terça-feira, 29 de novembro de 2022

Família é uma mistura cheia de boa vontade!







Uma vez, em uma discussão, meu filho me disse que dava valor aos amigos dele, pois eles o aceitavam do jeito que ele era. Eu não consegui concordar com a afirmação, mas não tive como argumentar de imediato. Precisei remoer a afirmação dele, para conseguir fechar o meu raciocínio, ou melhor, aprimorar a contextualização da minha resposta.

Na minha cabeça, ciente de que tenho amigos maravilhosos que me acompanham por toda a minha história, tenho a clareza de entender que contamos mais certamente e firmemente com a nossa família. Pai, mãe e irmãos, precisam de motivos muito maiores para nos deixar de lado.

Adoro meus amigos, tenho alguns deles como irmãos. Tenho a certeza, inclusive, que agiriam como irmãos de fato, sobre minhas necessidades mais extremas. Mas, o que me refiro à família é sobre um contexto ainda maior, é uma espécie de ligação espiritual, como se o fator sangue, falasse mais forte. É uma ligação tão forte que chega a nos incomodar.

Incomoda pelas cobranças, os puxões de orelha, as intervenções que eles se acham no direito de fazer nas nossas vidas, direito esse que, de certa forma, eles realmente têm! Tudo em meio a preservação da nossa própria identidade. Nós também precisamos manter a nossa independência.

De qualquer forma é muito importante reconhecer que todo esse contexto tem algo de imensurável. Não se pode deixar de entender que essa é uma cobrança de quem realmente se importa. Por isso, mesmo você não podendo seguir todos os conselhos integralmente, valorize-os!

A bem da verdade, nós deveríamos era abraçar mais essas pessoas. Abraçar, agradecer, nos desculpar por nem sempre darmos o ouvido necessários a tudo o que eles nos dizem. São essas as pessoas que mais nos acolhem e que chegam junto das nossas necessidades. Vem dessas pessoas, quase sempre, o apoio necessário quando o resto do mundo parece ter nos abandonado. 

Em geral, os amigos estão ligados por um senso comum, o senso do grupo e que tem por limite a nossa própria tolerância. Quando alguém foge dos parâmetros desse senso, essa pessoa acaba por se distanciar. Essa é uma situação quase que natural e a isso destacamos raríssimas exceções.

Desses amigos, perceba que os que mais nos cobram, os que mais torram a nossa paciência por conta das colocações de vida, os que mais nos incomodam chamando a atenção pelas nossas faltas ou desvios de conduta, são os mais ligados. São essas pessoas que mais fazem parte da nossa vida. Esses são os que não querem perder o convívio. Essas são as pessoas para quem nós somos caros!

Pois família não é mais que isso! Embora em uma mistura que, a princípio, não deveria dar certo, por conta da heterogenia, são essas pessoas que comemoram as nossas vitórias e se importam com nossos fracassos. As pessoas que integram a família criam elos com as nossas vidas extremamente fortes, e passam a despejar sobre nós uma boa carga de energia positiva.

Não estou dizendo que tudo são flores. Não tem como ter uma harmonia plena no exercício da convivência tão próxima. Quem convive, tropeça nas vontades alheias, na linda e maravilhosa diversidade, seja de egos, de gênios, ou de personalidades. Mas é daí que surge a maior de todas as habilidades humanas, a resiliência!  

Se somos capazes de construir amizades, também podemos as construir dentro da nossa família. Isso ligando primos, tios, sobrinhos a esse exercício da amizade plena, onde todos podem crescer como pessoas. Dessa forma, todos nós podemos desenvolver as habilidades de relacionamentos, sabendo que ali existe uma propensão maior a tolerância e a compreensão.

De certo que existe sim a formação das famílias que não são de sangue. Pessoas que encontram uma conjuntura apropriada de vida e, assim, constroem uma ligação tão forte, um elo existencial de amor tão incomum, que se tornam parte de tudo o que somos.

Imagine você sofrer um acidente grave e ficar preso a uma cama. Imagine quais as pessoas que você acredita que vão estar ao lado da sua cama com passar do tempo. Quem realmente se disporia a estar com você, nessa condição incomum? Quem se disporia a cuidar de você, a doar seu tempo para estar ali, depois de um ou dois anos desse seu infortúnio?

