“Na
sua maior parte, a miséria humana é causada pela estupidez e ignorância,
especialmente a ignorância a respeito de nós mesmos”.
Carl Sagan
Dá para imaginar duas pessoas que,
propositadamente, tomem a atitude de tornar-se
infelizes para sempre? Dá para imaginar duas pessoas cegas, seja por ciúmes,
seja por egoísmo, seja pela incapacidade de enxergar o outro, incapazes de ver
que o mesmo amor que lateja no coração de um lateja no coração do outro?
Para mim, o Dudê e a Laura conseguiram esse feito!
A bem da verdade, de forma muito clara, o Dudê sempre diz que: sem ela a vida não tem cor, não tem graça. Ele faz muito bem o tipo do “Eterno Romântico” e que não mede esforços para manifestar esse amor. Não tem como deixar de perceber o sentimento que ele exala.
Ele sempre foi um cara romântico. Um sujeito que diz sonhar com uma vidinha sem pompas, que está constantemente verbalizando aquela história de que tudo poderia ser resumido a um amor e uma cabana. Isso, lógico, se o amor em questão, se a pessoa dentro da cabana fosse a Laura.
Um sentimento que a Laura exala da mesma forma e com a mesma intensidade. Embora na relação ela seja mais fria do que ele, se posicione sempre como mais independente, “a escrotona”, basta observar que ela nunca deixava a distância ficar maior do que o braço dela era capaz de alcançar. Ou pelo menos até então, essa era a medida dela.
É que em algum momento, ela mensurou errado essa distância. Em um dado momento ela permitiu que ficasse maior que o alcance do braço dela. Por um acaso qualquer ela perdeu a mão e a noção do espaço que os separava. Na verdade, ela perdeu o chão quando viu que não tinha mais como puxar ele de volta.
Sente-se com ela em uma mesa. Dê a ela a chance de falar. Em um minuto o assunto se transforma em Dudê. Nos quatro cantos do universo da vida dela existe o Dudê, o que deixa claro que sem ele a vida dela também não tem graça.
Mesmo com todo esse amor, mesmo os dois tendo a consciência do sentimento que carregam e da força que esse sentimento tem, eles não conseguiram vencer as diferenças. Eles não conseguiram se desarmar para enxergar a reciprocidade desse sentimento.
As características pessoais impediram a continuidade do relacionamento. Essas características, os detalhes da personalidade que regem, até de forma involuntária, o comportamento de cada um deles, é o que deixa claro que, apesar do amor, eles não foram feitos um para o outro.
Não dá. A fortaleza de cada uma das personalidades fez com que eles fechassem a tampinha da caixa e deixassem o mundo de amor fora dela. Para complicar, as atitudes impensadas, inconsequentes, foram erguendo um muro, uma barreira que foi capaz de afastar a possibilidade de qualquer reconciliação.
Acho que eles nunca deixaram o amor tomar conta da relação. Eles são a prova viva de que amor sozinho não é suficiente, tem que existir uma construção minimamente inteligente por trás de tudo, para que o sentimento possa funcionar.
O Gonzaguinha citou em uma música algo bem próximo a isso. Embora a música fale de uma decisão de amar, da decisão de nunca deixar de se olhar, no caso deles, eles, propositadamente, tomaram a decisão de fugir desse amor.
A música fala em estrelas que seguem em trajetórias opostas, sem nunca deixar de se olhar. Aqui eu cito que eles tomam trajetórias opostas, como fugir um do outro, mas que nunca vão deixar de se amar.
Lições Do livro: Sem jamais deixar de se amar
Aélio Jalles ( Lelo)









