terça-feira, 13 de junho de 2023

"A" Filha



Para um sujeito que nem se enxergava como pai, que achava que não tinha a menor vocação para isso, beirar os 60 anos comemorando os 15 anos da filha caçula, e junto aos outros quatro filhos, me parece ser um feito fantástico.

Na minha adolescência, eu nem me via como pai. Eu acreditava que seria pai exclusivamente como uma forma de cumprir as determinações da sociedade. Uma cobrança muito forte na época. Então, no meu planejamento de vida eu acabei adotando a ideia de ser pai de uma menina.

Por volta dos meus 14 anos de vida, e por conta da gravidez da filha de uma amiga da minha mãe, essa possível filha minha, ganhou um nome. Minha mãe recitava, de um livro, todos os significados dos nomes para essa amiga.

Quando ouvi o nome e o significado: Verdadeira Rainha. Achei que isso era tudo o que uma mulher gostaria de ser, e adotei para a minha pretensa filha. Era um significado muito forte. 

O lado lúdico da história é que, durante a minha vida, em dois casamentos, eu tive cinco filhos. Sim, são 05 filhos, e sim, são meus filhos! Antes que qualquer amigo possa dizer uma brincadeira indelicada, eu me adianto e digo: pai é quem cria!

E nesse caso eu vou me dar ao direito de falar de cadeira. Eu vivi intensamente a paternidade. Vivi da forma que eu pude, e que consegui, é claro. Eu Troquei fraldas, acordei muitas vezes durante a noite, e até carrego no corpo algumas boas marcas dessa trajetória.

Eu reconheço que, como pai, existe uma distância entre o que a gente gostaria de ter sido e a realidade de tudo o que eu consegui ser efetivamente. Graças a Deus, toda criação tem a sua dose de aleatoriedade. Também, e por sorte, nessa história tem a mãe.

Mas eu me vi como pai! Eu gostei de ser pai! Eu acabei tomando gosto em acompanhar a trajetória dos meus filhos, e viver com eles o meu mundo de fantasias. De um lado, a importância que isso me dava, do outro, a oportunidade das criancices. Um sentimento meio “duo” que mistura responsabilidade com irreverência.

Acabou que a filha só veio como “fim de rama”, a caçulinha. Confesso que, já depois dos 04 filhos, e o final do primeiro casamento, eu não queria mais pensar em ser pai novamente. Eu não posso negar que acabei relutando muito para assumir o compromisso de mais uma vida sob a minha responsabilidade.

Uma vida envolve muito mais do a questão financeira. Uma vida envolve o tempo que se pode doar, envolve atenção. Relacionamento é sempre a maior questão, e eu tinha muito medo de como seria a relação dessa criança com os outros irmãos.

Digamos que por sorte, veio uma menina. Nem sei precisar até onde isso influiu realmente, ou que peso isso teve. Mas o fato é que veio uma menina de sorriso fácil, extremamente comunicativa e que exalava carinho. 

Meus filhos abraçaram a irmã de uma forma que eu nem poderia imaginar. Eu amo ver como cada um deles trata a irmã e se doa a essa relação. De uma forma qualquer, eu acabo me sentindo abençoado por isso.

Eu, às vezes, chego a pensar que meus filhos se sentem responsáveis por ela. Eu sei que isso é só uma forma de me compensar, de acreditar que dentro de todas as circunstâncias da minha vida, ou mesmo por conta das minhas carências, meus filhos absolveram parte dessa minha responsabilidade.  

Essa é uma idealização de cumplicidade, mas que gera um sentimento de grandeza no meu coração. Acho que essa grandeza nada mais é do que o orgulho que um pai sente pela atitude dos filhos.

 

Aélio Jalles (Lelo) 



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quinta-feira, 8 de junho de 2023

Enamorados!


Eu me considero um sujeito romântico!

Talvez um pouco sonhador demais, até, mas um entusiasta da vida, que gosta da boa convivência e de um bom relacionamento. O tipo de gente que gosta do contato físico, que sente o sabor da relação na divisão do espaço, no ato de fazer as coisas a quatro mãos.

Sabe a relação de entrega, participativa e cheia de gosto? Sabe aquela relação que nos faz “perder a noção das horas” e que “na luta de corpos suados” faz de uma noite eterna? Isso vem de uma relação de amor tão divina que, poeticamente, ganha o crivo da descrição de Chico e de Gonzaguinhal. 

Pois essa é a descrição do amor que eu sempre sonhei. Eu sempre quis o amor que fosse capaz de me “REPRESENTAR”. Ponho aqui entre aspas e em destaque pelo significado figurativo e inusitado, porque aqui “representar” significa não só o ato de estar, mas o prazer de se fazer presente.

Como um bom romântico, eu sonhei com o amor que ressalta os detalhes da vida. Aquele que faz com que os olhares se busquem, no tempo e no espaço de uma festa, só para lembrar o que realmente importa. Um olhar sem peso, que pode ser traduzido na expressão pura do: Eu vejo você!

Eu vejo você! A expressão usada pelos protagonistas do filme Avatar. A expressão que retratava o reconhecimento da consideração que um tinha pelo outro, e ressaltava toda a confiança contida na relação.  

