Não sei nem mesmo explicar o porquê,
mas não consegui abraçá-lo. Eu não consegui devolver o sentimento, mesmo
percebendo o quanto ela era uma pessoa interessante. Mesmo sendo alguém com
quem eu poderia dividir os meus momentos, eu não consegui retribuir o que ela
me oferecia. Pelo menos não da mesma forma, nem com o mesmo conteúdo.
Recebi, como troco, a mesma moeda.
Acabou que eu me interessei por outra pessoa. Alguém que, da mesma forma, não
conseguiu ver em mim algo capaz de oferecer, pelo menos, o suficiente. Eu não
obtive êxito para despertar o interesse dessa nova pessoa. Infelizmente, a vida
tem seus desencontros, e eu acabei cruzando esse caminho espinhoso!
Não me vejo mais em condições de levar
alguém a uma vã ilusão, assim como também não quero me sentir enganado. De
verdade, não quero entrar em um relacionamento sem sentido. A idade, as
angústias e a esperança que ainda reina no imaginário das minhas ilusões, só me
permitem uma atitude franca e honesta, comigo mesmo inclusive!
Busco uma relação simples, mas honesta
para a vida de ambos; um relacionamento capaz de oferecer cor para a vida dos
dois. Procuro um alguém que possa me acompanhar em um copo de cerveja, que
possa fazer de uma conversa algo agradável; uma companheira para a vida, uma
amiga, uma amante. Alguém que me represente!
Representar, nesse caso, tem uma
conotação bem pessoal, com o significado de fazer parte. Falo de algo como uma
ligação simples e gratuita, onde nossas vidas possam se complementar. O prazer,
de estar junto, transforma o desejo de felicidade em presença, em apego.
Com muito pouco, acabei descobrindo que
tal representação só é possível, lícita e sinceramente, quando a relação é
recheada pelo bem-estar de ambos. Quando a presença do outro provoca esse tipo
de prazer, não existem palavras para descrever esse encanto. Uma troca de
olhares, aparentemente simples e fortuita, faz brotar um sorriso largo e terno.
Não estou falando do calor das paixões,
estou descrevendo uma representação que nasce do bom senso, da amizade. Me
refiro aqui a uma relação que tem como principal ingrediente a leveza, e que,
por isso, pode ganhar mais espaço, e se estabelecer em dois corações. Afinal de
contas, é a vontade de estar perto que provoca a felicidade pela presença de um
na vida do outro.
Somente consigo me imaginar em uma
relação assim. Não tenho como me sentir confortável percebendo estar fora de
tais condições. Não vejo mais graça no fato de me divertir com as “pessoas
erradas”. Não tem a ver com a idade, mas sim com o vazio do coração nas
relações fortuitas.
O tempo tem me ensinado a conviver com
a minha solidão, e, acredito, tem também me preparado para esse novo momento da
vida!
Aélio Jalles

A maturidade mesmo que tardia é sempre bem vinda.....
ResponderExcluirUm texto comprometida com o tal amor próprio que toma vulto e mergulha nas possibilidades de um amor leve poder fazer parte de um mundo especial, próprio, feito para ser feliz com todos os ingredientes que o faz maduro. Parabéns pela postagem.
ResponderExcluir🥺🥺
ResponderExcluirA maturidade realmente trás um novo significado à vida. Nos dar a certeza de que as relações e pessoas que não agregam e não trazem mais significativo em nossas vidas, precisam ser deixadas ir…os ciclos seguem o seu curso natural. É um despertar para a realidade, pois muitas vezes optamos por está em uma relação da qual não nos sentimos mais plenos e felizes, onde os ideias e sonhos deixaram de ser compartilhados, para não seguirmos sozinhos. É exatamente nesse momento que erramos e falhamos com nos mesmos
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