quinta-feira, 28 de setembro de 2023

A musicalidade do amor vivo


De uma forma qualquer, a música está muito ligada à dor de cotovelo, ao sofrimento da perda, à solidão e coisas do gênero. Como bem disse Vinícius de Moraes: “pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza”.

É a velha “sofrência”, tão bem descrita nos mais diversos estilos de música e, digamos de passagem, com as interpretações mais encantadoras possíveis. É a música ligada ao estado de espírito emocionalmente mais frágil. Talvez exatamente por isso, mais marcante.

De qualquer forma, quero deixar aqui o meu contraponto e ressaltar as músicas que falam do amor vivo. É que o encontro das “almas gêmeas”, essa conexão mágica de relações que a vida pode proporcionar, também tem sua boa representação musical.

Uma sintonia que chega, dentro do que eu mesmo pude perceber, quando o estado de espírito se volta para o outro lado, digamos que, mais positivo. É só uma mudança de chave, é só a apreciação do sentimento em plena vigência da relação, do aqui e agora.

No caso, eu estou só instigando que se possa puxar a sintonia para esse lado, que eu pessoalmente acho, mais bonito. Que se perceba toda a beleza gerada na expectativa cantada pelo Jorge Vercilo, em Monalisa, quando ele diz “E a vida, tão generosa comigo, veio de amigo a amigo, me apresentar a você”.

Dá para imaginar a maturidade de um amor que chega já quando nem se espera mais, quando os sonhos já se desencantaram. Ele foi cantado na voz da Marisa Monte assim “ainda bem, que agora encontrei você, eu realmente não sei, o que eu fiz pra merecer, você”.

Não tem como deixar de enaltecer a incrível descrição da saudade de quem está logo ali, a saudade de quem eu estou prestes a encontrar. Poucas pessoas têm a genialidade do Dominguinhos para dizer “tô com saudades de tu meu desejo, tô com saudades do beijo e do mel, do teu olhar carinhoso, do teu abraço gostoso, de passear no teu céu”

Passaria horas descrevendo todas as músicas que falam desse amor em plena vigência, e de todas as formas que ele já foi descrito. Mais ainda, se eu for falar de quanto tempo eu demorei em acordar e perceber essa sintonia tão gostosa.

Um casal cheio de amor é, na minha visão, a melhor representação de toda a musicalidade que a vida pode oferecer. Nesse estágio, quando a paixão transborda pelos poros, é que se irradia a felicidade de se estar junto.

Um faz a vida do outro, sem o menor esforço, cheia de graça. Afinal, o mesmo Vinícius de Moraes, disse que “É melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe, é assim como luz no coração”.

 

Aélio Jalles (Lelo) 


 

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Amizade, o ato de respirar juntos


Há muito tempo, por conta de uma brincadeira, nos intitulamos de Anjinhos, assim mesmo no diminutivo. Toda a história teve início a partir de um desenho. Um desenho com cunho, podemos assim dizer, meio pornográfico, coisa bem de adolescente mesmo.

Na verdade, esse desenho virou símbolo da turma e começou a ornamentar os carros e motos desse grupo de amigos. O desenho formatava somente o M de Motel. Era um casal, digamos assim, em um ato de amor.

Digo um ato de amor para não macular a imagem, já que estamos falando do símbolo dos Anjinhos. O desenho foi feito de forma tal que não estampava o ato sexual de forma tão evidente. Ele era sutil, algo que fosse capaz de deixar a imaginação viajar.

O que tínhamos em comum, na verdade o que nos segurou juntos e o que nos tornou anjos da vida uns dos outros, foi o carinho e muita disponibilidade. O carinho que floresceu, sabe-se lá de onde, mas que encontrou um terreno fértil nos nossos corações.

O vínculo de união desse grupo foi sendo naturalmente fortalecido, cada acontecimento ampliava a ideia de que respirar juntos era muito mais gostoso, e isso foi se tornando um hábito.

Não que fôssemos dependentes uns dos outros. Não. Isso tudo era muito mais pela forma que a presença de cada um fazia a diferença na felicidade que nós vivíamos. Posso dizer que estar juntos era inebriante.

Essa ideia, essa interpretação de respirar juntos, vinha de uma proteção que cada um oferecia gratuitamente ao outro. Uma interpretação que foi dada pelo pai de um dos membros da turma. Alguém que tinha muito gosto de ver os filhos dentro dessa turma.

Ele disse de forma bem textual: “o fato de saber que meus filhos estão com esse grupo de amigos, me oferece uma tranquilidade gigantesca. Eu vejo o quanto o grupo se protege e se cobra. Respirando juntos assim, ninguém consegue fazer nenhuma besteira”.

