quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

O valor da gentileza


 


Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam,

de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram.

 

Machado de Assis.

 

As maiores lições da vida são as que nos fortalecem e não as que nos ferem. Na verdade, quando somos feridos, magoados, independente de qualquer ensinamento que a situação possa nos oferecer, nós buscamos como necessidade automática revidar, reagir.

É como se fechássemos o raciocínio e usássemos toda a nossa energia exclusivamente para reverter à situação e devolver a agressão. Por não conseguir pensar, essas situações acabam sendo rechaçadas pelo escudo do rancor. Mesmo com o passar do tempo, elas continuam, sempre que vêm à memória, lembradas com a dor da mágoa.

Nessas situações o instinto de vingança toma conta da razão e nós nem pensamos se a lição que nos foi oferecida teve alguma valia ou não. Aprendemos com a dor, isso é fato, mas nessa hora, antes de absorver qualquer ensinamento, o coração se fecha de tal forma que nós nem analisamos se os motivos que levaram a outra pessoa a agir, ou até a reagir, tiveram valor ou alguma licitude. 

A questão é que, sob o domínio da força, me parece que toda lição gera uma reação adversa. Ela dispara o gatilho da raiva e provoca um redemoinho de sentimentos, que naturalmente são sempre muito negativos. São sentimentos ruins e tão fortes que o efeito da lição, mesmo que seja capturada, acaba ficando em segundo plano. 

Ao contrário, a gentileza costuma abrir as portas. Uma lição, por mais dura que ela se configure, se for oferecida com gentileza, traz à tona um redemoinho de sentimentos positivos. Sentimentos positivos desarmam as nossas defesas e abrem o coração. Eles nos fazem, naturalmente, muito mais suscetíveis.

Com o coração e a mente abertos, uma pessoa se torna muito mais disposta para a absorção de qualquer tipo de informação. Não só isso, na memória afetiva, sempre que uma informação que nos foi oferecida com gentileza, cordialidade e coisas do tipo é resgatada, ela é resgatada com boas energias. 

A gentileza sempre gera o processo da mais-valia. No meu modo de ver, a gentileza é uma das mais valiosas ferramentas das relações humanas.

 

Aélio Jalles (Lelo)

 


quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Eu acredito no Natal


Como é que eu devo falar, se eu, no auge dos meus 59 anos, acredito na mágica de tudo que o natal é capaz de proporcionar. Acredito, com a minha plena convicção, que existe um algo diferente nessa pequena passagem de tempo, nesse momento do ano e que esse algo deixa cada um de nós com o desejo mais latente de ser melhor.  

Quero deixar bem claro que não estou aqui me referindo na questão do presente físico. O ato de dar um presente físico é simbólico, e que na falta da nossa compreensão, permitiu que esse simbolismo fosse transformado em um ato meio comercial somente.

Dai podemos até criar o questionamento de dizer que o natal é frustrante e que Papai Noel é injusto. Ora veja; ele dá o melhor presente para quem pode, as lembrancinhas para que não tem tão boas condições e nada para quem não tem nada. Essa é a verdade de um Natal relativamente vazio!

Não, o Natal é muito mais que isso. Quer queira ou não, o natal carrega a simbologia do renascimento, da confraternização e do compartilhamento. É uma tríade de sentimentos.   

O renascimento como símbolo da esperança, é o que nos permiti ter a ideia de mais uma chance. Mais uma chance para fazer acontecer, mais uma chance de fazer o que certo, mais uma chance de fazer o que deve ser feito. É um momento de introspecção, de avaliação de vida onde cada um de nós faz, efetivamente, planos para ser melhor.

O espirito do natal também traz consigo a confraternização. É um momento de muita troca, de reencontros e de muita alegria. É um momento de deixar fluir os bons sentimentos, passar por cima das diferenças e comemorar a vida.

E o compartilhamento. O ato de dividir irmãmente. O ato de fazer com todos e por todos. A atitude que une a família, que abraça aos amigos, os parentes e os aderentes. É o momento onde todos se juntam para dividir o bolo da festa, para comer a mesma comida.

Tudo isso revigora em nós a sinceridade dos sorrisos, a confiança dos abraços, a pureza da alma e a gratidão por tudo o que recebemos da vida. Eu acho que é ao deixar fluir essa gratidão, o reconhecer o quanto o outro nos faz bem, que nós reascendemos o amor.  

