Há 32 anos, nesse mesmo dia
14 de agosto, nascia meu primeiro filho. Não tem como definir um sentimento tão
exuberante, talvez a maior sensação de grandeza, mas que sai desse sentimento
ao desespero de não saber o que fazer. Do sentir-se poderosamente responsável à
inquietante sensação de impotência; é tudo no mesmo instante. Acho que naquele
mesmo instante nascia também um pai!
Entre soluços e reflexões,
imaginei tudo o que eu faria a partir daquele instante, tudo o que eu gostaria
de viver com aquela criança e, principalmente, relacionei erros que eu
supostamente não cometeria, jamais! Passei o dia inteiro vivendo essas
elucubrações, sem uma noção real de tudo o que eu ainda viveria e passaria com
ele.
Era meu filho! Eu agora era
pai! Sem muito entender os porquês, saí mensurando toda a minha criação e
relacionando todas as considerações que eu faria ao meu pai. Era como se eu
quisesse dar-lhe lições, mostrar para ele, meu pai, que eu saberia ser melhor,
muito melhor do que ele, muito mais competente.
A questão é que no filme da
vida não existe ensaio, o script vem em branco e você vai escrevendo ali, de
pronto, às vezes sem conseguir pensar muito, e o pior, na vida não dá pra
repassar a cena e corrigir as cabeçadas que vamos dando. Sim, indiscutivelmente
os erros e acertos vão sucedendo e, como essa é uma estrada sem volta, o máximo
que podemos ter é a possibilidade de refazer um ou outro ponto, sem que isso
apague os danos do que foi feito antes.
Dessa caminhada, não deixo
de anotar meus acertos, ou o que eu assim posso considerar. Também não é
difícil perceber os inúmeros erros que cometi, por mais boa-vontade que possa
ter empregado. Às vezes me pego tentando dar desculpas por ter tomado decisões
que hoje vejo como equivocadas e ter desviado meu caminho, deixando de oferecer
mais de mim, de estar mais presente na vida dos meus filhos.
Hoje, diante do espelho,
retratando toda essa minha carreira de pai, com a realidade e a bagagem de quem
teve a vida não só de um, mas de cinco filhos nas mãos, reconheço que existe
uma distância bem grande entre tudo o que eu tinha pensado em fazer e a verdade
de tudo o que fiz.
Eu queria ter feito melhor, é claro. Hoje sei que de qualquer forma toda criação tem sua dose de aleatoriedade e tantos outros fatores que influenciam nesse resultado final. Por sorte existe uma mãe nessa história e no caso deles, os meus filhos, uma grande mãe!
Olho para esse mesmo filho
hoje, esse mesmo que me fez pai, com orgulho. Ele conseguiu, e esse
“conseguiu”, de uma forma qualquer “independeu” de mim. Tenho o orgulho de
acreditar que o resultado final vai ser bom, que de alguma forma eu contribuí e
que a estrada dele vem tomando o rumo necessário para que ele possa ser feliz.
Se isso não alivia minha
culpa, ou retira dos meus ombros o peso dos meus erros, abre pelo menos a
oportunidade de abraçá-lo mais uma vez, abre a oportunidade de que eu possa
tentar ser e fazer algo a mais.
Hoje, com a data maximizada
pela coincidência da data comemorativa do dia dos pais, gostaria muito de
abraçá-lo, a ele e aos outros, e sem mais palavras comemorar. Eu estou
completando 32 anos de pai e ele 32 anos de vida!
Aélio Jalles

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