Essa cobrança, na verdade, fazia com que todos caminhassem dentro de algumas regras, as regras que são naturalmente impostas pelo grupo. Acaba que o grupo não permite que ninguém saia da linha. 

Nós éramos de fato um bando de “aborrecentes”. Um bando mesmo, muitas cabeças, muitas criações diferentes, formação de conceitos diferentes, jeito de lidar com as coisas diferente.

Sempre fomos pessoas de paz. Nunca fomos desordeiros demais, pelo menos não no sentido de criar problemas para outras pessoas, ou de encrencar ninguém. Nossas brincadeiras sempre foram do tipo que podemos chamar de “saudáveis”.

Não gostávamos de briga, estávamos sempre promovendo a alegria. Nesse grupo não cabiam as atitudes pesadas que pudessem prejudicar ninguém. Gostávamos mesmo era de estar juntos, de ouvir música, de acompanhar um violão, de pôr a nossa batucada para fazer barulho.

Nós formamos um grupo de amigos do bem, um grupo que nos levava por um caminho de paz, de harmonia, de entrosamento e de cumplicidade. Nós éramos a representação de toda a musicalidade que a vida podia oferecer, e transmitíamos a alegria que a energia de estar juntos nos proporcionava.

Por tudo isso, dá para ressaltar que nós vivemos os nossos momentos, criamos lembranças que, eu tenho certeza, hoje fazem parte da vida de cada um dos que tiveram a felicidade de usufruir da companhia, do carinho e da amizade desse grupo de amigos.

A vida nos ofereceu um momento ímpar, que nem dá para entender de onde ou porque surgiu. Só sei que foi assim, respirando juntos que nos tornamos anjos da vida uns dos outros.

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

Extraído do livro: Anjos daminha vida

 


 

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Sob a ótica do Filho


O pai do Luide, apesar dos conceitos patriarcalistas, era um cara de uma cultura interessante, uma pessoa que sabia pensar. Isso pode até não se sobrepor ao machismo exacerbado, mas é um fato capaz de amenizar os efeitos dessas características vindas de uma educação dessas ditas “moralistas”.     

Ponho “moralista” assim, entre aspas, para deixar claro que considero tal forma de educação como uma imposição de determinada aparência social, onde o melhor é “fazer de conta”. Uma imposição que ninguém efetivamente quer cumprir e, mais ainda, ninguém consegue explicar. Trata-se de uma falsa moralidade, que joga para baixo do tapete aquilo que não é para ser visto, ao invés de tentar resolver o problema.

Então, por ser capaz de pensar, o pai do Luide provocou o filho com uma nova conversa. Dessa vez, uma conversa direta de pai para filho, imaginando que, sem a interferência de terceiros, ele poderia se expor mais efetivamente. Era uma boa condição para deixar seus pensamentos fluírem mais soltos.

O pai instigou o Luide: “queria conversar mais com você sobre essa questão da sua relação com a Eli. Sem broncas, meu filho. Eu só quero entender melhor em que pé está esse namoro e, como pai, poder participar mais, poder acompanhar melhor a vida do meu filho. Você acha isso ruim?”

O Luide respondeu de pronto: “de jeito nenhum, meu pai. Muito pelo contrário, eu admiro os pais da Eli por isso. Eles dois, o pai e mãe da minha namorada, são muito participativos, eles acompanham os filhos de perto e, muito ao contrário do comentário do senhor sobre a liberdade exagerada, eles não permitem que aconteça nada com os filhos sem que estejam juntos”.

“Pai”, o Luide disse, “eu já faço parte daquela família há alguns meses. Eu nunca os vi deixarem nenhum fato de lado. Eles conversam sobre tudo. Sempre que acontece alguma coisa, como por exemplo o meu namoro com a Eli, eles chegam junto, conversam, querem saber dos detalhes, aconselham… mas, antes de qualquer coisa, esperam que o filho se posicione”.

O garoto continuou: “como eles dizem, a cada dia que passa os filhos ganham mais liberdade, mais condição de resolver a vida e tomar as próprias decisões. De qualquer forma, eles nunca vão deixar de ser o pai e a mãe de seus filhos, e por isso vão estar ali, juntinhos, para o que der e vier. Lá, os filhos têm o apoio dos pais em tudo o que fazem”. 

Luide, então, relembrou: “foi por isso, pai, que eu chamei a atenção em relação à minha irmã. Eu a vi chorando quando teve sua primeira relação sexual. Eu entendi que ela não tinha com quem conversar, e eu ainda era muito novo para isso. Ela precisava de apoio, de alguém que a norteasse naquele momento”.