Pois, aprenda a dar valor a essas pessoas. Aprenda a regar esses relacionamentos.  Aprenda que, dar a essas pessoas explicações, ou prestar contas das suas atitudes, não é ruim. Isso até pode funcionar como uma reavaliação do contexto apresentado. Você vai prestar contas com quem se importa, com quem lhe deseja o bem, embora nem sempre consiga compreender os seus motivos.

Essas pessoas são de fato a sua família. É porque na essência, o melhor que existe de ser da família, é saber que ali se encontra uma mistura de sentimentos grandiosos, de um amor fora do comum. Uma mistura totalmente cheia de boa vontade!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 


 

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Um coração de pai!


 

Eu reconheço o amor, mas não da simples forma que muitos procuram.

Reconheço o amor que sobrevive nos traços do raciocínio, nos detalhes de uma relação nem sempre tão convincente. O amor de poder perceber o quanto eu me importo contigo, de eu não saber explicar porque exatamente o teu sorriso, ou mesmo que qualquer expressão de alegria vinda do teu rosto, me faz aflorar no coração o maior dos contentamentos.  

Reconheço o amor quando tua presença, no mesmo ambiente que eu, deixa tudo diferente, mais bonito, mais leve, mesmo sem eu ter de ti a atenção que gostaria. Reconheço que tua vida faz parte da minha, que tua chegada me fez maior, mais responsável e infinitamente mais feliz, como se tu fosses um complemento indispensável ao sentido de eu ter vivido.  

Reconheço o amor quando, hoje, mesmo sem obrigação, sem cobrança, mas como parte de tudo que sou, ou de tudo o que eu faço, me sinto responsável por ti. Me sinto incapaz de te negar um pedido, mesmo que por vezes acho meio absurdo, parecendo que são pedidos nascidos dos teus próprios desleixos. Fazer por ti até chega a ser inadequado, parecem ser simples caprichos que me impõe para testar a minha completa inaptidão em te negar algo.

Reconheço o amor quando, mesmo que por acaso, tuas mãos me fazem um carinho qualquer. Quando teus dedos roçam na minha cabeça ou descem pelas minhas costas, deixando um caminho ralo, que nem chegam a limar minha pele, mas que eriçam meus pelos pelo deleite do toque. Tu nem sabes o quanto isso me faz ascender, me aquece, enche de esperança minha vida.

Sei que não me compreendes, pois tuas posições, teus arroubos, tuas grosserias não fariam sentido se tivesses o conhecimento do tamanho desse sentimento. Sou consciente que cometi erros, que, longe da perfeição, falhei contigo em momentos delicados. Sei de situações que me equivoquei nas atitudes e que nem desculpas a elas cabem, pois sei que erros como esses não tem reparo. Não sou perfeito, mas sou teu pai! Nesse quesito sou único!

Não dependes mais de mim. Tua vida, hoje, ganhou tuas cores. Pintas o teu caminho da forma que te é conveniente, podendo me dispensar ou deliberadamente não ter de mim a menor participação. Mas, era muito importante que entendesse que essa é só uma opção, que da nossa relação ainda podes tirar muitos e bons frutos, pois mesmo não tendo como te compensar dos erros que já cometi, ou mesmo não tendo a certeza de que outros erros ainda serei eu capaz de cometer, eu ainda tenho para te oferecer um coração de pai.

 

 

Aélio Jalles (Lelo)




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domingo, 20 de novembro de 2022

Minha Menina!




Em uma bagunça daquelas e com a vida desnorteada;

Nem queria que acontecesse, uma alma nova a ser guiada;

Uma responsabilidade a mais, para quem já queria paz,

Era uma loucura danada..............

 

Mesmo assim você chegou e eu não tinha mais o que fazer;

Nos meus braços se aninhou, fui encarando você crescer;

E com o brilho no olhar, por você me apaixonar,

Não precisava nem prever............

 

Na cabeça eu já tinha o nome, era como que fosse uma sina

Por isso eu não queria abrir mão, gosto que com a mãe não afina

Isso virou uma questão, mas com toda a confusão,

Veio a minha Celia Regina..........  

 

Quatro filhos eu já tinha e isso é demais da conta;

Com mais um, mesmo uma rainha, o destino me afronta;

Dos filhos eu beijo o rosto, é um amor que eu faço gosto,

Mas a filha é quem se aninha.........