Por isso mesmo eu acredito no natal. Eu acredito que o espirito que envolve a humanidade nessa época é realmente capaz de transformar o ser humano para melhor. . 

 

Aélio Jalles (Lelo) 


 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Anjos da minha vida




Fui instigado por uma amiga a escrever algo sobre esse momento de confraternização, de companheirismo e das boas energias que a proximidade do natal carrega. Algo que fosse capaz de retratar o valor do que é vivenciar o fato de estar rodeados de amigos, a essa altura das nossas vidas.

Posso dizer que sempre gostei de gente, do convívio e do abraço dos amigos. Eu gosto de me sentir parte, gosto dos sorrisos que esses encontros provocam e da cumplicidade que só uma boa amizade é capaz de proporcionar.

A vida nos ofereceu a condição de ter amigos, de fazer parte dos mais variados grupos de amigos e amigos do bem. É indescritível a magia da amizade. Em cada encontro, em cada momento de confraternização desses grupos, a vida nos brinda com momentos que retratam toda essa magia. 

São momentos que inundam a nossa alma de alegria, uma alegria que transborda pelos poros e rega o mundo. Nós na verdade, sempre que saímos desses encontros, reabastecemos o coração com as boas sementes e saímos por aí despejando essas sementes pelo caminho.

Com o passar dos anos, com a transformação que a vida exige, esses amigos passam a ter ainda mais importância. É que com a idade, com os filhos ganhando asas, vivendo as rotinas de vida deles, os amigos se tornam a nossa melhor companhia.

Nossos assuntos se batem, nossas brincadeiras são condizentes e as conversas, por mais variadas que possam parecer, fazem sentido. Falamos de nós mesmos, temos o direito de transformar contextos antigos a nosso favor. Floreamos a vida e mangamos uns dos outros.

Por tudo isso, dá para dizer que é ao lado dos amigos que nós revivemos os nossos melhores momentos. É com eles que rememoramos o que a vida nos ofereceu de melhor e recriamos as lembranças que nos interessam e da forma que nos é conveniente.

Usufruir da companhia e do carinho dos amigos é, sem dúvida, a melhor receita de felicidade. Dá para dizer que cada um desses momentos produz sementes de um amor que nós vamos semear por toda uma eternidade.

É que amigos são anjos que o universo nos oferece com o intuito de dar um colorido especial à vida da gente.

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 




 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Infelizes para Sempre


 

“Na sua maior parte, a miséria humana é causada pela estupidez e ignorância, especialmente a ignorância a respeito de nós mesmos”.

 Carl Sagan

 


Dá para imaginar duas pessoas que, propositadamente, tomem a atitude de  tornar-se infelizes para sempre? Dá para imaginar duas pessoas cegas, seja por ciúmes, seja por egoísmo, seja pela incapacidade de enxergar o outro, incapazes de ver que o mesmo amor que lateja no coração de um lateja no coração do outro? 

Para mim, o Dudê e a Laura conseguiram esse feito!

A bem da verdade, de forma muito clara, o Dudê sempre diz que: sem ela a vida não tem cor, não tem graça. Ele faz muito bem o tipo do “Eterno Romântico” e que não mede esforços para manifestar esse amor. Não tem como deixar de perceber o sentimento que ele exala.

Ele sempre foi um cara romântico. Um sujeito que diz sonhar com uma vidinha sem pompas, que está constantemente verbalizando aquela história de que tudo poderia ser resumido a um amor e uma cabana. Isso, lógico, se o amor em questão, se a pessoa dentro da cabana fosse a Laura.

Um sentimento que a Laura exala da mesma forma e com a mesma intensidade.  Embora na relação ela seja mais fria do que ele, se posicione sempre como mais independente, “a escrotona”, basta observar que ela nunca deixava a distância ficar maior do que o braço dela era capaz de alcançar. Ou pelo menos até então, essa era a medida dela.  

É que em algum momento, ela mensurou errado essa distância. Em um dado momento ela permitiu que ficasse maior que o alcance do braço dela. Por um acaso qualquer ela perdeu a mão e a noção do espaço que os separava. Na verdade, ela perdeu o chão quando viu que não tinha mais como puxar ele de volta.

Sente-se com ela em uma mesa. Dê a ela a chance de falar. Em um minuto o assunto se transforma em Dudê. Nos quatro cantos do universo da vida dela existe o Dudê, o que deixa claro que sem ele a vida dela também não tem graça.

