Durante uma conversa, usando um
contexto no qual eu não tive a força necessária para impor uma determinada
situação, uma pessoa ponderou comigo: “respeito você só tem pelo mal que você
pode causar”. Ele expôs a sua definição de respeito, me jogando na cara o
tamanho da minha fraqueza.
Na hora, mesmo não concordando com a
definição dele, eu não consegui contextualizar o meu raciocínio, nem verbalizar
a minha opinião sobre o assunto. Fiquei gaguejando e sem palavras. Mas aquilo
ficou latejando na minha cabeça e, lógico, me incomodando muito.
Eu sabia que já tinha me deparado com
aquelas palavras em algum lugar. A opinião era derivada de uma passagem do
livro de Maquiavel, O Príncipe. O raciocínio foi retirado de um dos
ensinamentos do Maquiavel para a formação de um príncipe regente, um
ensinamento da idade média. Uma verdade que eu pessoalmente contesto, e que não
posso acreditar que isso seja visto como um pensamento aceitável.
Na minha concepção, o mal que você
pode causar só provoca medo. Este jamais pode ser confundido com respeito. Medo
é um sentimento ruim, pesado. Por isso, eu coloco esses como sentimentos bem
distintos, medo e respeito não se misturam. Sentimentos que não permitem intersecções.
O medo é um sentimento imposto.
Quando você sente medo de alguém ou de alguma coisa, a primeira atitude, a
atitude mais lógica, é a de afastamento. Você busca proteção do que provoca
esse medo, seja com a criação de barreiras, ou mesmo, se você tiver
oportunidade, você tende a aniquilar o que lhe causa esse sentimento.
Em uma ilustração, na tentativa de
fazer a diferença entre o medo e o respeito, digo assim: imagine alguém dentro
de uma poça de lama, totalmente atolado, com lama até o pescoço. A pessoa está
rendida sem ação, sem condições sequer de se salvar. Mesmo com a tendência
natural do ser humano de socorrer, se esse é um alguém que provoca medo, eu
duvido que a sua atitude seja positiva.
Na verdade, essas situações liberam o
instinto de preservação, e aí você acaba se deixando levar pelo desejo de se
ver livre do medo. Não cabe aqui tecer críticas aos desejos mais sórdidos, nem
as atitudes mais drásticas. Não é conveniente, aqui, causar terror, isso é
somente uma forma de deixar claro, de dar nitidez a diferença entre esses sentimentos.
O sentimento de respeito é exatamente
o oposto. Respeito se confunde com admiração, com afeto, com deferência, com
consideração, misericórdia, e em todos esses casos o sentimento é de
aproximação. Respeito causa atração, e um tanto de outras coisas, mas nesse
caso todas positivas.
Quando em uma situação como a
apresentada, mesmo sendo uma pessoa que causa medo, você ainda tem uma vontade
de ajudar, isso nada mais é que respeito à vida. Por que respeito está
intimamente ligado a uma ética pessoal, emoldurada por um conjunto formado pela
educação que você recebeu e todo o processo social a que você foi sujeito.
Isso não dá o direito de se engessar.
Não adianta dizer que eu sou assim por isso ou por aquilo. Todos nós podemos
aprimorar o nosso código de ética e redefinir os nossos paramentos sociais.
Respeito é para ser oferecido a quem merece e a quem precisa. E de forma
gratuita!
Aélio Jalles (Lelo)