 

Transformou a minha vida, me fez um ser sorridente;

Como entendeu minha alma, Intromete-se em minha mente

Vincula-se aos meus passos, faz-se dentro dos meus abraços

Tornou-se minha maior confidente....

 

No dia a dia convivendo, fui ficando à sua mercê;

O amor foi só crescendo e nem daria para conter; 

Não sei mais viver distante, não tem nada semelhante,

Que o meu amor por você.

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 





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segunda-feira, 14 de novembro de 2022

O bem que faz o bem querer!




Instigado a repensar a minha própria solidão, acabei tomando a minha atenção para os casais que consigo perceber enamorados, principalmente os que já têm muito tempo de convivência. Não posso negar que me atraio muito, que dispenso a minha admiração quando consigo perceber, nas relações, esse traço do bem querer.

Não me refiro aquelas juras do amor teatralizado, cheio de requififes e coisas do gênero. As empresas das loucuras de amor que me perdoem. Eu acho que essas coisas espalhafatosas, chamativas demais, servem muito para justificar atos mal feitos ou até mesmo própria falta do amor.

Eu me refiro é sobre aquela relação que, na maioria das vezes, passa despercebida. O amor presente entre eles é tão singelo e discreto que alguns poucos observadores captam a harmonia com a qual o casal se comunica, a  atenção primorosa que é dispensada de um para o outro e até mesmo o tamanho da segurança que eles sentem, entre eles.

Eles simplesmente se sentem, eles simplesmente se bastam, eles simplesmente se amam. É como se eles não se importassem com mais ninguém no mundo. O resto do mundo, os amigos, a música, as festas, nada mais são do que as ornamentações desse amor. São pontos que ajudam a vivenciar essa coisa tão gostosa, e que acontece porque entre eles existe essa troca de bons fluidos, essa troca do bem querer.   

É tão gostoso perceber que essa chama de amor ainda existe. Assim, eu vou identificando, em um ou outro casal, essa harmonia, esse equilíbrio, esse bem querer que se segura no tempo. Através disso, que faz com que a relação permaneça acessa, eu vou tentando me guiar, buscando entender para tentar seguir a fórmula.  

Lógico que não estou aqui dizendo que relacionamento algum vive só de flores. Acredito que, em todos os relacionamentos devem existir os momentos de crise, de embate, da troca das diferenças. Mas também acredito que, em alguns casos, essas trocas sejam especificamente ajustes. As acomodações de duas vidas que foram forjadas em mundos diferentes.

A minha melhor ilustração é a de um barco. Os dois juntos, remando em lados opostos, mas mantendo a direção, seguindo um objetivo único. Remando, cadenciando a jornada, tirando a água quando for necessário, mas nunca perdendo a perspectiva da atenção do caminho, muito menos de um para com o outro.

Na jornada tem o cansaço, as intempéries e os todos os obstáculos de uma jornada de vida. Só que, para que a jornada seja plena, siga em frente, o carinho supre o cansaço. A atenção vai suprindo as intempéries, e o sentimento vence toda e qualquer sorte de obstáculos que a vida possa apresentar.

Esse é o sentimento que eu quero para mim. Uma relação limpa, transparente, de paz, de boa vontade, de carinho, de bem querer. Uma relação que possa se recompor de cada infortúnio, que saiba reconstruir cada pedacinho quebrado. Quero construir uma relação em que a troca de olhares seja o suficiente para reascender a chama do valor que um tem para o outro.

Você deve até estar achando romântico demais para ser verdade. Porém, peço que acredite: essa verdade ainda vive entre nós, e é só observar para ver que existem muitos casos vivos de amor e relacionamento. Eu realmente acredito que, de todas as escolhas que nós temos a chance de fazer, o amor é a melhor delas.

São esses casais os meus melhores exemplos, são eles a minha melhor inspiração, são esses os exemplos do bem, que o bem querer pode fazer!

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

 

 

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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Tem um Caravelle no caminho de casa!







Não existe como falar do nosso grupo de amigos e não falar do restaurante Caravelle. Aconteceu, ele simplesmente passou a ser o ponto de partida e de chegada, a referência de onde tudo sempre começava e terminava.

O restaurante foi o placo das nossas farras, isso desde crianças. Como eu já disse, a turma começou a se formar por volta do final dos anos 70. Tomávamos refrigerante com batatas fritas. Só que o tempo foi passando, nós fomos crescendo e os refrigerantes deram lugar para as cervejas.