Eu sei que quando a relação está nesse estágio, o mundo vira cenário. É quando o local e a situação de muito pouco importa. Do nada, um par de bancos juntos da carrocinha do coco, ali, na areia da praia, se transforma no melhor lugar do mundo.

O lugar que pode ser qualquer lugar. Independe do cenário, da beleza ou de qualquer outra coisa. Na verdade, o que te faz estampar no rosto a felicidade, e te faz exalar toda a energia mágica da vida, é a companhia.

E é esse amor, descrito tão preciosamente pelos poetas, que eu gostaria de dividir com o mundo. O amor de quem se sente “de volta para o aconchego”, de quem vive as “aventuras das noites eternas”, e que na “bagunça do coração” se vê relembrando “o cenário de amor”. 

Sei que tudo isso pode até ser o efeito da paixão. Uma paixão improvável e inesperada, mas que, de alguma forma é capaz de reascender a essência do amor. Um amor cauteloso, mas capaz de embargar dois corações já bem calejados, por sinal.

De mim, desejo tão somente que ele saiba seguir em frente, e que siga pelo resto dos meus dias. Isso, por si, já me faria grato e feliz da vida!



Aélio Jalles (Lelo) 


 

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Efeito Borboleta!



Cada um de nós carrega as cicatrizes da vida. Essas são marcas do que cada um já teve oportunidade de viver, o registro das decisões e das atitudes que tomou. São essas cicatrizes que contam a nossa história de vida.

A experiência, essas marcas que registram no corpo e na mente o percurso da vida, nos serve de métrica para o julgamento das novas atitudes e de tudo o que ainda vamos enfrentar. Diz-se que nós trocamos os nossos anos de vida pela a experiência.

Segundo a Rita Lee, as cicatrizes são as tatuagens da vida, elas servem para nos lembrar que nós fomos mais fortes do que aquilo que nos feriu. Por isso mesmo, eu digo que elas nos valem de lições, e são lições caras demais para não serem bem aproveitadas.

Neste momento em que nós estamos vivendo o efeito pós-pandemia, uma dessas lições pesadas, caras, muita gente ainda não conseguiu se encontrar. Muita gente ainda está tentando absolver o conteúdo e definir o uso desse ensinamento.

Muita gente ainda continua a travessia do seu deserto pessoal, na busca do que podemos chamar de nova dimensão de vida. É como se ainda estivesse preso ao casulo. Como se, embora já tenha a visão do novo mundo, não conseguiu romper com a casca que lhe serviu de proteção.

O “Efeito Borboleta” é um termo que nasceu da teoria do caos. Ele foi usado como forma de explicar a impossibilidade de previsão. Ele prega que uma atitude, mesmo que de pequenas dimensões imediatas, pode desencadear um processo e provocar grandes consequências. Consequências que podem ser positivas e/ou negativas.  

Já é hora de nos tornarmos maiores e melhores. Quem sobreviveu a esse turbilhão deve encontrar os novos horizontes, deve encontrar a motivação para passar pelo desafio que esse casulo impõe e ser capaz de abrir as suas asas.

Faz-se necessário rever os conceitos e pôr, na cara, as lentes que possam clarificar objetivos de vida mais concretos e virtuosos. É preciso voar por esse novo mundo de oportunidade que a vida voltou a oferecer.

 

Aélio Jalles (Lelo) 

 

 

 


 

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Sexo a conexão das almas!


Na noite daquele domingo o Luide ficou no quarto da Eli até tarde. Nos dias seguintes a inquietude da Eli, seu nervosismo fora do normal, deixava perceptível que tinha acontecido um algo a mais, e que a moça estava precisando conversar sobre o assunto com alguém.

Lógico que é necessário sensibilidade para perceber e entender os motivos daquela alteração de humor. Mais ainda, somente pais participativos, atentos, pais que estão ligados aos momentos de vida dos filhos, têm na mão as condições necessárias para que eles possam contribuir da forma correta.

O momento era muito delicado para os dois adolescentes. Eles deram um passo e além de não saber mensurar efetivamente as consequências, eles não sabiam exatamente como seria a reação dos pais, principalmente os pais da Eli. Falo os pais da Eli, por serem eles os mais próximos da relação.

Os pais da Eli sempre chegaram junto do casal e acompanharam de perto esse processo. Eles ofereceram as informações que consideravam adequadas, mas nunca se posicionaram a favor da iniciação sexual da filha. Como todos os pais, eles sempre mostravam que ainda não estava em tempo.

Tanto a Eli quanto o Luide estavam doidos para dividir o peso do acontecido. Eles precisavam de orientação e sabiam que os pais da Eli seriam os mais adequados, mas não sabiam como fazer, como chegar a eles. Eles tinham o receio natural de qualquer adolescente.   

Os pais dela estavam conscientes do que tinha acontecido, e eles estavam prontos para dar o apoio necessário. Foi a mãe da Eli quem deu o passo, quem tomou a iniciativa. Esperou o momento que ela mesma achou mais conveniente e se chegou à filha.

