quinta-feira, 4 de julho de 2024

Erros e acertos do script da vida



A vida é uma breve linha de tempo entre o nascer e o morrer e que, no fundo, só dura, como disse o poeta, “o espaço de um instante”. Para completar ela é dinâmica, não para, nem mesmo para nos oferecer o tempo de raciocinar, de pensar o que temos ou o que devemos fazer, com cada situação.

A vida segue acontecendo assim mesmo, sem trégua. Ela vai se desenrolando independente da tua capacidade de entendimento e por isso mesmo, nós não temos como evitar o cometimento dos erros, dos enganos. Erros e acertos com os quais nós seremos obrigados a conviver, por todo o resto de tempo dessa estrada.  

É importante entender que são esses erros e acertos que vão sedimentando os caminhos da nossa existência e que, por todos eles, nós recebemos o “troco”. Aos poucos, nós vamos tendo a retribuição, positiva ou negativa, dessa nossa capacidade de assertividade.

A vida é cheia de alegrias, só que elas se apresentam entremeadas de acontecimentos, testes, provações e até tragédias. Embora cada existência seja diferente e específica, ninguém se isenta das feridas da vida. Os acertos nos fazem felizes e realizados, agora os erros entram em uma questão maior e de difícil aceitação.  

Por vezes uma atitude, até bem pensada, tomada dentro de uma lógica positiva, é seguida de uma reação ou uma consequência inesperada e, dentro da nossa ótica, totalmente equivocada.  A vida tem o seu toque de sorte e pode sempre existir um momento em que sua lógica seja traída.

Entre as luzes das alegrias e os nebulosos corredores das tristezas, entrelaçam-se as teias da vida nos desafiando a escrever a nossa própria história. Ela cobra a nossa capacidade de transformar situações, mesmo sobre fatos que podem virar nossa vida de cabeça para baixo e nos impor condições que jamais imaginamos vivenciar.

É por isso que filosoficamente se prega a isenção dos julgamentos, embora algumas atitudes sejam bem difíceis de perdoar. E mesmo que perdoar não signifique esquecer o que foi feito, nós precisaríamos ser capazes de olhar no espelho e apontar em nós mesmos, o que enxergamos dos outros.

Talvez isso nos ajudasse a buscar ângulos diferentes de perceber a atitude tomada. Por trás de uma atitude tem sempre um sentimento e embora não seja determinante, esse sentimento pode ajudar a compreender melhor o que motivou a pessoa a agir, ou de se deixar levar a agir daquela forma. 

Como conselho, se é que eu posso me dar o direito de dar algum, eu diria: já que, no percurso da sua existência, você vai errar e acertar, seja mais complacente com os erros alheios. Quisera fossemos capazes de corrigir os erros, pelo menos os que temos consciência.

É que a vida é uma via de mão única, ela só vai, não tem como apagar, ou como reescrever, não tem como corrigir esse script!

 

Aélio Jalles (Lelo) 


 




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sexta-feira, 21 de junho de 2024

Não ao abandono afetivo



Na loucura da vida, estamos vendo, ou posso dizer que, na medida em que a velhice se instala, vamos vivenciando cada vez menos a afetividade social. É como ressaltado por um amigo, em um texto, estamos passando pela eliminação gradativa da vida, condenados a um esquecimento, a um doloroso abandono afetivo.

A cada dia que passa, nós somos naturalmente afastados dos nossos círculos sociais. As reuniões em família, os encontros com os amigos, às ocasiões de acolhimento social, todas essas situações vão ficando cada vez mais escassas e, no fundo, não dá para culpar ninguém por isso.

Os filhos vão crescendo e ganhando novos compromissos, os amigos vão se distanciando, vão tendo mais dificuldade de locomoção, vão adoecendo, vão falecendo. É um processo inevitável, não se pode frear, e nós naturalmente, como se não tivesse nada o que fazer, vamos nos acomodando, aceitando esse distanciamento.   

Vamos ficando ultrapassados, isso é um fato, e a cada dia, mais desinteressantes. Começamos a fazer perguntas demais, a compreender de menos e a querer saber o que, realmente, não nos interessa. Também, o que é ainda pior, vamos nos tornando mais intolerantes, mais aborrecidos. 

