quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Na condição de amigo!

 



A amizade é um sentimento solto, onde não cabem muitas cobranças, onde não existe, ou pelo menos não deveria existir, a sensação de posse, de controle, de domínio.

Mas será que você pode me dizer tudo o que cabe em uma relação embolada pela ambiguidade dos sentimentos de amor e amizade? Até onde nos é permitido viver uma relação e continuar sendo só amigo?

A gente brinca, sai junto, se diverte, e isso tudo acaba gerando certa intimidade. De fato, na condição de amigos, chegamos a participar da vida uns dos outros. Nós vamos conversando, trocando confidências, dando e recebendo conselhos. A convivência provoca essa intimidade.

Essa relação faz um bem danado, deixa a vida mais colorida, mais alegre. Os amigos naturalmente causam esse efeito!

Você vai vivenciando os círculos de amizade que a vida lhe oferece, e vai, meio sem querer, buscando as possibilidades de uma relação mais próxima. Você vai abrindo, aqui e acolá, a possibilidade de uma ligação mais afetiva, rompendo a barreira da condição de amizade.

Situações podem propiciar um apego maior. Tais circunstâncias são gostosas de viver, bem interessantes. Elas mexem um pouco mais com o coração. Na verdade, essas situações dão brilho à amizade. Não é difícil acontecer!

A questão é que, nesses casos, as paixões tornam a relação extremamente instável. Quando o coração começa a falar mais alto, o apego acaba comprometendo a condição anterior. Isso sendo bem definido entre os dois, uma coisa bem acordada, não chega a ser um problema.

Uma boa e bela amizade, um caso de amor, uma relação utilizada para colorir a vida, na verdade, faz um bem gigantesco. Não estou aqui querendo fazer apologia ao amor livre, sem compromisso. Não acho que a ausência de responsabilidade na relação seja muito diferente de um encontro fortuito, onde um não se incomoda com o outro.

Penso eu que, uma relação, que parte de uma boa amizade, já não entra nessa premissa. Os amigos se importam, se preocupam uns com os outros. Amigos de verdade promovem o bem estar, ajudam quando necessário, empurram a gente para frente. A amizade naturalmente já nos impõe alguma responsabilidade!

Em uma relação na condição de amigo, os cotidianos devem ter suas afinidades, as conversas devem ter uma boa relação, e as dinâmicas de vidas, obrigatoriamente, devem se perceber harmônicas. Portanto, a “amizade colorida” se trata de uma relação extremamente delicada, e é muito importante que exista uma clareza acerca dos sentimentos dos dois.

Não se pode pensar que uma relação como essa venha a ferir ninguém. Não se pode permitir brincar com os sentimentos alheios, como se não existisse uma consequência.

 

De qualquer forma, todo mundo busca uma relação que seja mais que amizade, uma relação mais chegada e que possa proporcionar mais estabilidade sentimental. Uma relação onde a troca de sentimentos seja mais direta e onde ambos assumam o compromisso de parceria.

Só que, temos de reconhecer, não é tão fácil conseguir encaixar outra pessoa no nosso cotidiano. Embora estejamos cada dia mais carentes de companhia, a realidade prática nos obriga a relativizar tal necessidade.

Por isso, eu acho que todas as relações deveriam ter início através da condição de amigos. Só depois de medir as afinidades, de apreciar as virtudes, de reconhecer os defeitos e aprender a respeitar os limites é que se deveria tentar algo a mais.

E é por isso que eu digo as minhas amigas: Tudo deve começar na condição de amigo!

 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

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sábado, 3 de setembro de 2022

Depois do susto, dá até para rir

 



Eu morava em Quixeramobim, uma cidade do interior do Ceará. Como toda cidade do interior, a calma, a tranquilidade e a segurança faziam parte do cotidiano. Era possível se viver em paz, respirando os ares da noite, sem que tivéssemos a necessidade de qualquer preocupação.

O interior do Ceará, aquela região central do estado, para quem não conhece, é quente! Um calor capaz de tirar o juízo de qualquer pessoa. Esse calor dura o dia todo, um clima quente e seco que entra pelo início da noite. Essa sensação de abafado só é aliviada com a chegada do Aracati, o vento que sopra do litoral e chega, para nós lá do Quixeramobim, por volta das 20 horas, trazendo a brisa que alivia a cidade toda. 

Esse é o vento que sopra as muriçocas, que leva o calor e refresca a casa. Não tem remédio melhor. Quando o Aracati chega, ele leva o mormaço que se instala nas casas durante o dia.  Até esse momento, se você pegar no lençol da cama, você vai sentir o reflexo desse mormaço. Dentro de casa, tudo é quente como se tivesse sido engomado naquele instante. É o reflexo do forno em que a temperatura normal do dia transforma as casas.