A mãe da Eli se posicionava sempre muito calma e muito firme, o que fazia a diferença na cabeça da moça. Ela começou com um sorriso, como quem oferece as boas-vindas para essa virada de chave da filha, fazendo referência à beleza dessa nova etapa de vida.

Ela mostrou que estaria ao lado da filha sempre, e que, para todas as questões, a mãe deveria ser a primeira pessoa para quem Eli teria que recorrer. Eli foi se deixando levar pela conversa da mãe.

Aos poucos, ela foi relaxando e procurando pensar sobre tudo o que a mãe estava dizendo. O alívio de poder dividir o peso do que tinha acontecido vinha se misturando com as novas informações, além da dimensão que o fato em si teria para a sua vida, de agora em diante.

A conversa ganhou os ares de leveza devidos e elas passaram a trocar confidências. Diante dos olhos da mãe da Eli, aquele era o momento mais adequado do mundo para que ela oferecesse à filha o conceito de sexo que ela tinha. O sexo como uma coisa boa, bonita, como sendo uma forma de conectar as almas.

Por toda a experiência que a mãe tinha, e por ela conhecer de perto a beleza da relação que os pais dela viviam, Eli foi se envolvendo pela conversa. Sim, ela queria aquela mesma conexão com o Luide. Ela queria, para a vida sentimental dela, aquela mesma energia mágica que envolvia a relação dos pais.

Eli se encantava com a descrição que a mãe era capaz de fazer da sua relação com o marido. Mesmo sem entrar nos detalhes, digamos assim, mais íntimos da relação, a mãe conseguia explicitar a troca de energia, o carinho e principalmente o pé de igualdade que aquele ato tinha entre eles.

Poder receber e oferecer carinho, com a isenção de qualquer receio, era o ponto. Aquele era para ser sempre um momento de esplendor, e ela, não só por ser mulher, mas como pessoa, não deveria nunca aceitar um ato sexual que fosse menos que isso. 

A confiança, como pregava a experiência daquela mulher, é o pré-requisito para que se possa permitir a imersão total do corpo na relação. É necessária uma relação plena de atenção e respeito para que você possa se deixar levar por toda a sorte de bons sentimentos, e para fazer do sexo essa conexão mágica.  

Eli foi traduzindo, em reposta à conversa da mãe, todas as possibilidades que o prazer do contato físico poderia oferecer. A confiança que ela tinha na figura materna era determinante. Aquilo tudo era forte demais e, sem dúvida, se transformaria em um parâmetro que Eli levaria para o seu contexto de vida.

Sem mudar o tom, como se fosse para fechar a conversa, a mãe da Eli também fez um comentário bem firme sobre o tamanho da responsabilidade daquele passo. Nada demais, tendo como referência o processo de educação que os pais dela sempre pregaram.

A mãe fez questão de fechar a conversa repetindo um ensinamento já muito usual entre eles. Ela disse: quanto mais independente você for, mais liberdade tem nas mãos, e mais responsabilidade também. Nunca esqueça isso!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/e-ai-k-de-meu-ovo.html


Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/o-desabrochar-da-sexualidade.html


Capitulo 03: A primeira vez

Link https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/a-primeira-vez.html

 


 


 

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Mãe!



Não tem como traduzir em palavras a importância que a mãe tem na vida da gente. É que o papel de mãe, definitivamente, é uma obra de arte!

Não existe uma definição que seja real, ou que possa resumir todo o significado desse papel. Dos passos que ela nos fez dar, de quantas vezes seus conselhos fizeram a diferença, e de tudo que ela foi buscar, daqueles detalhes chatos, para se importar com a vida da gente.

Quantas decisões ela tomou muito antes da gente poder opinar. Ela sempre achava que sabia o que era melhor pra a gente, e, embora não fosse exatamente uma verdade, essa era só mais uma coisa que ela fazia exclusivamente por amor.

Um amor que faz a diferença, que faz falta quando ela fica longe, que faz raiva quando passa dos limites, mas que, principalmente, faz tudo na tentativa de agradar.

Quem dera, mãe, eu fosse capaz de retribuir a tua paciência e os teus cuidados. Quem dera mãe eu tivesse contigo a mesma entrega e dedicação que foste capaz de me oferecer. Reconheço que Deus não me fez benevolente assim.

Eu bem me esforço para te oferecer o ombro, como tantas vezes me ofereceste. E me ofereceste mesmo quando não concordavas com os motivos do meu choro. Eu bem que me esforço para ter a resignação de te ouvir, e dar a atenção devida pelo menos aos teus devaneios.

Eu sei que permaneço pequeno à tua vista. É que mesmo quanto tu precisas da força do meu braço, mesmo quando sou eu quem apoia a tua necessidade, mesmo assim, a ti parece que quem precisa do cuidado ainda sou eu.

E essa é uma verdade tão forte que aqui dentro eu ainda nem consigo admitir, mas sou eu quem continua precisando de fato. É que, para esse papel de mãe, parece que todos os adjetivos qualificativos foram ofertados em dobro, enquanto para o papel de filho nem tanto. 

Obrigado mãe!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 


 

sexta-feira, 5 de maio de 2023

A Primeira Vez!




