Na noite daquele domingo o Luide ficou no
quarto da Eli até tarde. Nos dias seguintes a inquietude da Eli, seu nervosismo
fora do normal, deixava perceptível que tinha acontecido um algo a mais, e que
a moça estava precisando conversar sobre o assunto com alguém.
Lógico que é necessário sensibilidade para
perceber e entender os motivos daquela alteração de humor. Mais ainda, somente
pais participativos, atentos, pais que estão ligados aos momentos de vida dos
filhos, têm na mão as condições necessárias para que eles possam contribuir da forma
correta.
O momento era muito delicado para os dois
adolescentes. Eles deram um passo e além de não saber mensurar efetivamente as
consequências, eles não sabiam exatamente como seria a reação dos pais,
principalmente os pais da Eli. Falo os pais da Eli, por serem eles os mais
próximos da relação.
Os pais da Eli sempre chegaram junto do casal
e acompanharam de perto esse processo. Eles ofereceram as informações que
consideravam adequadas, mas nunca se posicionaram a favor da iniciação sexual
da filha. Como todos os pais, eles sempre mostravam que ainda não estava em
tempo.
Tanto a Eli quanto o Luide estavam doidos
para dividir o peso do acontecido. Eles precisavam de orientação e sabiam que
os pais da Eli seriam os mais adequados, mas não sabiam como fazer, como chegar
a eles. Eles tinham o receio natural de qualquer adolescente.
Os pais dela estavam conscientes do que tinha
acontecido, e eles estavam prontos para dar o apoio necessário. Foi a mãe da
Eli quem deu o passo, quem tomou a iniciativa. Esperou o momento que ela mesma
achou mais conveniente e se chegou à filha.
A mãe da Eli se posicionava sempre muito
calma e muito firme, o que fazia a diferença na cabeça da moça. Ela começou com
um sorriso, como quem oferece as boas-vindas para essa virada de chave da
filha, fazendo referência à beleza dessa nova etapa de vida.
Ela mostrou que estaria ao lado da filha
sempre, e que, para todas as questões, a mãe deveria ser a primeira pessoa para
quem Eli teria que recorrer. Eli foi se deixando levar pela conversa da mãe.
Aos poucos, ela foi relaxando e procurando
pensar sobre tudo o que a mãe estava dizendo. O alívio de poder dividir o peso
do que tinha acontecido vinha se misturando com as novas informações, além da
dimensão que o fato em si teria para a sua vida, de agora em diante.
A conversa ganhou os ares de leveza devidos e
elas passaram a trocar confidências. Diante dos olhos da mãe da Eli, aquele era
o momento mais adequado do mundo para que ela oferecesse à filha o conceito de
sexo que ela tinha. O sexo como uma coisa boa, bonita, como sendo uma forma de
conectar as almas.
Por toda a experiência que a mãe tinha, e por ela conhecer de perto a beleza da relação que os pais dela viviam, Eli foi se
envolvendo pela conversa. Sim, ela queria aquela mesma conexão com o Luide. Ela
queria, para a vida sentimental dela, aquela mesma energia mágica que envolvia
a relação dos pais.
Eli se encantava com a descrição que a mãe
era capaz de fazer da sua relação com o marido. Mesmo sem entrar nos detalhes,
digamos assim, mais íntimos da relação, a mãe conseguia explicitar a troca de
energia, o carinho e principalmente o pé de igualdade que aquele ato tinha
entre eles.
Poder receber e oferecer carinho, com a
isenção de qualquer receio, era o ponto. Aquele era para ser sempre um momento
de esplendor, e ela, não só por ser mulher, mas como pessoa, não deveria nunca
aceitar um ato sexual que fosse menos que isso.
A confiança, como pregava a experiência
daquela mulher, é o pré-requisito para que se possa permitir a imersão total do
corpo na relação. É necessária uma relação plena de atenção e respeito para que
você possa se deixar levar por toda a sorte de bons sentimentos, e para fazer
do sexo essa conexão mágica.
Eli foi traduzindo, em reposta à conversa da
mãe, todas as possibilidades que o prazer do contato físico poderia oferecer. A
confiança que ela tinha na figura materna era determinante. Aquilo tudo era
forte demais e, sem dúvida, se transformaria em um parâmetro que Eli levaria
para o seu contexto de vida.
Sem mudar o tom, como se fosse para fechar a
conversa, a mãe da Eli também fez um comentário bem firme sobre o tamanho da
responsabilidade daquele passo. Nada demais, tendo como referência o processo
de educação que os pais dela sempre pregaram.
A mãe fez questão de fechar a conversa
repetindo um ensinamento já muito usual entre eles. Ela disse: quanto mais
independente você for, mais liberdade tem nas mãos, e mais responsabilidade
também. Nunca esqueça isso!
Aélio Jalles (Lelo)
Livro:
Era Uma Vez Meu Coração
Capitulo
01: E Ai K dê meu ovo?
Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/e-ai-k-de-meu-ovo.html
Capitulo
02: O Desabrochar da Sexualidade
Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/o-desabrochar-da-sexualidade.html
Capitulo 03: A
primeira vez
Link https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/a-primeira-vez.html









