Plantou o amor e não floresceu.......
Tenha certeza de que a terra não era
fértil.......
Não desperdice mais sementes, plante
em novos campos.
Clarice Lispectro
Não
se pode pensar em uma relação longeva sem reciprocidade. Não se pode pensar em
uma relação sem a dualidade de opiniões e o somatório de forças para que se
possa construir um caminho de sonhos, realizações e muita felicidade.
Sempre que um dos dois resolve dar as cartas e se apoderar da relação, no meu ponto de vista, os sentimentos se deturpam. Não se pode pensar em uma relação de amor quando um dos dois se anula à vontade do outro. A submissão não é condizente com o sentimento de amor.
Seguindo a mesma trilha de raciocínio de uma das crônicas do Rubem Alves, a relação, quando é vivenciada em caráter de disputa, medindo forças, como em um jogo de tênis, tem uma vida previsivelmente curta. Uma hora alguém vai marcar o ponto final e pronto, não tem mais o que fazer, o jogo acaba.
Essa relação tende a tornar-se abusiva. Tem sempre um fazendo pressão sobre o outro na busca de ser ele a marcar o ponto e quanto mais ele marca ponto, maior e mais forte ele fica. Já o outro vai ficando subjugado, cada vez mais sem voz e sem vez. Essa pessoa subjugada vai se resumindo, cada vez mais, à sua insignificância.
O tênis, como uma relação abusiva, é feroz, seu objetivo é derrotar, literalmente subjugar o outro. O bom jogador, o mais forte, vai tendo a noção de como encaminhar o jogo a seu favor e se utiliza das debilidades do seu oponente, no caso, para marcar seus pontos. É justamente do ponto fraco do outro que ele tira proveito.
A minha questão é que isso não pode ser amor. Não se ama por pressão. Por opressão só se constrói o medo. Como no mito da caverna de Platão, o que você pode construir na opressão é a dependência da incerteza, é o aprisionamento pelos sentidos, por uma falha na percepção da verdade.
Volto aqui à ideia ilustrada pelo Rubens Alves. O amor, apesar de bem parecido com o tênis, se posiciona melhor como se fosse um jogo de frescobol. Aqui, ao contrário do tênis, joga-se para fazer com que o outro acerte mais e quanto mais os dois acertam melhor fica o jogo. Aqui, quando a bola vem torta, o melhor que se faz é tentar corrigir a jogada e azeitar a bola para o outro.
Nesse caso o erro é um mero acidente de percurso e quem erra se desculpa, porque sabe que o melhor do jogo é o vai e vem da bola. Todo esforço que se faz é para facilitar a próxima jogada e é isso que faz com que o jogo fique ainda mais bonito.
Aqui o conhecimento que se tem do parceiro e as experiências da vida servem de base para fazer a relação crescer e o jogo perdurar. A bolinha do jogo funciona como os nossos sonhos e o mais gostoso da vida é ficar batendo bola para lá e para cá.
E isso serve para todo tipo de relação. A verdade é que o amor real, qualquer que seja ele, é uma via de mão dupla. Ele deve ser regado de amizade, de carinho, de afeto e tudo mais. Nessa relação, a energia do sentimento deve circular livremente entre os corpos e um deve proporcionar ao outro o que a vida pode oferecer de melhor.
Não cabe em uma relação como essa nenhum tipo de disputa, a imposição ou qualquer que seja o domínio. No amor, na amizade, nas boas trocas da vida, quanto mais se oferece uma bola redondinha para o outro, quanto mais um colabora com a vida do outro, melhor.
No jogo da vida, quanto mais se sonha junto, melhor vai ficando o jogo.
Aélio Jalles (Lelo)

É disso mesmo, meu amigo, que o amor precisa para se manter: de reciprocidade. Precisa ser esse jogo de frescobol bem jogado, com ambos os jogadores empenhados e dispostos a dar o seu melhor.
ResponderExcluirAchei brilhante a comparação dos jogos (tênis/frescobol) com relacionamentos.
ResponderExcluirComo o tênis qualquer relação conduzida na disputa, controle, regras e exigências estará fadado ao fracasso, pois um dos lados acabará cedendo e consequentemente se anulando.
Já um relacionamento conduzido como o frescobol, os dois se guiando com parceria, amistosidade, igualdade, companheiro, vontade de colaboração entre si, tem tudo pra dar certo e seguirem felizes. Excelente texto!!
companheirismo*
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