Nem era uma data especial, nem um dia diferente dos outros. Era simplesmente um domingo chuvoso. A chuva atrapalhou os planos do passeio em família, um passeio que tinha sido devidamente programado, e aí, por conta disso, o dia terminou se transformando em algo cheio de improvisos.

Sem passeio, a coisa foi parar mesmo em um almoço arranjado, feito em casa. Sabe, aquela coisa de aproveitar tudo o que se tem na mão. Mas foi exatamente essa bagunça, o ato de sair improvisando tudo, de fazer os arranjos necessários para conseguir fazer o almoço, que foi preenchendo o dia de graça.

O Luide já se sentia de casa, ele se sentia parte da família, e se misturava com os tios e primos da Eli com a maior facilidade. O namoro já se estendia por meses, e os pais da Eli já o tratavam como filho, como alguém que eles queriam por perto. Eles tinham abençoado o namoro da filha e, por isso, o acolhiam com tanto carinho.

Foi um dia todo de muita festa, de muita brincadeira, de muita música e alegria. Estavam todos aproveitando aquela energia emotiva do convívio familiar. Tudo como era devido, até que o cansaço começou a tomar conta. Dessa forma, todo mundo começou a tomar seu rumo.

A Eli e o Luide acabaram juntos, no quarto dela. Os dois jogados em cima da cama, rindo e comentando tudo o que tinha acontecido durante o dia. Aos poucos, eles foram deixando que o cansaço fosse dando lugar ao desejo e ao envolvimento natural que a intimidade de vida provoca.

Eles eram adolescentes, não é difícil entender que a intimidade que eles já tinham conquistado, e a privacidade daquele momento, deixavam a situação fantasticamente adequada. Era só deixar correr que o instinto, a química natural de um casal apaixonado, iria conduzir tranquilamente os fatos.

Eles tinham sido muito bem orientados. De uma forma discreta, mas muito participativa, os pais da Eli conseguiram mostrar para eles todas as prerrogativas necessárias para que aquele momento fosse especial. Eles foram recebendo as lições e absolvendo os pontos que fariam a diferença.

Com o passar do tempo, a intimidade que tinha se formando entre eles, fruto da confiança construída de um com o outro, deixou a situação muito tranquila. Eles já tinham tido a oportunidade de conversar e entender o que significaria aquele momento, para que tudo aquilo acontecesse exatamente assim, sem peso.

 

Cada toque, cada passo dado, cada gesto ia conduzindo o casal para aquele momento mais íntimo. Tudo foi acontecendo de uma forma tão natural que nem parecia que seria a primeira vez. Eles tinham consciência do que estavam fazendo, do que queriam e de que nada seria feito de uma forma indevida.

Aos poucos os corpos foram se despindo e revelando a beleza dessas duas almas. Era de impressionar a sintonia. De fato, naquele momento nada parecia ser de improviso, era como se tudo estivesse escrito, um script que se desenhava na energia mágica do amor e do desejo.

O apalpar carinhoso do seio, oferecia a contrapartida da mão firme que apoiava a cabeça para dar sustentabilidade ao beijo. De cada toque, dos beijos distribuídos pelo corpo, vinha a confirmação de que aquele era o momento onde tudo tinha o sentido único do prazer.

Desde o afago carinhoso das mãos percorrendo as curvas do corpo, aos beijos dados com a fome de quem não consegue saciar o desejo, tudo traduzia a ânsia do entregar e receber a energia prazerosa do amor. Eles se envolveram em uma aura de energia e a conexão obtida com a junção dos corpos foi radiante.

As unhas que carinhosamente riscavam as costas, só demonstravam o tamanho do prazer que o corpo estava exalando. Nem mesmo a incômoda dor da iniciação foi capaz de deter a explosão do delírio que o ato foi capaz de oferecer.

Foi uma relação plena, recheada com o carinho do mundo todo. Teve atenção, respeito e isso fez com que tudo fosse acontecendo da forma mais prazerosa possível. Eles conseguiram fazer com que o tempo de cada um fosse observado e respeitado.

Por isso mesmo, quando no final de tudo eles se olharam, o sorriso brotou no rosto como se um fosse espelho da felicidade do outro. A sensação de êxtase pairou no ar, paralisando o mundo e o cheiro do amor inundou o ambiente.




Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/e-ai-k-de-meu-ovo.html


Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

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terça-feira, 25 de abril de 2023

O Vazio do SEXO Vazio!


Romanticamente, nos é dito que em cada encontro, em cada uma das nossas relações pessoais, nós deixamos alguma coisa e levamos alguma coisa do outro, como uma herança para a vida. Uma troca do aprender e ensinar, do doar e receber, que é promovido pelo convívio.  

Existe uma troca, uma experiência nova de vida em cada relação vivenciada. Quanto mais profunda a relação se torna, maior se torna essa troca. Positiva ou negativamente, você recebe mais, e doa mais, com o tempo, com a proximidade e com a intimidade.