Mesmo com todo esse amor, mesmo os dois tendo a consciência do sentimento que carregam e da força que esse sentimento tem, eles não conseguiram vencer as diferenças. Eles não conseguiram se desarmar para enxergar a reciprocidade desse sentimento.

As características pessoais impediram a continuidade do relacionamento. Essas características, os detalhes da personalidade que regem, até de forma involuntária, o comportamento de cada um deles, é o que deixa claro que, apesar do amor, eles não foram feitos um para o outro.

Não dá. A fortaleza de cada uma das personalidades fez com que eles fechassem a tampinha da caixa e deixassem o mundo de amor fora dela. Para complicar, as atitudes impensadas, inconsequentes, foram erguendo um muro, uma barreira que foi capaz de afastar a possibilidade de qualquer reconciliação.

Acho que eles nunca deixaram o amor tomar conta da relação. Eles são a prova viva de que amor sozinho não é suficiente, tem que existir uma construção minimamente inteligente por trás de tudo, para que o sentimento possa funcionar.

O Gonzaguinha citou em uma música algo bem próximo a isso. Embora a música fale de uma decisão de amar, da decisão de nunca deixar de se olhar, no caso deles, eles, propositadamente, tomaram a decisão de fugir desse amor. 

A música fala em estrelas que seguem em trajetórias opostas, sem nunca deixar de se olhar. Aqui eu cito que eles tomam trajetórias opostas, como fugir um do outro, mas que nunca vão deixar de se amar.

Lições Do livro: Sem jamais deixar de se amar

 

Aélio Jalles ( Lelo)

 


 

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Agradecimentos do Livro Sem Jamais Deixar de se Amar





Agradecimento

 

Como agradecer ao mundo a possibilidade de realizar esse meu desejo?

A bem da verdade, eu precisei de alguns anos maturando a ideia e a força de um mundo de gente. Amigos, gente que se chegou a mim e que me motivou. Gente que me deu indicações de como seguir e de como fazer acontecer.

 

Amigos de uma boa diversidade de grupos. Eu jamais vou poder deixar de lado a troca de ideias. Essas pessoas me fazem ter a certeza de que ninguém consegue realizar nada sozinho. Não vejo como não creditar a cada um desses amigos, um pedacinho, que seja, do que aqui está escrito. 

 

A vida, além dos amigos, me presenteou com filhos e alguns relacionamentos. Os filhos, as minhas pérolas, os meus maiores presentes, são também os meus maiores críticos. Além do ato de me fazer repensar mais uma vez, acho que são eles sempre os maiores motivos que eu tenho para realizar qualquer coisa.

 

Dos meus relacionamentos, quero frisar que foram eles que me fizeram crescer, me fizeram maior. Posso dizer que eles foram o alicerce de todo o processo de formação da vida que eu fui construindo. Foram eles que me ofereceram a base natural para eu chegar até aqui, da forma que eu cheguei.

 

Foi através da vivência adquirida nessas relações que eu cheguei até esta última, assim espero. Uma maturidade que eu até exponho no livro e que ofereço como lições - lições que, espero, sejam suficientes para que eu tenha a sabedoria necessária para conduzir a vida dentro desse último abraço.

 

Por último, quero não só agradecer, na verdade quero dividir os louros dessa obra com a minha afilhada. Foi com ela que debati e aprimorei cada pedaço do texto que foi escrito.  Foi com ela que redefini a ideia que eu tinha inicialmente e dei todo o polimento, no que eu considero a minha joia, o meu livro!

 

Espero que o leitor aprecie esse livro tanto quanto eu apreciei o processo de construí-lo e dar-lhe a forma necessária para sair ao mundo e contar essa história tão significativa para mim. Que todos tenhamos motivos para “jamais deixar de amar”.

 


Aélio Jalles ( Lelo)

 






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quinta-feira, 23 de novembro de 2023

A máquina de amar


 

Meu coração está se transformando em uma máquina de amar.

Um amor que é só seu, que o universo assim te deu,

por talvez ser merecido. Pois se assim foi decidido,

que nos faça ir em frente, de tanto ser aguerrido.

 

 

Ele ainda vem crescendo, se estruturando e fortalecendo,

a cada passo da estrada, dessa bela caminhada

que resolvemos começar. É como se livrar do nada

de uma situação embaraçada para o mundo abraçar.

 

 

Por isso fique perto de mim, senão eu sinto saudades.

