quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

O sabor da amizade


Eu quero agora, mais do nunca, levantar um brinde às boas amizades.

Meu primo, uma vez na comemoração de um dos seus aniversários, disse que o melhor daquele dia era a possibilidade de comemorar a vida junto dos amigos. Então, quero fazer dessas as minhas palavras, e poder nesse momento comemorar a vida e todas as minhas boas amizades.

Eu nunca gostei muito da solidão, até penso que tenho meus bons momentos comigo mesmo, mas nunca me prendi muito a essa linha. Eu penso que o isolamento é uma forma de exclusão, de autossabotagem, uma forma de você se eximir da possibilidade de ser feliz.

Na minha cabeça, o melhor da vida está ligado ao convívio com os amigos. Que é a amizade que proporciona o contágio das alegrias, e que os abraços sinceros renovam as nossas energias. Não pode existir nada melhor que a cumplicidade que só uma boa amizade é capaz de proporcionar.

Eu me considero um sujeito agregador. Eu participo de alguns bons grupos, e sinto a diversidade dos sabores desses relacionamentos. Sabores que o fato de caminhar junto vai desvendando e nos oferecendo, como que marcando o valor da presença que cada um tem na vida do outro.   

É um gosto que pode surgir de um gole de café, e de toda a resenha que acontece, por exemplo, nos encontros da turma da praça. São encontros que marcam uma amizade que transbordou os limites da praça e nos faz conviver mais intimamente, como parte integrante da vida uns dos outros.

São sabores que brotam dos brindes da cerveja gelada, mas que só servem de fato, se realçados pela cumplicidade dos demais sorrisos que rodeiam a mesa. Uma cumplicidade que até parece com sabor de tira gosto, pois que tempera a boca pela simples presença do amigo.

Ainda estamos vivendo alguns pontos do efeito da Covid e o afastamento de algumas pessoas que os processos de vida nos impuseram. E nessa ilustração dos sabores, é como se nos faltasse retomar alguns bons goles de cerveja e levantar mais alguns bons brindes. Uma “reapropriação” de algumas boas convivências.

Viver os amigos, reviver as boas amizades, as relações familiares e os amores. Já é cientificamente comprovado que vivenciar cada uma dessas relações, de forma intensa e continuada, é o que promove a melhor sensação de realização para a vida.  

Se a nossa estrada não é mais bonita, não podemos culpar a ninguém, as flores que estão nela, fomos nós que plantamos. Os amigos, esses podem até ajudar, eles podem nos oferecer algumas sementes e melhorar o que vem daqui em diante, mas o plantio depende de cada um de nós.  

Fazer amigos é como plantar mais flores na sua estrada. Cuidar e zelar por essas flores, é o mesmo que abraçar e reconhecer, no dia a dia, o valor de cada boa relação que você tem, e isso faz parte do melhor que a vida pode oferecer!

 

 

Aélio Jalles (Lelo) 





 

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quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

A cor da consciência


 

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da

sua pele, por sua origem ou ainda pela sua religião.

Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem

aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.

 

Nelson Mandela

 


Existe uma diversidade de movimentos no mundo em defesa das minorias, contra as segregações e todas as formas de discriminação. Chega a ser absurdo, nós ainda estarmos presenciando a necessidade de se ter que lutar por uma equidade humana. Isso é a maior demonstração do atraso que vivemos. 

O mundo é uma aldeia e nós dependemos uns dos outros. Não tem cabimento tentar distinguir-nos dessa forma, rotular-nos, impondo superioridade por essa ou aquela condição. Uma condição que de fato não confere nada a ninguém, a não ser o registro das facilidades que alguém recebeu de presente da vida.

Mais grave ainda é o uso das religiões para isso. Em sua grande maioria, as religiões vivenciadas no Brasil são derivadas do cristianismo. O Cristo, um judeu na sua essência, nascido na Palestina, um território Árabe, e que é a figura de maior representação do amor, segundo os mesmos religiosos.

O mesmo Cristo que pregou a igualdade, a irmandade, a solidariedade, o amor ao próximo, é usado para tentar justificar os atos de preconceito, de segregação. Será que ninguém mais para e pensa, ou será que eu estou “viajando”? Eu acho que quando alguém instiga esse tipo de raciocínio está negando todas as boas diretrizes dos ensinamentos de qualquer que seja a religião.

