Já tinha sido o
dia todo de festa. Era o aniversário da mãe do Luide e o domingo tinha se
transformado em uma grande reunião de família e dos amigos dos pais dele. Eli e
os pais faziam parte, as famílias já se reconheciam.
Os pais do
Luide já tinham percebido que o convívio com a família da Eli fazia bem ao
filho. Era notável o quanto ele tinha desenvolvido sua personalidade, ganhado
confiança e de como sua postura já tinha influenciado, trazido para o seio da
família dele, alguns benefícios.
As conversas
familiares na casa do Luide tinham se intensificado. As ocasiões em que estavam todos juntos
tinham se multiplicado também e a troca de informações entre os pais, o Luide e
a irmã tinha ganhado fluidez. Era sem dúvidas uma influência direta da relação
da casa da Eli.
Já para o final
da festa, ficando somente um núcleo bem pequeno dos amigos e familiares, os
mais chegados de fato, o pai do Luide resolveu instigar o pai da Eli. Era como
deixar fluir uma verdadeira mistura de sentimentos. Curiosidade, afronta,
necessidade de se mostrar, sem falar que ele queria pôr à prova as pregações
que o filho fazia.
Ele tirou
proveito de uma linha de raciocínio, uma deixa da conversa que eles estavam
tendo, e jogou a pergunta no ar, só que, na verdade, a pergunta era muito bem
direcionada ao pai da Eli. A pergunta, envolta em questionamentos e ponderações
sobre as relações dos casais, dizia: quem pode me explicar o que significa ter
uma relação maturada?
De pronto o
Luide quis repreender o pai, mas o sogro tomou a palavra. Ele disse de forma
muito bem humorada: “eu acho que essa é uma pergunta quase direta para mim.
Essa é uma pregação muito pessoal que eu tenho feito aos nossos filhos. Se mais
alguém quiser dizer alguma coisa, fique à vontade, e se não, vou tentar
oferecer a vocês o meu raciocínio”.
Ele aguardou o
silêncio se concretizar e falou: “tem duas características que eu valorizo
muito em uma relação. A primeira é a equidade, o equilíbrio de forças entre os
pares, a condição de que os dois estão sempre dentro da mesma medida e do mesmo
patamar. Eu penso que esse é um primeiro passo, para que uma relação possa ter
longevidade, com saúde”.
Ele continuou:
“a segunda é a maturidade, colocando essa como a característica necessária para
que um seja capaz de escutar o outro. A maturidade, nesse caso, acaba sendo a
condição necessária para que nenhum dos dois tome uma decisão unilateral”.
Ainda na fala dele: “assim, eu tenho como uma relação maturada a relação onde os dois se conhecem de forma muito profunda. Eles já conversaram tanto, já se escutaram tanto, que um conhece a opinião do outro, de forma clara e transparente. Uma relação que só se constrói se um for capaz, principalmente, de escutar o outro”.
Aí, para não
permitir que a conversa virasse um monólogo, a mãe da Eli resolveu intervir:
“eu queria falar aqui, para que todos pudessem pensar, para nós mulheres ainda
não é fácil entender essa questão da equidade, sem pensar em guerra dos sexos”.
Ela continuou:
“como a grande maioria das mulheres, eu venho de uma criação patriarcalista,
machista, sexista e mais um monte dessas coisas. Nós não recebemos uma formação
sexual inclusiva, capaz de nos fazer entender que sexo era bom, que fazia bem e
que nós tínhamos o mesmo direito ao prazer”.
Nessa hora a
plateia já estava de olhos arregalados, mas ela só aproveitou a atenção: “meu
marido é maior que eu, se eu quiser medir forças com ele, eu acho que vou me
dar mal. Mas eu quero me agarrar com ele. Eu quero me prender a ele e somar
forças. Juntos nós somos maiores e mais fortes”.
Em uma dessas
sintonias que chamam a atenção, o pai da Eli tomou a palavra: “a gente sempre
tenta puxar o nosso par para o nosso mundo. Só que não é assim que as coisas
funcionam, as medidas da relação têm que ser embasadas pelos dois, a gente tem
que saber entender o que dá mais certo”.
Ainda na mesma
sintonia, a mãe completa: “Maturada é uma relação que já levou tanta paulada,
que se moldou devidamente. É difícil moldar alguma coisa sem levar em conta a
parcela de sacrifício que se tem que viver. Só não se pode querer que o
sacrifício venha só de um lado. Os dois devem ceder”.
Aí, para
completar a fala, para fechar com chave de ouro, entra em cena a voz do Luide:
“aceitar que o mundo não é feito somente
das suas verdades é uma lição muito difícil de entender”. O garoto foi
apresentando a sua maturidade e falando com muita segurança.
Ele fechou a fala e a conversa dizendo: “eu venho entendendo cada vez
mais que o amor é uma construção diária e não uma coisa casual. A decisão de
caminhar juntos cobra da gente a ampliação da nossa flexibilidade e da nossa
resiliência. Para sonhar um sonho a dois se faz necessário trilhar um caminho
que não é só seu”.
Livro:
Era Uma Vez Meu Coração
Capitulo
01: O primeiro beijo
Link do Texto:
Capitulo
02: O curso da vida
Link do Texto:
Capitulo
03: E Ai Cadê meu ovo?
Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/e-ai-k-de-meu-ovo.html
Capitulo
04: O Desabrochar da Sexualidade
Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/04/o-desabrochar-da-sexualidade.html
Capitulo 05: A
primeira vez
Link https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/a-primeira-vez.html
Capitulo
06: Sexo a Conexão das Almas
Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/05/sexo-conexao-das-almas.html
Capitulo
07: O Abraço da Confiança
Link do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/07/o-abraco-da-confinca.html
Capitulo
08: As novas cores do Arco-Íris
Link
do Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/08/as-novas-cores-do-arco-iris.html
Capitulo
09: A Liberdade da Libido
Link do
Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/08/a-liberdade-da-libido.html
Capitulo 10:
Equidade é uma questão de respeito
Link do
Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/08/equidade-e-uma-questao-de-respeito.html
Capitulo
11: Sob a ótica do filho
Link
do texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/09/sob-otica-do-filho.html
Capitulo
12: O valor de uma relação maturada
Link do
Texto: https://aeliojalles.blogspot.com/2023/10/o-valor-de-uma-relacao-maturada.html