Coincidentemente, os proprietários do restaurante eram pais de um dos amigos do grupo. E eles, assim como os outros pais, adotaram esse grupo de amigos. Eles sempre nos receberam de braços abertos e, da mesma forma, puxaram nossas orelhas por diversas vezes. Éramos Anjos, mas de fato não éramos santos!

Nos anos da nossa pré-adolescência, tudo fechava muito cedo, nós íamos para o Caravelle pegar o final de expediente do restaurante. Algumas vezes ficávamos até mais tarde conversando, brincando. Não sei nem dizer quantas vezes nós assaltamos a cozinha do restaurante.

Com o tempo, o Caravelle foi ganhando o status natural de ponto de encontro. Tinham-se alguma coisa para combinar, um programa ou algum lugar para ir, o ponto de encontro era o restaurante. Era lá o marco zero de todas as nossas combinações.

Olha só, o lugar estava sempre de portas abertas. Era extremamente cômodo marcar um encontro lá. Tinha onde ficar, tinha onde sentar, o que beber e o que comer. Assim, os caminhos começaram a serem traçados tendo esse como o ponto de partida. Era cômodo demais!

Não existia telefone celular! Tudo tinha que ser resolvido presencialmente. Então, não tinha como fazer diferente. Para combinar um passeio, por exemplo, e resolver os detalhes; arrecadar o dinheiro, as compras, quem ficaria responsável e pelo que, e até ter tudo resolvido eram uma, duas, e até mais encontros. Era tudo presencial e quem podia comparecia.

A coisa foi ficando tão automática que já nem precisávamos marcar nada. Bastava ir, as pessoas, nesse caso, os amigos, certamente estavam por lá. De inicio era o ponto departida, o ponto de encontro para qualquer passeio, mas acabou que também passou a ser o ponto para onde nós iriamos retornar. 

Tenho certeza de todo mundo já sentiu o gostinho de quero mais, no retorno de um passeio. De alguma forma, todo mundo já viveu isso. Quando um passeio é marcante, gostoso, fica aquele desejo de tomar mais uma cerveja, de fazer um último comentário, sabe-se lá do que!

Fica a ideia de que faltou alguma coisa para o programa acabar. Pois é, nós resolvemos isso com a história de terminar tudo lá. Não interessa de onde vinha, ou para onde você ia ao final dos programas. Era como se não existisse um caminho mais lógico.

Todo mundo ia até o fim do programa e o programa só terminava no Caravele.  Tínhamos que chegar lá para, de lá, poder ir para casa. Ninguém ficava pelo caminho.

Dessa forma o Caravelle foi incorporado a tudo e passou a fazer parte do contexto da turma. Mais ainda, passou a ser a extensão das nossas casas. Era o ponto de referência que todos tínhamos para fazer qualquer coisa. E isso acabou tendo um efeito maior, isso funcionava como um imã!

De forma intrigante, o que deveria ser o ponto de encontro do final de semana, passou a ser a referência do caminho de casa, mesmo durante a semana. A gente acabava dando uma passada em frente só para conferir. Parecia que não tinha como voltar para casa, mesmo depois de um dia de trabalho, sem dar essa gostosa passadinha, sem fazer esse desvio.   

Aos poucos a rua Desembargador Praxedes, a rua do restaurante, se tornou uma rua de passagem quase meio obrigatória. Parecia que aquele era o único caminho viável para voltar para casa. Pouco interessava de onde você vinha ou, muito menos, onde a pessoa morava. Passar em frente ao restaurante foi ficando natural.  

Sempre tinham conhecidos por lá, isso era fato. Dai a questão de parar e descer, mesmo durante a semana, já era uma outra coisa. Para isso já tínhamos que acrescentar outros detalhes. Era uma questão de relacionamento, de amizade e carinho.

Um Amigo, um desses Anjinhos, um cara de jeito simples, mas uma das joias mais polidas dessa turma, alguém que consegue ver a vida com os olhos do coração, deixou registrada uma pérola de pensamento. Ele disse: “você quer saber de quem realmente você gosta, de quem realmente você é amigo? Basta ver se: quando você passa por aqui e vê a pessoa, você tem vontade de parar e descer!”

E ele tinha razão. A gente só tem vontade de parar e descer quando o carinho é real, quando a gente realmente gosta da convivência, gosta da pessoa que está lá. Quantas vezes nós passamos lá em frente, como acontece ainda nos dias de hoje, e damos uma conferida?!