Eu reconheço as desigualdades do mundo. Reconheço a segregação, o racismo e as mazelas do comportamento humano. Reconheço a falta de oportunidades à que é sujeita uma boa parte da população, mas acho que isso só vai acabar quando a maior pregação deixar de ser a luta e passar a ser o respeito.

É necessário conversar, debater o assunto e montar os novos conceitos sociais. Essas adaptações da sociedade cobram que os conceitos sejam revistos de tempos em tempos. Essa é uma necessidade natural, eu só não posso acreditar que se possa consertar nada acentuando as diferenças ou querendo empurrar de goela abaixo a opinião individualizada de um ou outro.

Perdoem-me os ativistas, mas ferir o outro não compensa nada, não resgata nada. A dor aferida a alguém não vai curar as feridas do outro. Esse tipo de atitude só aumenta a segregação, amplia a polarização das ideias e gera efeitos colaterais graves.  

Eu sei que ativismo não necessariamente quer dizer violência. Existem muitíssimos tipos de ativismo, muitíssimas formas de reivindicar e lutar pelos direitos das minorias, eu só não consigo aceitar a justificativa da violência. Não se faz inclusão pela força.

Na minha humilde opinião, mesmo sendo branco, hétero e não favelado, eu vivencio uma série de situações onde esses posicionamentos provocam polarização e a necessidade de se tomar partido, como se essas coisas tivessem lado. Não consigo entender que uma pregação que faz distinção possa gerar uma educação de equidade.

Eu penso que é o respeito que vai acabar com as minorias apontadas. Eu sei que é um pensamento simplório demais, que para se chegar efetivamente a isso, nós precisamos de um processo educacional, da implantação de uma nova visão. Foi por isso mesmo que eu abri o texto com a citação do Nelson Mandela.

Como ele disse: “Ninguém nasce odiando”. E se ao invés de acentuar diferenças, nós educássemos pela equidade, sem a necessidade de se impor valores sobre as diferenças? Será que nós não extinguiríamos um monte dessas mazelas humanas? Será que o respeito não tornaria tudo muito mais igual em uma ou duas gerações?

Eu penso que enquanto estivermos realçando as diferenças, elas vão continuar existindo. O respeito concede, cede espaço e abraça a quem tem necessidade. Por isso eu acho que consciência não deve ter cor, credo, raça, nem nenhuma outra distinção, ela deve ser consciência, a consciência do respeito, da equidade e do amor.

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

O efeito da gratidão


Na vida, nós temos muitos professores. Aprendemos as mais diversas lições e das mais diversas formas. Cada lição vem de uma situação de vida, e de acordo com as condições que temos na mão para aprender.

Um antigo chefe, em uma discussão, me disse que, para conquistar respeito, é preciso se impor. Que as pessoas nos respeitam pelo mal que somos capazes de causar. Mesmo não concordando com ele, eu não consegui dar uma resposta de imediato.

Eu precisei de algum tempo para conseguir digerir a informação e concatenar, o que na minha cabeça parecia uma incoerência. Aos poucos eu consegui entender, e hoje eu afirmo com todas as letras que não se pode comparar medo ao respeito. Isso é uma distorção de raciocínio.

Essa é uma pregação do livro O Príncipe, de Maquiavel. Ensinamentos poderosos para o domínio e o doutrinamento psicológico do comportamento humano. Ensinamentos que isentam a pessoa de qualquer sensibilidade, e que podem até oferecer resultados práticos, mas não duradouros.

Algumas duras lições, que são impostas de forma pesada, podem ser deveras inesquecíveis. Sob o domínio da força, como nos ensinamentos de Maquiavel, as lições ficam marcadas na mente, mas normalmente com mágoa, com dor. Quando puxamos por elas, resgatamo-las do coração com uma lembrança amarga.

Sei que devemos tirar proveito de todas as lições da vida, e que, independentemente da forma, todas elas têm seu valor. No entanto, as lições que nos são oferecidas com amor, com carinho, que nos são apresentadas com generosidade, essas ganham um lugar de destaque em nossas vidas.

