Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da
sua pele, por sua origem ou ainda pela sua
religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem
aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a
amar.
Nelson Mandela
Existe
uma diversidade de movimentos no mundo em defesa das minorias, contra as
segregações e todas as formas de discriminação. Chega a ser absurdo, nós ainda
estarmos presenciando a necessidade de se ter que lutar por uma equidade
humana. Isso é a maior demonstração do atraso que vivemos.
O mundo é uma aldeia e nós dependemos uns dos outros. Não tem cabimento tentar distinguir-nos dessa forma, rotular-nos, impondo superioridade por essa ou aquela condição. Uma condição que de fato não confere nada a ninguém, a não ser o registro das facilidades que alguém recebeu de presente da vida.
Mais grave ainda é o uso das religiões para isso. Em sua grande maioria, as religiões vivenciadas no Brasil são derivadas do cristianismo. O Cristo, um judeu na sua essência, nascido na Palestina, um território Árabe, e que é a figura de maior representação do amor, segundo os mesmos religiosos.
O mesmo Cristo que pregou a igualdade, a irmandade, a solidariedade, o amor ao próximo, é usado para tentar justificar os atos de preconceito, de segregação. Será que ninguém mais para e pensa, ou será que eu estou “viajando”? Eu acho que quando alguém instiga esse tipo de raciocínio está negando todas as boas diretrizes dos ensinamentos de qualquer que seja a religião.
Eu reconheço as desigualdades do mundo. Reconheço a segregação, o racismo e as mazelas do comportamento humano. Reconheço a falta de oportunidades à que é sujeita uma boa parte da população, mas acho que isso só vai acabar quando a maior pregação deixar de ser a luta e passar a ser o respeito.
É necessário conversar, debater o assunto e montar os novos conceitos sociais. Essas adaptações da sociedade cobram que os conceitos sejam revistos de tempos em tempos. Essa é uma necessidade natural, eu só não posso acreditar que se possa consertar nada acentuando as diferenças ou querendo empurrar de goela abaixo a opinião individualizada de um ou outro.
Perdoem-me
os ativistas, mas ferir o outro não compensa nada, não resgata nada. A dor
aferida a alguém não vai curar as feridas do outro. Esse tipo de atitude só
aumenta a segregação, amplia a polarização das ideias e gera efeitos colaterais
graves.
Eu sei que ativismo não necessariamente quer dizer violência. Existem muitíssimos tipos de ativismo, muitíssimas formas de reivindicar e lutar pelos direitos das minorias, eu só não consigo aceitar a justificativa da violência. Não se faz inclusão pela força.
Na minha humilde opinião, mesmo sendo branco, hétero e não favelado, eu vivencio uma série de situações onde esses posicionamentos provocam polarização e a necessidade de se tomar partido, como se essas coisas tivessem lado. Não consigo entender que uma pregação que faz distinção possa gerar uma educação de equidade.
Eu penso que é o respeito que vai acabar com as minorias apontadas. Eu sei que é um pensamento simplório demais, que para se chegar efetivamente a isso, nós precisamos de um processo educacional, da implantação de uma nova visão. Foi por isso mesmo que eu abri o texto com a citação do Nelson Mandela.
Como ele disse: “Ninguém nasce odiando”. E se ao invés de acentuar diferenças, nós educássemos pela equidade, sem a necessidade de se impor valores sobre as diferenças? Será que nós não extinguiríamos um monte dessas mazelas humanas? Será que o respeito não tornaria tudo muito mais igual em uma ou duas gerações?
Eu penso que enquanto estivermos realçando as diferenças, elas vão continuar existindo. O respeito concede, cede espaço e abraça a quem tem necessidade. Por isso eu acho que consciência não deve ter cor, credo, raça, nem nenhuma outra distinção, ela deve ser consciência, a consciência do respeito, da equidade e do amor.
Aélio Jalles (Lelo)
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