O rapaz continuou, dizendo: “hoje eu enxergo que minha irmã foi abusada sexualmente pelo namorado. Ele era bruto, mas ela era apaixonada. Ela se entregou sem saber o que realmente estava fazendo. Eu sei que ela iria ter uma relação sexual mais cedo ou mais tarde, mas poderia não ter sido daquela maneira. O medo, a vergonha, a insegurança que ela sentiu poderiam ter causado problemas sérios para ela. Por sorte o babaca caiu fora”.

Ele ainda acrescentou: “pai, quando eu e a Eli tivemos a nossa primeira relação sexual, ela estava completamente segura do que estava fazendo. Ela estava muito mais segura do que eu. Ela sabia o que fazer, mesmo sem experiência. Ela conhecia os passos que tinha que dar. Acho que por isso foi uma coisa tão gostosa, tão prazerosa e sem nenhuma culpa”.

O Luíde também considerou: “minha irmã pode até ser adulta, financeiramente independente, “de pescoço grosso”, como ela mesma diz... mas mesmo assim, eu acho que ela ainda precisa do apoio de vocês para superar o que aconteceu. Isso definitivamente não pode ficar a cargo das amigas. As amigas dela ainda não têm o conhecimento devido, não têm maturidade”. 

Por fim, disse ainda: “nesse momento eu te peço até desculpas, meu pai, por estar me posicionando assim, como quem quer ensinar alguma coisa. Eu sei que eu ainda não vivi o suficiente para enfrentar os problemas da vida e, querendo ou não, eu não tenho o direito de julgar vocês. Eu não tenho noção do que vocês dois enfrentaram”. 

Na medida em que a conversa rolava, o pai do Luide ia fazendo as suas interferências, colocando as suas posições. No fundo, ele acabou dando corda para que o filho se expressasse. Na verdade, o pai do Luide, apesar de toda a autoridade que ele queria demonstrar, estava encantado de ver o filho ter uma posição tão bem embasada.  

Por isso mesmo o Luide foi se sentindo mais à vontade para falar, para se posicionar e apontar o que ele queria ver no comportamento do pai. Como, por exemplo, ver o pai conversar sobre sexo com a filha. Era um desafio e tanto. Duas pessoas com visões totalmente opostas, tentando chegar a um denominador comum. 

A certa altura, Luide falou: “sabe, pai, aquela coisa de conversar, de trocar ideia com os filhos, dar ouvido, como dizia a minha avó... Essas coisas fazem bem. Seria muito importante para nós dois, seus filhos, ouvir as experiências de vocês, conversar abertamente e trocar ideias. Tanto eu quanto minha irmã temos a necessidade disso”. 

Nesse momento o pai do Luide se desmanchou, deixou que as lágrimas tomassem conta do rosto, abraçou o filho e pediu desculpas. Lá no fundo do coração ele queria ter oferecido tudo isso que estava sendo jogado na cara dele. Ele queria ter estado mais próximo dos filhos, e viu isso se esvair por consequência dos caminhos e da dureza da vida.

Fechando a conversa, o Luide falou: “pai, eu sei que existe muito amor entre nós. O senhor e a mamãe construíram uma família, nos ofereceram boas condições de vida e nos nortearam. Fomos criados dentro dos princípios de vida que vocês tinham nas mãos, e que achavam ser o correto. Eu e a minha irmã temos muito a agradecer e admirar vocês por tudo isso”.

E concluiu: “mas pai, nós estamos crescendo. Na medida em que o tempo passa, nós vamos ganhando alguns conhecimentos, e podemos contribuir com o andamento da nossa família. Não é uma questão de querer ensinar, é a condição de trazer para o seio da família novas formas de ver e entender o que o mundo está nos oferecendo”.

 

 Aélio Jalles (Lelo) 

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

 

Capitulo 01: O primeiro beijo

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Capitulo 02: O curso da vida

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Capitulo 03: E Ai Cadê meu ovo?

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Capitulo 04: O Desabrochar da Sexualidade

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Capitulo 05: A primeira vez

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Capitulo 06: Sexo a Conexão das Almas

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Capitulo 07: O Abraço da Confiança

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Capitulo 08: As novas cores do Arco-Íris

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Capitulo 09:  A Liberdade da Libido 

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Capitulo 10: Equidade é uma questão de respeito 

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Capitulo 11: Sob a ótica do filho

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Capitulo 12: O valor de uma relação maturada

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terça-feira, 5 de setembro de 2023

Civilidade

 



Nós vivemos em sociedade, e, de uma forma qualquer, dependemos um dos outros. Isso independe da concepção individual de alguns que se acham melhores, maiores ou até mesmo se imaginam independentes da humanidade. No meu modo de ver, por ignorância ou mera estupidez.