Quando o Aracati chega, para estabilizar o clima e deixar as casas habitáveis, todo mundo abre as portas e janelas, deixando tudo escancarado. Esse vento fresco derruba a temperatura e provoca um conforto térmico fantástico, às vezes chegando ao ponto de uma boa friagem. Normalmente, ele chega deixando o rastro de um friozinho gostoso para embalar o sono.

Em uma noite dessas, eu estava em casa, com as portas abertas, as janelas literalmente arreganhadas, aproveitando o frescor do vento, que, nessa noite, estava especialmente frio. Eu estava jogado no sofá da sala, assistindo televisão e, como morava em uma cidade tranquila, eu estava sem nenhuma preocupação com a vida lá fora.

Eu morava em uma dessas casas antigas, bem características do interior, uma casa que não tem varanda, onde a porta da sala já fica, como se diz comumente, na porta da rua. Aquele tipo de casa que a gente pode se debruçar na janela para dar conta da vida que se passa do lado de fora.

O fato é que a porta e as janelas, da parede da frente da casa, ficam literalmente ligadas à calçada. Para receber o vento, como todo mundo, eu deixava tudo aberto. Isso era comum, não tinha motivo algum para não fazer isso. 

Eu estava lá, sozinho, “deitadão” no sofá da sala, assistindo meu filme. O detalhe é que o filme era aquele de medo. Sabe aqueles filmes que dão susto na gente, que deixam os nervos à flor da pele? Esses filmes que ganham a classificação de filmes de terror. Eu acho que a gente assiste esse tipo de filme para testar o coração. 

Bem na hora da cena mais cavernosa, aquela cena que você está esmagando o braço da cadeira, comendo as unhas, arrancando os cabelos, totalmente ligado ao filme, eu só escutei um berro no meu pé do ouvido: him-hãmmmm, him-hommmmm - (isso é para ser o relinchado de um jumento), nas alturas, dentro da sala, bem pertinho de mim, nas costas do sofá que eu estava sentado.  

Naquele momento, o sangue desapareceu do corpo. Meu cabelo, que já estava arrepiado por conta do filme, virou espeto e eu não sei precisar exatamente quanto tempo eu levei para juntas novamente novamente meu espirito com meu corpo. Eu sei que a cena durou somente alguns segundos, mas eu levei mais tempo para sentir os pés no chão, e fazer com que os pensamentos se encontrassem com a realidade: tinha um jumento na minha sala!

Do pulo da cadeira até ao meu encontro com o vigia da rua, bolando de rir, teve uma correria ao redor dos móveis e uma fuga pela janela. Não sei se vocês conseguiram entender, ou pelo menos chegar perto, de imaginar o tamanho do medo.

Levei uns minutos respirando para o coração voltar ao normal, os olhos voltarem para caixa e os pensamentos se desembaralharem. Foi o tempo que levei para eu conseguir entender a diferença do que era o medo do filme e o que era o susto da marmota que estava acontecendo.  

O jumento se aproveitou da porta aberta e, segundo o vigia da rua, passou uns minutinhos assistido o filme. Ele viu a marmota e já estava quase chegando na porta para retirar o jumento, quando o bicho resolveu dar o show e me matar do coração, ou pelo menos testar, para ver se meu coração resistia a tanto.

O vigia só faltou morrer de rir da minha cara. Não posso negar que conto isso hoje com essa graça, mas na hora não foi assim. É que depois do susto, dá até para rir!       

 

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

 

 

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quarta-feira, 31 de agosto de 2022

A amizade também cobra seu preço!


 

Eu morava em Quixeramobim, uma cidade do interior do Ceará. Como toda cidade do interior, a calma, a tranquilidade e a segurança faziam parte do cotidiano. Era possível se viver em paz, respirando os ares da noite, sem que tivéssemos a necessidade de qualquer preocupação.

O interior do Ceará, aquela região central do estado, para quem não conhece, é quente! Um calor capaz de tirar o juízo de qualquer pessoa. Esse calor dura o dia todo, um climaquente e seco que entra pelo início da noite. Essa sensação de abafado só é aliviada com a chegada do Aracati, o vento que sopra do litoral e chega, para nós lá do Quixeramobim, por volta das 20 horas, trazendo a brisa que alivia a cidade toda. 

Esse é o vento que sopra as muriçocas, que leva o calor e refresca a casa. Não tem remédio melhor. Quando o Aracati chega, ele leva o mormaço que se instala nas casas durante o dia.  Até esse momento, se você pegar no lençol da cama, você vai sentir o reflexo desse mormaço. Dentro de casa, tudo é quente como se tivesse sido engomado naquele instante. É o reflexo do forno em que a temperatura normal do dia transforma as casas.