A diferença mais forte de todas é que, quando nos deparamos com o autor dessas lições de força, lembramos com rancor. Temos por eles um ranço tão profundo, que se tivermos a possibilidade, oferecemos o troco, sem mesmo lembrar da valia do que nos foi ensinado.

Já daquele que nos ofereceu uma mesma lição, mas que dessa vez com o coração, lembramos com o carinho e o respeito de um grande mestre. Respeito, nunca medo, ou muito menos qualquer tipo de raiva.

Diante dessas pessoas, naturalmente nos tornamos mais receptivos, mais abertos. Os grandes mestres, são naturalmente reluzentes, são pessoas que emanam boas energias, que olhamos como exemplos, independente do tamanho, da condição social ou da força que elas possam apresentar.

Pessoas simples, ou não, os grandes mestres são pessoas cheias de gratidão. Hoje eu posso afirmar que, dentre todos os outros sentimentos, a maior base, ou a maior referência do respeito, é a gratidão. Naturalmente, quem é grato, respeita!

Quando se é grato, é fácil estender a mão. Por gratidão você se desdobra, porque divida de gratidão nunca perde a valia, nunca expira e nunca se esgota. Essa é uma divida que simplesmente se renova, a cada vez que é resgatada pelo coração.



Aélio Jalles (Lelo)




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quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Bem-vindo ao ano novo



Essa sensação de poder recomeçar, mesmo sabendo que a nossa história não está começando do zero, tem seu valor. Pôr um ponto final no que foi vivido, e começar a escrever um novo capítulo da vida. Isso nos provoca a sensação de sermos capazes de, daqui para frente, poder acertar mais.

O ano novo não é uma referência de carta branca para uma nova história de vida, muito menos a absolvição dos pecados cometidos, como se o ser supremo tivesse nos oferecido a desvalia do que nos vai ser cobrado por cada ato cometido. 

Não, não temos como nos isentar totalmente dos erros, isso é verdade, até porque eles foram cometidos de fato. Que eles então nos sirvam de lições. Que seja possível aprender o que tem e que deve ser assimilado, para que possamos melhorar o nosso parâmetro. Daí sim, dar início a um novo capítulo da vida, com muito mais sabedoria.

Segundo os Budistas, a paz de espirito acompanha as boas atitudes, as atitudes retas e sensatas. Eu então complementaria dizendo que elas também devem nos aproximar das boas companhias, das boas amizades, das boas energias e nos proporcionar uma boa harmonia com a vida. Ou seja, só precisamos focar na forma que agimos.

Então, o desejo realmente válido, como votos, ou como presságio, para o ano que começa é que cada um de nós saiba fazer uso do aprendizado que a vida ofereceu até aqui. Que a partir desse aprendizado nós possamos redirecionar as nossas velas e dar sobriedade aos nossos objetivos de vida.

Que, com toda essa experiência adquirida, nós possamos cometer mais acertos. Que encontremos os caminhos mais retos, mais coerentes e saibamos nos posicionar melhor frente aos novos obstáculos que a vida vai apresentar. Isso, por si só, já deve te proporcionar uma caminhada muito mais alinhada com as coisas boas da vida.

Que toda essa sabedoria nos aproxime dos bons amigos, que o tempo nos proporcione mais certezas. Esse deve ser o caminho para que cada um possa buscar, à sua maneira, a felicidade que lhe cabe e é devida.  

 

Aélio Jalles (Lelo)

 


 

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

O valor da gentileza


 


Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam,

de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram.

 

Machado de Assis.

 

As maiores lições da vida são as que nos fortalecem e não as que nos ferem. Na verdade, quando somos feridos, magoados, independente de qualquer ensinamento que a situação possa nos oferecer, nós buscamos como necessidade automática revidar, reagir.

É como se fechássemos o raciocínio e usássemos toda a nossa energia exclusivamente para reverter à situação e devolver a agressão. Por não conseguir pensar, essas situações acabam sendo rechaçadas pelo escudo do rancor. Mesmo com o passar do tempo, elas continuam, sempre que vêm à memória, lembradas com a dor da mágoa.