Eu tenho um coração quente, nas veias um sangue ardente

que me corre pelo corpo, que me faz suar o rosto,

quando te busca e não te sente.

 

 

Minha mão na sua mão traz uma energia mágica

que reabre os horizontes, recria ilusões aos montes

e nos faz ressuscitar. É como uma reação química,

coisa do corpo, orgânica, que vem revitalizar.

 

 

A distância não impede de sentir e me lembrar

É que de tanto te querer e desse imenso desejar,

minha cabeça tem por fim a condição de imaginar.

Imaginar você aqui, do meu lado a me beijar. 

 

 

Mesmo assim sinto saudade.

O tempo todo dá vontade de querer você comigo.

É que é bom estar juntinho, ficar assim bem coladinho,

Pois seu cheiro é o que ressalta esse desejo que me mata

E que só seu corpo faz de abrigo.

 


Aélio Jalles (Lelo)






 

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quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Sob a tutela do coração



O amor não é banal,

Não é uma coisa casual.

Não se expressa assim do nada,

Como passe de uma fada,

Nem vem com manual.

 

Eu sei que é difícil trilhar os caminhos do amor. A mim, parece que ele é feito somente para quem sabe o que quer e tem a condição de controlar as emoções, o suficiente para não se permitir cair nas armadilhas do cotidiano.

Como unir pessoas diferentes, criadas sob condições familiares das mais diversas? Por vezes, as condições de vida são tão divergentes que nem consideramos aceitáveis ou compreensíveis a forma de vida do outro.

Nessa ótica, unir pessoas, unir os universos parece até loucura. Dar a alguém a condição de olhar para a vida do outro sem julgamentos, sem a necessidade de fazer prescrição ou de tentar dar soluções para os problemas que se enxergam, deve fazer parte da sabedoria do amor.

É por isso que se diz: “o amor é difícil para os indecisos, é assustador para os medrosos, é pesado demais para os fracos. O amor é uma construção necessariamente inteligente, onde a decisão de estar juntos deve superar as diferenças”. Eu acredito que o amor é para quem sabe tomar a decisão de ser feliz.

A questão é que, sob a tutela do amor, nós nos tornamos possessivos. Não é exatamente mandar, mas de certa forma pelo menos conduzir, levar a outra pessoa para o caminho que queremos. Sem querer, estamos o tempo todo tentando impor as nossas condições.

É muito fácil querer que o outro se adeque às nossas condições. Quase sempre damos como insensatez o oposto, sermos nós a nos adequarmos às condições do outro.  É que nem dá para entender como é que a outra pessoa é capaz de viver ou fazer as coisas da forma e do jeito que faz.

Nós estamos sempre querendo que o outro seja capaz de entender o nosso raciocínio. Tudo passa pela vontade de fazer com que o outro entre no nosso mundo, do nosso jeito. Tudo bem, desde que essa busca não se torne alucinada, impositiva, que ela não perca a linha do bom senso. Dentro do bom senso, esse é um sentimento que representa o amor e a vontade de acertar.

É muito importante entender que a decisão de caminhar juntos cobra da gente uma ampliação da nossa flexibilidade e da nossa resiliência. Para sonhar um sonho a dois se faz necessário trilhar um caminho que não é só seu.

 

Lições do livro: Sem jamais deixar de se amar

 

Aélio Jalles ( Lelo)

 


 

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Apresentação do Autor



Livro: Sem jamais deixar de se amar 

Essa é uma obra de ficção. Que isso fique bem claro! 

Qualquer semelhança com a relação de um casal amigo, mesmo que eu possa ter sido testemunha de uma vida inteira dessa relação, que eu tenha acompanhado muito de perto as nuances do sentimento que os uniu e até mesmo tenha sido, por muitas vezes, o interventor das brigas, é mera coincidência!

Sem jamais deixar de se amar é uma história fantasiosa, que apesar de não ser um conto de fadas, tem a intenção de ser um conto, ou mesmo uma reflexão sobre o amor.


Aélio Jalles Monteiro

Apresentação do autor

 

 

 

Brasileiro, Cearense, tem hoje 59 anos.

Filho de professores, sempre foi muito estimulado para o caminho da leitura, no entanto foi uma imposição do trabalho que o fez aderir, de forma mais intensa, ao gosto pelos livros.

Sua formação é muito mais autodidata, prática, do que propriamente acadêmica. Por conta do trabalho, passava muito tempo na estrada, onde encontrou a oportunidade perfeita para se abraçar aos livros.