Quando o Aracati chega, para estabilizar o clima e deixar as casas habitáveis, todo mundo abre as portas e janelas, deixando tudo escancarado. Esse vento fresco derruba a temperatura e provoca um conforto térmico fantástico, às vezes chegando ao ponto de uma boa friagem. Normalmente, ele chega deixando o rastro de um friozinho gostoso para embalar o sono.

Em uma noite dessas, eu estava em casa, com as portas abertas, as janelas literalmente arreganhadas, aproveitando o frescor do vento, que, nessa noite, estava especialmente frio. Eu estava jogado no sofá da sala, assistindo televisão e, como morava em uma cidade tranquila, sem nenhuma preocupação com a vida lá fora.

Eu morava em uma dessas casas antigas, bem características do interior, uma casa que não tem varanda, onde a porta da sala já fica, como se diz comumente, na porta da rua. Aquele tipo de casa que a gente pode se debruçar na janela para dar conta da vida que se passa do lado de fora.

O fato é que a porta e as janelas, da parede da frente da casa, ficam literalmente ligadas à calçada. Para receber o vento, como todo mundo, eu deixava tudo aberto. Isso era comum, não tinha motivo algum para não fazer isso. 

Eu estava lá, sozinho, “deitadão” no sofá da sala, assistindo meu filme. O detalhe é que o filme era aquele de medo. Sabe aqueles filmes que dão susto na gente, que deixam os nervos à flor da pele? Esses filmes que ganham a classificação de filmes de terror. Eu acho que a gente assiste esse tipo de filme para testar o coração. 

Bem na hora da cena mais cavernosa, aquela cena que você está esmagando o braço da cadeira, comendo as unhas, arrancando os cabelos, totalmente ligado ao filme, eu só escutei um berro no meu pé do ouvido: him-hãmmmm, him-hommmmm - (isso é para ser o relinchado de um jumento), nas alturas, dentro da sala, bem pertinho de mim, nas costas do sofá que eu estava sentado.  

Naquele momento, o sangue desapareceu do corpo. Meu cabelo, que já estava arrepiado por conta do filme, virou espeto e eu não sei precisar exatamente o tempo que eu levei para reencontrar meu corpo. Eu sei que a cena durou somente alguns segundos, mas eu levei mais tempo para sentir os pés no chão, e fazer com que os pensamentos se encontrassem com a realidade: tinha um jumento na minha sala!

Do pulo da cadeira até a minha tentativa de retirar o animal, teve uma correria ao redor dos móveis, uma fuga pela janela e o encontro com o vigia da rua bolando de rir. Não sei se vocês conseguiram entender, ou pelo menos chegar perto, o tamanho do medo que eu senti.

Levei uns minutos respirando para o coração voltar ao normal, os olhos voltarem para caixa e os pensamentos se desembaralharem, para eu conseguir entender a diferença do que era o medo do filme e o que era o susto da marmota que estava acontecendo.  

O jumento se aproveitou da porta aberta e, segundo o vigia da rua, passou uns minutinhos assistido o filme. Ele viu a marmota e já estava quase chegando na porta para retirar o jumento, quando o bicho resolveu dar o show e me matar do coração, ou pelo menos testar, para ver se meu coração resistia a tanto.

O vigia só faltou morrer de rir da minha cara. Não posso negar que conto isso hoje com a graça que deve. Depois do susto, realmente dá até para rir!       

 

 

Aélio Jalles

 

 

 

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quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Anjos da Minha Vida!

 





Anjos da minha vida!


Amigos são anjos que o universo nos oferece com o intuito de dar um colorido especial à vida. No passar do tempo, os amigos vão se sucedendo. Alguns destes acabam tendo um significado maior nas nossas vidas, o que foi o caso do nosso grupo de amigos. 

Nós fomos nos encontrando, nos reconhecendo como um bom grupo de amigos, ainda crianças. Éramos da paz, e nunca fomos desordeiros demais, pelo menos não no sentido de criar problemas para outras pessoas. Nunca encrencamos com ninguém. Nossas brincadeiras sempre foram do tipo que podemos chamar de “saudáveis”.

Nada de brigas. O que estávamos sempre promovendo era a alegria. Nesse grupo, não cabiam atitudes pesadas que pudessem prejudicar ninguém. O que tínhamos em comum, o que nos segurava juntos, era o carinho e muita disponibilidade. 