Na minha boa fé, eu penso: foi exatamente essa associatividade dos seres humanos que nos fez tão fortes e duradouros diante do mundo. Foi por conta dessa associatividade que vencemos, em parte, a capacidade da natureza de se renovar. Nós, seres humanos, inventamos a velhice.

Saímos de qualquer linha estabelecida e fomos parar no topo da cadeia alimentar. Agora estamos vivenciando o desafio da convivência, no estabelecimento das relações, na construção do que se pode chamar de dinâmica da consciência coletiva.

Então, entendo que essa consciência social é dinâmica pela necessidade de se renovar constantemente, de se moldar aos conceitos e preceitos de cada época. A evolução das relações gera a necessidade da evolução do entendimento acerca da convivência em sociedade.

O conceito de civilidade difere do conceito do “Politicamente Correto”. Dentro da minha compreensão, a civilidade está muito mais ligada à ética, à conduta do que se faz simplesmente pelo bem-estar geral, porque e assim que deve ser feito.    

Ética, em uma definição simplória, é tudo aquilo que se faz porque é bom, porque é justo e porque coloca o respeito ao que é coletivo acima dos interesses individuais. Ética ou, como aqui eu estou querendo traduzir, “civilidade” é a obediência ao que não é obrigatório.   

Isto não se aprende com teorias. Isso se aprende nos exemplos, nos processos de vida. Trata-se de uma coisa cultural que vem com a educação, com a conscientização do papel social que cada indivíduo deve exercer para fazer a diferença na construção de uma sociedade mais justa, livre e solidária.

Somos indivíduos inseridos em uma rede de relações. Pertencemos aos mais diversos grupos (família, amigos, vizinhos etc.), e deles extraímos as condições necessárias para a nossa sobrevivência. Como integrante desses grupos, somos responsáveis pelo bom funcionamento de todos os processos dessa coletividade.

Todos, sem uma única exceção, devem dar a sua contribuição ao contexto de vida e bem estar comum. No meu modo de ver, a “civilidade” se encontra nos detalhes mais cotidianos. Em reciclar o lixo, no observar o posicionamento adequado do carro na vaga, na utilização devida dos bens comuns e coisas do gênero.

A “civilidade” é expressa por um conjunto de atitudes que possibilitam a atuação de cada um de nós, como responsáveis, como atores protagonistas de um mundo melhor.

 

Aélio Jalles (Lelo)

 


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segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Equidade é uma questão de respeito.


 

Luide estava com um nó na garganta por um comentário da sua mãe sobre a Eli. Durante a festa da noite anterior, na casa dos pais do Luide, uma roda de mulheres discutia a questão da liberdade sexual, dissecando os limites dessa liberdade em relação à promiscuidade.

Na roda, a diversidade de opiniões reinava. De um lado, as senhoras mais conservadoras defendendo a pureza do pensamento das ditas “mulheres virtuosas”, do outro, as feministas exacerbadas que queriam a todo custo a condição igualdade entre os gêneros.

No meio da história, a Eli tomou a palavra e se posicionou diante do grupo. Ela falou que o fato de ter conhecimento a respeito do assunto, o que fugia do conceito de virtuosidade que fora pregado, lhe ofereceu a oportunidade de tratar o sexo em igualdade de condições com o Luide.

A moça foi se empoderando na medida em que percebeu a atenção das senhoras.  Mais uma vez, a Eli se posicionou como uma pessoa que sabia se reconhecer como mulher, e que sabia valorizar a sexualidade feminina. Ela explanava sobre o assunto com muita clareza, dando uma beleza incomum ao prazer de saber usar o corpo da forma correta.

A maneira desprendida com a qual Eli se pronunciou, chamou muito a atenção da mãe do Luide. Ela, a mãe do garoto, vinha de uma criação patriarcalista, com uma formação religiosa das mais opressoras. Isso induz a um raciocínio social que classifica a mulher, quase que diretamente, como objeto de uso e sem desejos próprios. Queira ou não essa concepção permanece nas entranhas do pensamento, e romper com ela não é assim tão fácil.

Não foi por maldade, mas a mãe do Luide acabou soltando um desses comentários que ferem, dizendo que aquele tipo de pensamento não cabia a uma mulher séria. Um comentário que mexeu com o Luide, mas que ele achou melhor não retrucar naquele momento. Aquela seria uma conversa para ele ter com a mãe em outro momento. 

