e que abre um leque para grandes debates.rsrsrsrs
    Gostei muito da leitura!

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  2. Existem muitos homens machistas e insensíveis ainda.

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  3. Sexo, ainda hj tem mulheres que acha uma coisa feia, imoral e etc. Não conhece o corpo e nem se toca. Belo texto, parabéns.

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