Carinho esse que floresceu, sabe-se lá de onde, e que encontrou um terreno fértil nos nossos corações. Nós tivemos a oportunidade de vivenciar uma história ímpar, uma experiência de valor inestimável, e que eu tenho até hoje como uma grande referência do que é a felicidade. 

Gostávamos de estar juntos, de brincar, de jogar, de andar de bicicleta... Já com os corações adolescentes, ouvíamos música, acompanhávamos um bom violão, cantávamos e colocávamos a nossa batucada para fazer barulho. Uma musicalidade que brotava da alegria e da energia, que o fato de respirar juntos nos proporcionava. 

Um dia, e por conta de uma brincadeira, nos intitulamos de Anjinhos. A história partiu de um desenho, como posso dizer, nem tão católico assim. A verdade é que esse desenho tinha um certo cunho pornográfico, coisa bem de adolescente. Mas, isso começou a ornamentar os carros e motos do tal grupo de amigos. O desenho virou o ícone da turma!

Uma pessoa desavisada, digo, uma pessoa sem nenhuma maldade no coração, acabou vendo nesse desenho um “anjinho”, coisa de uma delicadeza fora do comum. Enfim, essa era a visão de uma amiga, uma colega de trabalho, na época do banco, que olhou e interpretou o desenho dessa forma. 

Naquele dia, ela não tinha ideia, mas ela estava dando um primeiro polimento nessa joia, uma pedra preciosa de muitos quilates, que esse desenho se transformou. A denominação, por ela dada, acabou transformando aquele desenho em um ícone de um valor sentimental fabuloso, aquela coisa que não tem preço.   

Um anjinho! Imagine que esse desenho estava estampado nos vidros dos carros, com um detalhe, nem todos os carros eram nossos de fato. Nós estávamos naquela época, em que era comum utilizar os carros dos pais. No caso, tinha os carros das mães também. Uma boa parte deles e delas nunca tinha percebido o “anjinho” que ornamentava seus para-brisas. 

O desenho tinha o formato de um M. Ele foi feito para ser o símbolo de um motel.  O desenho retratava um casal em um ato de amor, vamos colocar assim para não macular, já que estamos falando do símbolo dos Anjinhos. 

Busquei ao máximo que o desenho não deixasse tão evidente o ato sexual. Ele deveria ter a forma ideal do “M”, e o contexto do desenho deveria deixar os traços para a interpretação pessoal de cada um. Aquela ideia de subjetividade!

Acho que toda a minha preciosidade, para com os detalhes, acabou sendo contemplada pela interpretação que foi dada. A visão dessa pessoa passou bem longe do significado real, e ela trouxe à tona essa interpretação mais leve. 

A partir dessa interpretação, nós nos aceitamos e encarnamos essa taxação de ANJOS! Isso só veio ressaltar o valor que já tínhamos uns para com os outros. Nós nos tornamos anjos da vida uns dos outros. Nós nos protegemos, cuidamos, colaboramos com a vida e nos responsabilizamos por cada um. 

Como eu já tinha dito, nós respirávamos juntos, não como dependentes uns dos outros, mas como importantes mutuamente. A presença de cada uma dessas pessoas significava a felicidade de tudo o que vivíamos. 

Era uma amizade cheia de confiança, de respeito recíproco e de muita fraternidade. A disponibilidade era uma das maiores marcas, e, por isso mesmo, estarmos juntos, presentes na vida uns dos outros, passou a representar tanto. 

Nós vivemos os nossos momentos. Criamos lembranças que, eu tenho certeza, hoje fazem parte da vida de cada um dos que tiveram a oportunidade de usufruir da boa companhia, do carinho e da amizade que esse grupo de amigos vivenciou. 

Foi uma oportunidade ímpar que a vida nos ofereceu, e que ninguém sabe de onde ou porque surgiu.

Viramos anjos: Os Anjinhos! 


Aélio Jalles (Lelo)





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sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Amor proibido!



A esse amor digo agora: como fui tolo em te perder!

Como fui tolo em evitar a possibilidade de levar em frente esse amor. Como me sinto frustrado em não ter abraçado essa relação, e me permitido, pelo menos, tentar viver todo o colorido que a vida, ao teu lado, poderia me reservar. 

Eu bem sei que a vida nos exigiria um preço muito alto por essa relação. As inquisições sociais, além de toda a sorte de cobranças, já seriam demasiadamente pesadas, se resquícios dessa relação escapassem ao conhecimento público. Eu não suportaria te submeter a qualquer parte dessa cobrança.

O fato de ter se mantida anônima deu a essa relação a inexistência de qualquer sequela, e isso nos deixou o deleite do lado mais doce. Acho que exatamente por isso, o gosto do quero mais sempre inundou a minha cabeça. A lembrança do cheiro da pele, além da química que envolvia o contato do corpo, ainda me traz de volta o prazer de tudo o que representou estar contigo.     