Na manhã do dia seguinte, na mesa do café, sabendo que não seria uma conversa que ficaria somente entre os dois, o rapaz puxou o assunto. Ele propositalmente jogou na mesa o comentário da mãe, ciente de que o pai e a irmã participariam do assunto. Ele queria que fosse assim.

O pai, apesar de ser mais aberto que a mãe para essas coisas, também estava sempre mostrando o raciocínio machista. Já a irmã, mais velha que o rapaz, já independente, era uma dessas feministas exacerbadas. Ela era dessas que defendem a igualdade de gêneros a todo custo e o Luide não tinha dúvida que isso fosse o contraponto ideal, em relação aos pais.

Quando o Luide questionou a mãe e expôs o comentário que ela fez, os outros dois, o pai e a irmã, arregalaram os olhos. A mãe sentiu de pronto que tinha falado demais, que tinha expressado uma opinião que não deveria. Ela realmente não imaginou o peso que seu comentário teve na cabeça do filho, e buscou se desculpar.

O pai, como todo bom patriarca, fez um comentário cheio de autoridade, dizendo ”eu acho que os pais dela são muito liberais, eles têm uma forma de educar muito solta, mas ele é quem tem que ver onde está se metendo. O menino tem que aprender a tomar as decisões dele”. O comentário do pai, no fundo, ratificou toda a questão.

Mesmo antes do Luide se posicionar, a irmã deu o veredito: “vocês dois são muito quadrados. Não sei em que mundo vocês estão vivendo. A mamãe presa a esse mundinho das amigas, um bando de carochinhas amarradas aos ensinamentos da igreja. Ensinamentos que pregam que mulher sentir prazer é pecado”.

E continuou dizendo, “e o senhor, meu pai, vive imerso às concepções de vida da era medieval. Homem pode tudo e mulher não podem nada. Está na hora dos dois acordarem. Não existe mais essa história de que isso é coisa de homem, ou que isso é coisa de mulher. Hoje essa ideia não vinga mais, esse tipo de pensamento não tem mais cabimento”.

“A Eli falou foi com muita propriedade”, disse a irmã do Luide. “sexo foi feito para os dois, tanto para o homem, quanto a mulher, os dois têm que sentir prazer. Se vocês dois nunca me ouviram falar sobre isso, é porque vocês nunca me deram nem chance de falar. Os dois sempre foram covardes, nunca tiveram coragem de ter uma conversa franca com a filha. E quer saber?! Meus parabéns aos pais da Eli”. 

Nesse momento, o Luide interveio. Ele tentou abrandar a fala da irmã, mas ressaltou a razão de todo o rancor que ela estava exprimindo. Ele disse, “não tem mais como, no mundo de hoje, pensar que santidade é se abster da sexualidade. Existem escândalos para todos os lados. Um monte de gente que se dizia pura cometendo os maiores abusos, usando crianças”, por exemplo.

O rapaz então completou, “meu pai e minha mãe, eu agora estou pedindo para que vocês pensem sobre o assunto. Olhem para a minha irmã. Hoje ela é maior de idade, mas dá para imaginar o que ela sofreu no seu desenvolvimento sexual por falta de apoio? Hoje ela pode gritar, mas e quando ela tinha que se esconder? Inclusive de vocês dois! Tudo porque não podia se expor, dá para imaginar?”

Acrescentou ainda, “fomos feitos diferentes, e isso tem seu propósito. A questão é que essas diferenças devem ser vistas com respeito, buscando entender que fomos feitos para viver em comunidade e que precisamos uns dos outros. Em seu tempo cada virtude vai se fazer necessária e, por isso mesmo, todas merecem apreciação”.

Disse ainda, “Essas pregações da minha irmã, bem características de um feminismo mais radical, constroem mais barreiras que pontes no diálogo necessário para compreender pelo que elas vêm lutando há tantas décadas”.

“Na minha visão”, continuou o Luide, “existem sim coisas de mulher, características que são mais acentuadas e adequadas ao sexo feminino, assim como existem coisas que são mais acentuadas e adequadas ao sexo masculino. São características e não necessariamente significa que tem que ser bom ou ruim”.  

“Na verdade, eu queria muito é que vocês fossem capazes de olhar um para outro com equidade. Não é com igualdade como prega minha irmã. A equidade visa o ajuste de condições, é a forma de oferecer o que cada um precisa, para que os dois possam se satisfazer. Para que os dois possam ter a mesma realização e prazer”.