Cobrado para ter sempre um objetivo de desenvolvimento pessoal paralelo ao trabalho, criou um espaço adequado para a leitura - bastante óbvio, até, e ele nunca tinha se dado conta. A sala de espera dos clientes.

Esse foi o melhor espaço do mundo para ler e tornar o hábito da leitura cada vez mais forte. Algo que ele mesmo batizou de: cultura de sala de espera.

Passou pela experiência e tentativa de uma formação acadêmica, mas foi a vivência que o transformou em um contador de histórias, como ele mesmo faz questão de se identificar.

 

 

 

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Através de você


Eu sou, sim, um desses sujeitos que se dizem eternamente românticos, desses que respiram o amor e que sempre sonharam com uma relação de reciprocidade plena. Na minha cabeça, não existe nada tão forte quanto esse encontro de vidas. O encontro onde duas pessoas resolvem dar as mãos, assumem-se responsáveis uma pela outra e tomam o caminho da vida juntas.

Eu até pensei que não teria mais tempo, tempo de vida, para viver esse amor. Engano meu. Acabei enxergando o amor em um encontro que eu mesmo achei improvável, quando um dia olhei para você e pensei na possibilidade. Um momento diferente entre tantos outros que nós já tivemos e sob uma lente que me fez ver você, sob uma nova versão.

Dizem por aí que tudo tem seu tempo e que o tempo de Deus nem sempre cabe dentro da nossa compreensão. Que é ele quem determina os encontros e traça os caminhos. Que na hora certa as vidas se encontram e as almas entram em sintonia.  

Acredito que eu tive sorte, hoje entendo dessa forma, de viver alguns amores, amores que não consegui explicar, que não consegui entender. Eles foram confusos, cheios de entraves e outras coisas mais. Coisas que me entorpeceram, me machucaram e até endureceram meu coração.

Eu me achei decepcionado com a vida, cheguei até a me sentir frustrado imaginando que tinha perdido a chance de viver o amor como eu sonhava. Só que, como bem disse Jorge Vercillo, esse amor chega para nós através dos encontros e desencontros da vida, levado de “amigo a amigo”, de “mão em mão”, e que o tempo e essas relações vividas são meros estágios.

Pois agora, mais que tudo, eu digo a você: a vida me preparou para viver essa nova história. Eu voltei a ver o colorido da vida através dos seus olhos e os percalços e as dificuldades que ela ainda me impõe tornar-se-ão meros detalhes, pois eu tenho a energia da certeza renovada a cada vez que o meu olhar encontra com o seu.

O mundo ganhou um colorido novo e a minha vida ganhou a força necessária para seguir em frente. O seu cheiro, no tom perfeito, me faz viajar pelos ares de um prazer que eu até então nem imaginava existir. É que; através de você, eu entendi que o amor repara os danos da alma, recicla o coração e só constrói coisas boas.

 

Aélio Jalles (Lelo) 


 

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

O valor de uma relação maturada



Já tinha sido o dia todo de festa. Era o aniversário da mãe do Luide e o domingo tinha se transformado em uma grande reunião de família e dos amigos dos pais dele. Eli e os pais faziam parte, as famílias já se reconheciam.

Os pais do Luide já tinham percebido que o convívio com a família da Eli fazia bem ao filho. Era notável o quanto ele tinha desenvolvido sua personalidade, ganhado confiança e de como sua postura já tinha influenciado, trazido para o seio da família dele, alguns benefícios.

As conversas familiares na casa do Luide tinham se intensificado.  As ocasiões em que estavam todos juntos tinham se multiplicado também e a troca de informações entre os pais, o Luide e a irmã tinha ganhado fluidez. Era sem dúvidas uma influência direta da relação da casa da Eli.

Já para o final da festa, ficando somente um núcleo bem pequeno dos amigos e familiares, os mais chegados de fato, o pai do Luide resolveu instigar o pai da Eli. Era como deixar fluir uma verdadeira mistura de sentimentos. Curiosidade, afronta, necessidade de se mostrar, sem falar que ele queria pôr à prova as pregações que o filho fazia.

Ele tirou proveito de uma linha de raciocínio, uma deixa da conversa que eles estavam tendo, e jogou a pergunta no ar, só que, na verdade, a pergunta era muito bem direcionada ao pai da Eli. A pergunta, envolta em questionamentos e ponderações sobre as relações dos casais, dizia: quem pode me explicar o que significa ter uma relação maturada?