Olhando para minha mãe, minhas tias, e mais outras pessoas de idade avançada, eu percebo que; quanto mais reclamamos, mais afastamos as pessoas do nosso convívio. Fica claro que reclamar, seja das ausências, das dores, ou até mesmo das consequências de ter vivido tanto, provoca afastamento, fechamento de portas e ampliação da vala que vai sendo construída entre nós e o resto do mundo. 

Temos que encontrar a forma de virar essa chave, mesmo que não seja assim uma virada tão grande ou significativa. Temos que entender nossas limitações e aprender a tirar o máximo proveito de todo momento de felicidade que nós conseguimos ter acesso, sem estragá-los com qualquer tipo de questionamento.

Precisamos abusar da simpatia e tentar nos integrar, da melhor maneira, a todas essas situações que se apresentam. Na verdade ninguém gosta da chatice alheia, da rabugice dos outros. Temos que aprender a degustar esses momentos, como se eles fossem únicos, recebendo-os de bom grado e de coração aberto.   

Assim sendo, eu diria que; a partir da virada da casa dos cinquenta anos, o negócio é redobrar os vínculos de amizade e de retirar dessas amizades a maior quantidade de alegria possível. Nós temos que desfrutar dessas amizades ao máximo. Dá para curtir a vida com o que nós ainda temos na mão.

É essa curtição que vai, na pior das hipóteses, gerar, no futuro, nossas boas lembranças. Vamos registrar histórias interessantes e formar boas memórias. Quem sabe assim nós possamos “entreter” as pessoas que vão nos cercar mais na frente, com elas.

Nesse futuro incerto, é bem melhor abdicar das dores, do que do convívio com as pessoas. Nesse cenário, eu não vejo uma forma melhor de dizer não ao abandono afetivo, do que contagiar o mundo com um belo sorriso e boas histórias.

 

Aélio Jalles (Lelo)






 

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terça-feira, 11 de junho de 2024

O encontro de vidas


Não existe como definir a felicidade que se instala no peito, por conta do início de uma boa relação. É uma felicidade incondicional, é uma energia mágica, uma energia que torna o mundo muito mais colorido e cheio de graça.

É como se o mundo ficasse perfeito e a vida ganhasse uma linha tão gostosa, que a gente só quer deixar esse sentimento fluir. É como se ali, ou a partir desse momento, a vida gentilmente a tivesse oferecido como presente, o horizonte, a vista do lado mais bonito do que é viver.

Quando duas vidas se encontram, tudo parece contribuir para a construção desse castelo, lindo e pomposo, o castelo dos sonhos e da felicidade. É um momento de plenitude, de uma troca perfeita, onde o dar e o receber se confundem na magia do amar e ser amado. É um espaço de tempo onde tudo funciona como deve.

É que somos de uma natureza onde nos sentimos metade, e quando, no instante em que reluz a possibilidade desse encontro, somos induzidos pela paixão. Nesse momento somos levados a abrir o coração e nos entregar. Seria perfeito se esse encontro de vidas, quisera o universo que fosse também o encontro de almas.

É como se naquele instante plantássemos a semente do amor. E se essa semente cai em terra fértil, torna-se fácil entender que vai se transformar em um oásis. É impossível prever o tamanho e a proporção que esse jardim vai ganhar, muito menos em tudo o que ele vai se transformar.    

Se sou um sonhador, se vejo na ilusão de um relacionamento a força maior da felicidade, é porque, mesmo depois de tantos tropeços, ainda acredito no amor. Acho eu que a solidão é, sobretudo, a nossa incapacidade de enxergar o lado bom das pessoas e acreditar nelas.

Não vejo o amadurecer como o endurecimento do coração. O amadurecer é para trazer a sabedoria de ser feliz, a coragem para saber se doar, a capacidade para saber se entregar e principalmente o conhecimento para saber receber do outro. A maturidade deve ensinar a se encaixar com a confiança de um pertencimento mutuo.