E finalizou, “essa equidade tem início quando se tem na cabeça o princípio da consideração e do respeito mútuo. E é aqui, minha mãe, que eu quero rebater a sua fala de ontem. A seriedade da Eli, de fato, está na consideração e no respeito que ela distribui. O respeito que ela tem por mim, pelos pais, por vocês, meus pais, e pelas pessoas no geral”.

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

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Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

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Capitulo 03: A primeira vez

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Capitulo 04: Sexo a Conexão das Almas

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Capitulo 05: O Abraço da Confiança

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Capitulo 06: As novas cores do Arco-Íris

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Capitulo 07:  A Liberdade da Libido 

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quinta-feira, 17 de agosto de 2023

A Liberdade da Libido


 

Eli conversava com as suas amigas sobre a descoberta da sua sexualidade e tudo o que vinha acontecendo na relação que ela estava vivendo com o Luide. Ela falava dos medos que enfrentou, das suas incertezas e das dúvidas que ela pessoalmente tinha. Tudo estava dentro do processo natural das descobertas que acontecem na adolescência.

Entender seu corpo, ter a coragem para se tocar, se olhar sem se deixar constranger pela censura “moral”, já era uma grande vitória. A cultura que oprime a sexualidade da mulher é muito arraigada em todos os processos da vida, e ultrapassar essa barreira é uma conquista pessoal muito significativa.

Quando Eli comentava com as amigas os passos que ela conseguia dar, as meninas se surpreendiam. É que o processo de descobrimento do corpo não acontece assim, em um estalo. O corpo não funciona com interruptores que ligam e desligam simplesmente. Ele precisa ser estimulado para conseguir oferecer as reações adequadas.

Aprender a se olhar, a se tocar, a se apreciar devidamente é o início de tudo. Descobrir de onde brota o prazer, entender onde estão os gatilhos que podem potencializar os desejos e estimular o corpo a viver essas sensações, é libertador. Mais ainda, entender as ações que se pode, e se deve, tomar para provocar as reações corretas do corpo, são detalhes que cobram tempo e paciência. 

O pai da Eli pregava que era exatamente por isso que as mulheres precisavam ser instigadas a esse tipo de descoberta. Isso acontece com os meninos. Todos os meninos são instigados a desenvolver a sexualidade. De uma forma bastante grosseira, a sociedade cobra dos homens que eles sejam os escrotões. 

A sociedade pressiona o homem, desde muito novo, a se afirmar como “machão”. O homem é culturalmente educado para se isentar dos sentimentos e se tornar capaz de pegar todas as mulheres que aparecem na sua frente. Isso vulgariza o ato sexual e faz com que a mulher seja vista somente como objeto.

Do outro lado, a opressão sobre a mulher, maculando quem se deixa levar pelos sentimentos, pelas vontades, pelos instintos sexuais. A sociedade, por toda a sua concepção machista, patriarcalista, força a mulher a se isentar dos seus próprios desejos, para se deixar abusar pelo desejo do macho.

A questão é que esse mesmo macho vem aos poucos entendendo a beleza de uma relação de mão dupla. Embora com toda uma concepção arraigada, ele vem se perguntando: E onde fica a beleza de toda essa sexualidade contida no corpo da mulher? Como entender essa energia que passa pelo corpo e faz vibrar os “sinos” do mundo?     

A mãe da Eli, por exemplo, dizia que foi descobrindo a sua sexualidade que ela entendeu como se prevenir dos abusos. Segundo ela, a mulher enfrenta obstáculos muito pesados para se descobrir, mas quando ela começa a vencer as barreiras, a  entender o seu corpo, ela sai da fase do medo e se torna mais altiva. Ela passa a fazer parte da relação em pé de igualdade, e evita a possibilidade de se tornar um objeto nas mãos dos homens.   

Eli era uma prova viva dessa orientação inclusiva. Ela era capaz de encarnar, com muita propriedade, a pessoa que descobriu a beleza da sua sexualidade e, exatamente por isso, podia fazer uso do seu corpo com muita confiança. Tanto que nem mesmo a primeira relação foi um problema.

 

Ela era capaz de exprimir com muita facilidade os detalhes do que aconteceu na sua primeira vez. Ela exprimia os sentimentos que brotaram e detalhava cada sensação, mostrando às suas amigas que, tendo o conhecimento, não existe por que continuar tendo medo. Desde que você saiba o que está fazendo, a iniciação sexual se torna uma coisa muito simples.

 

Eli sabia do peso que esse assunto tinha para a maioria das amigas. Mas, quando ela usava os depoimentos e as falas dos seus pais, sempre que ela citava a facilidade que tinha para conversar com o pai, por exemplo, as amigas literalmente babavam.

