quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

A cor da consciência


 

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da

sua pele, por sua origem ou ainda pela sua religião.

Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem

aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.

 

Nelson Mandela

 


Existe uma diversidade de movimentos no mundo em defesa das minorias, contra as segregações e todas as formas de discriminação. Chega a ser absurdo, nós ainda estarmos presenciando a necessidade de se ter que lutar por uma equidade humana. Isso é a maior demonstração do atraso que vivemos. 

O mundo é uma aldeia e nós dependemos uns dos outros. Não tem cabimento tentar distinguir-nos dessa forma, rotular-nos, impondo superioridade por essa ou aquela condição. Uma condição que de fato não confere nada a ninguém, a não ser o registro das facilidades que alguém recebeu de presente da vida.

Mais grave ainda é o uso das religiões para isso. Em sua grande maioria, as religiões vivenciadas no Brasil são derivadas do cristianismo. O Cristo, um judeu na sua essência, nascido na Palestina, um território Árabe, e que é a figura de maior representação do amor, segundo os mesmos religiosos.

O mesmo Cristo que pregou a igualdade, a irmandade, a solidariedade, o amor ao próximo, é usado para tentar justificar os atos de preconceito, de segregação. Será que ninguém mais para e pensa, ou será que eu estou “viajando”? Eu acho que quando alguém instiga esse tipo de raciocínio está negando todas as boas diretrizes dos ensinamentos de qualquer que seja a religião.

Eu reconheço as desigualdades do mundo. Reconheço a segregação, o racismo e as mazelas do comportamento humano. Reconheço a falta de oportunidades à que é sujeita uma boa parte da população, mas acho que isso só vai acabar quando a maior pregação deixar de ser a luta e passar a ser o respeito.

É necessário conversar, debater o assunto e montar os novos conceitos sociais. Essas adaptações da sociedade cobram que os conceitos sejam revistos de tempos em tempos. Essa é uma necessidade natural, eu só não posso acreditar que se possa consertar nada acentuando as diferenças ou querendo empurrar de goela abaixo a opinião individualizada de um ou outro.

Perdoem-me os ativistas, mas ferir o outro não compensa nada, não resgata nada. A dor aferida a alguém não vai curar as feridas do outro. Esse tipo de atitude só aumenta a segregação, amplia a polarização das ideias e gera efeitos colaterais graves.  

Eu sei que ativismo não necessariamente quer dizer violência. Existem muitíssimos tipos de ativismo, muitíssimas formas de reivindicar e lutar pelos direitos das minorias, eu só não consigo aceitar a justificativa da violência. Não se faz inclusão pela força.

Na minha humilde opinião, mesmo sendo branco, hétero e não favelado, eu vivencio uma série de situações onde esses posicionamentos provocam polarização e a necessidade de se tomar partido, como se essas coisas tivessem lado. Não consigo entender que uma pregação que faz distinção possa gerar uma educação de equidade.

Eu penso que é o respeito que vai acabar com as minorias apontadas. Eu sei que é um pensamento simplório demais, que para se chegar efetivamente a isso, nós precisamos de um processo educacional, da implantação de uma nova visão. Foi por isso mesmo que eu abri o texto com a citação do Nelson Mandela.

Como ele disse: “Ninguém nasce odiando”. E se ao invés de acentuar diferenças, nós educássemos pela equidade, sem a necessidade de se impor valores sobre as diferenças? Será que nós não extinguiríamos um monte dessas mazelas humanas? Será que o respeito não tornaria tudo muito mais igual em uma ou duas gerações?

Eu penso que enquanto estivermos realçando as diferenças, elas vão continuar existindo. O respeito concede, cede espaço e abraça a quem tem necessidade. Por isso eu acho que consciência não deve ter cor, credo, raça, nem nenhuma outra distinção, ela deve ser consciência, a consciência do respeito, da equidade e do amor.

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

#acordaconciencia #gentileza - #gratidão, #ovalordagentileza - #anjos - #anjosdaminhavida - #infelizesparasempre - #semjamaisdeixardeseamar - #deixardeamar - #cronicasdavida - #reflexõesdeumaunicaexistencia - #reflexõesdaexistencia - #logicadavida - #inspiração - #scriptdavida - #mundomelhor - #atitudedevalor - #liberdade - #responsabilidade - #escritosdocoracao - #coracaodeescritor - #publicacoesemocionantes - #coracaoemevidencia - #amorperfeito - #simplesassim - #amodemais - #declaracoes - #escrevendoavida - #jallesecia - #bastanteamor - #anjosdaminhavida#semdeixardeseamar, #deixardeseamar, #amar

 


 

4 comentários:

  1. Texto bastante delicado e sensível, que aborda a questão de éticas, rótulos e crenças da nossa sociedade. Um processo histórico em que condições de desvantagens e privilégios a determinados grupos, são reproduzidos em todos os espaços... políticos, econômicos, culturais e até mesmo nas relações cotidianas. Concordo com as questões abordadas e acredito em um futuro de igualdade, respeito e amor para todos.
    Texto maravilhoso que nos faz repensar que direto ou indiretamente contribuimos para essas diferenças...

    ResponderExcluir
  2. Penso igual sem tirar nem pôr. Belo texto.

    ResponderExcluir
  3. Lelo! Parabéns vc como sempre, as suas crônicas são histórias reais na sua ótica... focada em ensinar...

    ResponderExcluir

A mentira de mil vezes

O efeito da chamada “Mentira Ilusória” já é de senso comum e os efeitos dela sobre a ação cognitiva do ser humano, também. Não, eu não sou p...