Uma das definições que eu escutei sobre as relações afetivas, dizia que “a relação entre os seres humanos provoca uma troca de energia”. É uma energia que reverbera durante dias, nos pondo para cima ou para baixo, dependendo da pessoa com a qual nos relacionamos.

É, sem duvidas, uma visão voltada para o lado mais exotérico da vida, mas não deixa de ser uma forma muito interessante de olhar para essa realidade. Segundo essa mesma teoria, a energia que cada um de nós reverbera, traduz muito do sentimento que é alimentado, em função do momento e da representatividade de cada uma dessas relações.

Quanto mais próximas duas pessoas se posicionam, mais profunda é a troca. A intimidade condiciona a um contato maior, e a pele desnuda quase não oferece resistência, por isso essa energia flui com muito mais facilidade. E essa é uma troca que provoca tanto satisfações como danos.

Nos casos em que a relação não tem interação nenhuma, logo depois do prazer se segue um abismo existencial, o vazio da falta de laços. Um tempo interpretado, quase em sua totalidade por um incomodo, por um vácuo de sentimentos. Naquele momento o melhor que poderia acontecer é a pessoa que está ao lado sumir.

Mais essa sensação de querer que outra pessoa desapareça, me foi dito, é uma sensação muito mais masculina. Para as mulheres, esse vazio tem outra vertente.  Para as mulheres, também vou usar o que me foi dito, esse vazio provoca uma sensação de fragilidade.

A sensação de distanciamento e de indiferença da outra pessoa, causada por esse prazer torpe, acaba causando um destroço na autoestima, e em boa parte esse descaso provoca também um asco. 

De uma forma geral, fica claro que essa é uma situação, o vazio do sexo vazio, que não é confortável para ninguém. As relações deveriam ganhar intimidade partindo de uma dose qualquer de sentimento. Que seja uma boa dose de amizade, por exemplo.

Nós temos um monte de gente que se sente solitária e que, ao invés de se abrir, de buscar relações honestas, sinceras, mesmo que somente de boas amizades, se deixam levar pela solidão. Essas pessoas acabam tão carentes, que, de uma forma qualquer, se sujeitam a essas trocas, digamos assim, a baixo preço.

O fato é que, por egoísmo, ou podemos chamar de excesso de acomodação, nós estamos construindo uma sociedade de relacionamentos “superficializados”. Relacionamentos com um mínimo de compromissos, onde o foco básico é suprir as carências de sexo e solidão, e, nesse último caso, somente até que a presença do outro incomode.

É certo que, na medida que convivemos com outra pessoa, vamos unindo nossos pedaços de vida. Vamos cedendo partes da vida, como em pedaços de corda em que vamos dando laços. Cada um cede o pedaço que dispõe, e recebe do outro da mesma forma.

Em cada nó, o pedaço doado por um não é exatamente igual ao que foi doado pelo outro, e por isso esses laços não vão ficando uniformes. Quem tem mais, quem pode mais, acaba oferecendo mais de si à relação.

Isso não representa nada de ruim, é uma história que vai sendo construída. Em cada etapa é possível avaliar os acordos e, quem sabe, ajustar melhor os laços, desfazer o que não for tido como necessário, e atar outros que possam ser vistos como interessantes.

Talvez por conta do meu momento de vida, eu vejo hoje que uma boa relação tem a necessidade de uma extrema transparência. A franqueza, o fato de poder ser honesto comigo mesmo e com a pessoa que está ao meu lado, é o que pode fazer toda a diferença.

Se esse não é o caminho que leva a uma relação sólida, pelo menos esse é o caminho que evita as frustrações. Eu penso que todo mundo merece uma troca de energia positiva, aquela troca que no final do ato, ao invés do vazio, fica na verdade um gostinho de quero mais.

 

 

Aélio Jalles (Lelo) 


 

terça-feira, 18 de abril de 2023

A Vaidade que Mutila!


Eu parto do princípio de que a beleza tem sua graça. Não tem como deixar de entender a importância da vaidade. É bonito de se ver uma pessoa bem-vestida, melhor dizendo, vestida de forma bem adequada, uma roupa bem trabalhada para o corpo da pessoa e para a ocasião e o que se segue a esse raciocínio. Nada é mais bonito que uma boa apresentação.

No entanto nada disso pode ultrapassar a barreira do que é lógico e saudável. No meu modo de ver, a vaidade tem que sempre estar no limite do conforto, da comodidade, do que realmente deve e pode lhe proporcionar prazer e felicidade. Sempre que isso estiver em jogo, é melhor repensar. A exigência da vaidade pode ter passado do ponto e tudo aquilo que se torna excesso, que passa do limite, acaba por fazer mal.

Nem todas as pessoas entendem esse limite. Mesmo a vaidade tendo uma grande ascensão entre os homens, ela ainda é bem mais acentuada nas mulheres. Ter tudo certo, do jeito certo, começa a parecer uma necessidade tão desmedida que, até os diferenciais, aqueles diferenciais que nos tornam seres únicos, deixam de ser respeitados. 

E é essa vaidade que escraviza que acaba mutilando. A poucos dias saiu, em mais um noticiário, o caso de uma modelo que faleceu em uma dessas cirurgias absurdas. Uma lipoaspiração de uma barriga que, digamos, era o ideal de beleza para muitas outras mulheres. Literalmente esse é o excesso ao qual fiz a referência.   