A maioria das meninas acabava recebendo uma orientação sexual ainda muito opressora. Muitas meninas nem conseguiam conversar sobre o assunto com os pais. Sexo era um assunto proibido dentro das rodas familiares. Para a maioria dos pais, mesmo em uma época dessas, esse assunto ainda é um tabu.

As amigas se espantavam com os depoimentos da Eli. Elas não acreditavam que ela tivesse tanta facilidade de conversar sobre isso. É que Eli tratava o assunto com leveza e propriedade, como uma pessoa que foi capaz de se entender como mulher. Não só se entender como dar valor a toda a beleza que existia na aura da sexualidade feminina.

 

Então, quando a Eli se fazia valer dos ensinamentos do pai, e apresentava os exemplos e as indicações dele, o espanto era geral. O pai dela virava pelo avesso os conceitos deturpados que vulgarizavam a libido da mulher, e se posicionava como um admirador de todas as mulheres que conseguiam vencer tal barreira.

Segundo ele, essas são as mulheres que vão participar de uma relação de forma integral, sabendo o que querem e como querem. Esse equilíbrio é o que vai permitir que o fluido de energia circule livremente pelos corpos e possa proporcionar a mesma sensação de prazer para os dois.

O pai da Eli pregava que, por ter a sexualidade aflorada, até o processo de escolha de um bom parceiro seria facilitado. Quem sabe o que esperar de uma relação sexual, jamais vai se contentar com qualquer coisa. O conhecimento naturalmente oferece parâmetros mais elevados, e isso aumenta a exigência. 

 

Ele, o pai da Eli, defendia abertamente que só se pode alcançar esse patamar de equilíbrio de forças em uma relação, principalmente na relação física, quando os dois conhecem os caminhos que levam ao destino almejado. Só assim eles serão capazes de conduzir, um ao outro, pelos caminhos que levam ao ápice do prazer.

Talvez, e até por isso mesmo, Eli tinha nas mãos um parceiro tão adequado. O Luide fazia o tipo compreensivo, atencioso e muito confiante. Um homem com as características de força e atitude que seduzem uma mulher, sem deixar de lado a sensibilidade. Tudo o que uma mulher precisa para deixar a coisa acontecer com segurança.

 

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

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Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

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Capitulo 03: A primeira vez

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Capitulo 04: Sexo a Conexão das Almas

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Capitulo 05: O Abraço da Confiança

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Capitulo 06: As novas cores do Arco-Íris

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sábado, 12 de agosto de 2023

E o que é ser pai?


 

E como definir um sentimento tão exuberante?  Eu diria que esse é o sentimento que representa a maior sensação de grandeza de um homem. É um sentimento forte, mas que nos leva do poderosamente responsável à inquietante sensação de impotência. E tudo assim, quase em um mesmo instante.

Um filho nos faz ansiar pela vida, nos remete aos planos de tudo o que nós gostaríamos de viver com aquela criança. Da mesma forma, nos provoca uma análise dos erros que supostamente nós não gostaríamos de cometer com eles. Um parâmetro que, no meu caso, se apresentou naturalmente.  

Sobre o filho, queremos que seja grande e que tenha sucesso. Queremos que seja uma pessoa boa, de boa índole, que conquiste o mundo, se possível, e, muitas vezes, desejamos até que ele realize muito daquilo que nós não conseguimos realizar.  

Quem sabe possa se lembrar de algumas boas lições, dos conselhos que oferecemos. Quem sabe ele utilize as referências que fomos capazes de apresentar, e que isso possa fazer a diferença no seu processo de vida.    

No fundo, guardamos é o desejo de que ele não nos esqueça. Todo pai deseja que o filho busque o apoio, o consolo, quem sabe um conselho, pelo menos de vez em quando. É que é gostosa a sensação de fazer parte da vida dele, de poder apoiar os momentos mais críticos, assim como de curtir cada uma das suas vitórias.

Ninguém é perfeito, e ele um dia vai ter que admitir isso também. Ele também vai acabar entendendo que no filme da vida não existe ensaio, é tudo feito de pronto, nem mesmo dá para repassar uma cena. As decisões que tomamos fazem parte de um script que não vem pronto.   

Eu sei que vou ser reconhecido, assim como vou ser cobrado da mesma forma, pelas marcas que eu fui espalhando pela vida. Só espero que as coisas boas superem os meus “desfeitos”. Quem sabe eu possa me sair bem nessa avalição, ser tido como pai.

 

Aélio Jalles (Lelo)

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

As novas cores do Arco-Íris



Eli e Luíde estavam vivendo um lindo momento das suas vidas. Eles estavam vivenciando uma relação equilibrada e cheia de tudo o que é bom. Uma relação, por assim dizer, do bem e isso faz bem ao corpo e à alma. Uma energia que irradia até mesmo na forma de falar.

