terça-feira, 18 de abril de 2023

A Vaidade que Mutila!


Eu parto do princípio de que a beleza tem sua graça. Não tem como deixar de entender a importância da vaidade. É bonito de se ver uma pessoa bem-vestida, melhor dizendo, vestida de forma bem adequada, uma roupa bem trabalhada para o corpo da pessoa e para a ocasião e o que se segue a esse raciocínio. Nada é mais bonito que uma boa apresentação.

No entanto nada disso pode ultrapassar a barreira do que é lógico e saudável. No meu modo de ver, a vaidade tem que sempre estar no limite do conforto, da comodidade, do que realmente deve e pode lhe proporcionar prazer e felicidade. Sempre que isso estiver em jogo, é melhor repensar. A exigência da vaidade pode ter passado do ponto e tudo aquilo que se torna excesso, que passa do limite, acaba por fazer mal.

Nem todas as pessoas entendem esse limite. Mesmo a vaidade tendo uma grande ascensão entre os homens, ela ainda é bem mais acentuada nas mulheres. Ter tudo certo, do jeito certo, começa a parecer uma necessidade tão desmedida que, até os diferenciais, aqueles diferenciais que nos tornam seres únicos, deixam de ser respeitados. 

E é essa vaidade que escraviza que acaba mutilando. A poucos dias saiu, em mais um noticiário, o caso de uma modelo que faleceu em uma dessas cirurgias absurdas. Uma lipoaspiração de uma barriga que, digamos, era o ideal de beleza para muitas outras mulheres. Literalmente esse é o excesso ao qual fiz a referência.   

Outro dia, em um grupo de amigos, as amigas, mulheres bonitas, estavam falando do uso do Botox como se isso fosse uma coisa simples, natural. Elas tratavam isso de forma tão simplória que mais pareciam estar falando do uso de uma maquiagem. Aí me veio à cabeça: quantas pessoas eu conheço que hoje tem o rosto desfigurado pelo uso exagerado do Botox.

Não sou especialista em estética, não conheço os limites do uso deste ou daquele produto, mas sou capaz de reconhecer as pessoas que vão ficando sem expressão facial. O rosto acaba ficando de uma forma tal, como se fosse plastificado, que tanto faz se ela está rindo ou chorando, não faz diferença à expressão é a mesma.

Peço desculpas pela forma de tratar a coisa. Aqui nada mais estou que chamando a atenção para um fato. A beleza física, a estética pode até atrair olhares, mas não é ela que vai encantar ninguém, principalmente se for de plástico. 

Não estou fazendo nenhuma crítica ao trabalho dos cirurgiões plásticos, apesar dos que colocam o dinheiro em primeiro plano, muito menos das cirurgias, que em muitos casos reparam danos que fazem a diferença na vida das pessoas. Cirurgias que resgatam a autoestima e que devolvem a condição, mesmo que parcial, de normalidade de vida para muita gente.

O meu chamado de atenção cabe exclusivamente às pessoas que se deixam levar pela cobrança exagerada da perfeição. Pessoas que se deixam levar pela imagem que elas apresentam nas redes sociais. Uma imagem retocada, uma beleza que não existe.

Ficou tão fácil mexer com as imagens, deixar tudo do jeito que o padrão da beleza cobra, que a realidade apresentada pela imagem diante do espelho, se torna angustiante. De uma forma mais grosseira, isso tem provocado uma negação do que é a realidade, a realidade que as pessoas enxergam diante do espelho.

Essas pessoas vão aos poucos se angustiando, se deprimindo com a verdade da vida. A vida boa está logo ali, na postagem, na ficção, na falsa sensação de felicidade que ela apresenta aos amigos. Elas começam a querer que a imagem das redes sociais seja a que vale, como se essa fosse a imagem real.

Eu acho que o maior e melhor exemplo disso tudo é o Michael Jackson. Não sei os motivos, mas em nível do senso comum, ele foi um cara que modificou tanto a imagem do rosto, que acabou se mutilando. Mais uma vez, não estou fazendo um julgamento. Isso é só uma constatação.

E assim como ele, muitas outras pessoas vêm se mutilando. Cada um tem seus motivos, seus desejos, suas vaidades e cada um tem, da mesma forma, suas responsabilidades. Somos responsáveis pelas nossas atitudes, e pagamos, indubitavelmente, o preço cobrado por elas.

Embora eu seja uma dessas pessoas que prega o respeito pela forma de pensar de cada um, me senti incomodado com a conversa das minhas amigas e a forma de utilização desse tratamento estético de forma bem específica. E foi por isso que eu resolvi abrir um raciocínio sobre o tema.

Somos um conjunto de valores e, mesmo sem querer tirar a importância da beleza, eu queria chamar a atenção de que tem coisa mais importante nesse conjunto. Existem outros valores dentro de cada um de nós que se somam e que nos fazem muito mais que um rosto bonito.

Eu queria, de uma forma qualquer, gritar que olhar só para a beleza física está errado, que, nesse conjunto de valores, tem muito mais o que ser visto. Minha eloquência com as palavras e o meu conhecimento não me permitem uma maior profundidade sobre o assunto, tenho medo de expor alguma informação indevida.

Gostaria, então, de fechar com um texto muito bonito que encontrei, e que faz referência sobre o assunto, um texto da Mônica Denise Viana de Barrios. Ela disse: “Temos a tendência de nos atrair pela beleza, mas logo em um segundo instante, já nos sentimos ligados à essência das pessoas, pois é a alma que nos encanta”.

 

Aélio Jalles (Lelo) 


 

5 comentários:

  1. Acredito que a vaidade desmedida é sim prejudicial, faz com que a pessoa viva atormentada em busca do corpo perfeito, obcecada pela sua imagem no mundo. A vaidade é vazia quando o indivíduo só se preocupa com ela, só se enxerga através dela e se compara aos outros através do seu conceito de vaidade. Já a vaidade dita normal é aquela em que a pessoa sente-se bem em ter uma “bela estampa”. Sente-se mais segura, mas não se sente superior a ninguém. Ser vaidoso sem extremos é muito bom, é ter carinho e respeito por si, é cuidar-se e amar-se. É saber que uma boa aparência não é só beleza, mas higiene e cuidado. Afinal quem realmente somos vai muito além da nossa aparência.

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  2. Parabéns. Texto muito realista. A verdadeira essência deve ser encontrada por cada um de nós.

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  3. Com bom senso e responsabilidade, sou a favor da tecnologia e dos procedimentos que elevam a autoestima. É certo que tem faltado bom senso em muita gente e o que se vê são resultados bem esquisitos e um padrão destorcido de beleza (nesse aspecto, concordo com você). Mas há muitas alternativas seguras e modernas no campo da estética que deixam as pessoas mais jovens e mais bonitas, de uma forma natural. Se faz bem e a pessoa pode, por que não? Cuidar da aparência é autoamor. Triste é ser desleixado! 😉 😄

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  4. Eu pensei que era só eu que pensasse assim, realmente as pessoas num modo geral estão passando do normal em relação a vaidade. Estão fazendo uma demonização facial, e não estão enxergando como estão ficando sem expreções, retirando partes no rosto e no corpo, tudo muito exagerado. E nesse exagero as vezes paga com a saúde e a vida. Parabéns pela escrita. Um abraço.

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  5. Adorei tua visão do tema, e penso muito parecido! Os limites sociais parecem se estender cada vez mais e as alterações estéticas nunca vão substituir uma alma bonita e uma cabeça inteligente.

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