Nessas situações o instinto de vingança toma conta da razão e nós nem pensamos se a lição que nos foi oferecida teve alguma valia ou não. Aprendemos com a dor, isso é fato, mas nessa hora, antes de absorver qualquer ensinamento, o coração se fecha de tal forma que nós nem analisamos se os motivos que levaram a outra pessoa a agir, ou até a reagir, tiveram valor ou alguma licitude. 

A questão é que, sob o domínio da força, me parece que toda lição gera uma reação adversa. Ela dispara o gatilho da raiva e provoca um redemoinho de sentimentos, que naturalmente são sempre muito negativos. São sentimentos ruins e tão fortes que o efeito da lição, mesmo que seja capturada, acaba ficando em segundo plano. 

Ao contrário, a gentileza costuma abrir as portas. Uma lição, por mais dura que ela se configure, se for oferecida com gentileza, traz à tona um redemoinho de sentimentos positivos. Sentimentos positivos desarmam as nossas defesas e abrem o coração. Eles nos fazem, naturalmente, muito mais suscetíveis.

Com o coração e a mente abertos, uma pessoa se torna muito mais disposta para a absorção de qualquer tipo de informação. Não só isso, na memória afetiva, sempre que uma informação que nos foi oferecida com gentileza, cordialidade e coisas do tipo é resgatada, ela é resgatada com boas energias. 

A gentileza sempre gera o processo da mais-valia. No meu modo de ver, a gentileza é uma das mais valiosas ferramentas das relações humanas.

 

Aélio Jalles (Lelo)

 


quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Eu acredito no Natal


Como é que eu devo falar, se eu, no auge dos meus 59 anos, acredito na mágica de tudo que o natal é capaz de proporcionar. Acredito, com a minha plena convicção, que existe um algo diferente nessa pequena passagem de tempo, nesse momento do ano e que esse algo deixa cada um de nós com o desejo mais latente de ser melhor.  

Quero deixar bem claro que não estou aqui me referindo na questão do presente físico. O ato de dar um presente físico é simbólico, e que na falta da nossa compreensão, permitiu que esse simbolismo fosse transformado em um ato meio comercial somente.

Dai podemos até criar o questionamento de dizer que o natal é frustrante e que Papai Noel é injusto. Ora veja; ele dá o melhor presente para quem pode, as lembrancinhas para que não tem tão boas condições e nada para quem não tem nada. Essa é a verdade de um Natal relativamente vazio!

Não, o Natal é muito mais que isso. Quer queira ou não, o natal carrega a simbologia do renascimento, da confraternização e do compartilhamento. É uma tríade de sentimentos.   

O renascimento como símbolo da esperança, é o que nos permiti ter a ideia de mais uma chance. Mais uma chance para fazer acontecer, mais uma chance de fazer o que certo, mais uma chance de fazer o que deve ser feito. É um momento de introspecção, de avaliação de vida onde cada um de nós faz, efetivamente, planos para ser melhor.

O espirito do natal também traz consigo a confraternização. É um momento de muita troca, de reencontros e de muita alegria. É um momento de deixar fluir os bons sentimentos, passar por cima das diferenças e comemorar a vida.

E o compartilhamento. O ato de dividir irmãmente. O ato de fazer com todos e por todos. A atitude que une a família, que abraça aos amigos, os parentes e os aderentes. É o momento onde todos se juntam para dividir o bolo da festa, para comer a mesma comida.

Tudo isso revigora em nós a sinceridade dos sorrisos, a confiança dos abraços, a pureza da alma e a gratidão por tudo o que recebemos da vida. Eu acho que é ao deixar fluir essa gratidão, o reconhecer o quanto o outro nos faz bem, que nós reascendemos o amor.  

Por isso mesmo eu acredito no natal. Eu acredito que o espirito que envolve a humanidade nessa época é realmente capaz de transformar o ser humano para melhor. . 

 

Aélio Jalles (Lelo) 


 

A mentira de mil vezes

O efeito da chamada “Mentira Ilusória” já é de senso comum e os efeitos dela sobre a ação cognitiva do ser humano, também. Não, eu não sou p...