Aquele não era o caminho mais curto, pode ter certeza disso. Para muitos do grupo, ele jamais seria o mais cômodo, levando-se em conta a referência da distância, ou mesmo a viabilidade de endereço entre o trabalho e a residência.

Mesmo assim, por mais falta de lógica que isso tivesse, não existia a possibilidade de se evitar aquele caminho. Você não pode imaginar como tomar aquele caminho tinha uma lógica. Aquele caminho era gostoso de percorrer, por que era o caminho do coração, o caminho da amizade.

Aquele era o nosso caminho, porque a amizade era a nossa maior verdade!

 

 

 

Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde eu conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!

 

 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

 

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terça-feira, 1 de novembro de 2022

Um retrato da solidão!



Estou sendo instigado por uma amiga a repensar a minha solidão. Tentar enxergá-la por ângulos que eu ainda não tinha sequer imaginado existir. É como se eu tivesse que quebrar a minha zona de conforto, uma zona que, na verdade, eu nem faço questão e que, posso afirmar, nem é confortável.

Eu até sei ter meus bons momentos comigo mesmo. Aqui ou acolá, tenho o meu prazer com a solidão, mas reconheço que, na verdade, eu gosto mesmo é de gente. Realmente nunca fui de me isolar do mundo por muito tempo, ou de fugir do contato com as pessoas. Considero esse contato, o viver com gente, o melhor contágio das alegrias.

No que se refere ao lado mais pessoal, há uma relação mais direta. Apesar de me sentir na busca por uma nova relação, já cheguei a imaginar ter cerrado as portas do meu coração. Venho vivenciando uma angustia que, acredito, seja derivada da frustração com minha relação anterior. 

É uma mistura de sentimentos, mas que, há pouco tempo, me fez magoar uma amiga. Uma pessoa muito interessante, dentro da faixa e de todas as condições do que eu imaginava precisar para ter uma boa relação. Mesmo assim, eu me vi sem a condição de retribuir o carinho. Acabei por não abrir as portas, não me permiti nem tentar.

Acho que já cometi as minhas doses de pecado e me cobro muito, hoje, para não permitir viver nada que não possa ser transparente e honesto comigo mesmo, ou com a outra pessoa. Nada que possa magoar a mais ninguém! A duras penas, aprendi que a verdade pode até doer, mas essa ferida sara. Já no caso da mentira, essa é toxica, infecciona e provoca feridas que vão reabrindo de tempos em tempos. Nunca cura! 

Por algum motivo, não devo permitir que a ansiedade me conduza a situações que vão se transformar em entraves da vida. Se quiser pode creditar ao amadurecimento, a lógica de raciocínio que a idade deve proporcionar. A maturidade nos oferece essa noção! .

Como justificar que, apesar de toda essa minha solidão, não me permiti embarcar nessa história? Sinceramente, não sei! Mas sei que, nesse caso, é preferível dormir com a solidão. Apesar de incômoda, ela deixa as coisas mais leves!

Sei que, por conta de toda a bagagem de vida, por não sermos mais crianças, precisamos ter cabeça para enfrentar essas coisas numa boa. Sei que o nosso tempo já está muito mais para aproveitar o que a vida nos oferece do que ficar criterizando demais as coisas. Mas também sei que as desilusões, nessa idade, são muito mais doídas.

Assumo o fato de que sinto a falta de um alguém. Alguém que possa potencializar esse sentimento latente no meu coração. Alguém que possa construir comigo uma nova etapa de vida. Uma relação temperada com a medida certa de amizade, de companheirismo, de sexualidade, de cumplicidade e de tudo aquilo que faz uma relação valer a pena. 

Tenho um coração cheio de amor para oferecer, um coração capaz de amar e retribuir ao carinho. Eu acredito na frase do Luciano de Crescenzo que diz: “Somos todos anjos de uma asa só, e só podemos voar abraçados a outro.”

Eu acredito que o brilho da vida está exatamente nesse abraço. Embora não caiba qualquer abraço nessa história, precisamos de paciência e muita coerência. O remédio talvez seja continuar a caminhada e ficar atento aos sinais. Devemos seguir vivenciando a solidão, nos descobrindo e nos amando, mas sempre de braços abertos para a esperança!.