De pronto o Luide quis repreender o pai, mas o sogro tomou a palavra. Ele disse de forma muito bem humorada: “eu acho que essa é uma pergunta quase direta para mim. Essa é uma pregação muito pessoal que eu tenho feito aos nossos filhos. Se mais alguém quiser dizer alguma coisa, fique à vontade, e se não, vou tentar oferecer a vocês o meu raciocínio”.

Ele aguardou o silêncio se concretizar e falou: “tem duas características que eu valorizo muito em uma relação. A primeira é a equidade, o equilíbrio de forças entre os pares, a condição de que os dois estão sempre dentro da mesma medida e do mesmo patamar. Eu penso que esse é um primeiro passo, para que uma relação possa ter longevidade, com saúde”.

Ele continuou: “a segunda é a maturidade, colocando essa como a característica necessária para que um seja capaz de escutar o outro. A maturidade, nesse caso, acaba sendo a condição necessária para que nenhum dos dois tome uma decisão unilateral”.

Ainda na fala dele: “assim, eu tenho como uma relação maturada a relação onde os dois se conhecem de forma muito profunda. Eles já conversaram tanto, já se escutaram tanto, que um conhece a opinião do outro, de forma clara e transparente. Uma relação que só se constrói se um for capaz, principalmente, de escutar o outro”.

Aí, para não permitir que a conversa virasse um monólogo, a mãe da Eli resolveu intervir: “eu queria falar aqui, para que todos pudessem pensar, para nós mulheres ainda não é fácil entender essa questão da equidade, sem pensar em guerra dos sexos”.

Ela continuou: “como a grande maioria das mulheres, eu venho de uma criação patriarcalista, machista, sexista e mais um monte dessas coisas. Nós não recebemos uma formação sexual inclusiva, capaz de nos fazer entender que sexo era bom, que fazia bem e que nós tínhamos o mesmo direito ao prazer”.

Nessa hora a plateia já estava de olhos arregalados, mas ela só aproveitou a atenção: “meu marido é maior que eu, se eu quiser medir forças com ele, eu acho que vou me dar mal. Mas eu quero me agarrar com ele. Eu quero me prender a ele e somar forças. Juntos nós somos maiores e mais fortes”. 

Em uma dessas sintonias que chamam a atenção, o pai da Eli tomou a palavra: “a gente sempre tenta puxar o nosso par para o nosso mundo. Só que não é assim que as coisas funcionam, as medidas da relação têm que ser embasadas pelos dois, a gente tem que saber entender o que dá mais certo”.

Ainda na mesma sintonia, a mãe completa: “Maturada é uma relação que já levou tanta paulada, que se moldou devidamente. É difícil moldar alguma coisa sem levar em conta a parcela de sacrifício que se tem que viver. Só não se pode querer que o sacrifício venha só de um lado. Os dois devem ceder”. 

Aí, para completar a fala, para fechar com chave de ouro, entra em cena a voz do Luide: “aceitar  que o mundo não é feito somente das suas verdades é uma lição muito difícil de entender”. O garoto foi apresentando a sua maturidade e falando com muita segurança.        

Ele fechou a fala e a conversa dizendo: “eu venho entendendo cada vez mais que o amor é uma construção diária e não uma coisa casual. A decisão de caminhar juntos cobra da gente a ampliação da nossa flexibilidade e da nossa resiliência. Para sonhar um sonho a dois se faz necessário trilhar um caminho que não é só seu”. 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 


Livro: Era Uma Vez Meu Coração

 

Capitulo 01: O primeiro beijo

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Capitulo 02: O curso da vida

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Capitulo 03: E Ai Cadê meu ovo?

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Capitulo 04: O Desabrochar da Sexualidade

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Capitulo 05: A primeira vez

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Capitulo 06: Sexo a Conexão das Almas

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Capitulo 07: O Abraço da Confiança

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Capitulo 08: As novas cores do Arco-Íris

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Capitulo 09:  A Liberdade da Libido 

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/08/a-liberdade-da-libido.html

 

Capitulo 10: Equidade é uma questão de respeito 

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/08/equidade-e-uma-questao-de-respeito.html

 

Capitulo 11: Sob a ótica do filho

Link do texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/09/sob-otica-do-filho.html


Capitulo 12: O valor de uma relação maturada

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/10/o-valor-de-uma-relacao-maturada.html

 

 

 

A mentira de mil vezes

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