Outro dia, em um grupo de amigos, as amigas, mulheres bonitas, estavam falando do uso do Botox como se isso fosse uma coisa simples, natural. Elas tratavam isso de forma tão simplória que mais pareciam estar falando do uso de uma maquiagem. Aí me veio à cabeça: quantas pessoas eu conheço que hoje tem o rosto desfigurado pelo uso exagerado do Botox.

Não sou especialista em estética, não conheço os limites do uso deste ou daquele produto, mas sou capaz de reconhecer as pessoas que vão ficando sem expressão facial. O rosto acaba ficando de uma forma tal, como se fosse plastificado, que tanto faz se ela está rindo ou chorando, não faz diferença à expressão é a mesma.

Peço desculpas pela forma de tratar a coisa. Aqui nada mais estou que chamando a atenção para um fato. A beleza física, a estética pode até atrair olhares, mas não é ela que vai encantar ninguém, principalmente se for de plástico. 

Não estou fazendo nenhuma crítica ao trabalho dos cirurgiões plásticos, apesar dos que colocam o dinheiro em primeiro plano, muito menos das cirurgias, que em muitos casos reparam danos que fazem a diferença na vida das pessoas. Cirurgias que resgatam a autoestima e que devolvem a condição, mesmo que parcial, de normalidade de vida para muita gente.

O meu chamado de atenção cabe exclusivamente às pessoas que se deixam levar pela cobrança exagerada da perfeição. Pessoas que se deixam levar pela imagem que elas apresentam nas redes sociais. Uma imagem retocada, uma beleza que não existe.

Ficou tão fácil mexer com as imagens, deixar tudo do jeito que o padrão da beleza cobra, que a realidade apresentada pela imagem diante do espelho, se torna angustiante. De uma forma mais grosseira, isso tem provocado uma negação do que é a realidade, a realidade que as pessoas enxergam diante do espelho.

Essas pessoas vão aos poucos se angustiando, se deprimindo com a verdade da vida. A vida boa está logo ali, na postagem, na ficção, na falsa sensação de felicidade que ela apresenta aos amigos. Elas começam a querer que a imagem das redes sociais seja a que vale, como se essa fosse a imagem real.

Eu acho que o maior e melhor exemplo disso tudo é o Michael Jackson. Não sei os motivos, mas em nível do senso comum, ele foi um cara que modificou tanto a imagem do rosto, que acabou se mutilando. Mais uma vez, não estou fazendo um julgamento. Isso é só uma constatação.

E assim como ele, muitas outras pessoas vêm se mutilando. Cada um tem seus motivos, seus desejos, suas vaidades e cada um tem, da mesma forma, suas responsabilidades. Somos responsáveis pelas nossas atitudes, e pagamos, indubitavelmente, o preço cobrado por elas.

Embora eu seja uma dessas pessoas que prega o respeito pela forma de pensar de cada um, me senti incomodado com a conversa das minhas amigas e a forma de utilização desse tratamento estético de forma bem específica. E foi por isso que eu resolvi abrir um raciocínio sobre o tema.

Somos um conjunto de valores e, mesmo sem querer tirar a importância da beleza, eu queria chamar a atenção de que tem coisa mais importante nesse conjunto. Existem outros valores dentro de cada um de nós que se somam e que nos fazem muito mais que um rosto bonito.

Eu queria, de uma forma qualquer, gritar que olhar só para a beleza física está errado, que, nesse conjunto de valores, tem muito mais o que ser visto. Minha eloquência com as palavras e o meu conhecimento não me permitem uma maior profundidade sobre o assunto, tenho medo de expor alguma informação indevida.

Gostaria, então, de fechar com um texto muito bonito que encontrei, e que faz referência sobre o assunto, um texto da Mônica Denise Viana de Barrios. Ela disse: “Temos a tendência de nos atrair pela beleza, mas logo em um segundo instante, já nos sentimos ligados à essência das pessoas, pois é a alma que nos encanta”.

 

Aélio Jalles (Lelo) 


 

terça-feira, 11 de abril de 2023

O desabrochar da sexualidade!

Eli passou pela centésima vez diante do espelho. Ela conferiu mais uma vez a barra da calça, o formato que a blusa estava dando aos seus seios, a maquiagem, se os cachos do cabelo estavam do jeito que ela queria. Era tudo mera formalidade, mas mesmo assim ela não conseguia se convencer. Tinha sempre uma sensação de que ainda faltava alguma coisa no ar.

Aquilo não era insegurança. Não mesmo. Eli sempre reclamava de alguma coisa, mas eu acho que era só para que alguém lhe reafirmasse o tamanho da beleza que ela esbanjava. Ela gostava da imagem que o espelho lhe apresentava, embora sempre tivesse um detalhezinho que ela quisesse corrigir. Mas isso é coisa de mulher mesmo, né?

Quando o Luide chegou, ela deu aquela respirada, se concentrou e correu para a porta, foi recebê-lo. Eles se entreolharam, sorriram um para o outro, como se não acreditassem que aquele sentimento tinha tomado conta deles, e deram aquele selinho bem básico.

