terça-feira, 11 de abril de 2023

O desabrochar da sexualidade!

Eli passou pela centésima vez diante do espelho. Ela conferiu mais uma vez a barra da calça, o formato que a blusa estava dando aos seus seios, a maquiagem, se os cachos do cabelo estavam do jeito que ela queria. Era tudo mera formalidade, mas mesmo assim ela não conseguia se convencer. Tinha sempre uma sensação de que ainda faltava alguma coisa no ar.

Aquilo não era insegurança. Não mesmo. Eli sempre reclamava de alguma coisa, mas eu acho que era só para que alguém lhe reafirmasse o tamanho da beleza que ela esbanjava. Ela gostava da imagem que o espelho lhe apresentava, embora sempre tivesse um detalhezinho que ela quisesse corrigir. Mas isso é coisa de mulher mesmo, né?

Quando o Luide chegou, ela deu aquela respirada, se concentrou e correu para a porta, foi recebê-lo. Eles se entreolharam, sorriram um para o outro, como se não acreditassem que aquele sentimento tinha tomado conta deles, e deram aquele selinho bem básico.

A área lateral da casa de Eli era o espaço de junção das casas da família. A casa dos avós que os filhos vão ocupando. Eles constroem as casas e o que fica no meio delas acaba se tornando o espaço comum para toda a família. Eli morava no que se pode chamar de condomínio familiar. O que sobrou do terreno entre as casa acabou se tornando ideal para os festejos e, porque não, para namorar também.

O casalzinho estava bem empolgado com o andar do relacionamento. Eles conversavam, conseguiam se entender e vinham até então tendo boas negociações com as divergências de pensamento. Eles conversavam sobre uma diversidade de coisas, e sexo já não era um tabu entre eles.

Embora as situações ainda fossem muito novas, o volume que se formava nas calças do Luide, digamos que, a cada beijo mais chegado, já não era nenhuma supressa para a moça. Ela também sentia os efeitos dos hormônios borbulhando no seu corpo e, para não deixar o rapaz embaraçado demais, fazia questão de corresponder ao desejo dele.

Lógico que, com o passar do tempo, a intimidade vai crescendo e a confiança mútua no relacionamento também. Isso, da forma mais natural possível, faz com que eles se sintam à vontade, e comecem a vencer as barreiras naturais que a sociedade impõe para a sexualidade das pessoas, muitas vezes sem muita explicação.

Eli era uma menina de boa formação. Seus pais eram muito ligados a sua educação e eles entendiam cada passo do desenvolvimento da sexualidade da filha. Eles estavam sempre buscando orientá-la da maneira mais transparente possível. Os pais de Eli ainda se consideravam apaixonados, e, por isso mesmo, conseguiam passar para ela essas questões de uma forma muito bonita.

 

Mesmo assim, e como um casal responsável, os pais de Eli tinham toda a atenção e preocupação com a filha. Eles não queriam que ela passasse da conta, ou que ela avançasse nenhuma das etapas da vida de uma forma indevida.

Luide também não era um menino à toa. Mesmo assim, ele sofria as questões da sexualidade que são impostas aos homens pela sociedade, pelos amigos, pela família e por que não dizer, pelos próprios pais. Os homens acabam tendo a sexualidade tratada na base da porrada mesmo. É como se, por ser homem, você já nascesse sabendo o que fazer e como fazer.

De uma forma qualquer, o Luide, fugindo de todo esse prognóstico, tinha uma visão romantizada da sexualidade. Ele tinha um respeito muito grande pela Eli. Ele desejava, curtia os momentos ao lado dela, deixava fluir a energia natural da idade. Só que ele se preocupava com a situação. Ele mesmo não se permitia qualquer conduta indevida.

Sexo, entre eles dois, mesmo sendo um casal ainda muito jovem, era um assunto já facilmente debatido, e tudo o que vinha acontecendo, apesar das empolgações, passava pelo acordo do que deveria ou não acontecer entre eles. Não acontecia nada sem uma espécie de consciência prévia que eles dois iam formando. 

Naquele dia, a empolgação do casal deu um pouco mais de “pilha” ao desejo. Eles já tinham conversado bastante, inclusive sobre uma situação indelicada que aconteceu com outro casal, um casal de amigos. Como entre eles o respeito era um sentimento muito latente, eles se permitiram mais. Acho que isso faz parte, e que é o andamento natural de todo relacionamento.

Atentos a tudo, os pais de Eli se apresentaram. De uma forma muito descente, eles se fizeram notar com antecedência, na tentativa de evitar o constrangimento do casalzinho.  Era difícil, o constrangimento deles foi muito direto e, embora não tenham sido pegos, por assim dizer, com as calças na mão, a simples presença dos pais já era demais para a situação.

Os pais de Eli foram contornando a situação. Eles falaram de muitas coisas antes de chagar ao assunto devido, e trataram a coisa da forma mais natural que se pode imaginar. Como um casal adulto, eles deram um depoimento de todo o processo de construção da vida a dois. O processo que eles mesmos tinham vivenciado.

É difícil você se colocar como exemplo. É difícil você, com a honestidade devida, e sem querer só as glórias por tudo o que fez ou conquistou, ser capaz de assumir os erros que cometeu. Eu penso que mostrar o peso dos erros cometidos, e tudo o que se teve a necessidade de fazer para contornar, é mostrar muito equilíbrio.

Pois esse foi o grande feito dos pais de Eli. O equilíbrio mostrado por eles fez a diferença. Eli e Luide se olharam no espelho no dia seguinte sem culpa. Eles não passaram do ponto naquela noite por pouco, mas no fundo eles sabiam que aquele momento ofereceu para eles muito mais.

Eli e Luide tiveram nas mãos o apoio, o carinho, gente que ofereceu a ajuda mais do que necessária para uma boa formação da história da vida deles. Foi por conta daquela intervenção que eles se sentiram prontos para ir mais longe.

  

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

*Do livro: Era uma vez meu coração..........

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/e-ai-k-de-meu-ovo.html



 

Um comentário:

  1. São momentos incríveis, capazes de deixar aprendizados para o resto da vida. Mas são, também momentos delicados, em que o jovem intenso, impulsivo e ao mesmo tempo vulnerável diante do que desconhece precisa ser acompanhado de perto. Como o casal do conto que teve o apoio dos pais de Eli, para o despertar da sexualidade. Lindo conto!

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