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

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sábado, 29 de outubro de 2022

Uma vida sobre rodas!





Se você anda de moto, se faz isso por prazer,

Vai entender meu escrito, vai sentir o que vou dizer:

Que falta que faz o vento,  a jaqueta e o equipamento

E um caminho a percorrer!

 

Ao se tomar uma estrada, o vento nos remete à vida,

A paisagem insufla a alma, o ronco do motor, a batida. 

Isso induz o sujeito a viver mais satisfeito

Por cada aventura vivida.

 

Viver a vida sobre rodas tem um "quê" de liberdade;

Quem faz isso por prazer e reconhece essa verdade

Recarrega as energias, enche a vida de alegrias

Distribui felicidade!

 

É uma vida que transborda, que se deixa fluir livremente

De bons sentimentos recheada, põe gosto na boca da gente

É como vestir a emoção, saber abrir o coração

Faz a alma mais contente.

 

Ser motociclista é muito mais do que uma máquina pilotar

São prazeres bem pessoais, é como ganhar asas e voar

A gente se sente mais vivo, ficando bem mais ativo

Dá para viver e se jogar!

 

Que o universo nos brinda e vento nas roupas injeta

Uma vida que nunca finda e que o sentimento decreta

O que vai além da razão, o que se vive por paixão 

Desse amor pela motocicleta!

 

 



 Aélio Jalles (Lelo) 

 

 

 

 

 

 

 

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quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Tem um Nú, na sala!



Aquilo era quase um prémio!

Nós tínhamos na mão uma casa perfeita para passar o Carnaval. A casa ficava dentro do quarteirão da praça central do Aracati, a Praça do Carnaval. Nós estamos falando da década de 80. Esses foram os anos que o Aracati veio a se transformar na referência do carnaval do Ceara.

Era uma casa que cabia a turma toda, e a tia, a dona da casa, ficava para tomar conta da casa e da gente. Ela tomava conta da casa, fazia comida e, de certa forma, controlava a bagunça. Pelo menos não permitia que as coisas saíssem do controle. Tarefa árdua diante de uma turma de adolescentes.

Nos dias de carnaval, nós cumpríamos uma programação, um padrão. Acordávamos já com o café prontinho e, de bucho cheio, todo mundo dava uma colaborada para arrumar a bagunça feita no dia anterior. Fazíamos as compras necessárias para o almoço e a estruturação da farra posterior, cervejas, refrigerantes e coisas do gênero. Tudo para deixar garantida a farra que tinha início logo depois da alimentação de mais “sustança”. 

Nós tínhamos aquele camarote extremamente privilegiado. Da casa, acompanhávamos toda bagunça do mela-mela, que tinha início no final da tarde. Convivíamos, acho que esse é o melhor termo, com o carnaval que acontecia durante a noite toda, na praça. Por isso mesmo, deixávamos tudo muito bem arrumado antes de ir para a praia.

E assim se guiam todos os dias. De volta da praia, banho e almoço. Daí para frente era carnaval. Dá para entender que essa mistura que se faz, entre a folia de carnaval, o ímpeto da juventude e uma turma de amigos, tem que resultar em algumas situações que fogem o padrão normal de comportamento. 

A casa comportava bem o grupo, mas, se levando em conta que eram mais de 30 pessoas, dava para prever que tinha gente em todos os cantos da casa. Na sala da frente, então, ficaram os rapazes mais soltos, os que tinham a probabilidade de serem os últimos a retornar para casa. Assim, na sala, acabou se formando um enfileirado de colchonetes.

Na madrugada daquela segunda feira, ainda no período de carnaval, uma das meninas, acordou e foi procurar alguma coisa na sala. Melhor não entrar nesse detalhe. Tudo muito escuro, ela resolveu acender a luz. O interruptor ficava bem no portal, na entrada da sala.   

Ela acendeu a luz, deu um gritinho (sabe aquele “ai” de um susto que você põe a mão na boca para não chamar atenção?) e, logo depois, apagou a luz. Tinha um homem nú esparramado na sala. Logo, ela foi chamar outra das meninas da casa e foi mostrar a cena. Ai imagine: as duas no portal da sala; ela acende a luz novamente; as duas repetem o grito, da mesma forma; tapando a boca; e vão chamar mais uma, a terceira.

