“Ge”, vamos assim denominá-lo, se diz um italiano
errante, um homem das terras submersas do sul de Veneza, segundo seu próprio
relato. Por sorte ou destino, ele veio parar no Brasil. Acabou se fixando no
Ceará, uma terra de muito sol, praia, bares com ambientes gostosos, uma boa
cachaça e mulheres balzaquianas.
Ele se diz um homem charmoso, que arrebata corações pelas noites cearenses. Ele é exatamente o tipo frequentador dos lugares mais badalados. Nesses termos ele acaba por ser um bom indicador de tudo o que a cidade tem de melhor, na noite, desde que a frequência inclua as mulheres mais amadurecidas.
Como ele mesmo gosta de dizer, as meninas mais novas são muito complicadas. Elas não têm a maturidade para uma relação mais aberta, por assim dizer. Ele faz questão de deixar bem claro, que tem certa aversão ao compromisso formal. “Ge” não é muito chegado ao “grude”.
Certa feita “Ge” conheceu uma magistrada. Aquela mulher tinha todas as características que ele valorizava. Ela tinha a idade ideal, cultura, filhos já crescidos, independência financeira e cabeça para essa tal relação de amizade e companheirismo, o necessário para a manutenção da individualidade.
A relação vinha ganhando contornos bem interessantes até que ela o convidou para um almoço em família. “Ge” não gostou da ideia, mas diante da relação gostosa que ele estava vivendo, engoliu a história. O almoço, segundo ela, seria uma maneira de ganhar a confiança dos filhos, para que eles pudessem viajar juntos, por exemplo, sem mais questionamentos.
No dia, um domingo de sol, “Ge” acordou cedo e como tinha muito tempo até a hora do compromisso, ele decidiu dar uma passadinha na praia. Nada demais, uma cachacinha, um papo rápido com os amigos, só o tempo suficiente para chegar a hora acertada com a juíza.
A questão é que essas situações nos fazem perder a noção das horas. O tempo escorre entre os dedos e “Ge” acabou se atrasando com o compromisso que tinha assumido. Para piorar a situação, ele chegou de sunga, enrolado em uma bandeira do Fortaleza e com a expressão clara de quem bebeu além da conta.
Imagine a cena! Quando a campainha tocou e a secretária abriu a porta, ela deu de cara com o convidado da doutora. Era um marmanjo sujo de areia, meio calvo, com trajes totalmente inadequados, com uma aparência de embriagado. Lógico que ela se espantou com o sujeito.
A doutora, uma juíza, que, diga-se de passagem, era federal, viu a cena e não acreditou. Aquele homem elegante, de modos educados que ela conheceu no Kukucaya, não podia ser o mesmo que estava na sua porta. Ali se encontrava um grotesco personagem, quase nu, com os olhos embaçados e uma fala embolada.
Ela disse chocada: “O que houve? Você foi assaltado?” “Ge”, com um sorriso maroto nos lábios, prontamente respondeu: “Sim, amore mio, você roubou meu coração”. E ele foi entrando casa adentro, deixando todos atônitos com a sua imagem. Ele percebendo os olhares quebrou logo o silencio: “é que hoje o Fortaleza joga com a carniça”.
A impressão causada já tinha sido um vexame, mas ainda aquela bandeira do Fortaleza no pescoço. A juíza até tentou alertá-lo que naquela casa todos eram torcedores alvinegros. Como se não bastasse o vexame “Ge”, para aumentar a confusão, resolver jogar a pitada de sal, e disse: “meus pêsames bambina, hoje tem é peia”.
Mesmo percebendo o clima pesado, “Ge” se fez de rogado, puxou a cadeira, sentou na mesa e ainda perguntou: “vocês não têm uma caninha por aí, não?” A partir disso o ambiente virou. O que era, inicialmente, constrangimento, se transformou em indigestão e os filhos da magistrada começaram a revidar, o que eles consideraram agressão.
Primeiro, os filhos colocaram em xeque o bom senso da mãe, depois partiram para cima do “Ge” e questionaram a sua presença naquela casa. Nessa hora, mesmo com o coração apertado, envergonhada com a situação como um todo, ela falou: “não tem como eu lhe receber assim, você vai precisar ir embora. Depois nós conversamos”.
Deu para perceber que o: “depois nós conversamos”, era mera educação. Não sei se isso era exatamente o que o “Ge” queria. Sei que depois disso ela nunca mais lhe procurou. Talvez o comportamento dele fosse à forma que a sua aversão ao compromisso, encontrou para se manifestar.
Aélio Jalles (Lelo)
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