Instigado a
repensar a minha própria solidão, acabei tomando a minha atenção para os casais
que consigo perceber enamorados, principalmente os que já têm muito tempo de
convivência. Não posso negar que me atraio muito, que dispenso a minha
admiração quando consigo perceber, nas relações, esse traço do bem querer.
Não me refiro aquelas juras do amor teatralizado, cheio de requififes e coisas do gênero. As empresas das loucuras de amor que me perdoem. Eu acho que essas coisas espalhafatosas, chamativas demais, servem muito para justificar atos mal feitos ou até mesmo própria falta do amor.
Eu me refiro é sobre aquela relação que, na maioria das vezes, passa despercebida. O amor presente entre eles é tão singelo e discreto que alguns poucos observadores captam a harmonia com a qual o casal se comunica, a atenção primorosa que é dispensada de um para o outro e até mesmo o tamanho da segurança que eles sentem, entre eles.
Eles simplesmente se sentem, eles simplesmente se bastam, eles simplesmente se amam. É como se eles não se importassem com mais ninguém no mundo. O resto do mundo, os amigos, a música, as festas, nada mais são do que as ornamentações desse amor. São pontos que ajudam a vivenciar essa coisa tão gostosa, e que acontece porque entre eles existe essa troca de bons fluidos, essa troca do bem querer.
É tão gostoso perceber que essa chama de amor ainda existe. Assim, eu vou identificando, em um ou outro casal, essa harmonia, esse equilíbrio, esse bem querer que se segura no tempo. Através disso, que faz com que a relação permaneça acessa, eu vou tentando me guiar, buscando entender para tentar seguir a fórmula.
Lógico que não estou aqui dizendo que relacionamento algum vive só de flores. Acredito que, em todos os relacionamentos devem existir os momentos de crise, de embate, da troca das diferenças. Mas também acredito que, em alguns casos, essas trocas sejam especificamente ajustes. As acomodações de duas vidas que foram forjadas em mundos diferentes.
A minha melhor ilustração é a de um barco. Os dois juntos, remando em lados opostos, mas mantendo a direção, seguindo um objetivo único. Remando, cadenciando a jornada, tirando a água quando for necessário, mas nunca perdendo a perspectiva da atenção do caminho, muito menos de um para com o outro.
Na jornada tem o cansaço, as intempéries e os todos os obstáculos de uma jornada de vida. Só que, para que a jornada seja plena, siga em frente, o carinho supre o cansaço. A atenção vai suprindo as intempéries, e o sentimento vence toda e qualquer sorte de obstáculos que a vida possa apresentar.
Esse é o sentimento que eu quero para mim. Uma relação limpa, transparente, de paz, de boa vontade, de carinho, de bem querer. Uma relação que possa se recompor de cada infortúnio, que saiba reconstruir cada pedacinho quebrado. Quero construir uma relação em que a troca de olhares seja o suficiente para reascender a chama do valor que um tem para o outro.
Você deve até estar achando romântico demais para ser verdade. Porém, peço que acredite: essa verdade ainda vive entre nós, e é só observar para ver que existem muitos casos vivos de amor e relacionamento. Eu realmente acredito que, de todas as escolhas que nós temos a chance de fazer, o amor é a melhor delas.
São esses casais os meus melhores exemplos, são eles a minha melhor inspiração, são esses os exemplos do bem, que o bem querer pode fazer!
Aélio Jalles (Lelo)
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