A esse amor digo agora: como fui tolo em te perder!
Como fui tolo em
evitar a possibilidade de levar em frente esse amor. Como me sinto frustrado em
não ter abraçado essa relação, e me permitido, pelo menos, tentar viver todo o
colorido que a vida, ao teu lado, poderia me reservar.
Eu bem sei que a
vida nos exigiria um preço muito alto por essa relação. As inquisições sociais,
além de toda a sorte de cobranças, já seriam demasiadamente pesadas, se
resquícios dessa relação escapassem ao conhecimento público. Eu não suportaria te
submeter a qualquer parte dessa cobrança.
O fato de ter se
mantida anônima deu a essa relação a inexistência de qualquer sequela, e isso
nos deixou o deleite do lado mais doce. Acho que exatamente por isso, o gosto
do quero mais sempre inundou a minha cabeça. A lembrança do cheiro da pele,
além da química que envolvia o contato do corpo, ainda me traz de volta o
prazer de tudo o que representou estar contigo.
Como eu posso
fazer para te mostrar o tamanho do dilema que eu vivi, ao te negar o meu
desejo? Eu até tinha na cabeça os motivos certos. Sabia de cor as razões que me
proibiam levar em frente aquela possibilidade. Mas, abrir mão de te ter, de
ultrapassar a linha lógica, que eu mesmo havia me imposto, retorceu-me o
estomago, e me deixou um amargo na boca que dura até hoje.
Tu chegaste como
um anjo, em um momento em que eu estava completamente desencontrado, sem muita
convicção de nada. Tu me envolveste; tu me deste colo; tu me acalentaste. Teus
afagos e teu carinho me mostraram que os horizontes da vida são diversos, e que
basta nos permitir para descobrir a beleza dos caminhos que a vida pode
oferecer.
Naquele momento
em que te neguei, neguei a mim mesmo. Foi a partir dessa curta relação, que eu experimentei
o que a vida nunca antes tinha me apresentado. Esses eram aqueles nítidos
momentos em que se tenta esticar o relógio, lutando contra o fato de te deixar
sair do alcance dos meus braços.
Eu sempre
aguardei ansioso o nosso próximo encontro, eu sempre acreditei que seria capaz
de concertar meu desatino com isso. Só em pensar na possibilidade, eu já me
deixava levar pelas mesmas sensações da adolescência, as quais a maturidade
ainda me permite.
E assim sigo,
ainda hoje, ansioso por um amor que vive, e o qual retomo na memória quando
quero resgatar a felicidade!
Aélio Jalles
(Lelo)

Muito apaixonado.
ResponderExcluirPode ter certeza!
ResponderExcluirQuem não viveu um amor proibido
ResponderExcluirE a maturidade de hoje não seria capaz de ultrapassar as barreiras, e tornar palpável o que antes foi deixado escapar pelas mãos?
ResponderExcluirNesse caso, não! Existe toda uma questão de princípios, de ética, que não merecem ser postos a porva desse jeito. Resistir foi muito duro, mas sei que foi necessário!
ResponderExcluirLamento, mas concordo.
ResponderExcluirAssim como o texto, existem muitas pessoas que vivem a frustração de um amor não vivido 😔 triste, pessoas que se deixaram levar pelo orgulho, medo e até mesmo pelo q outras pessoas falaram.
ResponderExcluirMuito bom o texto parabéns pela criatividade.
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