Nessa brincadeira veio a quarta, a quinta, a sexta, tudo seguindo o mesmo ritual. Elas se postavam no portal da sala, acendiam a luz, davam juntas o mesmo grito, davam risadas que já tomavam conta da casa e iam em busca de mais uma. Mais uma outra para ver o tamanho da cena, se é que você me entende. 

Nessa, as 12 ou 13 mulheres que estavam na casa, todas passaram pelo portal da sala, vislumbraram a cena, deram o mesmo grito tapando a boca e rindo. Lógico que os comentários eram hilários, todas comentando sobre os detalhes da cena. Todas, ou quase todas, foram conferir uma, duas ou mais vezes as questões do rapaz nú, esparramado em um colchonete na sala da casa. 

O rapaz estava largado no colchonete, na sala da casa, totalmente sem roupa, de papo para cima e com o seu companheiro de batalha adormecido sobre a perna. Um detalhe que chamou muito a atenção das meninas, e que gerou os comentários dos quais eu me referi. Melhor não relatar os comentários aqui, o texto pode ser lido por menores. 

O mais engraçado foi que a primeira a ver a cena voltou todas as vezes, acompanhando cada uma das outras mulheres, assim como a segunda e por ai vai. Todas davam o mesmo grito, independentemente da quantidade de vezes que já tinham ido conferir a cena. A questão é: ninguém fez nada para acabar com a nudez do sujeito.

A brincadeira durou até que um outro rapaz foi chamado para resolver o problema. Ele acordou o moço, que estava encantando as meninas da casa, trazendo-o de volta a vida, ajudando para que ele pudesse se recompor e acabar com aquela situação. 

O caso entrou em investigação. Estávamos todos, inclusive o rapaz que protagonizou a nudez, querendo entender o que teria acontecido. Como que ele, apesar de saber que tinha abusado da bebida, teria chegado em casa e se prestado ao show.

Foram muitas teorias e muitas histórias. Já teve até quem tentasse assumir a culpa do caso, mas, na verdade, virou um enigma e vai continuar em aberto. Todas as deduções propostas foram derrubadas.    

 

Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde 

eu conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

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sábado, 22 de outubro de 2022

A Festa do Contrário!



Foi assim que nós batizamos aquela festa épica!

Estamos falando do ano de 1987. Nossa turma era ainda toda formada de adolescentes. Nós já éramos amigos de longas datas, e já tínhamos realizado muitas outras aventuras. De qualquer forma, aquele tipo de festa era um desafio, levando em conta as concepções sociais da época. 

A data comemorativa mais marcante da turma era o dia dos namorados, sendo óbvio até. Assim nasceu a ideia de uma comemoração diferente, algo que marcasse, que ficasse registrado na nossa história. Foi para isso que nos desafiamos a fazer a Festa do Contrario! 

A festa começou a ser idealizada nos nossos encontros, como sempre, tendo o Caravele como pano de fundo. Em cada reunião que fazíamos apareciam novas sugestões e lógico, as negativas, as dificuldades que teríamos que enfrentar.

Uma festa onde os homens se vestiriam como mulheres e as mulheres se vestiriam como homens, era de se imaginar que nem todo mundo iria topar. Essa era só uma das questões levantadas. Tinha a questão do onde, de como nossos pais iriam encerrar essa brincadeira e coisas do gênero.

O primeiro desafio era garantir que todos estivessem vestidos a caráter. Nós teríamos que fechar a questão de que só entraria na festa quem estivesse devidamente trajado. Não se poderia permitir ninguém quebrar a regra. Nem mesmo se um dos pais, por exemplo, quisesse ir à festa, teria que se vestir a caráter. Ninguém era ninguém!

O Local escolhido foi um sítio nas imediações de Messejana. Um local tranquilo, onde nós poderíamos fazer a bagunça do mundo todo, sem incomodar ninguém. O sitio era dos pais de um dos nossos amigos, um dos membros da turma. A Turma dos Anjinhos!

Teria que ser uma festa com todos os aparatos. A decoração feita com muito capricho, um buffet que pudesse dar conta do número de pessoas que imaginamos que poderiam estar lá, a seleção musical, que deveria ser escolhida e preparada a tempo. Nós estávamos no tempo da fita K7. Não dava para preparar uma trilha musical assim da noite para o dia não.

