quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Somos todos irmãos


Findo o carnaval, é hora de retomar a vida. Em uma alusão à brincadeira de carnaval, retornar à realidade. O carnaval é a festa dos excessos, o momento de escancarar, e a oportunidade de deixar fluir os seus desejos mais íntimos, sórdidos, e que, em outra época, é reprimido pela moralidade social.

 

De volta à vida de todas essas opressões, nos cabem os ensinamentos. Sim, essa brincadeira toda deixa lições sérias, para que, em todo o resto do ano, possamos analisar os comportamentos e reverberar, nas conversas e debates, as novas linhas de um comportamento social mais adequado. Um processo de adaptação natural de todas as sociedades.

 

O que me impressiona, de fato, é que, apesar da religiosidade do nosso povo, nós ainda tenhamos que conviver com a acentuação das diferenças. Como é que pessoas que pregam o amor podem amplificar as dissociações sociais, fazendo questão de apontar as diferenças e criar conceitos indevidos para essa ou aquela pessoa?

 

A maioria das religiões ocidentais tem por seu mentor o Cristo. Uma referência do amor maior, da atitude de paz e da fraternidade. Ele tem em sua essência o bem comum. É fato que as religiões têm suas falhas, seus pecados, porque, como ecoa aos quatro cantos, são feitas por homens e homens são falhos.

 

De qualquer forma, toda a pregação feita, vem de encontro à construção da dignidade humana, da comunhão entre as pessoas, da conversão do eu em nós e da partilha do pão. Tudo o que propicia o direcionamento de uma comunhão de fatores para uma vida mais justa para todos.

 

Se a maior pregação de todas é: “amai ao próximo como a ti mesmo”, nos resta romper a insensata miopia social, e entender que teu próximo não é só quem está ao alcance das tuas mãos. Na verdade, teu próximo é todo aquele que está ao alcance da tua vista, é todo aquele que cruza o teu caminho e todo aquele para quem tu podes fazer a diferença.

 

Vou aqui me fazer valer de um ensinamento, uma dessas lições de um filme e reforçar a máxima de que: “quanto maior for o teu poder, maior deve ser a tua responsabilidade”. Essa é uma máxima cruel demais para quem tentar se omitir de tudo o que deve ser feito, e encontra o conforto de achar que: se faz a sua parte, o resto do mundo que se lixe.

 

  

 

Aélio Jalles (Lelo) 

 

 



 

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Um comentário:

  1. A sua reflexão é como deveria ser, na verdade, as pessoas estão cada vez mais solitárias, não olham para os lados, o respeito e o amor ao próximo, está desaparecendo infelizmente. Parabéns, belo texto.

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