A área lateral da casa de Eli era o espaço de junção das casas da família. A casa dos avós que os filhos vão ocupando. Eles constroem as casas e o que fica no meio delas acaba se tornando o espaço comum para toda a família. Eli morava no que se pode chamar de condomínio familiar. O que sobrou do terreno entre as casa acabou se tornando ideal para os festejos e, porque não, para namorar também.

O casalzinho estava bem empolgado com o andar do relacionamento. Eles conversavam, conseguiam se entender e vinham até então tendo boas negociações com as divergências de pensamento. Eles conversavam sobre uma diversidade de coisas, e sexo já não era um tabu entre eles.

Embora as situações ainda fossem muito novas, o volume que se formava nas calças do Luide, digamos que, a cada beijo mais chegado, já não era nenhuma supressa para a moça. Ela também sentia os efeitos dos hormônios borbulhando no seu corpo e, para não deixar o rapaz embaraçado demais, fazia questão de corresponder ao desejo dele.

Lógico que, com o passar do tempo, a intimidade vai crescendo e a confiança mútua no relacionamento também. Isso, da forma mais natural possível, faz com que eles se sintam à vontade, e comecem a vencer as barreiras naturais que a sociedade impõe para a sexualidade das pessoas, muitas vezes sem muita explicação.

Eli era uma menina de boa formação. Seus pais eram muito ligados a sua educação e eles entendiam cada passo do desenvolvimento da sexualidade da filha. Eles estavam sempre buscando orientá-la da maneira mais transparente possível. Os pais de Eli ainda se consideravam apaixonados, e, por isso mesmo, conseguiam passar para ela essas questões de uma forma muito bonita.

 

Mesmo assim, e como um casal responsável, os pais de Eli tinham toda a atenção e preocupação com a filha. Eles não queriam que ela passasse da conta, ou que ela avançasse nenhuma das etapas da vida de uma forma indevida.

Luide também não era um menino à toa. Mesmo assim, ele sofria as questões da sexualidade que são impostas aos homens pela sociedade, pelos amigos, pela família e por que não dizer, pelos próprios pais. Os homens acabam tendo a sexualidade tratada na base da porrada mesmo. É como se, por ser homem, você já nascesse sabendo o que fazer e como fazer.

De uma forma qualquer, o Luide, fugindo de todo esse prognóstico, tinha uma visão romantizada da sexualidade. Ele tinha um respeito muito grande pela Eli. Ele desejava, curtia os momentos ao lado dela, deixava fluir a energia natural da idade. Só que ele se preocupava com a situação. Ele mesmo não se permitia qualquer conduta indevida.

Sexo, entre eles dois, mesmo sendo um casal ainda muito jovem, era um assunto já facilmente debatido, e tudo o que vinha acontecendo, apesar das empolgações, passava pelo acordo do que deveria ou não acontecer entre eles. Não acontecia nada sem uma espécie de consciência prévia que eles dois iam formando. 

Naquele dia, a empolgação do casal deu um pouco mais de “pilha” ao desejo. Eles já tinham conversado bastante, inclusive sobre uma situação indelicada que aconteceu com outro casal, um casal de amigos. Como entre eles o respeito era um sentimento muito latente, eles se permitiram mais. Acho que isso faz parte, e que é o andamento natural de todo relacionamento.

Atentos a tudo, os pais de Eli se apresentaram. De uma forma muito descente, eles se fizeram notar com antecedência, na tentativa de evitar o constrangimento do casalzinho.  Era difícil, o constrangimento deles foi muito direto e, embora não tenham sido pegos, por assim dizer, com as calças na mão, a simples presença dos pais já era demais para a situação.

Os pais de Eli foram contornando a situação. Eles falaram de muitas coisas antes de chagar ao assunto devido, e trataram a coisa da forma mais natural que se pode imaginar. Como um casal adulto, eles deram um depoimento de todo o processo de construção da vida a dois. O processo que eles mesmos tinham vivenciado.

É difícil você se colocar como exemplo. É difícil você, com a honestidade devida, e sem querer só as glórias por tudo o que fez ou conquistou, ser capaz de assumir os erros que cometeu. Eu penso que mostrar o peso dos erros cometidos, e tudo o que se teve a necessidade de fazer para contornar, é mostrar muito equilíbrio.

Pois esse foi o grande feito dos pais de Eli. O equilíbrio mostrado por eles fez a diferença. Eli e Luide se olharam no espelho no dia seguinte sem culpa. Eles não passaram do ponto naquela noite por pouco, mas no fundo eles sabiam que aquele momento ofereceu para eles muito mais.

Eli e Luide tiveram nas mãos o apoio, o carinho, gente que ofereceu a ajuda mais do que necessária para uma boa formação da história da vida deles. Foi por conta daquela intervenção que eles se sentiram prontos para ir mais longe.

  

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

*Do livro: Era uma vez meu coração..........

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/e-ai-k-de-meu-ovo.html



 

terça-feira, 4 de abril de 2023

E ai, K dê Meu Ovo?