Só que a festa rendeu muito mais do que poderíamos imaginar. Nos dias que se seguiram a preparação dessa festa, teve um dia em que 14 homens se prontificaram a ir ao centro da cidade, comprar sapatos de mulher. O detalhe: sapatos que coubessem naqueles “pesinhosdelicados”. Sapatos de mulher com tamanhos do 40 ao 46. A loja escolhida foi a Arca da Aliança!

Da para imaginar? Um monte de homens na secção de sapatos femininos enchendo o saco dos vendedores. Deu para chamar a atenção de todo mundo que estava na loja, rendeu muitas risadas e, diga-se de passagem, demorou para que a nossa história fosse absorvida.

Lá estávamos nós, tentando encontrar um sapato que se adaptasse ao pé. Cada pé que vou te contar. De repente começou os aplausos. Cada um que conseguia um par adequado ao pé, desfilava na passarela da loja e arrancava os aplausos, vindo dos amigos e dos outros clientes da loja. Virou bagunça, a gente desfilava, dançava, fazia todo tipo de graça.

Um dos amigos, no entanto, ainda saiu da loja sem o seu par de sapatos. O pé dele tinha a tala mais larga do que os demais. Segundo as piadas, não era um pé era um casco. Ele só foi encontrar uma sandália, sem lateral e com umas tiras de amarrar, o que facilitou a adaptação do pé dele, em um dos Camelôs, no calçadão, nas bancas de vendas do centro de Fortaleza.

Tivemos também muitos outros, como por assim dizer, incidentes engraçados, no transcorrer de toda a preparação, e em todo o processo para se chagar à festa. Foi todo mundo muito bem arrumado. O traslado, entre as casas e o sítio onde a festa seria realizada, era longo.

Um dos amigos, devidamente trajado, quase uma moça, ficou esperando um bom momento para pegar o elevador do prédio. Quando ele tomou coragem e decidiu ir não deu outra, no andar debaixo entrou um bocado de gente. Lógico que ficou todo mundo olhando para ele, sem conseguir entender.

O outro com o vestido de 15 anos da irmã, deu o prego de pneu na moto. Assim mesmo! Um cara até meio parrudo, de bigode, com as feições bem características de homem, em um vestido branco, esvoaçante, com o zíper nas costas abertos (não dava para fechar) e “puto” de raiva. O borracheiro deve ter dado gargalhadas o resto da noite!

O fato é que a festa rendeu tudo o que a gente poderia imaginar. Muitos outros amigos, amigos que não eram da turma, mas que foram convidados, tomaram coragem e apareceram. Devidamente vestidos, é claro. Todo mundo fez piada com todo mundo! Todo mundo, de alguma forma, ou por alguma coisa mais especifica, foi “gozado”!

Tivemos de um tudo. Desde a “macheza” daquelas moças que, travestidas, demonstraram quão grotesca é a cultura machista da nossa sociedade. Da mesma forma, aqueles rapazes que se libertavam de uma espécie de armadura e deixavam fluir o seu lado mais doce.  

Deixando a filosofia de lado, tivemos muita dança, um desfile para a realização geral, para mexer com o ego daquelas moças e rapazes, muito mais dos rapazes, pode se afirmar. A verdade é que, todo mundo se soltou. Devagarinho foram aparecendo às performances, algumas que ficaram na história.

As imitações e as caracterizações, como a da nossa Cover da Elba Ramalho, uma briga entre as mais puritanas e as mais prostituídas da festa, que não se deixaram em paz durante toda a noite. E, para fechar a festa, um show de strip-tease.

Um dos caras embarcou na brincadeira, e fez um show mesmo. Ele levou todo mundo junto na viagem dele. Incorporou a meretriz no palco, envolveu todo mundo no clima de sedução e só parou por conta de uma chuva de sapatos.

A festa foi fotografada e filmada, uma novidade para a época. Uma câmera que gravava em fita VHS! Lógico que todos esses registros foram usados para as alfinetadas que se sucederam pelo tempo. Hoje, ainda quando se tem algum contato com uma dessas fotografias, como no meu caso de hoje, vem à mente todas essas histórias.

A fita VHS sumiu. Uma pena! Era um registro de muito valor sentimental, mas nessa de bolar de uma casa para a outra, sumiu!


Obs: Esse é um texto extraído do livro Anjos da minha vida, onde eu conto muitas histórias dessa turma de amigos, a turma dos Anjinhos!

 

Aélio Jalles (Lelo)






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