Como eu posso fazer para te mostrar o tamanho do dilema que eu vivi, ao te negar o meu desejo? Eu até tinha na cabeça os motivos certos. Sabia de cor as razões que me proibiam levar em frente aquela possibilidade. Mas, abrir mão de te ter, de ultrapassar a linha lógica, que eu mesmo havia me imposto, retorceu-me o estomago, e me deixou um amargo na boca que dura até hoje.

Tu chegaste como um anjo, em um momento em que eu estava completamente desencontrado, sem muita convicção de nada. Tu me envolveste; tu me deste colo; tu me acalentaste. Teus afagos e teu carinho me mostraram que os horizontes da vida são diversos, e que basta nos permitir para descobrir a beleza dos caminhos que a vida pode oferecer.

Naquele momento em que te neguei, neguei a mim mesmo. Foi a partir dessa curta relação, que eu experimentei o que a vida nunca antes tinha me apresentado. Esses eram aqueles nítidos momentos em que se tenta esticar o relógio, lutando contra o fato de te deixar sair do alcance dos meus braços. 

Eu sempre aguardei ansioso o nosso próximo encontro, eu sempre acreditei que seria capaz de concertar meu desatino com isso. Só em pensar na possibilidade, eu já me deixava levar pelas mesmas sensações da adolescência, as quais a maturidade ainda me permite.

E assim sigo, ainda hoje, ansioso por um amor que vive, e o qual retomo na memória quando quero resgatar a felicidade!

 

Aélio Jalles (Lelo)

 


quarta-feira, 17 de agosto de 2022

O elo mais forte!




 

Eu nem sempre tive uma opinião muito bem definida sobre a minha vó Carmelita, a não ser que ela era uma mulher forte. Forte no sentido de conseguir se impor, se posicionar. Uma matriarca no melhor sentido da palavra: uma mulher capaz de manter a família unida, sem permitir que as arestas, os perrengues familiares, tomassem uma proporção indevida.


Não dá para dissociar a condição de família que nós vivíamos, no período da minha infância, desse comando que ela sabiamente exercia. Com muito jeito, por conta do patriarcado familiar preponderante, era fácil sentir que o comando era dela. Era por esse comando que, em qualquer que fosse a data e muitas vezes no ano, todos nós estávamos reunidos em um convívio muito próximo. Estávamos juntos em uma situação que hoje é quase utópica.


Imaginem 26 pessoas, provenientes de 05 famílias diferentes, entre eles o casal patriarca, os filhos com os respectivos cônjuges, genros e noras com seus jeitos e manias e mais uma penca de netos. Adultos e crianças convivendo, parcialmente em harmonia, em uma casa simples, sem luxo, em um espaço reduzido. Juntar todos no mesmo espaço era o desafio. Éramos pessoas vindas de realidades distintas. Mesmo assim o Rancho da Vovó era o céu da família. Isso era o que acontecia nos feriados, dias das mães, dia dos pais, dia das crianças, e toda sorte de finais de semana.


Eu pessoalmente sempre gostei e muito desse convívio. Muita gente num bolo só. Um grupo que, mesmo com suas limitações, suas distinções e hipocrisias veladas, se davam ao deleite de uma convivência relativamente harmônica. Lá, se moldava um sentimento de responsabilidade mútua, de muita colaboração, onde um importava ao outro de fato. O todo, do sentimento que emanava dessa relação, acabava por ser muito positivo.


Hoje, diante dos meus primos, percebo que guardamos muito dessa semente. Essa semente plantada nos manteve juntos. Nós, os irmãos e primos, que vivenciamos isso, criamos uma ligação ímpar, somos amigos e companheiros de vida. Fazemos parte da vida um do outro. Não tenho como deixar de creditar isso ao que foi plantado e regado em cada um desses momentos que tivemos oportunidade de viver. Esses momentos que foram vividos sob o comando e guarda da vovó Carmelita.


Queria muito ter a força da minha vó, ter a competência para não deixar morrer essa semente. Adoraria fazer com que essa cadeia de relacionamento, chegasse aos meus filhos. Essa relação é hoje sedimentada no contexto da AFA, nossa associação de família. No entanto, assumindo minha parcela de culpa, sem a tia Carmem no comando efetivo, sucessora mais direta da vovó Carmelita e o elo forte, perdemos essa energia e força para manter todo mundo junto.


Minha vó, de onde você esteja, abençoe os poucos que ainda estão com a determinação de levar em frente essa corrente familiar. Que a senhora ilumine os demais, para que o espírito de união ajude, promovendo a boa vontade, para que possamos ampliar o convívio e a amizade. Isso, para dar continuidade a esse elo de família tão distinto, diante do mundo que temos hoje, mesmo sem o nosso elo mais forte!.