Amar, necessariamente, é uma via de mão dupla, que deve ser regado de amizade, de carinho, de afeto e compreensão. Amar é acima de tudo valorizar o que se tem, saber olhar para o outro como sendo ele a sua outra parte. E assim sendo, é como se essa parte nos pertencesse e nós a ela, simplesmente.

Nessa relação, a energia do sentimento deve circular livremente, sem culpa e sem medo. Eu acredito que é através das boas trocas, onde um é capaz de oferecer ao outro o que tem de melhor, que nós somos capazes de sedimentar as paredes daquele castelo dos sonhos.

No meu singelo modo de ver, essa é a construção que faz o sentimento durar pelo resto dessas duas vidas.

 

Aélio Jalles (Lelo)



  

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quinta-feira, 30 de maio de 2024

A cultura do cancelamento digital


As facilidades encontradas nas redes sociais promovem uma série de eventos. Essa facilidade faz com que as pessoas possam aparecer, “gratuitamente”, e ganhar a sua notoriedade, por vezes, pouco importando o conteúdo real do que publica.

Cada um assume o papel que lhe cabe e dentro do seu público alvo, vamos dizer assim, vai ganhando seus seguidores. Uma fama que nem sempre acontece tão fácil quanto se imagina, mas que de certa forma, muito se parece com um “castelo de cartas”.

Essa volatilidade abre portas com a mesma facilidade que fecha. Os agravos, quando a sua opinião não bate com a de outra pessoa e ela resolve questionar publicamente sem medir os termos, pode trazer sérios problemas. Dependendo de quem se posiciona do outro lado, você pode ter questões tão profundas, que acabam afetando o psicológico, a saúde mental das pessoas.

Nem sempre, melhor dizendo, normalmente nós não estamos preparados para os infortúnios dessa natureza. E esses infortúnios podem chegar até qualquer um, assim, meio que do nada, eles só batem na porta e pronto. Depois disso o tamanho do problema, do estrago causado vai depender do quanto à brincadeira vai reverberar.

A cultura do cancelamento nasceu meio que como um instrumento regulatório para esse meio digital. Algo que poderia servir de medida para que ninguém passasse da conta, mas que se tornou um instrumento sem o menor senso de direção. Ele pode até acertar, mas as suas bases são tão toscas e totalmente sem critérios, que esse acerto é raro.

Não se pode pensar em justiça dessa forma, não se pode pesar em justiça realizada por cabeças que não param para analisar os fatos. A grande maioria das pessoas estabelecem julgamentos e distribuem condenações sem o menor conhecimento de causa. Elas não param para medir as consequências, só batem, sem realmente se importar em medir o que estão fazendo.

Isso acaba tornando a sociedade digital, muito inquisitiva. As pessoas tomam como senso fragmentos de uma informação, muito poucos buscam conferir a veracidade dessa informação, e promovem o seu julgamento baseadas nesse fragmento. Ora, só com isso dá para entender que o erro é evidente.

Sem falar no que, propositalmente, é lançado como informação e que de fato são mentiras ou distorções de verdade. A internet esta cheia delas, dessas inverdades, dessa implantação de informações indevidas. Tem um monte de gente que faz isso e com os objetivos mais tenebrosos que você pode imaginar.

Em termos gerais, a internet colocou a informação do mundo todo ao nosso dispor. Cabe a cada um de nós desenvolver as aptidões necessárias para lidar com ela, a saber identificar o que é verdade e desprezar as informações indevidas. Cabe a cada um de nós fazer o uso devido do fator cancelamento, eliminando o que vem de ruim dentro de tudo o que lhe enviam.

É difícil saber julgar. Então eu diria que na dúvida não repasse, não julgue, não tome uma atitude que possa prejudicar ninguém, se você realmente não tem a certeza do fato. Não dê asas aos absurdos, nem transforme uma mentira em uma arma devastadora. Tome tento!

 

Aélio Jalles (Lelo)




 

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Um jeito meio brega

Me disseram que a paixão, tem um jeito meio brega...... É que um sentimento desse jeito, quando bate aqui no peito, desatina, não sosseg...