Bem cedinho da manhã, Eli ainda lutava contra a preguiça. Transitava entre a lucidez da beleza do dia de sol e o abraço dos lençóis e travesseiros, que insistiam em mante-la na cama. Ela ansiava por aquele dia, mas a preguiça agia com a força natural que era capaz de exercer sobre todo adolescente.

Eli era uma adolescente bem apresentada. Tinha uma beleza capaz de atrair os olhares dos meninos, muito simpática e comunicativa. Ela era aquela pessoa muito bem aceita em todos os círculos dos quais fazia parte. Digamos que uma menina de uma vida bem razoável.

Mas aquela manhã era especial. É que Eli tinha recém começado um namoro. O “carinha” já a vinha cercando há algum tempo, e ela, por pura precaução, demorou a ceder aos encantos do rapaz. O sujeitinho era aquele tipo cobiçado, o gostosão que pairava pelo desejo de quase todas as suas amigas.

De certo que mexia com o desejo da menina também, e ela, entre a vontade de ficar com ele e todos os comentários negativos sobre o que seria namorar com aquela figura, sofria a angústia de ter que tomar uma decisão e assumir, diante das amigas, as consequências. 

Pois aquele era o dia. Aquele era o domingo de Páscoa, o dia do encontro da família, e o dia em que o tal garoto ia se apresentar, ou seria apresentado. A bagunça na cabeça da menina já não deixava o pensamento fluir normalmente, e a ansiedade tomava conta até da sua respiração.

Ela não sabia se sorria ou se chorava quando Luide se aproximou do portão. Ele chegou todo bonitinho, vestido de forma simples, como era conveniente para a ocasião, em um estilo bem casual, mas muito apresentado. A sua simpatia não conseguia esconder o nervosismo natural da situação a ser enfrentada.

Não tinha como ser diferente. Ele ainda era um menino se jogando em uma situação delicada, enfrentando com a cara e a coragem os desafios que a família da moça certamente o iria impor. Claro que não poderia faltar, para agravar a situação, um sujeito mais sarcástico que vem fazer piadas e perguntas indelicadas, para pôr a pessoa em uma saia justa.

Eles até tinham se preparado para isso. Eli tinha repassado as possibilidades desses acontecimentos, e prevenido o Luide de quem seriam as pessoas brincalhonas. Ela preveniu sobre os tios que instigariam os pais dela, os primos e primas mais gaiatos e as pessoas mais suscetíveis às brincadeiras provocadoras.

Mas, o Luide chegou. A mãe de Eli foi recebê-lo, e fez questão de conduzi-lo sob seus cuidados. Ele trazia, na mão, flores. Uma cortesia que ele pensava em destinar a Eli, e, à mãe dela, um ovo de chocolate. O ovo era para homenagear a namorada recém-conquistada.

Só que quando a situação foge de todo e qualquer script razoavelmente possível, o nervosismo toma conta da situação, e o raciocínio não consegue se fazer ouvir. Sabe quando simplesmente não tem como fazer tudo o que você tinha pensado, pelo menos não exatamente como você tinha pensado?

Fugiu do controle. Antes mesmo de ele chegar junto de Eli, o grupo dos primos e primas tomou conta da situação. Eles tinham preparado uma verdadeira loucura de amor para anunciar o namoro da priminha querida. Uma brincadeira que deveria quebrar, de uma vez por todas, o gelo do rapaz para com a família da moça.

Tomaram as flores e o ovo de chocolate das mãos do Luide, e carregaram o rapaz para o palco da festa. Seguraram Eli até posicionar o rapaz no palco, e depois levaram ela para o meio do salão. Forçaram a barra para que o rapaz fizesse o pedido de namoro ali, na frente de todo mundo.

Só não foi pior porque o pai da moça, percebendo o sufoco em que tinham metido o rapaz, subiu no palco. Ele chegou junto, acalmou o Luide e deu a ele o apoio necessário para encarar a brincadeira. A mãe também chegou junto da filha, apoiando, mas sem fugir da situação. Eles fizeram com que a coisa acontecesse bem.

No final das contas, ao invés do Luide, quem fez a declaração de amor foi o pai da Eli. O casal falou de todo o início do namoro, contou a sua história e refez os seus votos, inspirados no início da relação de namoro da filha. Eles abraçaram os dois meninos, e depositaram as melhores energias possíveis naquele início de relação.

Foi aí que o pai da Eli desfez a bagunça do início da festa. Ele trouxe de volta as flores, que o Luide gentilmente distribuiu entre a mãe e a filha, assim como também o ovo de Páscoa. Nesse momento, o rapaz, já sem mais nenhuma cerimônia, fez o pedido de namoro e entregou o bendito ovo de Páscoa a Eli.

Só que um grito de ”PERA AÍ”, interrompeu tudo. Era a mãe da Eli. Foi ela quem olhou para o marido e perguntou: E aí, cadê meu ovo?!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

*Do livro Era uma vez meu coração



 

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Me disseram que a paixão, tem um jeito meio brega...... É que um sentimento desse jeito, quando bate aqui no peito, desatina, não sosseg...