Aélio Jalles


domingo, 14 de agosto de 2022

O filho que me fez pai!


 

Há 32 anos, nesse mesmo dia 14 de agosto, nascia meu primeiro filho. Não tem como definir um sentimento tão exuberante, talvez a maior sensação de grandeza, mas que sai desse sentimento ao desespero de não saber o que fazer. Do sentir-se poderosamente responsável à inquietante sensação de impotência; é tudo no mesmo instante. Acho que naquele mesmo instante nascia também um pai!

Entre soluços e reflexões, imaginei tudo o que eu faria a partir daquele instante, tudo o que eu gostaria de viver com aquela criança e, principalmente, relacionei erros que eu supostamente não cometeria, jamais! Passei o dia inteiro vivendo essas elucubrações, sem uma noção real de tudo o que eu ainda viveria e passaria com ele.

Era meu filho! Eu agora era pai! Sem muito entender os porquês, saí mensurando toda a minha criação e relacionando todas as considerações que eu faria ao meu pai. Era como se eu quisesse dar-lhe lições, mostrar para ele, meu pai, que eu saberia ser melhor, muito melhor do que ele, muito mais competente.

A questão é que no filme da vida não existe ensaio, o script vem em branco e você vai escrevendo ali, de pronto, às vezes sem conseguir pensar muito, e o pior, na vida não dá pra repassar a cena e corrigir as cabeçadas que vamos dando. Sim, indiscutivelmente os erros e acertos vão sucedendo e, como essa é uma estrada sem volta, o máximo que podemos ter é a possibilidade de refazer um ou outro ponto, sem que isso apague os danos do que foi feito antes.

Dessa caminhada, não deixo de anotar meus acertos, ou o que eu assim posso considerar. Também não é difícil perceber os inúmeros erros que cometi, por mais boa-vontade que possa ter empregado. Às vezes me pego tentando dar desculpas por ter tomado decisões que hoje vejo como equivocadas e ter desviado meu caminho, deixando de oferecer mais de mim, de estar mais presente na vida dos meus filhos.

Hoje, diante do espelho, retratando toda essa minha carreira de pai, com a realidade e a bagagem de quem teve a vida não só de um, mas de cinco filhos nas mãos, reconheço que existe uma distância bem grande entre tudo o que eu tinha pensado em fazer e a verdade de tudo o que fiz.

Eu queria ter feito melhor, é claro. Hoje sei que de qualquer forma toda criação tem sua dose de aleatoriedade e tantos outros fatores que influenciam nesse resultado final. Por sorte existe uma mãe nessa história e no caso deles, os meus filhos, uma grande mãe!

Olho para esse mesmo filho hoje, esse mesmo que me fez pai, com orgulho. Ele conseguiu, e esse “conseguiu”, de uma forma qualquer “independeu” de mim. Tenho o orgulho de acreditar que o resultado final vai ser bom, que de alguma forma eu contribuí e que a estrada dele vem tomando o rumo necessário para que ele possa ser feliz.

Se isso não alivia minha culpa, ou retira dos meus ombros o peso dos meus erros, abre pelo menos a oportunidade de abraçá-lo mais uma vez, abre a oportunidade de que eu possa tentar ser e fazer algo a mais.

Hoje, com a data maximizada pela coincidência da data comemorativa do dia dos pais, gostaria muito de abraçá-lo, a ele e aos outros, e sem mais palavras comemorar. Eu estou completando 32 anos de pai e ele 32 anos de vida!

 

Aélio Jalles

 


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Aos amigos, prefiro deixar a saudade!

 



Morrer de velhice é algo cheio de significado. Nem entendo o porquê de uma pessoa ter que viver tanto. A gente vai literalmente ficando para trás, se despedindo dos amigos, vendo partir, um a um. O que fica é somente uma saudade apertando no peito, sem saber direito o que fazer com ela.  

As pessoas mais novas nem gostam do que os velhos falam. É como se toda a experiência de vida não servisse para mais nada. Esses amigos eram os que gostavam da nossa conversa, de passar o tempo junto, e que, por isso mesmo, preenchiam a vida de alegria. Parece mesmo maldade do destino, a gente ir ficando sem eles.

Vivenciando a minha mãe, no passo dos seus oitenta e poucos anos, eu vejo o quanto ela se recente da dificuldade de locomoção. Ela sabe que as habilidades que tinha se esvaíram, e que ela tem a necessidade de contar muito mais com a paciência e a colaboração dos outros. É fácil entender porque ela acaba tendo a impressão de ser um peso.

