Há muito tempo, por conta de
uma brincadeira, nos intitulamos de Anjinhos, assim mesmo no diminutivo. Toda a
história teve início a partir de um desenho. Um desenho com cunho, podemos
assim dizer, meio pornográfico, coisa bem de adolescente mesmo.
Na verdade, esse desenho
virou símbolo da turma e começou a ornamentar os carros e motos desse grupo de
amigos. O desenho formatava somente o M de Motel. Era um casal, digamos assim,
em um ato de amor.
Digo um ato de amor para não
macular a imagem, já que estamos falando do símbolo dos Anjinhos. O desenho foi
feito de forma tal que não estampava o ato sexual de forma tão evidente. Ele
era sutil, algo que fosse capaz de deixar a imaginação viajar.
O que tínhamos em comum, na
verdade o que nos segurou juntos e o que nos tornou anjos da vida uns dos
outros, foi o carinho e muita disponibilidade. O carinho que floresceu, sabe-se
lá de onde, mas que encontrou um terreno fértil nos nossos corações.
O vínculo de união desse
grupo foi sendo naturalmente fortalecido, cada acontecimento ampliava a ideia
de que respirar juntos era muito mais gostoso, e isso foi se tornando um
hábito.
Não que fôssemos dependentes
uns dos outros. Não. Isso tudo era muito mais pela forma que a presença de cada
um fazia a diferença na felicidade que nós vivíamos. Posso dizer que estar
juntos era inebriante.
Essa ideia, essa
interpretação de respirar juntos, vinha de uma proteção que cada um oferecia
gratuitamente ao outro. Uma interpretação que foi dada pelo pai de um dos
membros da turma. Alguém que tinha muito gosto de ver os filhos dentro dessa
turma.
Ele disse de forma bem
textual: “o fato de saber que meus filhos estão com esse grupo de amigos, me
oferece uma tranquilidade gigantesca. Eu vejo o quanto o grupo se protege e se
cobra. Respirando juntos assim, ninguém consegue fazer nenhuma besteira”.
Essa cobrança, na verdade,
fazia com que todos caminhassem dentro de algumas regras, as regras que são
naturalmente impostas pelo grupo. Acaba que o grupo não permite que ninguém
saia da linha.
Nós éramos de fato um bando
de “aborrecentes”. Um bando mesmo, muitas cabeças, muitas criações diferentes,
formação de conceitos diferentes, jeito de lidar com as coisas diferente.
Sempre fomos pessoas de paz.
Nunca fomos desordeiros demais, pelo menos não no sentido de criar problemas
para outras pessoas, ou de encrencar ninguém. Nossas brincadeiras sempre foram
do tipo que podemos chamar de “saudáveis”.
Não gostávamos de briga, estávamos
sempre promovendo a alegria. Nesse grupo não cabiam as atitudes pesadas que
pudessem prejudicar ninguém. Gostávamos mesmo era de estar juntos, de ouvir
música, de acompanhar um violão, de pôr a nossa batucada para fazer barulho.
Nós formamos um grupo de
amigos do bem, um grupo que nos levava por um caminho de paz, de harmonia, de
entrosamento e de cumplicidade. Nós éramos a representação de toda a
musicalidade que a vida podia oferecer, e transmitíamos a alegria que a energia
de estar juntos nos proporcionava.
Por tudo isso, dá para
ressaltar que nós vivemos os nossos momentos, criamos lembranças que, eu tenho
certeza, hoje fazem parte da vida de cada um dos que tiveram a felicidade de
usufruir da companhia, do carinho e da amizade desse grupo de amigos.
A vida nos ofereceu um
momento ímpar, que nem dá para entender de onde ou porque surgiu. Só sei que
foi assim, respirando juntos que nos tornamos anjos da vida uns dos outros.
Aélio Jalles (Lelo)
Extraído do livro: Anjos daminha vida

Aí que texto lindo!
ResponderExcluir👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾
ResponderExcluirMaravilhoso Aelio
ResponderExcluirJá tive um grupo assim, faz tempo, realmente existia amizade, hoje é coisa rara. Parabéns pelo texto.
ResponderExcluir👏🏼👏🏼👏🏼topssimooo
ResponderExcluirA amizade é sempre algo muito especial, seja em que forma for, e não há nada melhor do que podermos compartilhar nossos momentos com bons amigos. Texto lindo!! Que essa amizade descrita no texto, seja fonte de inspiração para que possamos valorizar os amigos que nos acompanham em nossa trajetória de vida.
ResponderExcluirGostei
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