quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Amizade, o ato de respirar juntos


Há muito tempo, por conta de uma brincadeira, nos intitulamos de Anjinhos, assim mesmo no diminutivo. Toda a história teve início a partir de um desenho. Um desenho com cunho, podemos assim dizer, meio pornográfico, coisa bem de adolescente mesmo.

Na verdade, esse desenho virou símbolo da turma e começou a ornamentar os carros e motos desse grupo de amigos. O desenho formatava somente o M de Motel. Era um casal, digamos assim, em um ato de amor.

Digo um ato de amor para não macular a imagem, já que estamos falando do símbolo dos Anjinhos. O desenho foi feito de forma tal que não estampava o ato sexual de forma tão evidente. Ele era sutil, algo que fosse capaz de deixar a imaginação viajar.

O que tínhamos em comum, na verdade o que nos segurou juntos e o que nos tornou anjos da vida uns dos outros, foi o carinho e muita disponibilidade. O carinho que floresceu, sabe-se lá de onde, mas que encontrou um terreno fértil nos nossos corações.

O vínculo de união desse grupo foi sendo naturalmente fortalecido, cada acontecimento ampliava a ideia de que respirar juntos era muito mais gostoso, e isso foi se tornando um hábito.

Não que fôssemos dependentes uns dos outros. Não. Isso tudo era muito mais pela forma que a presença de cada um fazia a diferença na felicidade que nós vivíamos. Posso dizer que estar juntos era inebriante.

Essa ideia, essa interpretação de respirar juntos, vinha de uma proteção que cada um oferecia gratuitamente ao outro. Uma interpretação que foi dada pelo pai de um dos membros da turma. Alguém que tinha muito gosto de ver os filhos dentro dessa turma.

Ele disse de forma bem textual: “o fato de saber que meus filhos estão com esse grupo de amigos, me oferece uma tranquilidade gigantesca. Eu vejo o quanto o grupo se protege e se cobra. Respirando juntos assim, ninguém consegue fazer nenhuma besteira”.

Essa cobrança, na verdade, fazia com que todos caminhassem dentro de algumas regras, as regras que são naturalmente impostas pelo grupo. Acaba que o grupo não permite que ninguém saia da linha. 

Nós éramos de fato um bando de “aborrecentes”. Um bando mesmo, muitas cabeças, muitas criações diferentes, formação de conceitos diferentes, jeito de lidar com as coisas diferente.

Sempre fomos pessoas de paz. Nunca fomos desordeiros demais, pelo menos não no sentido de criar problemas para outras pessoas, ou de encrencar ninguém. Nossas brincadeiras sempre foram do tipo que podemos chamar de “saudáveis”.

Não gostávamos de briga, estávamos sempre promovendo a alegria. Nesse grupo não cabiam as atitudes pesadas que pudessem prejudicar ninguém. Gostávamos mesmo era de estar juntos, de ouvir música, de acompanhar um violão, de pôr a nossa batucada para fazer barulho.

Nós formamos um grupo de amigos do bem, um grupo que nos levava por um caminho de paz, de harmonia, de entrosamento e de cumplicidade. Nós éramos a representação de toda a musicalidade que a vida podia oferecer, e transmitíamos a alegria que a energia de estar juntos nos proporcionava.

Por tudo isso, dá para ressaltar que nós vivemos os nossos momentos, criamos lembranças que, eu tenho certeza, hoje fazem parte da vida de cada um dos que tiveram a felicidade de usufruir da companhia, do carinho e da amizade desse grupo de amigos.

A vida nos ofereceu um momento ímpar, que nem dá para entender de onde ou porque surgiu. Só sei que foi assim, respirando juntos que nos tornamos anjos da vida uns dos outros.

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

Extraído do livro: Anjos daminha vida

 


 

7 comentários:

  1. 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾

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  2. Já tive um grupo assim, faz tempo, realmente existia amizade, hoje é coisa rara. Parabéns pelo texto.

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  3. 👏🏼👏🏼👏🏼topssimooo

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  4. A amizade é sempre algo muito especial, seja em que forma for, e não há nada melhor do que podermos compartilhar nossos momentos com bons amigos. Texto lindo!! Que essa amizade descrita no texto, seja fonte de inspiração para que possamos valorizar os amigos que nos acompanham em nossa trajetória de vida.

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