Ela não se cansa de agradecer os meus cuidados, a minha boa vontade. Sou eu quem está ao lado dela, quem dá atenção e quem ainda supre o básico de suas necessidades. Ela diz que eu faço isso somente por obrigação e que, mesmo sabendo disso, ela ainda continua a me cobrar por mais. Para ela, é como se eu estivesse retribuindo uma dívida de vida.

Eu percebi que quando a idade vai pesando, quando as cobranças do corpo ultrapassam as nossas vontades, meio que sem querer, começamos a observar mais os mais velhos que nós. Quase que naturalmente passamos a dedicar mais atenção a eles. É como se eclodisse na cabeça a menção de que eu também estou ficando assim. No meu caso, já estou passando pelos cinquenta anos

Na verdade, a ficha vai caindo aos poucos. Vendo as descrenças da minha mãe, e toda a sorte de reclamações, vou me dando conta que esse é o meu próprio destino. Por isso é que, mesmo me considerando muito mais disponível do que a tempos atrás, eu reconheço que deveria oferecer ainda mais.

Embora ela não perceba isso, sinto-me privilegiado pela condição de viver a velhice da minha mãe de forma tão presente. Suprir as restrições que a vida vem lhe impondo, de certa forma, é poder retribuir o amor que me foi dado quando eu era muito mais dependente do que ela é hoje. Isso não tem exatamente o peso de um pagamento.

Tudo isso é extremamente gratificante, deixa a alma mais leve. Ter essa chance foi uma sorte. Essa oportunidade tem me feito dar mais valor à vida, respeitar mais as pessoas e ampliar o sentimento sobre a família e os amigos.

A questão é que, embora seja gratificante para mim, para ela nunca vai ser! O sentimento de fragilidade, de impotência diante da vida e, principalmente, a consciência da decadência física e mental, provoca um grande desconforto. Eu sei que não consigo escutar dela tudo o que deveria. Dá impaciência vê-la repetindo tanto e tantas vezes as mesmas coisas, os mesmos fatos e o pior, as mesmas lamúrias.

Eu sei que, por mais que eu me esforce, não tenho como dar a ela a atenção que ela tem por necessidade. Eu entendo que, no caso dela, a solidão passa a ter um peso e um significado ainda maior. Não é difícil entender que quase tudo que acontece, qualquer distanciamento que seja sentido por parte dela, para ela representa o abandono.

Na adolescência, eu e meus amigos falávamos em aposentadoria como uma forma de ter tempo para viver, viajar, ou, quando muito, dar atenção aos netos. Eu venho descobrindo que deveríamos nos aposentar para cuidar dos nossos pais, para lhes oferecer a atenção que os amigos deles, mesmo os que ainda estão vivos, já não podem mais lhe dar. Esses já estão tão dependentes quanto eles e, com todos, os mesmos sentimentos de abandono.  

Pensando em tudo isso é que eu digo: não quero morrer de velho! Não quero ser eu quem vai apagar as luzes. De coração, não quero chorar a partida dos amigos, a partida dessas pessoas tão queridas. Prefiro mesmo, de uma forma bem egoísta, deixar com eles a saudade de tudo o que vivemos juntos.

 

 

Aélio Jalles (Lelo)


sábado, 6 de agosto de 2022

A regra do jogo!

 


Não acredito na possibilidade de ser feliz sozinho, acho que essa história de “estou bem comigo mesmo” pode até proporcionar certo conforto à condição de solidão, mas eu vejo tão-somente como um ato de acomodação. Não consigo ver nessa atitude mais do que isso.

Na minha ilustração, a felicidade leva o nome de “verbo ativo”, porque para ser feliz nós precisamos estar em movimento, em ação. Também leva o nome de “verbo simples”, porque não requer luxo, nem pompa, é algo que se encontra ali, em um detalhe. E o mais significativo: é um verbo que só se conjuga no plural!

Eu acho que o colorido da vida está no encontro, na divisão de espaço, do pacote de bolacha, está no brilho dos olhares que se cruzam, nos brindes, na paixão, na amizade, no turbilhão de sentimentos que faz qualquer relação ganhar cor e brilho.

Claro que tudo isso é só uma teoria, é minha idealização literária, uma opinião bem pessoal do que eu enxergo como fonte da felicidade. Também acredito que tudo isso acontece em meio ao acaso. Acontece pelas coincidências da vida, e que cabe a cada um identificar e abraçar o seu destino.

Um dia, em relação ao amor, um amigo – em uma conversa cheia de cerveja e bem temperada pelo sentimento, exatamente por uma situação de desalento exposta, um desses desencontros onde o coração bate em uma porta fechada – vem apontar que eu não estou levando em conta as regras que fazem parte desse jogo.

