Gostaria de ser mais avô, de me fazer mais presente do que tenho sido na
vida das minhas netas. É que eu mesmo, me imaginando nessa condição de avô, me
caricaturei, de uma forma bem lúdica, com o comportamento muito próximo do que
foi um dos meus avôs.
Isso não retira a consideração, o respeito, o carinho, ou a admiração
que eu tenho pelos outros. Cada um com as suas características e com as suas
possibilidades. Agora eu até entendo que, dentro do que a vida vai impondo e
proporcionando, cada um faz o que pode.
Mas, um deles, como eu bem disse, teve a possibilidade e a estrutura
necessária para se misturar com os netos. Era bem o jeito dele, de quem não
tinha tido a infância necessária e, por isso, ele se fazia criança, se metia
entre nós. O “sem noção” brigava, como se fosse de igual para igual, pelos
brinquedos que ele gostava.
Esse cara, mesmo com as juntas que não respondiam mais a tudo, se jogava
no chão e brincava como se realmente fosse um menino. Na casa dele, todos os
netos tinham brinquedos guardados. Cada um tinha os seus brinquedos, cada um
tinha a sua caixa de sapatos determinada.
Eram as normas e determinações da minha avó. Uma fortaleza à parte, ela
comandava tudo com a mão de ferro. Para evitar as confusões dos netos, cada um
tinha a sua caixa de sapatos nominada. Lógico que, pela vaidade pessoal, tinha
uma caixa que era a dele. A caixa de sapato com o nome e com os brinquedos do
meu avô.
Esse avô nunca meteu a mão no bolso para dar um bombom a um neto. Muito
pelo contrário, ele brigava era pela panela, quando nós íamos raspar o resto do
doce de leite que a vovó fazia. Ele vinha com a aquela mãozona, maior do que as
nossas, melava tudo. Saia lambendo os dedos e mangando da gente.
Nas minhas melhores lembranças afetivas, essa convivência tem um lugar
muito especial. A criança, que ainda vive no meu coração, tem a referência
desse avô como alguma coisa bem ímpar, diferente de tudo o que todo mundo
viveu. Essa vivência deixou na minha memória um sentimento muito gotoso.
Eu até vivi muito de tudo isso com os meus filhos, com os amigos dos
meus filhos e, por isso mesmo, considero esse o meu lado mais doce. Eu queria
poder oferecer às minhas netas, da mesma forma, esse carinho de vida que eu
recebi. Um exemplo contido de muitas emoções, e que eu ainda não consegui fazer
chegar a elas.
Aélio Jalles (Lelo)

Linda lembrança, também tenho lembranças memorável com meus avós. Marca nossa vida oara sempre.
ResponderExcluirHabita em nosso ser uma criança interior, que traz consigo registros de acontecimentos inesquecíveis de nossa infância. Tenho milhares de lindas recordações.rsrsrs
ResponderExcluirUm adulto que não possui um pouco de criança em si não sabe adoçar a vida. Seu avô deve ter sido uma pessoa muito especial e querida. E espero que você tenha a oportunidade de passar para suas netinhas momentos que possam ficar guardado na memória delas. Lindo texto☺️
Essas lembranças são as que a gente nunca quer perder!! Lindo texto
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