A Eli se deixava levar pelos ensinamentos do pai e buscava trazer, para a relação deles, aquelas verdades. Ela partia da experiência de vida dos pais, mas, por ter uma personalidade bem formada, ela era capaz de recriar e adequar a realidade desses ensinamentos para ela. Para que fique ainda mais claro, a Eli buscava sempre uma coerência no que ela assumia como sendo o melhor para a condução da vida deles. 

Eles tinham a vantagem de saber conversar, de trocar ideias sem que nenhum dos dois fosse obrigado a engolir a vontade do outro. Essa paridade do casal foi se tornando uma das vigas-mestras do relacionamento. Os dois trocavam ideias e encontravam as medidas adequadas para que fosse possível desenhar um caminho a ser seguido, criando uma consciência para  o casal.

O tempo que eles tinham, ao lado um do outro, era sempre muito proveitoso. Isso ficava latente pela cumplicidade das atitudes, na forma que um tratava o outro, na atenção e na reverberação das falas. Eles caminhavam de mãos dadas, mesmo quando existia entre eles uma distância física. A separação dos corpos não era um problema, a afinidade do casal ultrapassava essa barreira.

Sabe aquela situação em que, em uma festa, no meio de um mar de gente, os olhares se buscam? Não, isso não é como quem tem a necessidade de controlar o outro, isso é só a necessidade de se ver e de dizer um ao outro: “olha eu estou aqui bem ao seu lado, fica tranquilo”. Isso é quando um simples olhar se traduz em um eu amo você.

A energia que envolvia a relação deles dois era mesmo mágica. A gente pode perceber quando um casal vive feliz só pela atração que eles provocam. De uma forma bem simples, um casal feliz ilumina a vida dos amigos e se torna naturalmente a referência do grupo. Isso atrai vida, atrai gente. Isso se torna uma árvore frondosa, da qual todo mundo quer aproveitar a sombra.

As novas cores do arco-íris fazem referência exatamente a essa energia que envolvia a relação, uma alusão ao tratamento de paridade e pertencimento que existia entre eles. Onde até o sexo deixava de ser um ato, como uma peça em que o desempenho poderia se destacar, para virar uma conexão, onde simplesmente a união dos corpos se transforma no ponto máximo.

Quando você se conecta a alguém, a performance deixa de ser uma prerrogativa. Em uma troca de energia, as coisas simplesmente vão acontecendo, e a sucessão de sons, de gritos, de gemidos, passa a se enquadrar em uma sinfonia, orquestrada pelo delírio que esse prazer provoca.

Na verdade, uma sintonia que se origina no compasso da batida dos corações e que é regido pelo prazer de se estar junto e intermitentemente ligados. Esse é o momento em que a pessoa se encontra no melhor lugar do mundo, no melhor momento do mundo e a vida não precisaria ser mais do que o aqui e o agora. 

Nesse momento não existe dominado nem dominante. A imensidão do desejo se funde e se confunde, ultrapassando as raias do que é lógico, e se fazendo somente um “ardente delírio”. Aqui não se precisa pensar em paridade, pois nesse momento os dois seres se findam na “infinitude” da paz do prazer. Aqui eles são “UNO”! 

A descoberta da sexualidade feminina deu às pessoas a oportunidade dessa nova versão. Quando a mulher é capaz de se reconhecer, de se permitir, de romper com os conceitos deturpados da sociedade, conceitos que vulgarizam a sexualidade, ela se eleva e traz consigo a possibilidade de vivenciar isso como uma conexão.

Temos que entender que somos seres complementares, onde muito além de qualquer necessidade, temos a possibilidade de ser muito mais juntos. Que basta ser capaz de oferecer o que você tem de melhor e receber, simplesmente receber, o que o outro pode lhe oferecer “de mão beijada”, para ser feliz.

 

Aélio Jalles (Lelo)

 

Livro: Era Uma Vez Meu Coração

Capitulo 01: E Ai K dê meu ovo?

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Capitulo 02: O Desabrochar da Sexualidade

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Capitulo 03: A primeira vez

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Capitulo 04: Sexo a Conexão das Almas

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Capitulo 05: O Abraço da Confiança

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Capitulo 06: As novas cores do Arco-Íris

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Capitulo 07:  A Liberdade da Libido 

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A mentira de mil vezes

O efeito da chamada “Mentira Ilusória” já é de senso comum e os efeitos dela sobre a ação cognitiva do ser humano, também. Não, eu não sou p...