Entre um gole e outro e entre tantas outras palavras, me chamou a atenção quando ele disse: “não se manda no amor”. Essa era uma regra simples demais, uma daquelas regras pátrias de qualquer relação e tinha que ser assimilada porque ela faz parte do jogo. Eu bem sei isso, só que até então minha cognição inebriada não tinha juntado as pontas desse quebra-cabeça.

A questão é que essa busca passa sempre pelos desencontros. É muito difícil acertar de primeira e as desilusões são inevitáveis. Sempre vão aparecer portas pelas quais você não quer entrar por mais convidativas que sejam, assim como, em outros casos, você até vai tentar uma entrada forçada. Foi exatamente sobre uma dessas tentativas forçadas a que ele se referiu.

Sim, meu amigo, ninguém manda no coração, você tem razão, mas nem sempre se pode identificar o que tem no coração da outra pessoa assim de pronto. As frestas de luz que passam, por vezes, podem dar a impressão de uma porta entreaberta, com perspectivas, assim como podem deixar oculto o fator impeditivo.

O fato é que essas tentativas geram situações inusitadas. Tentar forçar a entrada é um primeiro passo e, como os avisos são sutis, não dá para imaginar o que está por trás, segurando a porta. Mesmo sem querer, por não mandar no amor, quem entra no jogo sem ficha se machuca.

No mistério dessas paixões você vai vivendo os dissabores, vivendo e aprendendo a aplicação dessas regras, muitas nem tão claras assim. As portas que se fecham, sejam para você ou de você para outros, sempre parecem ser pesadas demais e essas tentativas frustradas vão deixando suas marcas.

É, meu amigo, só me resta encher-lhe de razão: “não se manda no amor”!

 

Aélio Jalles (Lelo) 



segunda-feira, 1 de agosto de 2022

A turma da Praça!



A turma da Praça!

 

Encontrei, na Praça da Gentilândia, o lugar perfeito para a boa prática dos meus exercícios físicos diários. Tem um percurso de 350m, um piso adequado, uma calçada larga e um grupo de pessoas na “faixa”. Lá, formamos aquele grupo de meninos e meninas que já passaram dos 50, ou como nós mesmos gostamos de dizer, que já não tem mais 18 anos.

 

Na verdade, depois da minha mudança para o Benfica, levei mais de 02 anos para criar coragem e pular da cama.  O gatilho, o fato relevante que acendeu a minha necessidade, foi um ataque cardíaco que um amigo, um grande amigo, um dos mais novos da minha turma, uns 05 anos mais novo que eu, teve no final do ano anterior.

Esse incidente mexeu com os meus brios, e me fez acordar cedo para ir à praça para encarar uma rotina de atividade física. Caminhada, corrida, exercícios e muita conversa. Quem me conhece sabe que eu até gosto de uma boa conversa, de conhecer pessoas e mais ainda de conviver com gente.

Só que eu encontrei na praça muito mais do que isso. Eu encontrei na praça pessoas de bem com a vida, pessoas de um bom coração, pessoas dispostas a ouvir e a brincar com a gente. Eu encontrei na praça GENTE, GENTE que se escreve assim com todas as letras maiúsculas. Eu encontrei na praça um bando de pessoas a quem carinhosamente eu posso chamar de amigos!

Conversamos muito, falamos dos assuntos dos mais variados. Falamos muito de nós mesmos. Temos muito tempo juntos e, sem querer, vamos nos revelando, deixando transparecer os detalhes pessoais mais íntimos. Nessa caminhada, acabamos fazendo parte das DRs, e acabamos por dar “pitacos” nas relações afetivas dos nossos amigos. Nada mau, acho que isso nos aproxima ainda mais!

Venho observando que essas relações estão se solidificando, pois, aos poucos, estamos transpondo os limites da praça. Devagar, estamos participando mais da vida uns dos outros. Alguns cafés da manhã, alguns drinques, alguns encontros extra praça. Nem tenho como avaliar o quanto isso é saudável!

Hoje, é fácil pular da cama para ir à praça, porque eu acordo lembrando que vou encontrar pessoas encantadoras, amigos de bons presságios. Sei que eles vão levantar meu astral, que vão oferecer um colorido todo especial à minha vida, um colorido que eu vou poder levar para o resto do meu dia. Assim, eu saio de casa sorrindo!

Aélio Jalles 

 

A mentira de mil vezes

O efeito da chamada “Mentira Ilusória” já é de senso comum e os efeitos dela sobre a ação cognitiva do ser humano, também. Não, eu não sou p...