quinta-feira, 28 de julho de 2022

Angustias!





 Eu vi o amor se aproximar, bater em minha porta, pedir para entrar, mas eu não permiti!

 

Não sei nem mesmo explicar o porquê, mas não consegui abraçá-lo. Eu não consegui devolver o sentimento, mesmo percebendo o quanto ela era uma pessoa interessante. Mesmo sendo alguém com quem eu poderia dividir os meus momentos, eu não consegui retribuir o que ela me oferecia. Pelo menos não da mesma forma, nem com o mesmo conteúdo.

 

Recebi, como troco, a mesma moeda. Acabou que eu me interessei por outra pessoa. Alguém que, da mesma forma, não conseguiu ver em mim algo capaz de oferecer, pelo menos, o suficiente. Eu não obtive êxito para despertar o interesse dessa nova pessoa. Infelizmente, a vida tem seus desencontros, e eu acabei cruzando esse caminho espinhoso!

 

Não me vejo mais em condições de levar alguém a uma vã ilusão, assim como também não quero me sentir enganado. De verdade, não quero entrar em um relacionamento sem sentido. A idade, as angústias e a esperança que ainda reina no imaginário das minhas ilusões, só me permitem uma atitude franca e honesta, comigo mesmo inclusive!

 

Busco uma relação simples, mas honesta para a vida de ambos; um relacionamento capaz de oferecer cor para a vida dos dois. Procuro um alguém que possa me acompanhar em um copo de cerveja, que possa fazer de uma conversa algo agradável; uma companheira para a vida, uma amiga, uma amante. Alguém que me represente!

 

Representar, nesse caso, tem uma conotação bem pessoal, com o significado de fazer parte. Falo de algo como uma ligação simples e gratuita, onde nossas vidas possam se complementar. O prazer, de estar junto, transforma o desejo de felicidade em presença, em apego. 

 

Com muito pouco, acabei descobrindo que tal representação só é possível, lícita e sinceramente, quando a relação é recheada pelo bem-estar de ambos. Quando a presença do outro provoca esse tipo de prazer, não existem palavras para descrever esse encanto. Uma troca de olhares, aparentemente simples e fortuita, faz brotar um sorriso largo e terno.

 

Não estou falando do calor das paixões, estou descrevendo uma representação que nasce do bom senso, da amizade. Me refiro aqui a uma relação que tem como principal ingrediente a leveza, e que, por isso, pode ganhar mais espaço, e se estabelecer em dois corações. Afinal de contas, é a vontade de estar perto que provoca a felicidade pela presença de um na vida do outro.

 

Somente consigo me imaginar em uma relação assim. Não tenho como me sentir confortável percebendo estar fora de tais condições. Não vejo mais graça no fato de me divertir com as “pessoas erradas”. Não tem a ver com a idade, mas sim com o vazio do coração nas relações fortuitas.

 

O tempo tem me ensinado a conviver com a minha solidão, e, acredito, tem também me preparado para esse novo momento da vida!

 

 

Aélio Jalles 

 


4 comentários:

  1. A maturidade mesmo que tardia é sempre bem vinda.....

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  2. Um texto comprometida com o tal amor próprio que toma vulto e mergulha nas possibilidades de um amor leve poder fazer parte de um mundo especial, próprio, feito para ser feliz com todos os ingredientes que o faz maduro. Parabéns pela postagem.

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  3. A maturidade realmente trás um novo significado à vida. Nos dar a certeza de que as relações e pessoas que não agregam e não trazem mais significativo em nossas vidas, precisam ser deixadas ir…os ciclos seguem o seu curso natural. É um despertar para a realidade, pois muitas vezes optamos por está em uma relação da qual não nos sentimos mais plenos e felizes, onde os ideias e sonhos deixaram de ser compartilhados, para não seguirmos sozinhos. É exatamente nesse momento que erramos e falhamos com nos mesmos

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