terça-feira, 29 de novembro de 2022

Família é uma mistura cheia de boa vontade!







Uma vez, em uma discussão, meu filho me disse que dava valor aos amigos dele, pois eles o aceitavam do jeito que ele era. Eu não consegui concordar com a afirmação, mas não tive como argumentar de imediato. Precisei remoer a afirmação dele, para conseguir fechar o meu raciocínio, ou melhor, aprimorar a contextualização da minha resposta.

Na minha cabeça, ciente de que tenho amigos maravilhosos que me acompanham por toda a minha história, tenho a clareza de entender que contamos mais certamente e firmemente com a nossa família. Pai, mãe e irmãos, precisam de motivos muito maiores para nos deixar de lado.

Adoro meus amigos, tenho alguns deles como irmãos. Tenho a certeza, inclusive, que agiriam como irmãos de fato, sobre minhas necessidades mais extremas. Mas, o que me refiro à família é sobre um contexto ainda maior, é uma espécie de ligação espiritual, como se o fator sangue, falasse mais forte. É uma ligação tão forte que chega a nos incomodar.

Incomoda pelas cobranças, os puxões de orelha, as intervenções que eles se acham no direito de fazer nas nossas vidas, direito esse que, de certa forma, eles realmente têm! Tudo em meio a preservação da nossa própria identidade. Nós também precisamos manter a nossa independência.

De qualquer forma é muito importante reconhecer que todo esse contexto tem algo de imensurável. Não se pode deixar de entender que essa é uma cobrança de quem realmente se importa. Por isso, mesmo você não podendo seguir todos os conselhos integralmente, valorize-os!

A bem da verdade, nós deveríamos era abraçar mais essas pessoas. Abraçar, agradecer, nos desculpar por nem sempre darmos o ouvido necessários a tudo o que eles nos dizem. São essas as pessoas que mais nos acolhem e que chegam junto das nossas necessidades. Vem dessas pessoas, quase sempre, o apoio necessário quando o resto do mundo parece ter nos abandonado. 

Em geral, os amigos estão ligados por um senso comum, o senso do grupo e que tem por limite a nossa própria tolerância. Quando alguém foge dos parâmetros desse senso, essa pessoa acaba por se distanciar. Essa é uma situação quase que natural e a isso destacamos raríssimas exceções.

Desses amigos, perceba que os que mais nos cobram, os que mais torram a nossa paciência por conta das colocações de vida, os que mais nos incomodam chamando a atenção pelas nossas faltas ou desvios de conduta, são os mais ligados. São essas pessoas que mais fazem parte da nossa vida. Esses são os que não querem perder o convívio. Essas são as pessoas para quem nós somos caros!

Pois família não é mais que isso! Embora em uma mistura que, a princípio, não deveria dar certo, por conta da heterogenia, são essas pessoas que comemoram as nossas vitórias e se importam com nossos fracassos. As pessoas que integram a família criam elos com as nossas vidas extremamente fortes, e passam a despejar sobre nós uma boa carga de energia positiva.

Não estou dizendo que tudo são flores. Não tem como ter uma harmonia plena no exercício da convivência tão próxima. Quem convive, tropeça nas vontades alheias, na linda e maravilhosa diversidade, seja de egos, de gênios, ou de personalidades. Mas é daí que surge a maior de todas as habilidades humanas, a resiliência!  

Se somos capazes de construir amizades, também podemos as construir dentro da nossa família. Isso ligando primos, tios, sobrinhos a esse exercício da amizade plena, onde todos podem crescer como pessoas. Dessa forma, todos nós podemos desenvolver as habilidades de relacionamentos, sabendo que ali existe uma propensão maior a tolerância e a compreensão.

De certo que existe sim a formação das famílias que não são de sangue. Pessoas que encontram uma conjuntura apropriada de vida e, assim, constroem uma ligação tão forte, um elo existencial de amor tão incomum, que se tornam parte de tudo o que somos.

Imagine você sofrer um acidente grave e ficar preso a uma cama. Imagine quais as pessoas que você acredita que vão estar ao lado da sua cama com passar do tempo. Quem realmente se disporia a estar com você, nessa condição incomum? Quem se disporia a cuidar de você, a doar seu tempo para estar ali, depois de um ou dois anos desse seu infortúnio?

Pois, aprenda a dar valor a essas pessoas. Aprenda a regar esses relacionamentos.  Aprenda que, dar a essas pessoas explicações, ou prestar contas das suas atitudes, não é ruim. Isso até pode funcionar como uma reavaliação do contexto apresentado. Você vai prestar contas com quem se importa, com quem lhe deseja o bem, embora nem sempre consiga compreender os seus motivos.

Essas pessoas são de fato a sua família. É porque na essência, o melhor que existe de ser da família, é saber que ali se encontra uma mistura de sentimentos grandiosos, de um amor fora do comum. Uma mistura totalmente cheia de boa vontade!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 


 

6 comentários:

  1. A família é o principal espaço de referência, proteção e socialização de cada ser humano. Ela exerce uma grande força na formação de valores culturais, éticos, morais e espirituais. Família é alicerce, proteção, amor, aconchego, carinho, união. Quem valoriza a sua família sabe o quanto esse laço é eterno e único. Eu amo muito minha família. É o meu porto seguro.

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  2. Adorei o texto, não faz um mês que minha filha em um momento de discussão em família, que colocou essa colocação falando que preferia os amigos. Mais já pediu mil desculpas kkkk Já vou encaminhar pra ela esse caminho belíssimo.

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  3. Muito bom e verdadeiro todo contesto! Não faz um mês, que minha filha menor em uma discussão tinha colocado essa comparação falando que era melhor os amigos que sua família em casa!
    Ela me pediu mil desculpas após! Já vou encaminhar pra ela agora mesmo esse conteúdo...
    Fico grato em receber esse texto.

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  4. Parabéns pelo contexto, excelente reflexão! Jardenia Vieira

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  5. Perfeita colocação! parabéns!

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  6. Muito bem elaborado esse texto, vc conseguiu definir com muita clareza o que é a família e o papel que ela tem em nossas vidas, veio bem na hora que estava precisando mostrar a um familiar, o papel muitas vezes chato e cheio de cobranças de uma mãe.

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