Uma vez, em uma
discussão, meu filho me disse que dava valor aos amigos dele, pois eles o
aceitavam do jeito que ele era. Eu não consegui concordar com a afirmação, mas
não tive como argumentar de imediato. Precisei remoer a afirmação dele, para
conseguir fechar o meu raciocínio, ou melhor, aprimorar a contextualização da
minha resposta.
Na minha cabeça,
ciente de que tenho amigos maravilhosos que me acompanham por toda a minha
história, tenho a clareza de entender que contamos mais certamente e firmemente
com a nossa família. Pai, mãe e irmãos, precisam de motivos muito maiores para
nos deixar de lado.
Adoro meus amigos, tenho alguns deles
como irmãos. Tenho a certeza, inclusive, que agiriam como irmãos de fato, sobre
minhas necessidades mais extremas. Mas, o que me refiro à família é sobre um
contexto ainda maior, é uma espécie de ligação espiritual, como se o fator
sangue, falasse mais forte. É uma ligação tão forte que chega a nos incomodar.
Incomoda pelas cobranças, os puxões
de orelha, as intervenções que eles se acham no direito de fazer nas nossas
vidas, direito esse que, de certa forma, eles realmente têm! Tudo em meio a
preservação da nossa própria identidade. Nós também precisamos manter a nossa
independência.
De qualquer forma é muito importante
reconhecer que todo esse contexto tem algo de imensurável. Não se pode deixar
de entender que essa é uma cobrança de quem realmente se importa. Por isso,
mesmo você não podendo seguir todos os conselhos integralmente, valorize-os!
A bem da verdade,
nós deveríamos era abraçar mais essas pessoas. Abraçar, agradecer, nos
desculpar por nem sempre darmos o ouvido necessários a tudo o que eles nos
dizem. São essas as pessoas que mais nos acolhem e que chegam junto das nossas
necessidades. Vem dessas pessoas, quase sempre, o apoio necessário quando o
resto do mundo parece ter nos abandonado.
Em geral, os amigos estão ligados por
um senso comum, o senso do grupo e que tem por limite a nossa própria
tolerância. Quando alguém foge dos parâmetros desse senso, essa pessoa acaba
por se distanciar. Essa é uma situação quase que natural e a isso destacamos
raríssimas exceções.
Desses amigos, perceba que os que
mais nos cobram, os que mais torram a nossa paciência por conta das colocações
de vida, os que mais nos incomodam chamando a atenção pelas nossas faltas ou
desvios de conduta, são os mais ligados. São essas pessoas que mais fazem parte
da nossa vida. Esses são os que não querem perder o convívio. Essas são as
pessoas para quem nós somos caros!
Pois família não é mais que isso!
Embora em uma mistura que, a princípio, não deveria dar certo, por conta da
heterogenia, são essas pessoas que comemoram as nossas vitórias e se importam
com nossos fracassos. As pessoas que integram a família criam elos com as
nossas vidas extremamente fortes, e passam a despejar sobre nós uma boa carga
de energia positiva.
Não estou dizendo que tudo são flores. Não tem como ter uma harmonia plena no exercício da convivência tão próxima. Quem convive, tropeça nas vontades alheias, na linda e maravilhosa diversidade, seja de egos, de gênios, ou de personalidades. Mas é daí que surge a maior de todas as habilidades humanas, a resiliência!
Se somos capazes de construir
amizades, também podemos as construir dentro da nossa família. Isso ligando
primos, tios, sobrinhos a esse exercício da amizade plena, onde todos podem
crescer como pessoas. Dessa forma, todos nós podemos desenvolver as habilidades
de relacionamentos, sabendo que ali existe uma propensão maior a tolerância e a
compreensão.
De certo que existe sim a formação
das famílias que não são de sangue. Pessoas que encontram uma conjuntura
apropriada de vida e, assim, constroem uma ligação tão forte, um elo
existencial de amor tão incomum, que se tornam parte de tudo o que somos.
Imagine você sofrer um acidente grave
e ficar preso a uma cama. Imagine quais as pessoas que você acredita que vão
estar ao lado da sua cama com passar do tempo. Quem realmente se disporia a
estar com você, nessa condição incomum? Quem se disporia a cuidar de você, a
doar seu tempo para estar ali, depois de um ou dois anos desse seu infortúnio?
Pois, aprenda a dar valor a essas
pessoas. Aprenda a regar esses relacionamentos.
Aprenda que, dar a essas pessoas explicações, ou prestar contas das suas
atitudes, não é ruim. Isso até pode funcionar como uma reavaliação do contexto
apresentado. Você vai prestar contas com quem se importa, com quem lhe deseja o
bem, embora nem sempre consiga compreender os seus motivos.
Essas pessoas são
de fato a sua família. É porque na essência, o melhor que existe de ser da
família, é saber que ali se encontra uma mistura de sentimentos grandiosos, de
um amor fora do comum. Uma mistura totalmente cheia de boa vontade!
Aélio Jalles (Lelo)

A família é o principal espaço de referência, proteção e socialização de cada ser humano. Ela exerce uma grande força na formação de valores culturais, éticos, morais e espirituais. Família é alicerce, proteção, amor, aconchego, carinho, união. Quem valoriza a sua família sabe o quanto esse laço é eterno e único. Eu amo muito minha família. É o meu porto seguro.
ResponderExcluirAdorei o texto, não faz um mês que minha filha em um momento de discussão em família, que colocou essa colocação falando que preferia os amigos. Mais já pediu mil desculpas kkkk Já vou encaminhar pra ela esse caminho belíssimo.
ResponderExcluirMuito bom e verdadeiro todo contesto! Não faz um mês, que minha filha menor em uma discussão tinha colocado essa comparação falando que era melhor os amigos que sua família em casa!
ResponderExcluirEla me pediu mil desculpas após! Já vou encaminhar pra ela agora mesmo esse conteúdo...
Fico grato em receber esse texto.
Parabéns pelo contexto, excelente reflexão! Jardenia Vieira
ResponderExcluirPerfeita colocação! parabéns!
ResponderExcluirMuito bem elaborado esse texto, vc conseguiu definir com muita clareza o que é a família e o papel que ela tem em nossas vidas, veio bem na hora que estava precisando mostrar a um familiar, o papel muitas vezes chato e cheio de cobranças de uma mãe.
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